12.4.26

De A Noite das Barricadas, de H. G. Cancela

 «Há muito que o compreendera. Se acabara por detrás de uma barricada, era apenas porque havia barricada. Porque era preciso escolher.

“Nunca se sabe qual é o lado certo da história. Qual o lado errado da barricada.”

No regresso a Portugal, comprovara qual era o seu. Não havia lugar para a neutralidade. Mais tarde, sob a ameaça da normalização, assumira‐se como defensor da barricada. Defensor não de um dos lados contra o oposto, mas da própria barricada. Do eixo sobre o qual a história poderia bascular, oscilando o suficiente para duvidar de si mesma. Era essa a sua utilidade. Um obstáculo para uns, uma protecção para outros, mas sobretudo um espaço de perturbação.

“É possível estar de um lado ou do outro, mas é difícil permanecer sobre ela.”»

[p. 10 de A Noite das Barricadas, de H. G. Cancela, disponível em https://relogiodagua.pt/autor/h-g-cancela/

Sobre A Noite do Morava, de Peter Handke

 Uma misteriosa convocatória reúne, numa casa-barco no rio Morava, alguns amigos e colaboradores de um velho escritor. Juntos ouvem, até ao amanhecer, a história que ele tem para lhes contar sobre a odisseia pela Europa de um outrora famoso escritor.

A história revela etapas do passado do narrador e do continente, que a guerra, a morte e outras subtis erosões do tempo tornaram irrecuperáveis. As suas divagações levam-no dos Balcãs a Espanha, Alemanha e Áustria, de um congresso de especialistas sobre as consequências do ruído a um ajuntamento clandestino internacional de virtuosos da harpa de judeu.

Mas a história e a sua narração são assombradas por uma bela desconhecida. Uma mulher que detém um controlo absoluto sobre o escritor.


«Peter Handke possui um dos mais notáveis estilos de prosa em língua alemã do pós-guerra. Um rio veloz, de profundidade retórica, que corre na direção contrária à corrente.» [The New York Times Book Review]


A Noite do Morava (trad. Ana Falcão Bastos) e outras obras de Peter Handke estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/peter-handke/

11.4.26

Sobre A Campânula de Vidro, de Sylvia Plath

 «The Bell Jar veio pela primeira vez a público em Inglaterra, no dia 14 de janeiro de 1963, editado pela Heinemann, com autoria atribuída a Victoria Lucas.

O motivo que terá levado Sylvia Plath a recorrer a um pseudónimo prende-se com a óbvia coincidência existente entre personagens, eventos e lugares ali descritos e a realidade biográfica da autora. Essa confusão entre realidade e ficção tem servido, ao longo dos anos, a uma vasta panóplia de equívocos que mais não fizeram do que dissimular o lugar da sua obra poética e narrativa na literatura anglo-americana contemporânea.» [Do Posfácio de Mário Avelar]


A Campânula de Vidro (tradução e posfácio de Mário Avelar) e outras obras de Sylvia Plath disponível em https://www.relogiodagua.pt/autor/sylvia-plath/

Sobre As Velas da Noite, de Ana Teresa Pereira

 Este livro reúne seis contos e uma peça de teatro, «Harbinger». 

Um dos contos, «As Velas da Noite», que dá o título ao livro, leva-nos, desde o início, ao singular universo da autora. 


«Alguns realizadores sabiam dirigir os olhos de Emma Frost. Eram olhos enormes, ligeiramente verdes, que podiam tornar-se muito escuros, quase pretos.

Emma não tinha a beleza de leite e rosas, os cabelos louros e ondulados da mãe. Era alta e esguia como o pai, com uma boa estrutura óssea, o cabelo louro escuro. Suficientemente bonita para arranjar trabalho como modelo enquanto estudava Representação.»


As Velas da Noite, editado em 2014, e outras obras de Ana Teresa Pereira estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/ana-teresa-pereira/

Sobre Helena, de Machado de Assis

 Publicado em 1876, Helena é um romance do primeiro período de Machado de Assis, em que o próprio reconhece um excesso de romantismo trágico.

A protagonista é de origens humildes, sendo reconhecida em testamento como filha e herdeira do conselheiro Vale, um membro da elite do Rio de Janeiro.

Por isso, vai passar a viver na mansão da família, com a irmã do conselheiro Vale e Estácio, seu filho legítimo.

A relação entre Helena e Estácio transforma-se em paixão não assumida. Mas o segredo que Helena traz consigo permite um desfecho inesperado.


Helena e outras obras de Machado de Assis estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/machado-de-assis/

Sobre o romance gráfico Um Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin e Fred Fordham

 Central Comics anuncia o lançamento do romance gráfico Um Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin, adaptado e ilustrado por Fred Fordham (tradução de Carlos Grifo Babo): https://www.centralcomics.com/um-feiticeiro-de-terramar-agora-em-romance-grafico/


Outras obras de Ursula K. Le Guin estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/ursula-k-le-guin/


Outras obras de Fred Fordham estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/fred-fordham/

10.4.26

A chegar às livrarias: A Queda de Hyperion, de Dan Simmons

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Queda de Hyperion, de Dan Simmons (tradução de Elsa T. S. Vieira)


Vencedor do Prémio Locus


A Queda de Hyperion, segundo volume da saga, prossegue a aventura épica iniciada em Hyperion.


A sombra da guerra caiu sobre a Rede. Nos corredores do poder em Centro Tau Ceti reina o caos. Longe do alcance dos impérios em confronto, as inteligências artificiais do TecNúcleo manipulam tudo e todos.

Em Hyperion, onde a batalha devasta os céus e as ruas, os misteriosos Túmulos do Tempo começam a abrir-se, e os segredos que encerram ameaçam alterar o próprio tecido do tempo e do espaço.


«Uma das mais notáveis realizações da ficção científica moderna.» [The New York Times Book Review]



Dan Simmons escreveu romances de ficção, ficção científica, terror e fantasia, tendo recebido importantes prémios por todos eles. O seu primeiro romance, A Canção de Kali, venceu o Prémio World Fantasy. Hyperion, o seu primeiro romance de ficção científica, venceu o Prémio Hugo e o Prémio Locus. Outros romances e contos seus foram distinguidos com diversos prémios, incluindo onze Prémios Locus, quatro Prémios Bram Stoker, o Prémio Cosmos 2000, o Prémio British SF Association e o Prémio Theodore Sturgeon.

Em 1995, o Wabash College atribuiu-lhe um doutoramento honoris causa em Letras pelo seu trabalho na ficção e no ensino.

Morreu em fevereiro de 2026, no Colorado, onde vivia.


Mais informação sobre os dois volumes já publicados da tetralogia Os Cantos de Hyperion em https://www.relogiodagua.pt/autor/dan-simmons/