7.11.19

Sobre Não Te Esqueças de Viver — Goethe e a Tradição dos Exercícios Espirituais, de Pierre Hadot




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Não Te Esqueças de Viver — Goethe e a Tradição dos Exercícios Espirituais, de Pierre Hadot (trad. Maria Etelvina Santos)

«Ao meu neto Adrien Pagano. Como prova de reconhecimento por tudo o que ele me trouxe.» Eis a dedicatória de Não Te Esqueças de Viver, pressentimento da morte e tributo da velhice à infância. No subtítulo Goethe e a Tradição dos Exercícios Espirituais acha-se a fonte de entendimento de toda a obra. Agora que o filósofo se está a despedir da vida, regressa ao poeta por quem sempre se interessou e reúne os despojos — artigos dispersos — da felicidade, a deusa das pessoas vivas, como Goethe lhe chama. É assim que Não Te Esqueças de Viver se torna ao mesmo tempo um testamento e uma preparação para a morte. 
À pergunta de Agostinho: «pode o homem ser feliz e mortal?», responde Clarice Lispector: «amar a vida mortal, isso é a felicidade». Na tensão criada por esta pergunta e por esta resposta inscrevem-se os exercícios espirituais encontrados por Pierre Hadot em Goethe, prolongados em Nietzsche e confirmados nos filósofos gregos e latinos, em particular, estóicos e epicuristas. [Maria Filomena Molder]

Sobre O Regresso de Mary Poppins, de P. L. Travers




Puxada das nuvens pela corda de um papagaio, Mary Poppins está de volta. Com ela, as crianças da família Banks conhecem o Rei do Castelo e o Grande Marmelo, visitam o mundo de pernas para o ar do Senhor Doavesso e da sua noiva, a Mna. Tartelete, e passam uma intensa tarde no parque, suspensos num conjunto de balões.

«Mary Poppins nunca consegue distinguir o mundo real do da fantasia. E o mesmo acontece ao leitor. Essa é uma das características da grande fantasia.» [The New York Times]


O Regresso de Mary Poppins (Helena Briga Nogueira) e Mary Poppins (José Miguel Silva) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/p-l-travers/

6.11.19

Sobre Poemas e Canções I, de Leonard Cohen




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Poemas e Canções I, de Leonard Cohen (trad. Margarida Vale de Gato e Manuel Alberto, revista por Margarida Vale de Gato e Pedro Mexia)

Poemas e Canções é a mais vasta antologia de Leonard Cohen até hoje publicada. Escolhida com a participação do próprio autor, e integrando vários poemas inéditos, reúne os principais textos — se exceptuarmos os romances — da sua produção literária e musical. No seu conjunto, é uma viagem imaginária através da beleza, do horror, do amor e do desespero.
Leonard Cohen nasceu em Montreal em 1934. Em 1956 editou Comparemos Mitologias. O seu primeiro disco, Songs of Leonard Cohen, divulgado em 1967, foi um assinalável início musical e popularizou algumas das suas canções mais famosas, como “Suzanne”.Desde os anos 60, foram publicados onze livros de poemas, dois romances e dezassete álbuns musicais de Cohen, que o tornaram um dos mais conhecidos e influentes artistas, no Canadá, nos Estados Unidos da América e na Europa.


De Leonard Cohen a Relógio D’Água publicou também o livro póstumo, A Chama, com tradução de Inês Dias. Em breve chegará às livrarias o segundo volume de Poemas e Canções, também traduzido por Inês Dias.

Sobre Pensar sem Corrimão, de Hannah Arendt




«Tema recorrente é o pensamento, que ela considera a única “reconciliação” e distingue não apenas da ação como da aquisição de conhecimento. Não por acaso, a sua última obra, na qual estava a trabalhar quando morreu, intitulava-se “A Vida da Mente”. Seria o culminar de um percurso que tinha começado nos gregos antigos, para os quais, curiosamente, também remetia o pensamento de Arendt sobre política. Noutra obra que a mesma editora acaba de republicar, ela compara favoravelmente a revolução americana com a francesa. O texto “Revolução e Liberdade, Uma Palestra”, recolhido no presente volume, fala da relação entre guerra e revolução e do valor da liberdade vs. os de bem-estar, segurança e justiça, avisando “aqueles que, sem grande mérito próprio, gozam do privilégio de usufruir de condições que permitem que vivam com dignidade e ajam com liberdade” de que “os alicerces dessa liberdade foram lançados numa revolução (…) feita por homens que valorizavam a sua felicidade pública e a sua liberdade pública, pelo menos tanto, se não mais, quando valorizavam o seu bem-estar privado e os seus direitos civis”. » [Luís M. Faria, E, Expresso, 2/11/2019]


Pensar sem Corrimão, Sobre a Revolução e outras obras de Hannah Arendt estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/hannah-arendt/

5.11.19

Mário Cláudio sobre Agustina Bessa-Luís, em entrevista na LER






«— Estamos a conversar um mês depois da morte de Agustina Bessa-Luís. Escreveu sobre isso, falou muito dela ao longo da sua vida. Ela foi muito próxima de si. Como sintetiza Agustina na literatura?
— Ela trouxe a turbulência. Em todos os sentidos. A turbulência na palavra, da personalidade, ideológica. Não tínhamos isso e nunca esperámos ter isso numa mulher. A literatura que está lá para trás feita por mulheres é muitas vezes admirável, mas não tem essa turbulência. E essa turbulência vem de uma inserção numa cultura algo selvagem ainda ou de uma cultura prolixa, complicada, cheia de coisas para dizer que ainda estavam por dizer. e de repente aparece aquela mulher, dizendo sibilinamente aquilo que se podia dizer sobre todo um espaço cultural de uma espessura enorme. Truculência. Turbulência. A Agustina foi um dos casos mais nítidos da falta de apoio que o País deve prestar às suas melhores vozes. Se no início ela tivesse tido um pequeno apoio da parte do Estado poderia ter uma carreira internacional autonomamente. Esse apoio faltou. A Agustina era portuguesa e não teve o Prémio Nobel. Seria diferente se o tivesse tido.

— Ser mulher não prejudicou?
— Acho que não. A obra dela impõe-se independentemente disso e é uma escritora de uma época em que já havia grandes figuras femininas. Ainda ontem estive a ler um artigo sobre a Natalia Ginzburg, cuja obra está muito traduzida nos Estados Unidos. É uma escritora admirável, mas não consigo colocá-la no patamar da Agustina, porque acho a Agustina muito acima dela. No entanto, a Ginzburg está traduzida em toda a parte. Aliás, a Agustina disse numa entrevista que houve uma altura em que pensou ir para Paris e que se tivesse ido provavelmente seria uma escritora mais reconhecida do que era. Se me disser que há escritores portugueses que são muito conhecidos no estrangeiro porque são muito traduzidos… essa inflação de traduções, até de escritores muito novos, não significa um reconhecimento no estrangeiro; significa uma tradução. Quando apareceu o meu livro “Amadeo” [1984], fui bastante traduzido. com chancelas muito respeitáveis, só que fui muito pouco apoiado, a divulgação do livro foi pouca, nem cá nem lá. E se o autor não vende, o editor não aposta uma segunda ou terceira vez. Há poucas exceções entre os escritores portugueses que passam da primeira edição no estrangeiro. Continuamos a ser uma literatura muito marginal, muito periférica em relação à grande produção europeia.» [Mário Cláudio entrevistado por Isabel Lucas, LER, Verão 2019]

Sobre Três Ensaios sobre Teoria da Sexualidade, de Sigmund Freud




Três Ensaios sobre Teoria da Sexualidade é a melhor apresentação das concepções de Freud sobre a sexualidade infantil e sua evolução e sobre os desvios do objecto da libido.

«Ao cabo de uma década a observar a recepção deste livro e os efeitos por ele provocados, decidi acrescentar à sua terceira edição algumas observações preliminares destinadas a impedir mal-entendidos e expectativas impossíveis de satisfazer. Antes de mais, afirme-se que as considerações aqui tecidas provêm inteiramente da experiência clínica quotidiana, à qual as conclusões da investigação psicanalítica deverão acrescentar profundidade e relevância científica.» [Do Prefácio da terceira edição]


Três Ensaios sobre Teoria da Sexualidade (trad. Nuno Batalha) e outras obras de Sigmund Freud estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/sigmund-freud/

4.11.19

Sobre Memórias, Sonhos, Reflexões, de C. G. Jung




Eduardo Pitta escreveu sobre a autobiografia de C. G. Jung (1875-1961), Memórias, Sonhos, Reflexões, organizada por Aniela Jaffé.

«Uma autobiografia a quatro mãos não corresponde às convenções do género, mas foi o que fizeram Jung e Aniela Jaffé. Antes de morrer, Jung  o fundador da psicologia analítica, acedeu a escrever e falar sobre si. Aniela organizou a obra. O Prólogo, os três primeiros capítulos — Infância, Os anos de escola, Os anos da universidade —, bem como os textos sobre Théodore Flournoy, Richard Wilhelm e Heinrich Zimmer, foram escritos por Jung; o restante foi redigido por Aniela a partir de conversas entre ambos. Depois de entrar em rota de colisão com Freud, que o admirava, Jung fixou o conceito de individuação. Interessado por terapia da dança, arte, religião, ciências paranormais e outros temas, viajante incansável (o Magreb, a Índia, o Quénia. o Uganda, etc.), Jung foi uma personalidade ímpar que esta semi-autobiografia ajuda a descobrir. Além da introdução de Aniela, o volume inclui árvore genealógica, glossário científico, cartas e trechos de obras de Jung.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica publicada na revista Sábado, 30/10/2019]


Memórias, Sonhos, Reflexões (trad. António Sousa Ribeiro) está disponível aqui: https://relogiodagua.pt/produto/memorias-sonhos-reflexoes/