13.7.18

Sobre As Pessoas do Drama, de H. G. Cancela




«Ao mesmo tempo que existem estas crises entre as personagens, encontramos neste romance uma descrição constante dos efeitos desgastantes do tempo nos objectos, nos edifícios e nas próprias pessoas: “Vivo em Roma, sei reconhecer a ruína.” (página 250). O tempo serve como uma testemunha da atividade humana, um observador omnipotente das suas ruínas, manchas e obsessões. Ao contrário das tragédias gregas, não temos aqui determinismo estruturante que condena as personagens a um castigo divino e superior. Temos antes, personagens mais modernas, mais cientes de uma limitação profunda da natureza humana, que nunca cedem a considerações divinas ou metafísicas, mas agarram-se a uma simples tentativa de sobrevivência, como que assombrados em relação à sua própria existência. As personagens são descritas como se fossem peões que tentam sobreviver jogada a jogada, privilegiando os seus instintos, sem nunca verdadeiramente tentarem alcançar uma qualquer forma de liberdade.
Uma das razões pela qual a prosa de H.G. Cancela tem um teor de grande densidade e de tensão narrativa deve-se ao facto de as suas personagens andarem em deriva pelo mundo, presas a actos repetitivos, não conseguindo escapar de si mesmas ou do seu passado. Em As Pessoas do Drama está ainda presente uma descrição de uma componente biológica, hereditária, da animalidade presente no ser humano que adensa um sentimento de culpa.» [Jorge Ferreirinha Antunes, Revista Intro, 12/7/18. O texto completo pode ser lido aqui: http://www.intro.pt/as-pessoas-do-drama-h-g-cancela-relogio-dagua-2017/ ]

Sobre Pablo Neruda




«Depois desta obra, a poesia de Neruda cresceu com uma abundância que talvez tenha surpreendido o poeta que demorou cerca de dez anos para escrever estes 56 poemas de Residencia en la tierra, para mim o melhor dos seus livros e uma pedra fundamental da poesia de língua espanhola da primeira metade do século XX.» [Do Prólogo de José Bento a Residência na Terra]

De Pablo Neruda, a Relógio D’Água publicou também Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada e Antologia.

A chegar às livrarias: Confabulações, de John Berger (trad. de Maria Eduarda Cardoso)





«Uma língua falada é um corpo, uma criatura viva […]. E o lugar onde esta criatura reside é tanto o que não se diz quando o que se diz.»
O trabalho de John Berger revolucionou o modo como entendemos a linguagem visual. Neste novo livro, o autor escreve sobre a linguagem em si, e como se relaciona com o pensamento, a arte, a música, a narrativa e o discurso político contemporâneo.
O livro inclui ainda os desenhos, notas, memórias e reflexões de Berger, que vão desde Albert Camus ao capitalismo global. 
Confabulações mostra-nos «o que é verdadeiro, essencial e urgente.»

«Berger ensina-nos a pensar, a sentir. Ensina-nos a olhar para as coisas até conseguirmos ver o que pensámos que não estava lá. Mas, acima de tudo, ensina-nos a amar perante a adversidade. É um mestre do seu ofício.» [Arundhati Roy]

«Um dos intelectuais mais influentes do nosso tempo.» [Observer]

«Um dos maiores pensadores do pós-guerra britânico.» [Guardian]

«Berger lida com o pensamento do mesmo modo que um artista lida com a tinta.» [Jeanette Winterson]


De John Berger, a Relógio D’Água publicou também Para o Casamento.

12.7.18

Sobre Diários, de Virginia Woolf




«O que nos diz o Diário da pessoa de Virginia Woolf que nos permita conhecê-la melhor? O aspecto mais impressionante, creio ser a evidência de uma mulher extremamente contraditória. Desde logo, as alterações radicais dos estados de espírito, a dramática inconstância dos terrores e euforias vivenciais, de um dia “tão divinamente feliz” e de outro exausta e deprimida. Igualmente a dicotomia entre a necessidade de “estar na vertigem das coisas” (o prazer que diz incomparável de jantares e festas, das visitas, das bisbilhotices) e o isolamento com os livros, a escrita, o jardim, a lareira, Leonard. Deseja a animação, os estímulos que põem a mente à prova, os mexericos fervilhantes, e logo se farta da afluência das visitas, despreza os convivas enfadonhos e banais, acusa o desgaste das frioleiras, a perda de tempo com ninharias, anseia beber uma boa “dose de silêncio”.» [Do Prefácio]

Sobre Breves Notas sobre Literatura-Bloom, de Gonçalo M. Tavares




«“Breves Notas sobre Literatura-Bloom” de Gonçalo M. Tavares (Relógio D’Água) é um dicionário literário extravagante, cheio de ironia e xeque-mates, absurdos, maldades ocasionais, cruéis e permanentes. E corajoso.»  [Francisco José Viegas, Correio da Manhã, 5/7/18]

11.7.18

A chegar às livrarias: Desaparecer na Escuridão, de Michelle McNamara (trad. Alda Rodrigues)




Este livro tem o enredo, suspense e intensidade de um policial. Trata-se, no entanto, de um livro de não-ficção. McNamara morreu de forma trágica a meio da investigação que procurava identificar o Golden State Killer, responsável por uma onda de violações e assassinatos na Califórnia que se prolongou por mais de dez anos. A Polícia arquivou o caso. Mas McNamara continuou a investigação pelos seus próprios meios.
“Desaparecer na Escuridão” é o relato de anos de investigação sobre a mente de um criminoso impiedoso. É também o retrato da obsessão de uma mulher pelo fim da impunidade de um assassino. Este livro está destinado a tornar-se um clássico da literatura policial.

«Não consegui parar de ler este livro.» [Stephen King]

«Uma investigação viva e meticulosa de um predador doentio que aterrorizou a população da Califórnia por mais de uma década. Um retrato de uma escritora que se deixou consumir pela perseguição a um criminoso.» [New York Times]

Os direitos de adaptação para série de televisão foram adquiridos pela HBO.

Sobre A Ronda da Noite, de Agustina Bessa-Luís




No âmbito da iniciativa Ano Agustina, mensalmente, ao longo de 2018, a Comunidade Cultura e Arte publicará uma crítica a um dos livros de Agustina Bessa-Luís, do catálogo reeditado pela Relógio D’Água.
No dia 30 de Junho foi publicado o texto de Catarina Fernandes sobre «A Ronda da Noite»:

«Agustina tem essa capacidade de misturar a reflexão, em jeito de ensaio, com o contar de histórias, nunca de maneira estanque mas, aliada à ironia, sempre em jeito de deambulação. Ler Agustina é descobrir que “o que sabem as mulheres dá para arrasar montanhas”, e, sem dúvida, que o que sabe Agustina dá para arrasar até o mais cético dos leitores.» [Texto completo em: https://www.comunidadeculturaearte.com/ano-agustina-a-ronda-da-noite-um-livro-para-se-ler-de-frente-ao-espelho/ ]