7.6.18

Conflito Interno vence Women’s Prize for Fiction




Kamila Shamsie acaba de vencer o Women’s Prize for Fiction com o romance Conflito Interno, editado pela Relógio D’Água.
A presidente do júri, Sarah Sands, afirmou terem escolhido uma obra que “fala dos nossos tempos”, um livro “notável que recomendamos veementemente”.
As outras escritoras nomeadas eram Elif Batuman, Imogen Hermes Gowar, Jessie Greengrass, Meena Kandasamy e Jesmyn Ward.
Kamila Shamsie será uma das autoras homenageadas na Noite da Literatura Europeia, a 9 de Junho, que em Lisboa acontece entre a Rua do Século e a Calçada do Combro.

Isma está livre. Criou os seus irmãos gémeos após a morte da mãe e agora pode regressar ao sonho que há muito interrompera — estudar na América. Mas não consegue deixar de se preocupar com Aneeka, a bela e obstinada irmã que vive em Londres. Ou com Parvaiz, o irmão que desapareceu em busca do próprio sonho — provar a si mesmo que é herdeiro do legado jihadista do pai que nunca conheceu.
Depois Eamonn entra na vida das irmãs. Bem-parecido e privilegiado, vive em Londres, num mundo diferente. Filho de um poderoso político muçulmano britânico, Eamonn tem um legado a defender — ou a desafiar.
O destino das duas famílias está inextricavelmente ligado.

Conflito Interno é uma história sobre lealdades que não resistem à colisão entre amor e política e confirma Kamila Shamsie como uma grande escritora dos nossos tempos.

Sobre Estranha Guerra de Uso Comum, de Paulo Faria




Um dos Livros do Dia de hoje nos pavilhões da Relógio D'Água na Feira do Livro de Lisboa.

«Chamo-me Carlos. Nasci em 1967. O meu pai foi para a guerra quando eu tinha dez meses. Não me lembro de o ver partir. O meu pai voltou da guerra quando eu estava prestes a fazer três anos. Não me lembro de o ver chegar. A guerra do meu pai, a Guerra Colonial, aconteceu antes de a minha memória se apropriar das coisas. Quando o meu pai morreu, já velho, fui em busca da guerra dele, e também da minha.

Falei com dez homens que estiveram com o meu pai na guerra. Escrevi dez cartas ao pai.»

A chegar às livrarias e à Feira do Livro de Lisboa: Caos e Ritmo, de José Gil





O que é pensar? O que é agir? O que é pensar e agir para criar? Em todos os casos, não basta evocar o “destino” ou o “inconsciente” para designar os factores que intervêm, é necessário descrever os mecanismos exactos e as forças que os movem. No tratamento psicanalítico de uma criança, no comportamento homicida de Macbeth, na criatividade “delirante” de Artaud, interferem forças poderosas que se afastam da racionalidade lógica e pragmática habitual. Descobrem-se os nexos claros da magia. Como é que estes processos irracionais podem culminar num objecto com sentido? Inversamente, a exploração do que se esconde sob o rigor da razão mais pura (como a que comanda o trabalho de um Espinosa) abre um mundo novo ao pensamento. O discurso filosófico, a invenção matemática, a criação poética, as sequências de movimento de um bailado, as posturas do ioga, a arte contemporânea ou a retórica do populismo mais desvairado obedecem a regras precisas, não formuladas pela razão. Regras que nascem do caos e que marcam o ritmo.
O que é o caos e o que é o ritmo? De Hesíodo a Paul Klee e à teoria física do caos, de Platão a Olivier Messiaen, colhem-se ideias que ajudam a compreender como as forças do caos podem passar para o outro lado, ritmando a ordem — ou podem falhar, fracassar e vir a destruir perversamente. O que se joga na construção do “eu” ilustra bem essa alternativa. Forças de vida ou de morte, que voltam para o caos. E hoje mesmo, perante a possibilidade real de uma catástrofe planetária, não é o caos destrutivo que nos ameaça?
Caos e Ritmo procura pensar o que nos acontece, ao nível mais concreto do inconsciente, do sensível e do corpo, bem como ao nível mais abstracto do pensamento e da visão. É um livro sobre a criação, sobre os seus poderes e os seus impasses.

6.6.18

Sobre O Desejo de Ser Inútil, de Hugo Pratt




Um dos Livros do Dia de hoje nos pavilhões da Relógio D'Água na Feira do Livro de Lisboa.

Hugo Pratt, o homem que criou a lenda de Corto Maltese, tornou-se ele próprio uma lenda. Este livro, profusamente ilustrado e publicado poucos anos antes da sua morte, explora os mistérios da sua vida.
Descendente de uma mistura de franco-ingleses, judeus espanhóis e turcos, Hugo Pratt nasceu em Junho de 1927, nos arredores de Rimini, Itália, e passou a maior parte da infância em Veneza. Despertou para a sua vocação na Etiópia, onde descobriu o amor, aprendeu a desenhar e a detestar o colonialismo. Mergulhou na Veneza libertada do fascismo, embarcou para Buenos Aires, partilhou o tempo entre a BD, as viagens e os amigos.
Perito na cabala, iniciado no vodu, conhecedor de várias línguas e coleccionador de milhares de livros, Hugo Pratt surge-nos neste álbum como uma personagem inesperada.
Hugo Pratt morreu a 20 de Agosto de 1995, na sua casa da Suíça, com vista para o lago Léman, tendo por companhia Patrizia Zanotti e a sua biblioteca. O serviço religioso foi acompanhado por temas de jazz do seu amigo Dizzy Gillespie e o padre leu passagens de “O Desejo de Ser Inútil”.
“A minha vida começou bem antes de vir ao mundo, e imagino que prosseguirá sem mim por muito tempo”, escreveu ele.

Sobre Escombros, de Elena Ferrante




«La frantumaglia apresenta-se como encenação do diálogo entre o autor e o leitor, implícito na ficção, mas também é a mise en abyme das fronteiras que os separam. Nela, o leitor é literalmente inserido na trama. É por meio deste livro que a obra de Ferrante se revela participante do jogo-sério da literatura, malabarismo virtuosístico de identidades. Este estranho volume, parte confissão, parte arquivo cheio de material “inédito”, é um “olhar fendido” para um ateliê da escrita onde o mundo se dissolve e torna a surgir literatura.» [Jorge Uribe, Forma de Vida, 9/5/2018]


Texto completo em https://formadevida.org/recensoes/148-elena-ferrante-2016-escombros-jorge-uribe

5.6.18

Yu Hua na Livraria Ferin




Hoje, às 18:30, Yu Hua estará na Livraria Ferin para conversar sobre "Mudança, Memória e Escrita na China Contemporânea”.
A conversa contará também com a participação de Tiago Nabais, tradutor das obras do autor já editadas em Portugal pela Relógio D’Água.




Hélia Correia entre os 20 autores europeus na Cimeira dos Autores Europeus em Berlim





A escritora portuguesa Hélia Correia é um dos 20 autores que participam este ano na Cimeira dos Autores Europeus em Berlim, a ter lugar no dia 21 de junho, anunciou hoje a Embaixada de Portugal na Alemanha - Camões Berlim.
Trata-se de uma iniciativa da Fundação Bertelsmann, com as Embaixadas de 20 países europeus e os seus respetivos institutos culturais, em parceria com o canal ZDF da televisão pública e o programa de rádio Deutschlandfunk Kultur.
A cimeira decorre no contexto do Ano Europeu do Património Cultural (Europäischer Kulturerbejahr), tendo cinco temas dominantes: "Europa: zonas de fronteira e encontro", "Europa: intercâmbio e circulação", "A cidade europeia", "Europa: recordação e abertura" e "Europa: património vivo".
Cada sessão é composta por uma apresentação inicial do autor e da sua obra por um moderador, a que se segue uma leitura e, depois, uma conversa.
No contexto da sua deslocação à Alemanha, Hélia Correia visitará Hamburgo e Leipzig, onde apresentará também a edição alemã de "Vinte Degraus e Outros Contos", publicada como resultado da sua participação na edição de 2016 da Feira do Livro de Leipzig. [DN, 1/6/2018]