«Há muito que o compreendera. Se acabara por detrás de uma barricada, era apenas porque havia barricada. Porque era preciso escolher.
“Nunca se sabe qual é o lado certo da história. Qual o lado errado da barricada.”
No regresso a Portugal, comprovara qual era o seu. Não havia lugar para a neutralidade. Mais tarde, sob a ameaça da normalização, assumira‐se como defensor da barricada. Defensor não de um dos lados contra o oposto, mas da própria barricada. Do eixo sobre o qual a história poderia bascular, oscilando o suficiente para duvidar de si mesma. Era essa a sua utilidade. Um obstáculo para uns, uma protecção para outros, mas sobretudo um espaço de perturbação.
“É possível estar de um lado ou do outro, mas é difícil permanecer sobre ela.”»
[p. 10 de A Noite das Barricadas, de H. G. Cancela, disponível em https://relogiodagua.pt/autor/h-g-cancela/
