16.3.26

Sobre Sonhos de Inverno e Outros Contos, de F. Scott Fitzgerald

 Dexter era inconscientemente orientado pelos seus sonhos de inverno. Com a idade, a natureza e a fragrância desses sonhos foi-se alterando, mas a essência permaneceu.

Foram eles que o levaram a abandonar o seu emprego num campo de golfe quando Judy Jones, de onze anos, lhe pediu para ser seu caddy.

Mais tarde Judy vai ser a bela e cruel adolescente que o submete aos seus desejos. Neste conto, como em quase todos os seus livros, Scott Fitzgerald parece descrever um baile onde escolheu a rapariga mais bela, mas ficando de fora, com o rosto colado à vidraça, atento ao menor aceno e vendo finalmente a dançarina ser arrastada para a tranquila solidez de um lar americano.

E quando sabe dela mais tarde, o espanto de a ver confundida com outras mulheres que também já foram belas, ecoa como um adeus irremediável à juventude.

Os outros quatro contos aqui reunidos reflectem o impacto da «grande depressão» de 1929 na vida de Scott Fitzgerald que se transmite aos seus personagens.


Sonhos de Inverno e Outros Contos (trad. H. Silva Letra) e outras obras de F. Scott Fitzgerald estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/f-scott-fitzgerald/

A chegar às livrarias: A Terra no Inverno, de Andrew Miller

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Terra no Inverno, de Andrew Miller (tradução de José Miguel Silva)


Finalista Booker Prize 2025

Vencedor do Walter Scott Prize 2025

Vencedor do Winston Graham Historical Prize 2025


Dezembro de 1962: numa aldeia perdida no interior de Inglaterra, dois casais vizinhos começam o dia. O médico local, Eric Parry, inicia as suas rondas pela aldeia, enquanto a mulher grávida, Irene, vagueia pelos quartos da velha casa, a pensar na distância que cresceu entre os dois.

Numa quinta próxima vive Rita Simmons, espirituosa mas atormentada, também à espera de um bebé. Passa os dias a tentar ser mulher de um agricultor, mas a cabeça continua fixa em imagens de um passado turbulento que Bill, o marido, prefere esquecer.

Quando Rita e Irene, que vivem em lados opostos de um campo vazio, se encontram, um relógio começa a contar. Ainda há afeto em ambos os lares. Nenhum dos casamentos foi abandonado. Mas quando o frio de dezembro cede lugar às tempestades do inverno mais duro de que há memória, também as mágoas secretas guardadas nestas quatro vidas se exteriorizam.


«A escrita de Andrew Miller é uma fonte de espanto e prazer.» [Hilary Mantel]


«Um livro terno, elegante e cheio de alma. Perfeito. Soberbo.» [Samantha Harvey]


«O favorito dos leitores para vencer o Booker Prize 2025.» [Financial Times]


«Um livro mesmo especial.» [Sarah Jessica Parker, jurada do Booker Prize 2025]


«A cada novo romance, Andrew Miller revitaliza a forma e leva o leitor a lugares novos e extraordinários.» [Sarah Hall]



Andrew Miller, nascido a 29 de abril de 1960, é um romancista inglês. Nasceu em Bristol, Inglaterra. Cresceu no oeste do país e viveu em Espanha, no Japão, na Irlanda e em França.

Publicou dez romances e venceu o James Tait Black Memorial Prize, o International Dublin Literary Award, o Costa Book Award de Livro do Ano, o Winston Graham Historical Prize e o Walter Scott Prize. Foi, em 2025, finalista do Booker Prize.

Atualmente, Miller vive em Witham Friary, no Somerset, com a filha Frieda.


Mais informação em https://www.relogiodagua.pt/produto/a-terra-no-inverno/

A chegar às livrarias: Espanto, de Zeruya Shalev

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Espanto, de Zeruya Shalev (tradução do hebraico de Lúcia Liba Mucznik)


À cabeceira do pai agonizante, Atara ouve as palavras confusas do homem que a criou com severidade. Ele chama-lhe Raquel, o nome da sua primeira e misteriosa esposa, e dirige-se a ela com uma vibrante declaração de amor.

Perturbada, Atara procura o rasto de Raquel e desperta nessa mulher já idosa um passado doloroso vivido na luta armada clandestina. Raquel nada esqueceu desses anos de resistência contra os ingleses antes da formação do Estado de Israel, nem o nome daquela que agora se lhe apresenta.

O encontro destas duas mulheres altera de modo inesperado a sua existência e vai ligar para sempre os seus destinos.

Mergulhando de modo magistral na alma humana, Zeruya Shalev mostra como a história coletiva de uma sociedade fraturada subverte as relações privadas. De um modo delicado e exato, interroga a parentalidade, o casal, mas também a culpabilidade e os silêncios que condicionam as nossas vidas.



Zeruya Shalev é, a par de Amos Oz e David Grossman, um dos escritores israelitas mais lidos no mundo. Autora de cinco romances, os seus livros estão traduzidos em 25 línguas.

Nasceu no Kibbutz Kinneret. Tem um mestrado em estudos bíblicos e trabalha como editora literária na editora Keter. A 29 de janeiro de 2004, quando regressava a casa, em Rehavia, Jerusalém, depois de ter levado a filha ao jardim de infância, um bombista suicida palestiniano fez explodir um autocarro urbano quando ela passava nas proximidades. Shalev demorou quatro meses a recuperar dos ferimentos.

A sua carreira conta com inúmeras distinções e prémios, entre os quais se destacam o Prix Femina étranger e o Jan Michalski Prize for Literature. Em 2017, foi condecorada pelo governo francês com a distinção de Chevalier des Arts et des Lettres.


Mais informação em https://www.relogiodagua.pt/produto/espanto/

Sobre Quedas Felizes, de Evguénia Bielorrussets

 «Publicados na Ucrânia em 2018, estes contos de natureza surrealista, escritos por uma conhecida fotógrafa, revelam as experiências de mulheres da região do Donbass. Muitas delas escaparam ao conflito separatista surgido em 2014 e vivem agora como refugiadas em Kiev. Os contos, etnográficos na perspetiva mas gogolianos no registo, gravitam em torno de desaparecimentos inexplicáveis, memórias recalcadas e fantasmagorias. Bielorrussets escreve com “profunda penetração sobre o efeito de acontecimentos históricos traumáticos nas fantasias […] da vida quotidiana” e evoca o humor fatalista das suas personagens marginalizadas. “Se tiveste a sorte de nascer aqui, aceita-la como se tivesse de ser assim.”» [The New Yorker]


«Se Isaac Babel e Svetlana Alexievich tivessem um filho…» [Claire Messud]


«Um livro ousado e inquietante em que mulheres deslocadas narram histórias esclarecedoras para sobreviver à escuridão que as envolve.» [Jenny Offill]


«Este é um livro de histórias ternas e terríveis, onde contos de terror da juventude se mascaram na linguagem de Jean Genet, e onde o documentário se dilata até ao épico, tornando-se a história que todos partilhamos.» [Maria Stepánova]


Quedas Felizes, de Evguénia Bielorrussets (tradução de António Pescada), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/quedas-felizes-pre-publicacao/

Sobre A Queda dum Anjo, de Camilo Castelo Branco

 Escrito em 1866, é um romance satírico de Camilo Castelo Branco, no qual o autor descreve a corrupção de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, um fidalgo transmontano que se desloca da província para Lisboa. Ao ser eleito deputado, Calisto vai para a capital, onde, além de se deixar corromper pelo luxo e pelos prazeres, se torna amante de uma prima distante, Ifigénia, nascida no Brasil.

A Queda dum Anjo é uma obra em que Camilo descreve, de modo caricatural e humorístico, a vida social e política portuguesa.


A Queda dum Anjo e outras obras de Camilo Castelo Branco estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/camilo-castelo-branco/

15.3.26

Sobre Nana, de Émile Zola

 Nana é um dos principais romances de Émile Zola. Nascida no meio operário, filha de um pai alcoólico e de uma lavadeira, Nana precisa de dinheiro para criar o filho que teve aos dezasseis anos de um pai desconhecido.

Medíocre artista de teatro, prostitui-se para compor o ordenado ao fim do mês. A sua ascensão social começa com o papel de Vénus, que vai interpretar num teatro parisiense. Não sabe cantar, mas as suas roupas impudicas e a sexualidade intensa atraem os homens e permitem-lhe viver num apartamento luxuoso, onde foi instalada por um rico comerciante de Moscovo.

Nana vai tornar-se um exemplo de prostituta de luxo, da cortesã francesa do Segundo Império. Alcança a riqueza, afirma-se nos meios da aristocracia e da finança, reinando no seu palacete da avenida de Villiers, entre móveis de laca branca e perfumes perturbadores.

É assim que Nana dissipa heranças e mergulha famílias no desespero, desferindo golpes devastadores numa sociedade corrupta que despreza e de que acabará por ser vítima.


Nana (trad. Daniel Augusto Gonçalves) e Thérèse Raquin (trad. João Gaspar Simões) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/emile-zola/

Sobre Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen

 Sensibilidade e Bom Senso é o primeiro romance escrito por Jane Austen (se excluirmos o epistolar e juvenil Lady Susan).

Para a sensível Elinor Dashwood e a sua impetuosa e romântica irmã, Marianne, a perspectiva de casarem com os homens que amam parece remota. 

Num mundo organizado por interesses e pelo dinheiro, as irmãs Dashwoods parecem condenadas pela ausência de relações pessoais e de fortuna.

Marianne apaixona-se pelo encantador e inconstante Mr. Willoughby. Em contraste, Elinor enfrenta com estoicismo as notícias de que o seu amado Edward Ferrars está prometido a outra mulher. Através das suas diferentes experiências amorosas, as duas irmãs são levadas a concluir que a melhor solução está na conjunção entre razão e sentimento. 


«Jane Austen foi uma inovadora feroz, e as suas inovações estavam praticamente realizadas quando ela tinha vinte e quatro anos. Isto diz-nos algo sobre a combinação vaga de esforço e instinto presente na sua vida literária. […]

As heroínas de Austen não mudam no sentido moderno do termo porque, na verdade, não descobrem coisas sobre si mesmas. Elas descobrem novidades cognitivas, procuram o que é correcto. À medida que o romance avança, levantam-se alguns véus e removem-se alguns obstáculos, para que a heroína possa ver o mundo mais nitidamente.» [James Wood, A Herança Perdida]


Sensibilidade e Bom Senso (trad. Paulo Faria) e outras obras de Jane Austen estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jane-austen/