«A Senda Estreita para o
Norte Profundo é
um relato de barbárie. No início dos anos 1940, durante a Segunda Guerra
Mundial, o Japão começou a construir uma via-férrea entre o Sião e a Birmânia,
ou seja, entre os países hoje conhecidos por Tailândia e Myanmar. É então que
Dorrigo Evans, jovem cirurgião australiano, se torna o prisioneiro n.º 335 do
campo que forneceu duzentos mil homens, um terço dos quais ocidentais, para
trabalharem como escravos na Ferrovia da Morte. Flanagan descreve o horror
(vivissecção de prisioneiros, por exemplo) sem piruetas semânticas, numa
escrita limpa de enxúndia. A primeira frase dá o tom: «Porque é que no começo das coisas há sempre luz?» Isento de auto-complacência, o romance ficciona a vida do
pai: infância, aventuras amorosas, paixão, casamento, adultério, a guerra,
escravo dos japoneses, a Linha («desmontada e vendida à peça» no fim do conflito), o Japão submerso em poeira
radioactiva, os americanos, libertação e regresso à Tasmânia. Uma epopeia
admirável.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito
da crítica a A Senda Estreita para o Norte Profundo, de Richard
Flanagan, na revista Sábado, 23/4/15]
30.4.15
A chegar às livrarias: Mansfield Park, de Jane Austen (trad. José Miguel Silva)
Mansfield
Park foi escrito em
Chawton, no Hampshire, entre Fevereiro de 1811 e Junho de 1813. O livro seria
publicado em 1814 em três volumes.
No essencial,
é um romance de costumes saído da relação entre duas famílias da elite rural
inglesa.
«Mansfield Park é um
conto de fadas, mas afinal de contas todos os romances são, em certo sentido,
contos de fadas. À primeira vista, a forma e o assunto de Jane Austen podem
parecer antiquados, afectados, irreais. Mas isso é uma ilusão a que um mau
leitor sucumbe. O bom leitor está consciente de que a demanda da vida real, das
pessoas reais e por aí fora é um processo sem sentido quando falamos de livros.
Num livro, a realidade de uma pessoa, ou de um objecto, ou de uma
circunstância, depende exclusivamente do mundo desse livro específico. Um autor
original inventa sempre um mundo original, e se uma personagem ou uma acção
cabe no padrão desse mundo, então sentimos o agradável choque da verdade artística,
por mais improváveis que a pessoa ou a coisa possam parecer se transferidas
para aquilo que os críticos literários, pobres escrevinhadores, chamam “vida
real”. Não existe essa coisa da vida real para um escritor de génio: deve ele
próprio criá-la e depois criar as consequências.»
[Vladimir
Nabokov, Aulas de Literatura]
29.4.15
A chegar às livrarias: Viagens de Tom Sawyer, de Mark Twain
«Imaginam que Tom se satisfez com todas estas aventuras?
Refiro-me às aventuras que tivemos no rio e o tempo que levámos a libertar o
negro Jim, além do tiro que Tom apanhou na perna. Mas não, não se satisfez. O
único resultado de tudo isso foi despertar-lhe o apetite de novas façanhas. Bem
veem, quando nós três viemos rio acima em triunfo — digamos assim — de volta
daquela grande viagem, quando a aldeia nos recebeu com discursos e um cortejo
de archotes acesos, quando os vivas e os gritos de toda a gente fizeram de nós
heróis, Tom Sawyer realizou assim um dos seus sonhos.»
28.4.15
Sobre Mirleos, de João Miguel Fernandes Jorge
«O título é explicado numa nota inicial: “Mirleos, palavra
composta de dois elementos latinos: mirus, com o sentido de maravilhoso
ou surpreendente, e letum, que significa ruína. Admiráveis ruínas será
um dos seus sentidos. Em Coimbra, Mirleos correspondeu ao antigo fórum romano,
espaço onde se reconstruiu em 1087 a Igreja de São João (…). Sobre todas estas
ruínas (…) está hoje o Museu Nacional de Machado de Castro.” Esta sequência de poemas
é assim como que uma continuação ilustrada de Museu das Janelas Verdes
(2002), talvez o mais importante diálogo português entre as artes plásticas e a
poesia desde as Metamorfoses (1963) de Jorge de Sena.» [Pedro Mexia, Expresso,
E, 25/4/2015]
27.4.15
Sobre A Senda Estreita para o Norte Profundo, de Richard Flanagan
«O homem no amor e na guerra e o paradoxo da sobrevivência sem
heroísmo são os grandes temas do romance que valeu a Richard Flanagan o Man
Booker Prize (…)
A Senda Estreita para o Norte Profundo, o livro vencedor
do último Man Booker Prize, é o sexto romance do australiano Richard Flanagan —
conhecido sobretudo pelo romance O Livro dos Peixes de Gould. Demorou 12
anos a escrever, teve cinco versões, e é o resultado de uma luta pessoal com o
trauma: a do escritor perante o horror de um campo de prisioneiros de guerra de
que o pai foi sobrevivente.
Richard Flanagan (Tasmânia, 1961) nasceu 16 anos depois da Segunda
Guerra Mundial. Nunca combateu, mas cresceu com o sofrimento do pai e o trauma
passou a ser comum, embora experimentado de formas distintas. A declaração de
Dorrigo Evans, o protagonista, assume neste contexto um carácter bastante
autobiográfico: “Sou parte de tudo o que conheci.”»
[Isabel Lucas, Público, ípsilon, 24/4/2015]
24.4.15
Hanif Kureishi entrevistado pelo ípsilon
Isabel Lucas
entrevistou Hanif Kureishi a propósito do lançamento na Relógio D’Água de O
Buda dos Subúrbios, o seu primeiro livro, e de A Última Palavra, ao
mais recente. (Em breve sairá também Intimidade, em nova tradução de Inês Dias.)
«“Gosto da ideia
de que as coisas sejam arriscadas, sujas; gosto de explorar o sentimento de
vergonha associado à imaginação pornográfica, de questionar a virtude, do ver o
quão selvagem é a nossa imaginação.” As palavras chegam numa voz rouca e há um
barulho que se assemelha ao de pedras de gelo, primeiro num balde e depois num
vidro, o som de um gole de bebida na boca, uma breve pausa antes de dizer que
talvez tenha mesmo dito que uma coisa para ser boa tem de ser um pouco pornográfica.
Fala ao telefone desde Londres, onde vive na zona oeste de uma cidade que tem
levado para os seus romances, contos, ensaios, peças de teatro, argumentos de
cinema. A Inglaterra na sua diversidade étnica e cultural, nos contrastes entre
subúrbio e a metrópole, nos que vivem à margem, os rebeldes pelo que arriscam e
não pelo “modo pop” em que a rebeldia se transformou. “Ser rebelde é saber que
se tem muito a perder em defesa de uma ideia, de uma atitude. Hoje até nisso há
vazio.”»
22.4.15
Relógio D’Água comemora o Dia Mundial do Livro
Para celebrar esta data, 23
de Abril, oferecemos aos leitores uma promoção de 30 % de desconto em dez
títulos do nosso catálogo nas compras através do nosso sítio:
– O Amor de Uma Boa
Mulher, de Alice Munro
– Rei, Dama, Valete,
de Vladimir Nabokov
– Pnin, de Vladimir
Nabokov
– O Grande Gatsby,
de F. Scott Fitzgerald
– O Monte dos Vendavais,
de Emily Brontë
– As Partículas
Elementares, de Michel Houellebecq
– É assim Que A Perdes, de
Junot Díaz
– Os Irmãos Karamázov,
de Fiódor Dostoievski
– O Jogador, de
Fiódor Dostoievski
– A Morte de Ivan
Iliitch, de Lev Tolstói
A promoção é válida de 23
a 30 de Abril de 2015.
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