13.4.26

O Jardineiro e a Morte, de Gueorgui Gospodinov, recebe Prémio da Crítica 2025 em Espanha

 O Jardineiro e a Morte, de Gueorgui Gospodinov, recebe Prémio da Crítica 2025 em Espanha


A tradução castelhana de O Jardineiro e a Morte, de Gueorgui Gospodinov, por María Vútova, editada pela Impedimenta, acaba de ser distinguida com o Prémio da Crítica 2025 — Melhor livro em língua estrangeira: https://www.bta.bg/en/news/culture/1104592-bulgarian-writer-georgi-gospodinov-wins-spanish-critics-award-for-death-and-the


O livro já havia sido distinguido como melhor livro de ficção de 2025 pelos livreiros independentes de Espanha: https://www.bta.bg/en/news/culture/1078298-spanish-independent-booksellers-name-gospodinov-s-death-and-the-gardener-best-


O Jardineiro e a Morte e outras obras de Gueorgui Gospodinov (traduções de Monika Boneva e Paulo Tiago Jerónimo) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/gueorgui-gospodinov/

Sobre As Planícies, de Gerald Murnane

 «Aos 87 anos, Gerald Murnane continua a ser o mais provável candidato australiano a juntar-se ao panteão do Nobel, onde já está o seu compatriota Patrick White, vencedor em 1973. […]

Murnane é um autor das vastas extensões australianas, de onde na verdade nunca quis sair. “As Planícies”, de 1982, provavelmente a sua obra-prima e texto mais conhecido, prova-o à saciedade. Trata-se de uma narrativa estranha, esquiva, sempre a deslizar-nos nas mãos, sobretudo quando pensamos que finalmente a agarrámos. […]

O prodígio de “As Planícies” está na forma como Murnane consegue arrancar tanta coisa de quase nada.» [José Mário Silva, E, Expresso, 10/4/2026: https://expresso.pt/revista/culturas/livros/2026-04-08-a-provavel-obra-prima-de-gerald-murnane-eterno-candidato-ao-nobel-b43d58ea ]


As Planícies, de Gerald Murnane (tradução de Elsa T. S. Vieira), está disponível em https://www.relogiodagua.pt/produto/as-planicies/

Sobre O Fim dos Estados Unidos da América, de Gonçalo M. Tavares

 «Se a América é uma mitologia, “O Fim dos Estados Unidos da América” é um compêndio de teorias e imagens americanas, incluindo a antologia das vidas comuns, como nos contos de Sherwood Anderson, as paisagens cinematográficas (Death Valley, a Route 66, a travessia on the road), a arte metacapitalista de Warhol, ou o KKK (num de muitos achados verbais e intelectuais, o autor condensa a experiência americana em três acrónimos: OK-KO e, a maio, SOS). O livro começa, como um romance de DeLillo, num jogo de futebol americano onde nos são apresentados dois acontecimentos, um já existente, o outro invasivo: a tribalização e o contágio. Num estádio em L. A. os fãs vivem em furor desportivo, que rapidamente degenera em pânico quando as autoridades interrompem o espectáculo e decretam a desmobilização, por causa de uma peste que aí vem, da qual não sabemos nada e que, surpreendentemente, é um motivo insuflado e depois esvaziado.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 10/4/2026: https://expresso.pt/opiniao/2026-04-09-mau-tempo-para-epopeias--2--fca2f730 ]


O Fim dos Estados Unidos da América e outras obras de Gonçalo M. Tavares estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

Sobre Espanto, de Zeruya Shalev

 À cabeceira do pai agonizante, Atara ouve as palavras confusas do homem que a criou com severidade. Ele chama-lhe Raquel, o nome da sua primeira e misteriosa esposa, e dirige-se a ela com uma vibrante declaração de amor.

Perturbada, Atara procura o rasto de Raquel e desperta nessa mulher já idosa um passado doloroso vivido na luta armada clandestina. Raquel nada esqueceu desses anos de resistência contra os ingleses antes da formação do Estado de Israel, nem o nome daquela que agora se lhe apresenta.

O encontro destas duas mulheres altera de modo inesperado a sua existência e vai ligar para sempre os seus destinos.

Mergulhando de modo magistral na alma humana, Zeruya Shalev mostra como a história coletiva de uma sociedade fraturada subverte as relações privadas. De um modo delicado e exato, interroga a parentalidade, o casal, mas também a culpabilidade e os silêncios que condicionam as nossas vidas.


“Zeruya Shalev é uma das minhas escritoras contemporâneas preferidas.” [Lauren Groff]


“Há poucos escritores vivos capazes de captar as oscilações do sentimento humano com maior subtileza e precisão do que Zeruya Shalev.” [Siri Hustvedt]


Espanto, de Zeruya Shalev (tradução do hebraico de Lúcia Liba Mucznik), está disponível em https://www.relogiodagua.pt/produto/espanto/

Associação Portuguesa de Escritores celebra José Cardoso Pires



A Associação Portuguesa de Escritores celebra José Cardoso Pires com duas sessões coordenadas por Luís Machado.

No dia 15 de Abril, quarta-feira, na Biblioteca Palácio Galveias, exibe-se o filme O Delfim, de Fernando Lopes, com um comentário de José Manuel Mendes.

No dia 1 de Julho, quarta-feira, também na Biblioteca Palácio Galveias, Paula Morão fala sobre «José Cardoso Pires — História de Portugal».


O Delfim, Lavagante e outras obras de José Cardoso Pires estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jose-cardoso-pires/

12.4.26

Sobre As Pessoas Felizes, de Agustina Bessa-Luís

 «Há muitas coisas belas na terra, mas nada iguala a recordação de um dia de Verão que declina, e temos onze anos e sabemos que o dia seguinte é fundamental para que os nossos desejos se cumpram. Quem conservar este sentimento pela vida fora está predestinado a um triunfo, talvez um tanto sedentário, mas que tem o seu reino no coração das pessoas. O coração das pessoas! Queremos dizer, em regra, a sua fantasia, equivalente a uma fraqueza, ou mórbido impulso de ceder perante os outros. Mas é, na verdade, a sua aspiração a um amor desesperado das realidades da vida, diferentes da maneira em que elas se cumprem.» [p. 17 de As Pessoas Felizes]


«As relações entre homens e mulheres estão no centro do mundo agustiniano. Em 1974, já muito tinha mudado sem que os revolucionários soubessem. Mas Agustina sabia. E as suas personagens também. Umas eram ou pensavam que eram pessoas felizes. Outras, porque já sabiam que as coisas tinham mudado, viviam inquietas e inseguras. A protagonista deste romance, Nel, é uma mulher que não é feliz do mesmo modo que os outros, homens e mulheres, mas que quer ser feliz, para o que terá de deixar de ser aquilo a que estava destinada. Há qualquer coisa de premonitório neste romance. Pelos costumes das pessoas, pelos sentimentos, pelas relações entre parentes e familiares, percebe‑se que já muita coisa mudou ou está em mudança antes mesmo de a revolução acontecer. A revolução, aliás, é o coroar de um processo de mudança, mais do que o seu começo. Em algo de essencial, de fundamental, isto é, nos sentimentos, as coisas já eram diferentes antes de 1974.» [Do Prefácio de António Barreto]


As Pessoas Felizes e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

De A Noite das Barricadas, de H. G. Cancela

 «Há muito que o compreendera. Se acabara por detrás de uma barricada, era apenas porque havia barricada. Porque era preciso escolher.

“Nunca se sabe qual é o lado certo da história. Qual o lado errado da barricada.”

No regresso a Portugal, comprovara qual era o seu. Não havia lugar para a neutralidade. Mais tarde, sob a ameaça da normalização, assumira‐se como defensor da barricada. Defensor não de um dos lados contra o oposto, mas da própria barricada. Do eixo sobre o qual a história poderia bascular, oscilando o suficiente para duvidar de si mesma. Era essa a sua utilidade. Um obstáculo para uns, uma protecção para outros, mas sobretudo um espaço de perturbação.

“É possível estar de um lado ou do outro, mas é difícil permanecer sobre ela.”»

[p. 10 de A Noite das Barricadas, de H. G. Cancela, disponível em https://relogiodagua.pt/autor/h-g-cancela/