15.2.26

Sobre Os Lobos da Floresta da Eternidade, de Karl Ove Knausgård

 «A estrela pop da literatura norueguesa, Karl Ove Knausgård (n. 1968), regressou em 2020 à escrita ficcional com o romance A Estrela da Manhã (Relógio D'Água, 2023). Na altura, anunciou que aquele seria o começo de outro dos seus projectos literários colossais: um novo conjunto de seis livros (na Noruega, entretanto, já foram todos publicados); desta vez já não de autoficção, não há já personagens chamadas Karl Ove. E são romances para serem lidos autonomamente, sem ordem cronológica.

Os Lobos da Floresta da Eternidade é o segundo romance desse anunciado conjunto. O que os une, até agora, são as muitas reflexões sobre a condição de sermos mortais (“Cada morte tem uma explicação. Mas não a morte como um todo. Essa não tem explicação nenhuma.”»), sobre as relações humanas, sobre as nossas responsabilidades perante os outros, o materialismo e o espiritual (sempre com traços transcendentais, como os sonhos premonitórios), e tudo isto num ambiente com muito de pré-apocalíptico. [José Riço Direitinho, ípsilon, Público, 13/2/2026: https://www.publico.pt/2026/02/12/culturaipsilon/critica/karl-ove-knausgard-segunda-estrela-misteriosa-lobos-floresta-eternidade-2164165]


Os Lobos da Floresta da Eternidade (tradução do norueguês de João Reis) e outras obras de Karl Ove Knausgård em https://www.relogiodagua.pt/autor/karl-ove-knausgard/

Sobre O Fim dos Estados Unidos da América, de Gonçalo M. Tavares

 «É impos­sí­vel ler-se “O fim dos Esta­dos Uni­dos da Amé­rica” sem se ser aco­me­tido pela sen­sa­ção fami­liar de (re)conhe­ci­mento daque­les nomes, pai­sa­gens e acon­te­ci­men­tos que sobre­po­voam as 900 pági­nas do livro.

Afi­nal, desde sem­pre fomos “ensi­na­dos”, por força do con­tacto em larga escala com livros, fil­mes, séries, peças de tea­tro ou dis­cos, a tomar como nossa uma rea­li­dade sobre a qual, como nos tem demons­trado a igno­mi­ni­osa ação do atual ocu­pante da Casa Branca, não deve­rí­a­mos saber infi­ni­ta­mente mais do que a dos nos­sos vizi­nhos euro­peus.

O grau de iden­ti­fi­ca­ção que o lei­tor esta­be­lece com a atmos­fera des­crita por Gon­çalo M. Tava­res é fun­da­men­tal para que os con­tor­nos gro­tes­cos, quase irre­ais, da nar­ra­tiva vão sendo esba­ti­dos, ganhando uma vero­si­mi­lhança que só vem tor­nar ainda mais medo­nho o caos ins­ta­lado.

É, pois, do colapso de um impé­rio de que se fala nes­tas pági­nas. Mais con­cre­ta­mente, das ruí­nas de uma nação que vê alas­trar a peste pelo seu ter­ri­tó­rio aden­tro, sem que esse facto seja sufi­ci­ente para inter­rom­per, por um ins­tante que seja, o pro­cesso des­tru­tivo em curso.» [Jornal de Notícias, 11/2/2026: https://www.pressreader.com/portugal/jornal-de-noticias/20260211/282243787041336 ]


O Fim dos Estados Unidos da América e outras obras de Gonçalo M. Tavares estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

Sobre A Cultura do Narcisismo, de Christopher Lasch

 Quando A Cultura do Narcisismo foi publicado pela primeira vez, tornou-se evidente que Christopher Lasch tinha identificado algo importante que estava a acontecer à sociedade norte-americana com o declínio da família ao longo do século xx. O livro tornou-se um enorme êxito.

É agora publicado com um novo posfácio.


«Christopher Lasch foi direito ao coração da nossa cultura. As suas abordagens à personalidade e ao seu contexto social são espantosas. É um livro corajoso e importante.» [Michael Rogin, Universidade da Califórnia, Berkeley]


«A obra demonstra uma formidável capacidade de compreensão intelectual e uma convicção moral que é raro encontrar-se em autores contemporâneos na história e na sociologia.» [TIME]


«História cultural no seu melhor. […] Um livro de importância fundamental.» [Bruce Mazlish, Massachusetts Institute of Technology]


A Cultura do Narcisismo (trad. Maria José Figueiredo) e A Rebelião das Elites e a Traição da Democracia (trad. João Paulo Moreira) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/christopher-lasch/

14.2.26

Sobre Cartas a Milena, de Franz Kafka

 Esta é a primeira edição integral das cartas de Kafka a Milena.


«“A ti, por sua causa e tua, uma pessoa pode dizer a verdade como a mais ninguém, mais até, pode saber a sua verdade directamente de ti.” Talvez como mais nenhum outro, este passo da carta escrita por Franz Kafka em 25 de Setembro de 1920 a Milena Pollak dá testemunho não apenas da intensidade da relação entre ambos — provavelmente, a relação amorosa mais profunda da vida de Kafka —, mas também do extremo de exposição pessoal a que o autor d’O Processo estava disposto no âmbito dessa relação. Poucos dias antes, a 22 de Setembro, esse extremo expressara-se numa imagem de inultrapassável violência — “o amor é seres para mim a faca com que remexo as minhas entranhas” (…).» [Do Prefácio]


Franz Kafka conheceu Milena como tradutora para o checo das suas primeiras prosas breves. Ele tinha trinta e sete anos, ela vinte e três. A sua relação transformou-se numa ligação apaixonada.

As cartas testemunham um romance de amor, de desespero, de felicidade e de humilhação voluntária. Mas a ligação entre Kafka e Milena permaneceu, apesar dos seus raros encontros, essencialmente epistolar, como as de Werther ou de Kierkegaard.

Milena morreu vinte anos depois de Kafka, no campo de concentração de Ravensbrück.


Cartas a Milena (trad. e prefácio de António Sousa Ribeiro) e outras obras de Franz Kafka estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/franz-kafka/

De Cartas de Amor, de Virginia Woolf e Vita Sackville-West

 «Diário de Vita

22 de Fevereiro

Jantei com Virginia em Richmond. Estava tão deliciosa como sempre. Tem muita razão quando diz que o amor torna todos maçadores, e que o encanto da vida está nas "pequenas tentativas" de aproximação às pessoas. Mas talvez sinta isso porque é uma experimentalista em natureza humana, e não tem nenhuma grande passion na vida.» [p. 14 de Cartas de Amor de Virginia Woolf e Vita Sackville-West (trad. Margarida Periquito)]


Esta e outras obras de Virginia Woolf estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/virginia-woolf/

13.2.26

Sobre Jane Austen — Uma Biografia, de Claire Tomalin

 «Mas a singularidade de Austen permanece. A questão é o que a tornou possível.

Claire Tomalin, uma veterana jornalista e biógrafa inglesa conhecida por obras sobre Pepys, Dickens e Hardy, bem como sobre Mary Wollstonecraft, romancista e pioneira dos direitos das mulheres, fornece pistas nesta esplêndida biografia que, ao mesmo tempo, explica tudo e não explica nada. Explica tudo porque nos ajuda a entender como o facto de uma mulher inteligente ter crescido rodeada de livros e num ambiente intelectualmente estimulante se sentiu atraída para a literatura. O pai de Austen, reitor numa paróquia do Hampshire, tinha uma grande biblioteca que os filhos e filhas podiam usar. A vida social era animada, e os entretenimentos — bailes, peças de teatro — encorajados.

Austen começou a escrever cedo, e tinha o hábito de ler à família as suas produções. Continuaria a fazê-lo, mesmo em adulta.» [Luís M. Faria, E, Expresso, 13/2/2026: https://expresso.pt/revista/culturas/livros/2026-02-12-livros-tudo-o-que-jane-austen-nos-deixou-c62675d3-1]


Jane Austen — Uma Biografia, de Claire Tomalin (tradução de José Miguel Silva), está disponível em https://www.relogiodagua.pt/produto/jane-austen-uma-biografia/


As obras de Jane Austen editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/jane-austen/

Sobre A Tragédia de Otelo, de William Shakespeare

 «Otelo é porém a continuação da história de Romeu e Julieta depois do casamento e o que se vê não é bonito: o desejo de posse e o demónio do ciúme. O amante colabora inconscientemente com as forças que trabalham para tornar impossível o seu amor: por amor humilha, agride e destrói a coisa amada. Mais um exemplo da riqueza com que Shakespeare trata o seu material.» [Do Prefácio]


A Tragédia de Otelo, o Mouro de Veneza (trad. Manuel Resende) e outras obras de William Shakespeare estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/william-shakespeare/