24.12.12

Sobre Dalton Trevisan




Esta trintena de contos sugere um autor atentíssimo, que colecciona histórias, um observador aparentemente imparcial de muitas misérias humanas. É uma Curitiba de pedófilos, alcólicos, sádicos, cônjuges abusivos, velhos agonizantes e suicidas, funcionários desolados, loucos manipulados como se fossem cobaias, conquistadores que se enchem de nojo depois da conquista, Penélopes infiéis, lojistas desesperadas, hóspedes a ouvir os ruídos das pensões noite dentro, senhoras casadas que regressam a casa depois de repudiadas pelos amantes, adolescentes enganadas, pais tiranos, filhos pródigos, ciumentos patológicos, mulheres que põem vidro moído na comida dos companheiros. Embora as histórias sejam curtas,  e muitas só em diálogo, Trevisan dá-nos todas as informações de que precisamos, mas em detalhe e com ambiguidades, de modo que só quandos nos afastamos da cena a compreendemos completamente.
As "novelas" não são "exemplares", ao modo cervantino, há uma amoralidade que dispensa contextualizações, discursos políticos, conclusões éticas, a vida mostra-se tal como ela é, embora com um aflitivo enfoque nos aspectos sórdidos, secretos, viscosos. (Pedro Mexia, Atual, Expresso, 22-12-2012)


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