10.4.26

Sobre Sobre o Poder, de Byung-Chul Han

 Neste livro, Byung-Chul Han propõe-se elaborar um conceito de poder capaz de integrar as conceções divergentes que sobre ele habitualmente temos.

E, no entanto, retirar ao poder a sua ambiguidade não é tarefa simples.

É que em torno do conceito de poder continua a imperar o caos teórico. Sendo por um lado um fenómeno aparentemente óbvio, designadamente na tradição marxista, é para várias correntes políticas qualquer coisa de obscuro. Sendo para alguns sinónimo de opressão e de domínio de classe, é para outros um elemento construtivo da comunicação e uma espécie de árbitro.

Associado tanto à liberdade como à coerção, ao direito como à discricionariedade, este conceito só pode beneficiar de uma tentativa de análise que tenha em conta os seus elementos estruturais internos e as diversas formas em que se manifesta.


Sobre o Poder (tradução de Miguel Serras Pereira) e outras obras de Byung-Chul Han estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/byung-chul-han/

De Políticas de Poder, de Margaret Atwood

 «Primavera outra vez, como irei suportar

as agulhas que ela lança contra

a terra, contra a minha cabeça,

habituadas que estamos ambas à escuridão


A neve no solo escuro e

a lagarta esmagada

a relva feita líquido colorido


O inverno desmorona-se

em pregas frouxas em torno

dos meus pés / folhas ainda ausentes / flácidas


Carnudos lilases em botão ameaçam

abrir mas eu

contenho-me


Não estou pronta / ajuda-me

o que quero de ti é

luar macio de

vento, longos cabelos de água»


[De Políticas de Poder (trad. Ana Luísa Amaral) de Margaret Atwood, disponível em https://www.relogiodagua.pt/autor/margaret-atwood/]

Sobre O Fim dos Estados Unidos da América, de Gonçalo M. Tavares

 «Tendo começado como uma sátira, “O Fim dos Estados Unidos da América” evoluiu para uma distopia, que é uma forma de épica. Parafraseando a tese de G. M. T.,  este livro é “um atlas do corpo e da imaginação”. Um guião de lugares, figuras, vozes, com um narrador menos clínico e contido do que é hábito, entregue aos devaneios, às invenções, aos delírios, às alucinações, o que não se distingue assim tanto das notícias que nos chegam quotidianamente. Como cenário de epopeia, o país vastíssimo que traz consigo uma vasta escala mitológica:


“Uma epopeia em dez metros quadrados parece desperdício

de façanha. As grandes narrações heroicas contabilizam salvações

e feitos inesquecíveis, por década, século e hectare,

e se na modernidade a exigência diminui bruscamente,

e a ela e à sua pobreza de ambições nos habituámos,

o que se faz nestes dias para se merecer homenagem e estátua,

nos Estados Unidos da América, parece excessivo para baixo,

de tão pouco exigente.”


De falta de exigência e falta de ambição ninguém acusará Gonçalo M. Tavares.»[Pedro Mexia, E, Expresso, 3/4/2026: https://expresso.pt/opiniao/2026-04-02-mau-tempo-para-epopeias-7ae303fe]


O Fim dos Estados Unidos da América e outras obras de Gonçalo M. Tavares estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

De Tóquio, Estação de Ueno, de Yu Miri

 «Costumava pensar que a vida era como um livro: viramos a primeira página e surge a seguinte e, virando página após página, acabamos por chegar à última.Mas a vida em nada se parece com uma história num livro. Pode haver palavras, as páginas podem estar numeradas, mas não há um enredo. Pode haver uma conclusão, mas não há um final.

Deixado para trás.

Como uma árvore cuidadosamente podada no terreno abandonado onde se demoliu uma casa em ruínas.

Como a água numa jarra depois de tirarem as flores murchas.

Deixado para trás.

Mas então o que resta de mim aqui?»


[p. 7 de Tóquio, Estação de Ueno, de Yu Miri (tradução de Inês Dias), disponível em https://www.relogiodagua.pt/produto/toquio-estacao-de-ueno/]

Sobre Sobre o Sentimento de Imortalidade na Juventude, de William Hazlitt

 Neste ensaio, William Hazlitt explora a imortalidade não como existência física eterna, mas como sentimento juvenil de possibilidades ilimitadas e tempo infinito, em que a morte e a velhice são conceitos abstratos, praticamente destituídos de sentido. O autor descreve como a força, a energia e a esperança dos jovens criam uma sensação subjetiva de eternidade, permitindo-lhes viver uma vida encantada; e como, à medida que envelhecemos, esse sentimento é substituído por uma compreensão mais subtil da passagem do tempo e da inevitável realidade da morte.


Sobre o Sentimento de Imortalidade na Juventude, de William Hazlitt (tradução de José Miguel Silva), está disponível em https://www.relogiodagua.pt/produto/sobre-o-sentimento-de-imortalidade-na-juventude/

Sobre O Curioso Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald

F. Scott Fitzgerald é conhecido pelos seus romances e contos. O Curioso Caso de Benjamin Button, uma sátira fantástica sobre o envelhecimento, é uma das suas histórias mais memoráveis.

Em 1860, Benjamin Button nasce velho e começa misteriosamente a ficar cada vez mais novo. No início estás murcho e desgastado, mas, à medida que o tempo passa, abraça a vida — vai para a guerra, gere um negócio, apaixona-se, tem filhos, vai para a faculdade, para a escola, e, como a sua mente começa a retroceder, frequenta o jardim de infância, acabando a ser cuidado por uma ama.

Esta história estranha e assombrosa incorpora a perspicácia social que fez de Fitzgerald uma das grandes vozes da literatura norte-americana.


O Curioso Caso de Benjamin Button (tradução de Maria Beatriz Sequeira) e outras obras de F. Scott Fitzgerald estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/f-scott-fitzgerald/

9.4.26

Sobre A História, de Elsa Morante

A História foi publicado em 1974 e tem como cenário a cidade de Roma durante a Segunda Guerra Mundial.

Num dia de janeiro de 1941, um soldado alemão caminha pelo bairro popular de San Lorenzo. Àquela hora pouca gente se vê nas ruas.

No seu deambular sem rumo, o soldado, alto, louro e um pouco embriagado, encontra Ida, uma professora viúva que regressa a casa depois do trabalho.

O soldado segue Ida até ao humilde andar que partilha com o filho. Viola-a e depois, com um pedido de desculpas, fuma um cigarro, sai e nunca mais saberemos dele.

Deste ato brutal, mas que a guerra torna quase banal, nasce uma criança, e a história da família judia de Ida vai encher as muitas páginas de um romance que iluminou toda a segunda metade do século xx.


“Elsa Morante foi minha mestra.” [Elena Ferrante]


“Este nosso mundo cai aos pedaços… Só tu, Elsa, consegues dar-lhe forma e dignidade.” [Italo Calvino]


“Como romancista e como leitora, o que senti ao ler A História foi profunda gratidão para com Elsa Morante.” [Natalia Ginzburg]


A História (trad. José Lima) e outras obras de Elsa Morante estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/elsa-morante/