20.2.26

De Nocturno Europeu, de Rui Nunes

 «cada recomeço é um nó. Natacha envelheceu, Pedro envelheceu. É o fim do livro. Prolongá-lo até à morte de Pedro e Natacha, até ao casamento dos seus filhos, depois escrever uma nova guerra. E de súbito a cabeça de Tolstoi, desamparada, bate na folha de papel, e o aparo da caneta espirra, ou o tinteiro vira-se e rios de azul enraízam o desamparo dessa cabeça, encobrem letras, palavras, matam-nas, partem-nas. E a história acaba.

Acaba?


não sei acabar: sei prolongar o massacre.

O meu.

Repito. Repito?

porque qualquer repetição inicia

um pequeno e fascinante desvio.»


Nocturno Europeu e outras obras de Rui Nunes estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/rui-nunes/

Sobre História do Novo Nome, de Elena Ferrante

 Este romance continua a história de Lila e Elena, tendo como pano de fundo a cidade de Nápoles e a Itália do século XX.

Lila, filha de um sapateiro, escolhe o caminho de ascensão social no próprio bairro e, no final de A Amiga Genial, vemo-la casada com um comerciante. Elena, pelo contrário, dedica-se aos estudos.

Ambas têm agora 17 anos e sentem-se num beco sem saída. Ao assumir o nome do marido, Lila tem a sensação de ter perdido a identidade. Elena, estudante modelo, descobre que não se sente bem no bairro nem fora dele.

No início, vemos Elena a abrir um caderno de notas onde Lila fala sobre a vida com o seu marido e as complicadas relações com a Mafia e os grupos neofascistas, que invadem os bairros com as suas proclamações.

Lila e Elena hesitam entre a tendência para a conformidade e a obstinação em tomar nas suas mãos o seu destino, numa relação conflitual, inseparável mistura de dependência e vontade de autoafirmação, em que o amor é um sentimento «molesto» que se alimenta do desequilíbrio até nos momentos mais felizes.


História do Novo Nome (trad. Margarida Periquito) e as outras obras de Elena Ferrante estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/elena-ferrante/

Sobre Os Invisíveis, de Roy Jacobsen

 Ingrid Barrøy nasceu numa pequena ilha na costa norte da Noruega, numa família com as suas colheitas, esperanças e sonhos.

Na primeira metade do século XX, a vida dos pescadores e camponeses do arquipélago não é fácil. Mas à família Barrøy não faltam recursos. O pai de Ingrid sonha com mais filhos, uma ilha maior e um molhe que o ligue ao continente. A mãe pretende uma ilha mais pequena, mais filhos e uma vida diferente. Ingrid cresce entre o oceano e as tempestades, os pássaros e o amplo horizonte.

Mas o ciclo das tarefas e dos dias é interrompido pela súbita irrupção do mundo exterior, a guerra e a integração da Noruega na moderna Europa. Ingrid vai ter de lutar para proteger o espaço em que cresceu.


Os Invisíveis, de Roy Jacobsen (trad. Sebastião Belfort Cerqueira) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/os-invisiveis/

Sobre A Montanha Mágica, de Thomas Mann

 «A Montanha Mágica é uma obra-prima como nenhuma outra.» [A. S. Byatt]


«Tal como em A Morte em Veneza, o protagonista de A Montanha Mágica empreende uma viagem que acaba por o levar para fora do espaço e do tempo da existência burguesa. Não por acaso, contrariando planos anteriores em que o romance abria com a explanação da biografia de Hans, depois remetida para o segundo capítulo, o primeiro capítulo centra‑se na viagem e no primeiro momento de confronto com o mundo fechado do sanatório, o início do longo percurso de iniciação que irá constituir o fulcro da narrativa. O herói do romance, como surge repetidamente sublinhado, nada tem de excepcional, pelo contrário, a própria mediania da personagem constitui uma forma de acentuar de que modo ela representa paradigmaticamente a normalidade social. O fulcro do romance está, justamente, no facto de essa normalidade ser totalmente posta à prova e problematizada nos seus fundamentos pelo confronto com o microcosmos do sanatório.» [Do Prefácio de António Sousa Ribeiro]


A Montanha Mágica (tradução, prefácio e notas de António Sousa Ribeiro) e outras obras de Thomas Mann estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/thomas-mann/

De Quando Virmos o Mar, de Marta Pais Oliveira

 “Vais gostar de saber que também a nossa história começou com um desastre, mas no fim estávamos vivos. A minha mãe dizia que mesmo no pior dia há sempre qualquer coisa bonita. Quando a mãe da minha mãe morreu, não a conheceste, vi-a a usar os brincos de que mais gostava durante muito tempo. Encontrou nisso uma forma de salvar qualquer coisa. Ainda bem.

Antes de ser tua avó, que nunca chegou a ser, ou uma ausência também vive?, a minha mãe foi minha mãe e queria tudo em ordem. Os brincos eram pequenas bolas brilhantes de resgate dentro do naufrágio diário.”


Quando Virmos o Mar, de Marta Pais Oliveira, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/quando-virmos-o-mar-pre-venda/

Sobre O Livro do Verão, de Tove Jansson

 Tove Jansson capta nesta novela a essência do verão. Uma artista e a neta de seis anos passam estes meses numa pequena ilha no golfo da Finlândia.

A avó é pouco sentimental e a neta, Sophia, é impetuosa e inquieta. Uma conhece profundamente o que é a vida, a outra está ansiosa para saber tudo sobre ela. Em momentos opostos da vida, exploram a ilha e os seus segredos e inventam histórias para os mistérios que as rodeiam, enquanto se interrogam sobre a vida, a morte, a natureza e o amor.

A prosa cristalina e direta de Tove Jansson é capaz de descrever o esforço da natureza para manter o delicado equilíbrio entre a sobrevivência e a extinção.


«Tove Jansson era um génio. Esta é uma novela maravilhosa, bela, sábia e também muito divertida.» [Philip Pullman]


«É complicado descrever o que Jansson conseguiu fazer aqui... uma leitura curta e perfeita.» [The Guardian]


«O Livro do Verão é belo, caloroso, e possui a sabedoria que podemos adaptar às nossas vidas quotidianas.» [Liv Ullmann]


O Livro do Verão (tradução do sueco de João Reis) e outras obras de Tove Jansson estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/tove-jansson/

Sobre O Livro por Vir, de Maurice Blanchot

 A literatura ocupa o centro das pesquisas de Blanchot. E é a luz do seu mistério que o autor de “O Livro por Vir” e “O Espaço Literário” se esforça por circunscrever. 

Neste livro, Blanchot fala-nos com um saber apaixonado de Proust, Artaud, Musil, Broch e Henry James e até daquele que será um dia o último escritor. Mas, através dos autores e dos livros, interessa sobretudo a Blanchot o movimento que os cria.


O Livro por Vir (trad. Maria Regina Louro) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-livro-por-vir-2/