25.2.26

De A História, de Elsa Morante

 «1906‑1913


Não há muitas novidades, no vasto mundo. Como já todos os séculos e milénios que o precederam na Terra, também o novo século se regula pelo conhecido princípio imutável da dinâmica histórica: a uns o poder, e aos outros a servidão. E sobre isto se fundam, em conformidade, seja a ordem interna da sociedade (dominada atualmente pelos “Poderes” ditos capita‑listas), seja a ordem externa internacional (dita imperialismo), dominada por alguns Estados ditos “Potências”, que praticamente repartem entre si a inteira superfície terrestre em propriedades suas, ou Impérios. Entre elas, a última chegada é a Itália, que aspira ao grau de Grande Potência, e para o merecer já se apoderou pelas armas de alguns países estrangeiros — menos poderosos do que ela —, desse modo criando para si uma pequena propriedade, mas ainda não um Império.» [p. 13 de A História, trad. José Lima]


A História (trad. José Lima) e outras de Elsa Morante estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/elsa-morante/

Alberto Manguel sobre O Fim dos Estados Unidos da América, de Gonçalo M. Tavares

 «A guerra começou! — Uma alegoria de um império em declínio

[…] Guiando os leitores de capítulo em capítulo, advertindo-os sobre armadilhas e antecipando acontecimentos, retomando detalhes que poderiam ter passado despercebidos e comentando o comportamento das personagens, Tavares demonstra uma audácia notável e uma poderosa mestria narrativa ao desenrolar o seu ambicioso fresco.» [Alberto Manguel, Times Literary Supplement, 20/2/2026: https://www.the-tls.com/literature/fiction/o-fim-dos-estados-unidos-de-america-goncalo-m-tavares-book-review-alberto-manguel ]


O Fim dos Estados Unidos da América será hoje apresentado na FNAC Gaia, às 21h30.

Esta e outras obras de Gonçalo M. Tavares estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

Sobre O Jardineiro e a Morte, de Gueorgui Gospodinov

 O meu pai era jardineiro. Agora é um jardim.


Um homem chamado Gueorgui permanece junto à cama do pai, até à sua última manhã de inverno.

Atravessando uma época de luto, Gueorgui percorre as infinitas narrativas que o pai costumava contar e a história que definiu uma geração: a de rapazes nascidos na Bulgária no final da Segunda Guerra Mundial, que cresceram e se tornaram homens muitas vezes ausentes, agarrados ao tubo de respiração de um cigarro, a nadar noutras águas e nuvens.

De um quintal árido de aldeia, o pai de Gueorgui fez um refúgio especial: um jardim exuberante onde viveria para sempre, entre os rebentos de campânulas-brancas e as primeiras túlipas da primavera. Mas, sem ele, o passado de Gueorgui começa a fragmentar-se.


“A simplicidade e a profundidade desta prosa cristalina enchem-me de admiração.” [Olga Tokarczuk, vencedora do Prémio Nobel da Literatura]


“O autor, um fabulista naturalmente lúdico, encontra aqui espaço para a invenção e o jogo livre. Em torno das realidades recordadas, consegue entrelaçar as digressões, os ensaios autoficcionais e as experiências mentais brilhantes que tornaram obras anteriores como Física da Tristeza e Refúgio no Tempo recipientes maravilhosamente abertos. O Jardineiro e a Morte não se lê como um romance, mas também nenhuma dessas obras anteriores se lê assim. Todas soam a novidades de Gospodinov.” [James Wood, The New Yorker]


O Jardineiro e a Morte e outras obras de Gueorgui Gospodinov (traduções de Monika Boneva e Paulo Tiago Jerónimo) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/gueorgui-gospodinov/

A chegar às livrarias: Os Caminhos da Urze, de Ana Teresa Pereira

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Os Caminhos da Urze, de Ana Teresa Pereira


Numa planície ventosa, entre a urze, o nevoeiro e os corredores de uma casa antiga, repetem-se encontros que parecem já ter acontecido.

Vestidos que surgem e desaparecem, cheiros que conduzem pelos corredores da noite, mulheres que se reconhecem como duplos umas das outras, numa narração onde o tempo não avança de forma linear, mas em círculos. Entre o real e o espectral, entre a memória e a ficção, estas narrativas cruzam destinos femininos presos a casas, paisagens e amores.

Um livro de atmosfera densa, onde a literatura se observa a si própria como num espelho, e onde cada caminho conduz, inevitavelmente, de volta à urze.


Esta e outras obras de Ana Teresa Pereira estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/ana-teresa-pereira/

Sobre O Esquilo e o Tesouro Perdido, de Coralie Bickford-Smith

 Numa noite outonal, um jovem esquilo avista uma bolota a cintilar na floresta. Ansioso por proteger o seu tesouro de olhos atentos e bocas famintas, enterra-a. Mas após o inverno, quando regressa, ela não se encontra no mesmo local. Onde poderá estar?


“O livro mais bonito do ano… é como um poema… uma obra de arte.” [Chris Packham]


“Coralie Bickford-Smith retrata a natureza na sua forma mais sublime.” [Financial Times]


“Único… As ilustrações são tão intensas e detalhadas que cada página parece viva.” [Observer]


O Esquilo e o Tesouro Perdido e outras obras de Coralie Bickford-Smith (tradução de Inês Dias) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/coralie-bickford-smith/

Sobre Doce Pássaro da Juventude e Outras Peças, de Tennessee Williams

 Solidão, tensão sexual e a necessidade de afeto marcam estas quatro peças de Tennessee Williams, em que as suas personagens combatem os demónios interiores e o mundo contemporâneo.

Em Doce Pássaro da Juventude, o desnorteado Chance Wayne regressa à sua cidade com uma atriz de cinema envelhecida, em busca da rapariga por quem se apaixonara na juventude.

Em A Noite da Iguana, um grupo de pessoas, entre elas um perturbado ex-reverendo, são obrigadas a conviver num hotel mexicano isolado durante uma noite repleta de acontecimentos.

Em O Zoo de Vidro, uma mulher amargurada pretende a todo o custo casar a filha, Laura, que sofre de um defeito físico e se refugia na sua coleção de animais de vidro.

Vieux Carré é uma peça sobre a educação do artista, uma educação solitária e muitas vezes desesperante, entre a entrega ou a recusa, mas sobretudo sobre aprender a ver, ouvir, sentir e descobrir que «os escritores são espiões sem vergonha», que pagam caro pelo seu conhecimento e são incapazes de esquecer.


«A novidade revolucionária de O Zoo de Vidro está na sua ascensão poética, mas foi a sua complexa estrutura dramática que permitiu que a peça se tornasse um cântico poético.» [Arthur Miller]


«Em A Noite da Iguana Williams escreve no auge da sua forma.» [The New York Times]


Doce Pássaro da Juventude e Outras Peças (trad. de Dulce Fernandes, José Agostinho Baptista, José Miguel Silva e Manuel João Gomes) e Um Eléctrico Chamado Desejo e Outras Peças (trad. Helena Briga Nogueira) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/tennessee-williams/

24.2.26

A chegar às livrarias: A Campânula de Vidro, de Sylvia Plath

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Campânula de Vidro, de Sylvia Plath (tradução e posfácio de Mário Avelar)


«The Bell Jar veio pela primeira vez a público em Inglaterra, no dia 14 de janeiro de 1963, editado pela Heinemann, com autoria atribuída a Victoria Lucas.

O motivo que terá levado Sylvia Plath a recorrer a um pseudónimo prende-se com a óbvia coincidência existente entre personagens, eventos e lugares ali descritos e a realidade biográfica da autora. Essa confusão entre realidade e ficção tem servido, ao longo dos anos, a uma vasta panóplia de equívocos que mais não fizeram do que dissimular o lugar da sua obra poética e narrativa na literatura anglo-americana contemporânea.» [Do Posfácio de Mário Avelar]


Mais informação sobre esta e outras obras de Sylvia Plath disponível em https://www.relogiodagua.pt/autor/sylvia-plath/