20.11.21

Sobre Três Histórias de Esquecimento, de Djaimilia Pereira de Almeida

 



Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Três Histórias de Esquecimento, de Djaimilia Pereira de Almeida


Três Histórias de Esquecimento inclui as novelas A Visão das Plantas e Maremoto, que já tiveram edição autónoma, e a inédita Bruma.

Nasceram de uma afirmação do filósofo britânico Peter Geach: “Talvez um homem possa perder a sua última chance quando é novo, e depois viver até ser velho: viver contente e sentir-se em casa no mundo, mas aos olhos de Deus estar morto.”

Quem nos salva da possibilidade de, cedo na vida, nos termos desperdiçado? Este tríptico reflecte sobre este desperdício, tomando a vida de três homens.

Três homens, encarnações do desespero perante perguntas a que a História não responde. Celestino, um traficante de escravos de regresso a casa, emparedado num jardim, em A Visão das Plantas; Boa Morte da Silva, arrumador de carros, ex-combatente da Guerra Colonial, deixado à sua sorte numa rua de Lisboa, em Maremoto; Bruma, duplo fantasioso do escudeiro negro que lia histórias ao pequeno Eça de Queiroz, em Bruma.

As vidas de Celestino, Boa Morte da Silva e Bruma esfumam as certezas e abraçam as contradições. Fantasmas guardados dentro dos livros, alegorias da escrita e da leitura, que estas Três Histórias tentam fazer regressar ao nosso espanto.


Três Histórias de Esquecimento e outras obras de Djaimilia Pereira de Almeida estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/djaimilia-pereira-de-almeida/

19.11.21

Sobre Inventor de Vendavais, de Hélia Correia

 



Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Inventor de Vendavais, de Hélia Correia


«O vulto era uma árvore. Mas uma árvore muito especial. Era uma árvore negra, muito negra, escura, dura e fria como ferro. Mas havia uns bocados em que o negro tinha saído, como que raspado por alguns arranhões. Podia ver-se que existia dentro dela um brilho extraordinário, uma luz de ouro muito agitada, que fazia o som de uma coisa a ferver. Devia ser uma luz muito poderosa, com a sua cor tão forte que, por vezes, se tornava vermelha. Mas, como quer que fosse, ela não estava nada feliz. Batia contra o tronco e os dedos tinham um barulho de metal.»


Inventor de Vendavais, O Regresso de Twainy e outras obras de Hélia Correia estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/helia-correia/

Nos 100 anos do nascimento de Natália Nunes

 




Faz agora cem anos que nasceu Maria Natália Nunes a 18 de Novembro. Apesar de ter nascido em Lisboa, viveu parte da sua infância em Oliveira de Frades, no distrito de Viseu.

Dessa infância deixou testemunho em Autobiografia de Ume Mulher Romântica, publicado em 1955.

Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, tirando depois o curso de bibliotecária-arquivista, profissão que exerceu no Arquivo Nacional da Torre do Tombo até se tornar, em 1979, bibliotecária da Escola Superior de Belas-Artes.

Contrariando a família, casou aos 21 anos com Rómulo de Carvalho, com quem viveu até à morte deste e com quem teve uma filha, Cristina Carvalho.

A sua obra literária foi feita de contos, romances e ensaios. Publicou Horas Vivas em 1952, A Mosca Verde e Outros Contos em 1957 e o audacioso romance Regresso ao Caos em 1960.

O romance Assembleia de Mulheres foi editado em 1964 e a novela O Caso Zulmira L. em 1967.

Na Relógio D’Água tem publicados Assembleia de Mulheres e o seu último livro, Vénus Turbulenta.

Natália Nunes foi contemporânea de escritoras como Isabel da Nóbrega, Fernanda Botelho e Irene Lisboa, e a sua obra é tão importante e singular como a dessas outras escritoras.

Um sinal da atenção da crítica está no facto de o único prémio que recebeu não ter sido enquanto escritora, mas como arquivista.

Faleceu em 2018.





Vénus Turbulenta e Assembleia de Mulheres estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/produto/assembleia-de-mulheres/

Gonçalo M. Tavares na lista de finalistas do Prémio Oceanos

 





Foram ontem anunciados os finalistas do Prémio Oceanos, entre os quais se encontra Gonçalo M. Tavares, com O Osso do Meio. Mais informação aqui.


O Osso do Meio e outras obras de Gonçalo M. Tavares estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

Sobre As Crónicas de Explosão, de Yan Lianke

 



A pequena aldeia de Explosão, situada entre as límpidas águas do rio Yi e os cumes da serra de Balou, é o cenário deste livro. Em apenas cinquenta anos, a povoação tornou-se uma cidade de vinte milhões de habitantes, rivalizando com Pequim ou Xangai. Esta expansão, alimentada pela ambição desmesurada e a corrupção, teve profundas consequências para todos.

A narrativa de Yan Lianke desvenda as feridas abertas na atual sociedade chinesa, oferecendo-nos uma imagem de uma transformação que parece saída de uma fábula fantástica.


“Uma sátira swiftiana, de um dos mais francos e versáteis autores da China contemporânea.” [Economist]


“A prosa poética de Yan Lianke recompensa os que leem até ao final este romance de grande e rara profundidade.” [Le Monde]


As Crónicas de Explosão (trad. Tiago Nabais) e Sonho da Aldeia Ding (trad. Marta Mendonça) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/yan-lianke/

Sobre Crónica de Um Vendedor de Sangre, de Yu Hua

 



Um dos livros mais influentes das últimas décadas na China, este romance, escrito por um dos mais importantes autores chineses contemporâneos, narra-nos como foi viver sob o governo do presidente Mao.


Xu Sanguan, um distribuidor de casulos de uma fábrica de seda, aumenta o seu magro salário através de visitas ao chefe do sangue. Enquanto luta para sustentar a esposa e os três filhos, as suas visitas tornam-se perigosamente frequentes. 

Quando descobre que o seu filho predileto nasceu de um caso entre a esposa e um vizinho, Xu Sanguan vê a sua vida desmoronar-se. Ao mesmo tempo, a sua esposa é publicamente acusada de prostituição. Perante tamanhas indignidades, Xu Sanguan encontra refúgio nos laços de sangue da sua família. Crónica de Um Vendedor de Sangue, romance escrito com rara intensidade emocional, tece os fios da vida humana através da narração dos dias de um homem comum.


«Comovente… estruturado com mestria e de uma escrita sublime. Um romance que absorve o leitor e constantemente o faz parar para pensar.» [The Boston Globe]


«Um acontecimento literário raro… Xu Sanguan é uma personagem que define não apenas uma geração mas a alma de um povo.» [The Seattle Times]


Crónica de Um Vendedor de Sangue e outras obras de Yu Hua (trad. Tiago Nabais) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/yu-hua/

Sobre Crónicas do Mal de Amor, de Elena Ferrante

 



«Ferrante disse que gosta de escrever histórias “em que a escrita é clara, honesta, e em que os factos — os factos da vida normal — prendem extraordinariamente o leitor”. Com efeito, a sua prosa possui uma clareza despojada, e é muitas vezes aforística e contida (…). Mas o que os seus primeiros romances têm de electrizante é que, ao acompanhar complacentemente as situações desesperadas das suas personagens, a própria escrita de Ferrante não conhece limites, está ansiosa por levar cada pensamento para diante, até à sua mais radical conclusão, e para trás, até à sua mais radical origem. Isto é sobretudo óbvio na forma destemida como os seus narradores femininos pensam sobre filhos e sobre maternidade.» [Do Prefácio de James Wood]


A adaptação da novela A Filha Perdida, de Elena Ferrante, incluída no volume Crónicas do Mal de Amor, deverá estar disponível na Netflix em Dezembro de 2021.

A estreia de Maggie Gyllenhaal na realização conta com a participação de actores como Olivia Colman, Dakota Johnson, Paul Mescal, Ed Harris, Jessie Buckley, Peter Sarsgaard e Alba Rohrwacher.


«Crónicas do Mal de Amor» e outras obras de Elena Ferrante estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/elena-ferrante/