27.4.20

José Gil em entrevista à Rádio Renascença




«— Para concluir, qual é nesta altura o seu maior receio, a sua angústia mais marcante?


— O que lhe vou dizer pode até parecer abstrato. O meu maior receio é de tal maneira que nem consigo pensá-lo bem; talvez ninguém consiga fazê-lo. É que, de repente, haja uma conjunção factual nos acontecimentos da crise pandémica — que não vai acabar já — com a crise ecológica e com a recessão económica. Se estas três crises se conjugam e se entram em colisão — e teríamos que analisar cada uma delas — não sei o que isto poderá dar. Este é o meu receio maior. Mas tenho um segundo receio, que tem a ver com o primeiro; é que, infelizmente, repito infelizmente, não vejo nada do lado dos responsáveis políticos dos diferentes estados que possa manifestar um desejo de mudança real. Eles não nos dizem nada, não há programa nenhum, apenas dólares e euros, é tudo quanto sabem pensar. Isso provoca-me uma profunda amargura e receio e acho que milhões de pessoas também pensam assim.» [Entrevista de José Gil a Luís Aresta, RR, 24/4/20. Disponível aqui.]

Obras de José Gil disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jose-gil/

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