7.9.17

Sobre As Artes do Sentido, de George Steiner




«A obra reúne seis ensaios de George Steiner, nunca publicados em Portugal e que saíram em revistas académicas: “Narciso e Eco”, “Uma Leitura bem Feita”, “‘A Tragédia’, Reconsiderada”, “A Longa Vida da Metáfora”, “O Crepúsculo das Humanidades” e “Quatro Poetas: A Arte de Fernando Pessoa”. 
(…)

Como o diz Anabela Mendes, no posfácio desta obra, «Para ler Steiner como ele merece, temos de tirar férias da vida.» A dimensão da sua obra e a sua importância, ao longo de um século que foi, por ele, atravessado com a sua visão lúcida, humanista e ética, não permite que os seus textos sejam tomados de ânimo leve, pois concentram uma tradição crepuscular, na linhagem dos grandes mestres do século XX.» [Maria João Cantinho, Revista Caliban, 5-8-2017]

6.9.17

A chegar às livrarias e à Feira do Livro do Porto: Húmus, de Raul Brandão




Húmus, de Raul Brandão, foi um acontecimento insólito na vida literária portuguesa, como um desses rochedos que, sem razão aparente, surgem no meio de uma planície.
Publicada em 1917, e refundida em posteriores edições, a obra não tem relação com a dos autores da Geração de 90 nem com as dos escritores estrangeiros seus contemporâneos, como Romain Rolland, Pirandello e Gorki. As únicas semelhanças poderão ser com a de Dostoievski e a que Kafka ia escrevendo.
O próprio Raul Brandão situou nas suas Memórias o tempo em que o Húmus se inscreve: «A nossa época é horrível porque já não cremos — e não cremos ainda. O passado desapareceu, de futuro nem alicerces existem. E aqui estamos nós sem tecto, entre ruínas, à espera…»
Maria João Reynaud definiu na edição das Obras Completas de Raul Brandão o contributo do autor de Húmus: «Se a arte de Raul Brandão surge muitas vezes na fronteira da vida com a literatura, é porque ele concebeu a função do escritor em termos autenticamente modernos, isto é, em íntima conexão com uma atitude intelectual que a cada momento reivindica o livre exercício do espírito contra todas as formas de degradação dos valores humanos e contra todos os dogmas.»


PVP: € 10,00

5.9.17

A chegar às livrarias e à Feira do Livro do Porto: Uma Mulher na Arábia, de Gertrude Bell (trad. de Marta Mendonça)





Uma das maiores viajantes do século XX, Gertrude Bell voltou costas aos privilégios sociais para se tornar uma célebre viajante, montanhista, estadista, linguista, arqueóloga, fotógrafa e escritora. Foi responsável pelas políticas britânicas no Médio Oriente após a Primeira Grande Guerra, dedicando a sua vida à questão árabe, a ponto de redefinir as fronteiras que constituem hoje o Médio Oriente.

Este livro reúne uma seleção da sua correspondência privada e militar, entradas de diário e escritos de viagem que oferecem ao leitor um olhar íntimo sobre uma mulher que moldou nações. Deu origem ao documentário Cartas de Bagdade e ao filme Rainha do Deserto, realizado por Werner Herzog e protagonizado por Nicole Kidman, James Franco e Robert Pattinson.

Sobre Retalhos do Tempo, Um Memorial de Dublin, de John Banville




«É uma memória para indagar acerca da misteriosa questão de como o passado se transforma em passado, a pergunta que atravessa o mais recente livro do escritor irlandês John Banville, Retalhos do Tempo, Um Memorial de Dublin, que a Relógio d’Água publica agora na sua colecção de viagens. Esta é uma viagem à volta da identidade, umas memórias escritas numa forma que desafia o género enquanto o questiona e se questiona a si na vida. No livro, Banville vai atrás da cidade do passado como quem se procura nela e, ao formular o enunciado “Quem foi?”, tenta chegar à reposta a outra pergunta: quem é? O que é que os edifícios que vê, os jardins e as ruas por onde continua a caminhar, a água que corre nos canais em direcção ao rio Shanon lhe devolvem sobre si? Evocando Proust, Banville procura na cidade perdida um tempo perdido e constrói um livro de memórias singular onde o protagonista — o próprio Banville — quase se apaga, aparecendo episodicamente, muitas vezes de modo quase fantasmagórico, na história da sua relação com aquela paisagem urbana. (…)
São pouco mais de 200 páginas, pontuadas por fotografias, quase todas a preto e branco, da autoria de Paul Joyce. São quase todas imagens da cidade; Banville aparece apenas em três, e sempre de costas. Na primeira, olha o canal junto a uma árvore. Chapéu na cabeça, mãos nos bolsos. Talvez seja Primavera. A roupa é leve e as copas de todas as árvores em volta estão repletas de folhas. “Imagino que todos possuamos um lugar especial que constitua uma espécie de paraíso privativo, o Céu para onde gostaríamos de ir depois da morte, se é que temos de ir para algum lugar. Para mim, aquele trecho de água plácida e juncos rumorejantes, com o caminho de sirga ocre-escuro que vai desde a Baggot Street até à Lower Mount Street, é a paisagem mais encantadora que conheço”, escreve Banville, confessando logo no início que Dublin nunca lhe pertenceu.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 1-9-2017]

4.9.17

A chegar às livrarias e à Feira do Livro do Porto: Maigret e o Seu Morto, de Georges Simenon (trad. de Lima de Freitas)





«— Desculpe, minha senhora…
Ao cabo de muitos minutos de pacientes esforços, Maigret conseguia, finalmente, interromper a visita…
— A senhora, agora, diz que a sua filha está a envenená­‑la lentamente…
— É a pura verdade…
— Há pouco, a senhora afirmou­‑me com não menos veemência que o seu genro tratava de se cruzar com a criada, no corredor, para deitar veneno no café da senhora ou numa das suas numerosas tisanas…
— É a pura verdade…
— Todavia… — consultou ou fingiu consultar as notas que tomara no decurso da conversa, a qual durava havia mais de uma hora — a senhora informou­‑me, para começar, que a sua filha e o seu marido odiavam­‑se…
— É a pura verdade, Sr. comissário.
— E concordam ambos em suprimir a senhora?
— Não, de maneira nenhuma! Eles querem envenenar­‑me separadamente, compreende?…»

“Um dos maiores escritores do século XX.” The Guardian 

“Adoro ler Simenon. Faz-me lembrar Tchékhov.” William Faulkner


“Um Escritor maravilhoso… Lúcido, simples, em perfeita sintonia com o que escreve.” Muriel Spark

Apresentação de Uma Volta ao Mundo com Leitores, de Sandra Barão Nobre




Na quinta-feira, 7 de Setembro, às 19:00, será apresentado ao público Uma Volta ao Mundo com Leitores, de Sandra Barão Nobre.
No âmbito das actividades da Feira do Livro do Porto, a apresentação terá lugar na Galeria Municipal do Porto e será feita por Dália Dias. 

A sessão conta com a presença da autora.

Apresentação da obra de Agustina Bessa-Luís




A obra de Agustina Bessa-Luís vai ser abordada numa sessão a realizar na Galeria Municipal do Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, no dia 9 de Setembro, pelas 17h45.
A iniciativa insere-se na Feira do Livro do Porto, tendo a participação de Mónica Baldaque, escritora, ilustradora e filha de Agustina, que abordará em particular o inédito Deuses de Barro, que irá sair com um prefácio seu, e o livro infantil Dentes de Rato, que ilustrou.
As professoras Isabel Pires de Lima e Ana Paula Coutinho, estudiosas da obra de Agustina Bessa-Luís e participantes do Círculo Literário Agustina Bessa-Luís, falarão sobre diversos aspectos da obra da autora.