9.2.26

Sobre Depois de Deus, de Peter Sloterdijk

 «A modernidade deve atribuir-se a quem rejeita a ideia de um esvaziamento total do futuro no passado e opta pela inesgotabilidade do futuro, ainda que essa escolha exclua a possibilidade de um Deus omnisciente, de um Deus que, “no final dos tempos”, se inclina para trás, numa retrospetiva abrangente da criação.»


Em Depois de Deus, Peter Sloterdijk enumera as consequências da afirmação de que «Deus morreu», abarcando nessa análise a teologia e a filosofia atuais, assim como a política e os progressos registados na cultura, na ciência e na tecnologia.


Depois de Deus (trad. Ana Falcão Bastos) e outras obras de Peter Sloterdijk estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/peter-sloterdijk/

Sobre Os Demónios, de Fiódor Dostoievski

 Verkhovenski e Stavróguin são os líderes de uma célula revolucionária russa. O seu objectivo é derrubar o governo, destruir a sociedade e tomar o poder. Mas quando o grupo está prestes a ser descoberto uma questão se coloca. Estarão os seus elementos dispostos a matar-se uns aos outros para encobrir o seu rasto? O romance baseia-se, em parte, na história de um estudante assassinado pelos seus colegas revolucionários. Mas é também uma descrição da Rússia do século XIX e uma acusação contra os que usam a violência em nome dos seus princípios.

Tolerado por Lenine, banido por Estaline, cujo regime parece ter antecipadamente previsto, Dostoievski só seria redescoberto na URSS a partir dos anos 60 do século XX. É que a extrema atenção com que o autor de Os Demónios seguia os acontecimentos da sua época permitiu-lhe prever os excessos e sofrimentos para que o seu país caminhava.


«Muito do mal que torna sombrio Os Demónios resulta da profanação ou perversão do amor (…), o modo como Stavróguina esvazia a alma dos homens para que os demónios nela possam entrar pode ser visto, com extraordinária força e equilíbrio dramático, no episódio da reunião em casa de Verkhovenski. A cena é a Última Ceia e o modo de a tratar é ao mesmo tempo irónico e elegíaco. (…) Não podemos esgotar os significados de Stavróguin, como não podemos esgotar os de Hamlet ou do Rei Lear.» [George Steiner, Tolstói ou Dostoievski]


Os Demónios (trad. António Pescada) e outras obras de Fiódor Dostoievski estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/fiodor-dostoievski/

De O Estendal e Outros Contos, de Jaime Rocha

 «Quando o estrangeiro chegou, a mulher esfregava a roupa num tanque, espalhava o sabão com uma força pouco usual, como se estivesse para acontecer uma tragédia. A água era fria e suja, as nuvens andavam depressa lá por cima, ora brancas ora negras, ao sabor do vento.


O estrangeiro trazia um bloco e procurava as pessoas que, tinham‐lhe dito, iria encontrar naquele lugar. Devia dirigir‐se ao sítio onde se lavava a roupa e se estendiam os lençóis porque era ali que os homens costumavam ir espreitar as mulheres e era também ali, junto a umas pedras, que se faziam os filhos num instante. Tudo tinha de ser feito rapidamente e anotado no bloco, nada de gravações ou fotografias porque, não muito longe, talvez a dois quilómetros, a guerra continuava, os massacres não tinham fim e toda a gente cavava buracos até ao anoitecer para que os mortos tivessem a sua sepultura ainda de dia.» [De O Estendal, p. 9]


«O Estendal e Outros Contos» e outras obras de Jaime Rocha estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jaime-rocha/

Sobre O Náufrago, de Thomas Bernhard

 Neste seu livro, Thomas Bernhard fala da morte. A do músico Glenn Gould e a de Wertheimer, igualmente músico, que se suicidou.

O narrador é o único que abandonou a música, oferecendo o piano à filha de um professor de província, quando compreendeu que nunca poderia igualar Glenn Gould.

Este romance, onde se fala também de Lisboa e da costa de Sintra, que Bernhard conhecia bem, é um profundo monólogo sobre a arte e a psicologia do artista e uma espécie de composição sinfónica sobre essa mentira/verdade que é a arte.


«Cresce a sensação de que Thomas Bernhard é o romancista mais original e concentrado a escrever em alemão. As suas ligações… com a grande constelação de Kafka, Musil e Broch tornam-se cada vez mais claras.» [George Steiner, The Times Literary Supplement]


O Náufrago e Perturbação (traduções de Leopoldina Almeida) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/thomas-bernhard/

Sobre A Morte em Veneza, de Thomas Mann

 A Morte em Veneza é a narrativa do fascínio que Aschenbach, um escritor consagrado, sente por um adolescente, Tadzio, de deslumbrante beleza.

Uma paixão que se arrasta pelo Lido e depois pelas ruas de uma Veneza ameaçada e através da qual se questiona a situação moral do artista.

Trata­-se de uma novela em que Thomas Mann, sob a influência filosófica de Platão, aborda a relação com o belo e fala da nostalgia e das suas emoções.


«E entre palavras delicadas e graças espirituosas, Sócrates ensinava a Fedro o desejo e a virtude. Falou­-lhe do temor ardente que acomete o homem sensível quando os seus olhos vislumbram uma semelhança do belo eterno: falou­-lhe da avidez do homem ímpio e vil, incapaz de pensar o belo ao ver a sua imagem, incapaz de veneração; falou do medo sagrado que invade o homem nobre quando contempla uma face divina, um corpo perfeito — como então estremece e sai fora de si, mal ousando olhar, e como venera aquele que é belo, sim, como se ofereceria em sacrifício a este ídolo, se não receasse parecer ridículo aos olhos dos homens.»


A Morte em Veneza (tradução de Isabel Castro Silva) e outras obras de Thomas Mann estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/thomas-mann/

Sobre O Mayor de Casterbridge, de Thomas Hardy

 «Não fui sempre aquilo que sou hoje»


Numa fúria de bêbado, Michael Henchard vende a mulher e a filha recém-nascida por cinco guinéus numa feira. Ao longo dos anos que se seguiram, consegue estabelecer-se como um pilar próspero e respeitado da comunidade de Casterbridge. Mas por trás do seu sucesso e aparência esconde-se o hediondo segredo passado e uma personalidade dada ao orgulho e de temperamento autodestrutivo. Com o subtítulo «História de Um Homem de Caráter», a poderosa narrativa de Thomas Hardy do heroico mas perverso Henchard é uma obra de um intenso dramatismo.


«O maior escritor trágico entre todos os romancistas ingleses.» [Virginia Woolf]


O Mayor de Casterbridge (trad. José Miguel Silva) e outras obras de Thomas Hardy estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/thomas-hardy/

8.2.26

Sobre Os Subterrâneos, de Jack Kerouac

 «A verdade é que escrever Os Subterrâneos em três noites foi uma proeza fantástica, tanto em termos atléticos como mentais, devia ter-me visto logo após ter terminado… Fiquei pálido que nem um lençol, perdi quase sete quilos e ao espelho tinha uma tez cor-de-laranja.» [Jack Kerouac em entrevista à The Paris Review, 1968]


«Um livro escrito em três maratonas nocturnas alimentadas a comprimidos de benzedrina não pode ser lido como um livro “normal”. Quem o fizer arrisca-se a perder o pé antes mesmo de chegar ao fim do primeiro parágrafo, engolido pela torrente de frases que têm na musicalidade o seu grande suporte. Eis pois o ponto fulcral: Os Subterrâneos não pode ser lido, tem de ser trauteado como uma linha melódica e só assim se torna inteligível e belo. E tem de ser trauteado depressa, a um ritmo de cortar a respiração. O ideal, aliás, seria que o leitor se dispusesse a ler este livro em apenas três noites, com todos os custos inerentes a esse gesto.»[Do Prefácio]


Os Subterrâneos (tradução de Paulo Faria) e outras obras de Jack Kerouac estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jack-kerouac/