4.2.26

Sobre Ternos Guerreiros, de Agustina Bessa-Luís

«Em que mudaram os tempos? Nisto, para abreviar a especulação em torno do intelectual: o sentimento da tragédia perdeu terreno, e daí parte todo o delírio de persuasão a favor duma vida exausta e acumulada de mesteres remunerados apenas conforme a sua produção material. Um homem não é uma incógnita de medos e de vocações insubstituíveis, mas algo que não resistirá a uma liberdade instaurada em nome do possível. O papel do artista é o de reformar o mito do impossível e o de criar a tragédia. Como se desempenha ele da sua missão, raramente o podemos ver com os nossos próprios olhos; serão outros que tomarão contacto com aquilo que fez a consciência subterrânea da sua época. Através dos amores narrados com desvairada frieza, através dos crimes melancólicos e das brutalidades que o instinto não sugeriu, através das suas desordens que mal apagam a culpa pelo que já foi vivido e perdido antes, noutras idades e noutras criaturas, dar­‑se­‑á o encontro com a tragédia. A Europa conhece­‑a ainda, não perdeu de vista a sua face pálida, o seu esgar de espanto, a sua garra branca e petrificada.» [Do Prefácio]


Ternos Guerreiros e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

Sobre Lealdade, de Hua Hsu

 Aos olhos de Hua Hsu, de dezoito anos, o problema de Ken é que é igual a todas as outras pessoas. Ken é convencional e representa tudo aquilo de que Hua Hsu não gosta.

Apesar das contrariedades, Hua e Ken travam amizade, feita de conversas noturnas acompanhadas de cigarros, longas viagens ao longo da costa da Califórnia e dos sucessos e humilhações da vida universitária. Até que, de forma repentina e violenta, Ken é morto num assalto a um carro, pouco antes de a sua amizade completar três anos.

Determinado a manter a memória de um dos melhores amigos, Hua Hsu volta-se para a escrita. Lealdade, livro sobre amizade, luto, a busca de si mesmo e o consolo que pode ser encontrado através da arte, é o resultado dessa determinação.


“Um livro requintado e angustiante, que permanecerá na minha memória por vários anos.” [Rachel Kushner]


“Este grau de partilha é um presente raro.” [Jonathan Lethem]


“Uma memória de amadurecimento. Uma elegia devastadora de um amigo falecido.” [Patrick Radden Keefe]


Lealdade parece ser um daqueles livros que é a soma total da vida de um escritor em pensamento.” [Ocean Vuong]


“Uma memória emocionante.” [Claire Messud]


Lealdade, de Hua Hsu (tradução de Nuno Batalha), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/lealdade-pre-venda/

Sobre Prestidigitação, de Maria Stepánova

 Como escrever quando as palavras se desintegram na boca? O que fazer quando o nosso próprio país só representa morte e destruição?

A história decorre no Verão de 2023. A guerra da Rússia contra a Ucrânia decorre.

A escritora M., em exílio na Europa há meses, parte para o país vizinho, convidada para realizar leituras num festival. A viagem é repleta de contratempos: o comboio de ligação previsto não existe e o carregador do telemóvel perde-se. Na estação fronteiriça em F. não há ninguém à sua espera, e M. não consegue contactar os organizadores.

A situação enche-a de alívio. M. deambula pela cidade, onde encontra várias promessas de liberdade: um escape room, um circo itinerante e a tão esperada oportunidade de abandonar a sua identidade e desaparecer. Mas será isso possível?


Prestidigitação (trad. António Pescada) e Memória da Memória (trad. Nina Guerra e Filipe Guerra) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/maria-stepanova/

Sobre O Rio Amur, de Colin Thubron

 «O rio Amur, escreve Colin Thubron, é “um dos rios mais formidáveis da Terra”. É também um dos mais misteriosos e as estimativas do seu comprimento variam muito, assim como as ideias sobre o significado do seu nome — talvez Big River, ou Kind Peace, nas línguas “dos povos indígenas”. O livro elegante, elegíaco e comovente de Thubron narra a sua jornada desde a nascente do rio nas montanhas da Mongólia até Nikolaevsk, onde encontra o mar de Okhotsk, que faz parte do oceano Pacífico.

Como muitos leitores de Thubron sabem, o autor é um viajante intrépido, um observador perspicaz e um guia lírico, apresentando ao leitor os lugares que visita e as pessoas que conhece pelo caminho. Em O Rio Amur: Entre a Rússia e a China, Thubron percorre quase 3200 quilómetros, grande parte ao longo da fronteira entre essas duas potências, num momento de reconfiguração rápida e tensa da geopolítica global.» [Peter Frankopan]


«Uma leitura absorvente com uma perspetiva fascinante.» [The Sunday Times]


O Rio Amur (trad. Ana Reis) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-rio-amur-entre-a-russia-e-a-china-pre-publicacao/

Sobre A Ucrânia e a Rússia, de Paul D'Anieri

 Esta obra apresenta uma análise profunda, revista e atualizada da atual guerra na Ucrânia. Nela, Paul D’Anieri aborda as dinâmicas no interior da Ucrânia, o conflito entre a Ucrânia e a Rússia e entre a Rússia e o Ocidente alargado, que emergiu do colapso da União Soviética e resultou na invasão russa de 24 de fevereiro de 2022.

Numa sequência cronológica, o autor mostra como a separação da Ucrânia e da Rússia em 1991, na época designada por “divórcio civilizado”, levou a um dos mais violentos conflitos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

D’Anieri considera que, nesta evolução, pesaram sobretudo três fatores, a saber: a questão da segurança, o impacto da democratização na geopolítica e os objetivos incompatíveis surgidos na Europa no pós-Guerra Fria.


“Um trabalho de enorme erudição. Uma leitura obrigatória para qualquer pessoa que tenha interesse pela origem da crise atual.” [Serhii Plokhy, autor de A Porta da Europa]


A Ucrânia e a Rússia — Do Divórcio Civilizado à Guerra Incivil, de Paul D’Anieri (tradução de João Paulo Moreira), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-ucrania-e-a-russia-do-divorcio-civilizado-a-guerra-incivil-pre-venda/

3.2.26

Sobre A Morte É Uma Flor, de Paul Celan

 “Talvez mais do que todos os que já conhecíamos, este último livro de Paul Celan (que ele, na ambiguidade do gesto de conservar os poemas, quis e não quis que fosse último) gravita à volta de um núcleo de sentido(s) que é o de sempre, mas de onde se destacam, com contornos mais nítidos, dois vectores maiores: a memória e o silêncio (poderíamos também dizer: a História e a Linguagem).” [Do Posfácio de João Barrento]


A Morte É Uma Flor (tradução e posfácio de João Barrento) e outras obras de Paul Celan estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/paul-celan/

Sobre O Cisne Negro, de Thomas Mann

 «Prémio Nobel de Literatura em 1929, Thomas Mann (1875-1950) é com frequência considerado o mais importante escritor alemão do século XX. Nas suas novelas revela-se um profundo analista de uma época à beira de uma crise cultural e expõe os principais problemas políticos e morais contemporâneos. Preocupa-o, de forma persistente, a responsabilidade do artista face à sociedade. O escritor evoluiu do conservadorismo para o humanismo social incompatível com o nazismo, vendo-se forçado ao exílio em 1933. Em 1944 torna-se cidadão norte-americano. Após a morte do filho Klaus e do irmão Heinrich e do início das perseguições macarthistas nos EUA, que atingiram a sua filha Erika, instala-se definitivamente na Suíça. O Cisne Negro, última novela longa escrita pelo autor, retoma um tema central na sua obra: o desejo de reviver a infância como tentativa de fuga ao tempo, ao envelhecimento e à degradação, através da paixão e da estética. Narra a história de uma viúva que se apaixona por um americano de 24 anos (“a imagem da força juvenil”), preceptor do seu filho. Ela vê-o como “um instrumento da natureza para operar o seu milagre sobre a minha alma” e acredita que a alma se revela senhora do corpo fazendo nele “novamente brotar a fonte”. Contudo, tragicamente, é o cisne que se aproxima com o seu “bico vermelho de sangue” e “o bater negro das suas asas.”» [Luís Almeida D’Eça, Agenda Cultural de Lisboa, Fevereiro 2026: https://www.agendalx.pt/2026/02/01/os-livros-de-fevereiro-8/?fbclid=IwY2xjawPtb09leHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeBNCW6X8FV0ZIqByLpooHPdybbuPFfhJ6HDXEXW9Rlju9O6SRuf14KffuDkE_aem_CT-yWvRR17WSoaMkvb108g ]


O Cisne Negro (tradução de Domingos Monteiro) e outras obras de Thomas Mann estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/thomas-mann/