17.2.14

A chegar às livrarias: Vidas de Raparigas e Mulheres, de Alice Munro





O único romance escrito pela vencedora do Nobel da Literatura 2013 — Vidas de Raparigas e Mulheres — é uma obra perspicaz, honesta, «formal, mas não factualmente autobiográfica», que nos conta a vida de uma jovem numa zona rural de Ontário durante os anos 40.
Del Jordan vive no fim da Flats Road, na quinta de criação de raposas do seu pai, onde os seus companheiros são um excêntrico solteiro amigo da família e o seu rude irmão mais novo. Quando Del começa a passar mais tempo na cidade, vê-se rodeada por mulheres: a sua mãe agnóstica, uma mulher teimosa que vende enciclopédias aos agricultores; a inquilina da sua mãe, Fern Dogherty; e a sua melhor amiga, Naomi, com quem partilha as frustrações e as desenfreadas alegrias características da adolescência.
É através destas influências improváveis, e das suas experiências com o sexo, o nascimento, e a morte, que Del explora as contradições do que é ser uma mulher. O resultado é uma demonstração poderosa, comovente e repleta de humor da consciência incomparável de uma escritora sobre a vida de raparigas e mulheres.
 

«Ela faz parte dum punhado de escritores, alguns vivos, outros mortos, que tenho em mente quando digo que a ficção é a minha religião.»
[Jonathan Franzen]

«É a escritora mais selvagem que já li. É também a mais delicada, honesta e compreensiva.»
[Jeffrey Eugenides]

«Alice Munro tem a capacidade de movimentar personagens no tempo como nenhum outro escritor consegue.»
[Julian Barnes]

«Ela é uma escritora de contos que... reimaginou o que um conto poderia ser.»
[Lorrie Moore]

13.2.14

Sobre Antigo Testamento, com ilustrações de Marc Chagall






«Os desdobramentos espaciais e os efeitos prismáticos de cor na obra de Marc Chagall (1887-1985) derivam do cubismo e do orfismo, mas o pintor criou um estilo marcadamente pessoal fundado num admirável sentido de fantasia que levou André Breton a considerá-lo um dos percursores do surrealismo. No entanto, Chagall declarou que, por mais imaginativos e fantásticos que os seus quadros pudessem parecer, pintava apenas reminiscências diretas da sua infância. De facto, a sua obra é dominada por duas fortes influências: as memórias da vida e dos costumes judaicos na Rússia da sua juventude e a iconografia bíblica. Por isso, a ilustração da Bíblia foi um dos seus mais importantes projetos. Os textos sagrados do Génesis, Êxodo e Cântico dos Cânticos, traduzidos por Herculano Alves, D. António da Rocha Couto e José Tolentino Mendonça, respetivamente, surgem ilustrados, no presente volume, por uma seleção dos melhores trabalhos da série bíblica de Chagall.» [Agenda Cultural de Lisboa]

A Filha do Optimista, de Eudora Welty, em discussão na Culturgest






As seis sessões da Comunidade de Leitores de Helena Vasconcelos na Culturgest, em Lisboa, têm como tema «A Arte de Envelhecer».
«É um dado largamente difundido e verificado – embora não universalmente reconhecido – que a esperança de vida aumentou exponencialmente, nas últimas décadas. Um largo número de pessoas no planeta, com idade avançada, vivem mais intensamente e, os que podem, aproveitam com avidez esse tempo extra que lhes é proporcionado.
Encontrar-se-á este fenómeno, também, na Literatura?»
Deste ponto de partida, discutir-se-á, na próxima semana, o «conflito de gerações e hábil trama do curto romance de Welty», A Filha do Optimista.
A sessão realiza-se quinta-feira, dia 20, pelas 18h30. Mais informações sobre as inscrições aqui.


De Eudora Welty, a Relógio D’Água publicou também O Coração dos Ponders e Os Melhores Contos.

12.2.14

Sobre Middlemarch, de George Eliot




«Middlemarch é um daqueles livros que exerce um poder quase hipnótico sobre os seus leitores. Serão poucos os títulos desta lista (Os 100 Melhores Romances) que causam uma reacção tão intensa. Quando, por exemplo, em 1873, Emily Dickinson se referiu ao romance, escreveu numa carta: “O que penso de Middlemarch? O que penso da glória — senão que incrivelmente ‘esta mortal [George Eliot] já se revestiu de imortalidade’.”» [Robert McCrum, The Observer, 9-2-2014]

11.2.14

António Araújo sobre Reviver o Passado em Brideshead







«Um mundo extraordinário, imprevisto, desesperado, louco, irreversível. O que se esconde nas margens de Reviver o Passado em Brideshead, a obra-prima de Evelyn Waugh? Julia Flyte, por exemplo, e a perseguição a amores tão impossíveis como a biografia de uma geração que vive na poeira deixada pela guerra.» [António Araújo, Ler, Fevereiro de 2014]




«Regressado ao exército, após a licença que lhe fora dada para escrever Brideshead, Evelyn será enviado para a frente da Jugoslávia. Tendo Randolph Churchill por camarada de armas (ou, mais precisamente, como comandante). Combatia, pois, ao lado do filho do primeiro-ministro. As provas tipográficas de Brideshead Revisited foram revistas na frente de combate, sendo remetidas do n.º 10 de Downing Street e viajando, nos dois sentidos, na mala de correio destinada a Winston Churchill.» [António Araújo, Ler, Fevereiro de 2014]

Sobre Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio





«Vitorino Nemésio concluiu a escrita de Mau Tempo no Canal a 29 de Fevereiro de 1944. Ao longo destes 70 anos que nos separam da data da sua publicação, a história da literatura fixou e alterou os seus cânones e preferências, multiplicou os seus erros de análise, aumentou o número de génios temporários, e fingiu não ter lido o romance em que Nemésio fixa – para sempre – os Açores no mapa da literatura contemporânea. O País, por seu lado, fingiu ler Mau Tempo no Canal – mas, promovendo a ignorância como é seu costume, não custa a perceber por que razão a escola ignorou um romance que prolonga e alarga os limites da história da literatura; livro difícil, como clamam os idiotas, está na altura de a escola regressar a este romance, para que o ensino da literatura (também) tenha algum sentido.» [Francisco José Viegas, Ler, Fevereiro de 2014]

A Relógio D'Água na «Estante» da Ler de Fevereiro de 2014




«Uma nova tradução da obra-prima de Tolstoi é sempre um acontecimento em qualquer lado – e mais ainda quando o tradutor tem a sabedoria e os pergaminhos de António Pescada (…) Sob a égide de George Steiner, Pescada tentou transmitir “a poesia que perpassa pelo livro”. E conseguiu.»
 


«No seu primeiro livro de divulgação científica, originalmente publicado em 1970, Sacks já revela as principais características do seu estilo: rigor e enlevo narrativo na abordagem exaustiva de um problema clínico.»


 fotografia de Ann Summa

«Este romance [de Rachel Kushner, Os Lança-Chamas,] foi um dos mais elogiados pela crítica norte-americana em 2013. Tendo o meio artístico de Nova Iorque dos anos 70 como cenário, é um livro trepidante que nos arrasta à velocidade das corridas de motos que descreve.»