21.1.14

Quase todo o Joyce no Diário de Notícias






No DN de 18 de Janeiro, João Céu e Silva faz um sistemático trabalho sobre a edição de várias obras de Joyce publicadas pela Relógio D’Água nos últimos dois anos. Entrevista o editor da Relógio D’Água sobre a publicação de Ulisses e os diferentes tradutores que se encarregaram da passagem das obras para o português.



Jorge Vaz de Carvalho, tradutor de Ulisses: «é o autor da nova tradução de Ulisses, uma tarefa que lhe demorou mais de dois anos e em muitos períodos trabalhando dez horas por dia. “O tempo mais bem empregue que poderia desejar.” Após o convite da Relógio D’Água, cumpriu-se o desejo de sempre traduzir Ulisses: “É, para mim, com Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, a mais importante obra de ficção do século XX. Apesar de ser um texto a que regressava regularmente, fazê-lo na qualidade de tradutor cria novas perspetivas para um conhecimento aperfeiçoado.”»




Margarida Periquito, «tradutora de Dublinenses, que iniciou há dois anos e em simultâneo com os seus pares envolvidos neste projeto da Relógio D’Água, considera que todos os autores e obras apresentam as suas dificuldades mas não encontrou nestes contos de Joyce mais dificuldades do que em autores como Joseph Conrad, Bram Stoker, Pirandello ou Leopardi. Acrescenta que é sempre importante conhecer factos da vida de um autor, bem como outras obras suas, para melhor interpretar o seu trabalho literário com vista à tradução.»





Paulo Faria, tradutor de Retrato do Artista quando Jovem: “é uma torrente de palavras, um objeto orgânico, desenfreado, em que coisas belas e feias, palavras belas e feias, se entrelaçam na prosa em lugar de destaque. O autor, aliás, esfrega-nos esta beleza e esta fealdade na cara de propósito, deliberadamente”. Para o tradutor, James Joyce não é um autor sobrevalorizado, antes pelo contrário: “É um escritor pouco lido por exigir ao leitor o mesmo que exigia aos seus familiares, conterrâneos e contemporâneos: que o acompanhassem na sua odisseia sem fazerem concessões.”»




José Miguel Silva, tradutor de Cartas a Nora: “não precisávamos destas cartas para saber que o sentimentalismo e a obscenidade conviviam muito familiarmente dentro de James Joyce, que o autor transitava facilmente entre as altas esferas da especulação intelectual e linguística e os baixios da pornografia. Para tal basta ter lido algumas páginas de Ulisses.”

 


«É o primeiro livro do escritor, de 1907, que reúne 36 poemas num estilo elisabetiano, com arcaísmos linguísticos e na intenção de serem musicados.» [Faltou apenas entrevistar, por ter sido impossível o contacto, João Almeida Flor, tradutor do livro de poemas Música de Câmara.]

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