16.4.26

Sobre Um Virar de Costas Sedutor, de Frederico Pedreira

 A noção de intimidade em poesia é aqui contrastada com a de teatralidade. Alguns dos poetas incluídos neste livro parecem contrariar a ideia de poema como espaço de celebração conjunta de emoções (entre poeta e leitor de poesia). A intimidade parece, assim, estar algo às avessas com a ideia de poema enquanto domínio privilegiado para um entendimento ou uma educação sentimental recíproca (entre autor e leitor). De certo modo, nestes poetas a intimidade é estabelecida de forma algo contrariada, como uma espécie de virar de costas sedutor perante o leitor. Para esclarecer o que se pretende dizer com intimidade (e teatralidade) em poesia, estes dez ensaios inspiram-se não só em poemas, mas também na letra de um fado conhecido, num filme de Woody Allen e numa peça de Ibsen.


Um Virar de Costas Sedutor (Intimidade em Poesia) e outras obras de Frederico Pedreira estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/frederico-pedreira/

Sobre Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg

 Léxico Familiar é o principal livro de Natalia Ginzburg e um clássico da literatura italiana contemporânea.

A narrativa acompanha a vida dos Levi, que viveram em Turim entre 1930 e 1950, período em que se assiste à ascensão do fascismo, à Segunda Guerra Mundial e aos acontecimentos que se lhe seguiram.

Natalia, uma das filhas do professor Levi, foi testemunha dos momentos íntimos da família e dessa conversa entre pais e irmãos que se converteu num idioma secreto.

Nesta narrativa de pendor autobiográfico, os acontecimentos quotidianos misturam-se com reflexões que mantêm toda a atualidade. 

O livro venceu em 1963 o Prémio Strega.


«A sua simplicidade é um feito, bem conseguida e admirável, e bem-vinda a um mundo literário em que o manto da omnisciência é tão prontamente envergado.» [The New York Times Book Review]


Léxico Familiar (trad. Miguel Serras Pereira) outras obras de Natalia Ginzburg estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/natalia-ginzburg/

Sobre Jóia de Família, de Agustina Bessa-Luís

 «Personagens invulgares, recortadas, que jamais lembram outras antes vistas, como a de Vanessa, sensual cortesã feita empresária, António Clara, débil joguete do mundo, Touro Azul, cuja máscula beleza o ajuda a ascender a salões de que desconhece as regras que depois o perdem, Roper, homossexual culpabilizado e culto a esconder-se em encenações várias, Camila, a jóia de família, ou a sinistra Celsa Adelaide, centrais a toda a intriga de que nasce o romance. Todas giram cedendo-se a vez entre si, ora distraídas ora cobiçando o que outras têm, levadas quais marionetas para abismos que não sabem evitar, movidas por forças de que raramente detêm o comando. O que as precipita numa espécie de hybris que desfila com a cadência de um tango triste, quando os corpos já estão exaustos, mas que nem por isso as arrasta menos para a perda, a dissolução e o vazio.» [Do Prefácio de Bernardo Pinto de Almeida]


Jóia de Família, A Alma dos Ricos e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

Em breve chegará às livrarias Os Espaços em Branco, o último volume da trilogia O Princípio da Incerteza.

Sobre Segunda Casa, de Rachel Cusk

 Uma mulher convida um prestigiado pintor para passar uma temporada com ela e a sua família, na casa que acabam de construir numa remota zona costeira.

Profundamente impressionada com a sua pintura, espera que o particular olhar do artista ilumine com uma nova luz a sua própria existência e os mistérios da paisagem.

Ao longo desse verão, a presença do pintor vai revelar a distância que separa a realidade das ficções que vamos construindo e as subtis dinâmicas de poder que existem nas relações entre homens e mulheres.


“A prosa de Cusk é profundamente necessária. Segunda Casa, de escrita cruelmente precisa, lembra-nos as razões para que assim seja.” [Sam Byers, The Guardian]


“Os seus narradores […] analisam cada emoção como se esta acabasse de ser inventada.” [Dwight Garner, The New York Times]


“Cusk regressa com um romance impressionante. […] Uma obra de arte impecável.” [Meredith Boe, The Chicago Review of Books]


«Segunda Casa» (trad. Sara Serras Pereira)e outras obras de Rachel Cusk estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/rachel-cusk/

Sobre Boulder, de Eva Baltasar

 A trabalhar como cozinheira num cargueiro, uma mulher conhece e apaixona-se por outra mulher, Samsa, que lhe chama «Boulder». Quando Samsa consegue um emprego em Reiquiavique e o casal decide mudar-se, Samsa quer ter um filho. Tem quarenta anos e não pode deixar passar a oportunidade. Boulder, menos entusiasmada, não sabe como dizer não e vê-se arrastada para uma jornada difícil.

Enquanto assiste ao modo como a maternidade transforma Samsa numa estranha, Boulder vê-se obrigada a organizar as suas prioridades. Pode o anseio por liberdade superar o desejo por amor?


«Uma autora poderosa e muito original. Adoraria adaptar este livro.» [Pedro Almodóvar]


«Subtil, sombrio e inconvencional. Eva Baltasar transforma a intimidade numa aventura.» [Fernanda Melchor]


«A autora eleva de forma magistral a ideia de uma relação a uma força da natureza.» [Times Literary Supplement]


«Baltasar explora o mundano em busca do essencial e oferece pedaços de intimidade de uma forma que cativa e sacia.» [The New York Times Book Review]


Boulder, de Eva Baltasar (tradução do catalão de Ângelo Ferreira de Sousa), está disponível em https://www.relogiodagua.pt/produto/boulder/

Sobre Três Histórias de Esquecimento, de Djaimilia Pereira de Almeida

 Três Histórias de Esquecimento inclui as novelas A Visão das Plantas e Maremoto, que já tiveram edição autónoma, e a inédita Bruma.

Nasceram de uma afirmação do filósofo britânico Peter Geach: “Talvez um homem possa perder a sua última chance quando é novo, e depois viver até ser velho: viver contente e sentir-se em casa no mundo, mas aos olhos de Deus estar morto.”

Quem nos salva da possibilidade de, cedo na vida, nos termos desperdiçado? Este tríptico reflecte sobre este desperdício, tomando a vida de três homens.

Três homens, encarnações do desespero perante perguntas a que a História não responde. Celestino, um traficante de escravos de regresso a casa, emparedado num jardim, em A Visão das Plantas; Boa Morte da Silva, arrumador de carros, ex-combatente da Guerra Colonial, deixado à sua sorte numa rua de Lisboa, em Maremoto; Bruma, duplo fantasioso do escudeiro negro que lia histórias ao pequeno Eça de Queiroz, em Bruma.

As vidas de Celestino, Boa Morte da Silva e Bruma esfumam as certezas e abraçam as contradições. Fantasmas guardados dentro dos livros, alegorias da escrita e da leitura, que estas Três Histórias tentam fazer regressar ao nosso espanto.


Três Histórias de Esquecimento e outras obras de Djaimilia Pereira de Almeida estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/djaimilia-pereira-de-almeida/

15.4.26

Sobre A Uma Hora tão Tardia, de Claire Keegan

 Um tríptico de histórias sobre amor, desejo, traição, misoginia e as sempre intrigantes interações entre mulheres e homens.


Celebrada pelos seus contos, Claire Keegan oferece-nos três histórias que constituem uma exploração da dinâmica de género, numa trajetória entre os seus primeiros e últimos trabalhos.

Em «A Uma Hora tão Tardia», Cathal enfrenta um longo fim de semana, recordando a mulher com quem poderia ter passado a vida, se tivesse agido de forma diferente.

Em «A Morte Lenta e Dolorosa», a chegada de uma escritora à casa à beira-mar de Heinrich Böll é perturbada por um académico que impõe a sua presença e as suas opiniões.

E, em «Antártida», uma mulher casada viaja para fora da cidade para descobrir como é dormir com outro homem e acaba nas mãos de um estranho possessivo.


Cada história investiga as dinâmicas que corrompem o que poderia existir entre seres humanos: a falta de generosidade, o peso das expectativas e a iminente ameaça de violência; e todas prometem permanecer na memória do leitor muito depois de fechar o livro.


«Claire Keegan é um dos melhores escritores de ficção do mundo.» [George Saunders]


«Cada palavra é acertada e oportuna. O efeito ressoa e é profundamente comovente.» [Hilary Mantel]


«Uma obra-prima.» [The New York Times]


A Uma Hora tão Tardia (tradução de José Miguel Silva) e outras obras de Claire Keegan estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/claire-keegan/


A Uma Hora tão Tardia foi publicado com o apoio da Literature Ireland