2.3.23

Sobre Pequenas Coisas como Estas, de Claire Keegan

 



«Deixe-me começar pelo fim. 

O leitor termina a leitura com a ideia de que não faltou nenhuma palavra por dizer nem houve esbanjamento. 

“Pequenas Coisas como Estas” (Relógio d’Água) é um organismo bem calibrado, onde o dito tem a dose certa e o não-dito pede um leitor atento. O diabo está nas entrelinhas. 

Olhe para lá da superfície, aprofunde, veja a corrente interna do texto, o indizível. […]

Cada palavra tem o seu valor, cada frase o seu equilíbrio, e o livro resulta num espécime invulgar de concisão e beleza. 

É muita qualidade concentrada em cerca de oitenta páginas.»


[Mário Rufino, Comunidade Cultura e Arte, 24/2/2023: https://comunidadeculturaearte.com/pequenas-coisas-como-estas-de-claire-keegan-tem-o-brilho-de-uma-joia-preciosa/]


A obra, editada com o apoio da @literatureireland e tradução de Inês Dias, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/pequenas-coisas-como-estas/


De Claire Keegan, a Relógio D’Água publicará também Foster, com tradução de Marta Mendonça.

Sobre Duas Mulheres, de Maria Filomena Mónica

 



Esta é a história de duas mulheres de diferentes gerações que fizeram parte da vida da autora. A primeira, a sua avó, foi adolescente nos «loucos anos 20»; a segunda, a sua mãe, viveu sob o salazarismo. Maria Filomena Mónica, que atravessou as mudanças de Abril de 1974, avalia essas duas mulheres através de recordações, cartas, diários, fotografias e outros documentos.


«Sabia que na minha família não havia nem sábios nem políticos célebres, mas de certo modo isso tornava o meu espólio mais valioso: aquelas cartas e aqueles diários haviam sido escritos por gente que não se tinha ilustrado, mas que, fosse por que fosse, decidira escrever. Sobre heróis, as biografias existem em catadupa; sobre os indivíduos com uma vida “normal”, poucas. Ora, estas são frequentemente mais capazes de nos revelar uma época do que aquelas. O facto de, há alguns meses, ter sido obrigada a abandonar o andar que alugara a fim de pôr os meus livros após a reforma da Universidade em 2002 obrigou-me a juntar documentos que andavam por esconsos.»


Duas Mulheres e outras obras de Maria Filomena Mónica estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/maria-filomena-monica/

Sobre Duas Mulheres, de D. H. Lawrence

 



«Mulheres Apaixonadas» é um dos mais importantes romances de D. H. Lawrence. Como em quase todos os seus livros trata-se de uma narrativa inspirada pelo seu encontro com Frieda von Richthofen, que o levou a deixar Inglaterra iniciando uma vida errante que se prolongaria até à sua morte.

A história das paixões de Gudrun e Ursula mostra que Lawrence não era o escritor para quem a carne e o sangue eram invariavelmente mais fortes que o intelecto. A descrição da morte de Gerald Crich, que parecia feito de «matéria nova, intacta, pura, como uma substância árctica», é precisamente um maravilhoso poema, em que se fala do amor, do abandono e das limitações da vontade anímica.


Mulheres Apaixonadas (trad. Cabral do Nascimento) e O Amante de Lady Chatterley (trad. António R. Salvador) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/d-h-lawrence/

1.3.23

Sobre A Filosofia da Canção Moderna, de Bob Dylan

 



Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Filosofia da Canção Moderna, de Bob Dylan (tradução de Pedro Serrano e Angelina Barbosa)


Bob Dylan lançou trinta e nove álbuns de estúdio, que colectivamente venderam mais de 125 milhões de cópias por todo o mundo. Venceu o Prémio Nobel da Literatura e recebeu a Ordem Nacional da Legião de Honra, uma Citação Especial do Prémio Pulitzer e a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta distinção civil atribuída pelos Estados Unidos da América. As suas memórias, Crónicas: Volume I, estiveram um ano na lista de livros mais vendidos do New York Times.


A Filosofia da Canção Moderna e outras obras de Bob Dylan estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/bob-dylan/

Sobre Gonçalo M. Tavares

 



«Aos 52 anos, multipremiado e multipublicado um pouco por todo o mundo, Gonçalo M. Tavares parece ser antilusitano na forma e no conteúdo, tendo feito sua uma linguagem fria, analítica, de um humor quase rabínico no seu gosto pelo paradoxo, pela incongruência e pelo absurdo.» [Expresso, 26/2/2023]


As obras de Gonçalo M. Tavares editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

Sobre O Que Maisie Sabia, de Henry James

 



«Creio que a impressão que me deixaram essas atividades amorosas entre quatro pessoas adultas, observadas pelo frio olhar de uma espécie de Alice-no-país-das-maravilhas, foi sobretudo a de um romance mundano (…) quase perverso de tão engenhoso, singular pelo virtuosismo com que as personagens secundárias mudam de lugar em redor da pequena heroína, como os elementos de um corpo de baile ou de uma equação de álgebra.

(…) Na época em que James escreveu Maisie, ou seja, em 1897, ninguém se atrevia a explorar seriamente o campo da sexualidade infantil. Freud era conhecido apenas por alguns especialistas. No entanto, não podemos deixar de pensar que a sociedade bem-pensante havia arrumado a um canto o pecado original, e que Santo Agostinho teria ficado menos surpreendido do que os primeiros leitores de Maisie ao comprovar a tranquila naturalidade com que esta rapariga se movimentava no meio a que chamamos o “mal”.» [«Os Encantos da Inocência. Uma Releitura de Henry James», Marguerite Yourcenar]


O Que Maisie Sabia (tradução de Daniel Jonas) e outras obras de Henry James estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/henry-james/

Sobre Ensaios — Antologia, de Montaigne

 



«No capítulo XVII do Livro II dos Ensaios, «Da Presunção», Montaigne diz o seguinte: «Mas as almas belas são as almas universais, abertas e preparadas para tudo, se não instruídas, pelo menos, instruíveis: o que digo para acusar a minha; porquanto, seja por fraqueza seja por negligência (e o negligenciar o que está aos nossos pés, o que temos entre mãos, o que de mais perto concerne a prática da vida, é coisa bem longínqua do que tenho por bom), nenhuma há como a minha tão inepta e tão ignorante de muitas coisas vulgares e que não se podem ignorar sem vergonha.» Este trecho, com o seu movimento sinuoso e paradoxal, ilustra bem o estilo de Montaigne e o modo como ele frequentes vezes entrecruza o que exprime acerca de si mesmo com juízos de alcance ético e antropológico. O ideal que aqui enuncia, de uma alma caracterizada essencialmente pela pura disponibilidade, pela abertura plena à apreensão do real, e por um insaciável desejo de saber concomitante de uma atitude de humildade e suspeita perante o mesmo saber, embora, em tom autodepreciativo (o qual, de resto, não pode deixar de ser visto como uma inscrição a contrario na crítica da presunção e da filáucia levada por si a cabo neste capítulo), declare não o atingir, corresponde de alguma forma ao que — tendo em vista a sua obra, o itinerário da sua vida e o que nelas se revela — ele incarnou, coisa que, aliás, não é de espantar a respeito de quem, ao longo de toda a existência, sempre aplicou «todos os esforços a formar a [sua] vida», fazendo disso o seu «ofício e trabalho» (II, 37, 784a).» [Da Introdução]


Ensaios — Antologia, de Montaigne, com prefácio e tradução de Rui Bertrand Romão, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/ensaios-antologia-2/