8.4.16

A chegar às livrarias: Todos os Contos, de Clarice Lispector, com edição e introdução de Benjamin Moser




Pela primeira vez, todos os contos de Clarice Lispector reunidos num só volume.

«Melhor do que Borges.» [Elizabeth Bishop]

«A maior escritora latino-americana de prosa.» [The New York Times]

«Um dos génios escondidos do século XX, na mesma liga de Flann O’Brien, Borges e Pessoa — original e brilhante, acutilante e perturbador.» [Colm Tóibín]

«Senti-me fisicamente abalada pelo seu génio.» [Katherine Boo, Financial Times]

«Clarice Lispector possuía uma inteligência dura como um diamante, um instinto visionário, e um sentido de humor que ia desde a admiração ingénua até à comédia mais perversa… Lispector tenta captar o que é pensar na nossa existência enquanto ainda estamos nela — no “maravilhoso escândalo” da vida, como a autora diz. Um trabalho espetacular, sem uma real continuidade dentro da literatura nem fora dela.» [Rachel Kushner, Bookforum]

Sobre Estufa com Ciclâmenes, de Rebecca West




«Quando a Primeira Grande Guerra terminou, a autora escreveu um romance, O Regresso do Soldado, sobre o conflito que devastou a Europa entre 1914 e 1918. Ainda nenhuma mulher o havia feito.  Agora volta a servir-se da guerra como Leitmotiv. Simbiose de jornalismo literário e ensaio, o livro colige três textos de A Train of Powder, uma extensa reportagem sobre os julgamentos de Nuremberga, aos quais a autora assistiu como enviada do Daily Telegraph. Sem perder de vista as implicações morais, Rebecca relata os factos com objectividade: «Na primeira parte da leitura da sentença não houve referências aos acusados, apenas às instituições que haviam formado.» Quando o jornal lhe pediu para cobrir os julgamentos, era já uma autora consagrada, com cinco romances e sete livros de não-ficção publicados. Desde sempre ligada à política, feminismo incluído, manteve uma longa relação com H. G. Wells, pai do seu filho. Estufa com Ciclâmenessuscita um problema prático: o livro vai para a estante de Literatura, ou para a de História? Diria, sem favor, que fica bem nas duas. Quatro estrelas. Editou a Relógio d’Água.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, sobre crítica a Estufa com Ciclâmenes, de Rebecca West, publicada na revista Sábado]

6.4.16

Lançamento de A Economia como Desporto de Combate



 

O mais recente livro de Ricardo Paes Mamede, A Economia como Desporto de Combate, vai ser lançado amanhã, dia 7 de Abril, às 18h00, na Sociedade de Geografia de Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão, n.º 100, em Lisboa.
A obra será apresentada por Sandra Monteiro e Pedro Nuno Santos.
Ricardo Paes Mamede doutorou-se em Economia pela Universidade Luigi Bocconi (Milão) e licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, onde obteve também o grau de mestre em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia.
Actualmente é professor de Economia Política do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde lecciona desde 1999 nas áreas da Economia e Integração Europeia, da Economia Sectorial e da Inovação, e das Políticas Públicas. É também investigador do Dinâmia'CET, Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território.
É co-autor de A Crise, a Troika e as Alternativas Urgentes (Tinta-da-China, 2013), co-organizador do livro Structural Change, Competitiveness and Industrial Policy: Painful Lessons from the European Periphery (Routledge, 2014) e autor de O Que Fazer Com Este País (Marcador, 2015). Escreve no blogue Ladrões de Bicicletas.

Hélia Correia responde ao questionário de Proust



 
Somos Livros, Primavera 2016

5.4.16

Sobre Gratidão, de Oliver Sacks




«A epígrafe que abre o mais recente livro de Oliver Sacks resume com apenas uma imprecisão os quatro ensaios que o compõem, onde o neurologista britânico relata a sua relação com a morte que na altura, devido à detecção de uma metástase de uma forma rara de melanoma no fígado, se aproximava velozmente, tendo chegado em Agosto de 2015. Gratidão tem como mote “estou agora frente a frente com a morte, mas não acabei a vida”, um mote que, não fosse o uso da adversativa, resumiria perfeitamente o que se passa ao longo das suas páginas. O que Sacks nos procura mostrar nestes ensaios escritos entre Julho de 2013 e Agosto de 2015 é que não existe contradição nenhuma — como o uso da conjunção “mas” sugere — entre estar diante da morte e não se ter acabado de viver. Em Gratidão, é sugerido que o confronto com a morte é até, em certo sentido, como veremos, um momento inaugural da vida.
Com a aproximação, cada vez mais rápida, da morte, duas ideias tornam-se claras para Sacks. Em primeiro lugar, o escritor afirma-se repetidamente agradecido (um agradecimento peculiar, uma vez que não se dirige a nenhuma entidade específica, mas apenas àquilo a que, à falta de melhor termo, poderemos designar por “vida”). Mas Sacks confessa também que, na iminência da morte, se sente no dever de “tentar completar a [sua] vida, seja lá o que ‘completar uma vida’ queira dizer”. No ensaio a que chamou A Minha Vida, escrito poucos dias depois da descoberta das metástases no fígado que o viriam a matar, o neurologista escreve:
“Nestes últimos dias, tenho podido ver a minha vida como que de um lugar muito alto, como uma espécie de paisagem, e com um sentido profundo de ligação entre todas as suas partes. O que não significa que para mim a vida tenha acabado. Pelo contrário, sinto-me intensamente vivo.”» [João Pedro Vala, Observador, 30-3-2016]

4.4.16

A chegar às livrarias: Escola de Náufragos, de Jaime Rocha




 

«Estavas ali sentado ao meu lado e eu a dizer-te como se saía da infância para a vida do mar. Ali, à minha frente, à escuta, e eu a ver-te crescer, a encheres o peito de ar e os olhos a dilatarem-se, a quereres ser homem de repente. E então, eu olhei, eu vi para dentro de ti, o que estava lá dentro, uma mancha negra por detrás da pele da tua testa que alastrava para os lados, a toda à volta da cabeça, como uma cinta preta que se cosia na nuca, uma costura que podia rebentar a cada momento, mas que sabia que estava à espera do momento certo para se partir, o momento em que perderias o medo e toda a gente te respeitaria pelo que irias ser, um homem marcado pelo destino, um homem arraçado. Eu vi que tu estás feito para uma morte diferente da dos outros, que não irás nunca para o Bacalhau, nem uma vez que seja entrarás no mar como pescador. Tu és feito de uma outra coisa, os teus ossos e a tua carne foram cruzados por vários sangues. E eu apenas estava ali, ao pé de ti, a passar-te um testemunho antes de morrer.»

1.4.16

A chegar às livrarias: A Abadia de Northanger, de Jane Austen


 

«A Abadia de Northanger foi provavelmente o primeiro romance de Jane Austen a ficar concluído para publicação. Segundo Cassandra, a sua irmã mais velha, o romance, originalmente intitulado Memorandum, Susan, foi escrito em 1798-99, mas revisto pela autora em 1803 (…).
O livro começa com a frase “Quem tivesse visto Catherine Morland em criança nunca poderia supor que nascera para heroína”, e ela é certamente uma heroína muito invulgar para um romance de Jane Austen. Todas as outras são inteligentes e a sua perceção da vida e experiência são muito distintas da simplicidade ingénua de Catherine. Quando a narrativa começa, ela tem dezassete anos e é um dos dez filhos de um clérigo rural razoavelmente independente, com o rendimento de dois bons benefícios. A sua mãe é uma mulher de «bom senso prático», de bom humor e forte constituição, o que certamente lhe é útil, com dez filhos para criar e as raparigas para educar em casa. Catherine não é bonita, apesar de, ao chegar aos quinze anos, os pais verem o princípio de uma mudança favorável.» [Do Posfácio]