3.2.26

Sobre A Morte É Uma Flor, de Paul Celan

 “Talvez mais do que todos os que já conhecíamos, este último livro de Paul Celan (que ele, na ambiguidade do gesto de conservar os poemas, quis e não quis que fosse último) gravita à volta de um núcleo de sentido(s) que é o de sempre, mas de onde se destacam, com contornos mais nítidos, dois vectores maiores: a memória e o silêncio (poderíamos também dizer: a História e a Linguagem).” [Do Posfácio de João Barrento]


A Morte É Uma Flor (tradução e posfácio de João Barrento) e outras obras de Paul Celan estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/paul-celan/

Sobre O Cisne Negro, de Thomas Mann

 «Prémio Nobel de Literatura em 1929, Thomas Mann (1875-1950) é com frequência considerado o mais importante escritor alemão do século XX. Nas suas novelas revela-se um profundo analista de uma época à beira de uma crise cultural e expõe os principais problemas políticos e morais contemporâneos. Preocupa-o, de forma persistente, a responsabilidade do artista face à sociedade. O escritor evoluiu do conservadorismo para o humanismo social incompatível com o nazismo, vendo-se forçado ao exílio em 1933. Em 1944 torna-se cidadão norte-americano. Após a morte do filho Klaus e do irmão Heinrich e do início das perseguições macarthistas nos EUA, que atingiram a sua filha Erika, instala-se definitivamente na Suíça. O Cisne Negro, última novela longa escrita pelo autor, retoma um tema central na sua obra: o desejo de reviver a infância como tentativa de fuga ao tempo, ao envelhecimento e à degradação, através da paixão e da estética. Narra a história de uma viúva que se apaixona por um americano de 24 anos (“a imagem da força juvenil”), preceptor do seu filho. Ela vê-o como “um instrumento da natureza para operar o seu milagre sobre a minha alma” e acredita que a alma se revela senhora do corpo fazendo nele “novamente brotar a fonte”. Contudo, tragicamente, é o cisne que se aproxima com o seu “bico vermelho de sangue” e “o bater negro das suas asas.”» [Luís Almeida D’Eça, Agenda Cultural de Lisboa, Fevereiro 2026: https://www.agendalx.pt/2026/02/01/os-livros-de-fevereiro-8/?fbclid=IwY2xjawPtb09leHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeBNCW6X8FV0ZIqByLpooHPdybbuPFfhJ6HDXEXW9Rlju9O6SRuf14KffuDkE_aem_CT-yWvRR17WSoaMkvb108g ]


O Cisne Negro (tradução de Domingos Monteiro) e outras obras de Thomas Mann estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/thomas-mann/

De Matilde, de H. G. Cancela

 «Demorou duas semanas a desabituar-se. Nas primeiras noites, quase não dormiu, arrastando-se pela casa como um farrapo, mais miserável do que um condenado. Lembrava-se de evitar a varanda, temendo olhar lá para baixo. Não falava com ninguém e desviava-se dos espelhos. Faltou três dias ao emprego, mas ultrapassou a privação. Ainda tinha o cartão com o contacto do psiquiatra em cima da cómoda quando compreendeu que estava grávida.»


Matilde e outras obras de H. G. Cancela editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/h-g-cancela/

Sobre Lillias Fraser, de Hélia Correia

 Lillias Fraser é um romance histórico que decorre entre 1746 e 1762, na Escócia e em Portugal. Lillias é uma menina escocesa, oriunda de um dos clãs destroçados na batalha de Culloden, que os ingleses venceram. Fugindo destes, acabará por ir para Lisboa, onde vive clandestinamente durante alguns anos, de princípio num convento e mais tarde com uma família. Quando se dá o terramoto de Lisboa, Lillias foge para Mafra. Mais tarde irá encontrar-se com o comandante das tropas inglesas em Culloden. O romance está cheio de episódios romanescos e pícaros; as descrições das ruas, das casas, das tropas, dos costumes, dos ambientes, são magníficas.


Lillias Fraser e outras obras de Hélia Correia estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/helia-correia/

Sobre Fragmentos, de George Steiner

 A descoberta fictícia de um pergaminho carbonizado nas ruínas da antiga cidade romana de Herculano leva Steiner a interpretar o texto original, atribuído a Epicarno de Agra. E desse modo dá-nos uma síntese das suas preocupações essenciais e da sua visão do mundo. Steiner reflete sobre a eloquência do silêncio (aquilo que não é expresso na poesia e na filosofia), as virtudes da amizade em comparação com as intensas mas efémeras do amor, sobre o potencial da educação e a raridade do talento, a realidade ontológica do mal, a omnipotência do dinheiro, os perigos da religião e a transcendência da música.

Estes aforismos luminosos, na tradição de Heraclito, podem ser lidos como outros tantos fragmentos de um autorretrato.

No final, Steiner aborda a questão do envelhecimento. O tempo de vida tem aumentado, mas muitas vezes a decadência das capacidades físicas conduz o ser humano à indignidade. Steiner elogia o suicídio e a eutanásia como caminhos difíceis mas possíveis para a liberdade.


“As ideias de Steiner revelam imparcialidade, seriedade, erudição sem pedantismo e um charme sóbrio.” [The New Yorker]


“George Steiner é talvez o último humanista. O seu pensamento, não isento de paradoxos e indefinições, revela uma enorme ternura, não apenas pela nossa espécie como um todo, mas pela pessoa. Pelo milagre irrepetível de cada ser humano.” [El Cultural]


Fragmentos (Um pouco Queimados) (tradução de Ana Matoso) e outras obras de George Steiner editadas pela Relógio D’Água em https://www.relogiodagua.pt/autor/george-steiner/

Sobre Paris França, de Gertrude Stein

 Em Paris França, Gertrude Stein dá-nos a sua visão da cidade em que escolheu viver durante mais de quarenta anos, numa época em que o seu exemplo foi seguido por escritores e artistas das mais diversas nacionalidades, de Hemingway a Joyce e Salvador Dalí.

Em sugestiva desordem, sucedem-se as recordações de infância, opiniões sobre a França e os Franceses, a arte, a gastronomia, a moda e a guerra. Muitos episódios narrados estão carregados de humor.

A obra de Stein foi também uma reflexão sobre a linguagem e muitas das suas narrativas têm um estilo inconfundível, presente neste livro de estranha pontuação. 

Paris França foi publicado pela primeira vez em 1940, no dia em que a França foi ocupada pelos Alemães.


Paris França (tradução de Miguel Serras Pereira) está disponível em https://relogiodagua.pt/autor/gertrude-stein/

Sobre A Experiência de Deus, de Simone Weil

 Este texto faz parte dos Cadernos de Marselha, escritos por Simone Weil no inverno de 1941-42.

Simone Weil deixara Paris na companhia dos pais em junho de 1940, dirigindo-se a Marselha, etapa quase obrigatória para os que desejavam abandonar a Europa em guerra.

Relacionou-se aí com um grupo de resistentes enquanto aguardava a partida para Nova Iorque, que só iria ocorrer em maio de 1942.

Marselha transformou-se numa espécie de cidade de acolhimento e uma das etapas mais fecundas na evolução do seu pensamento.

Simone Weil foi uma helenista a quem não era indiferente o destino das heroínas de Sófocles, como era o caso de Antígona.

E, à medida que foi compreendendo o que considerava as riquezas espirituais do catolicismo, a proximidade das intuições pré-cristãs com os ensinamentos de Cristo surgiu-lhe com nitidez.


A Experiência de Deus (Tradução de Ana Cardoso Pires) e outras obras de Simone Weil estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/simone-weil/