Na última edição do ípsilon, Andréia Azevedo Soares escreve sobre a relação dos escritores portugueses com a ecologia e falou com Joana Bértholo:
«“Acredito que a literatura pode ser pedagógica, mas mais por consequência do que por premissa. Eu vou para um texto com perguntas, não com intenções. E até pode ser que as respostas às minhas perguntas suscitem nas pessoas lógicas motivacionais diferentes. Se assim for, óptimo. Mas não me sento a escrever um conto para explicar às pessoas que a transição energética é urgente”, diz ao ípsilon Joana Bértholo.
A autora publicou recentemente “Natureza Urbana” (Relógio D’Água), um conto que explora como a linguagem pode (ou deveria) encurtar a distância entre as espécies, reavaliando o intervalo entre os humanos e os demais seres vivos. Em cerca de 60 páginas, o livro retoma um conceito essencial para compreendermos o estado de degradação ambiental a que chegámos: a separação entre os humanos e natureza é um binómio falso, um equívoco linguístico.
“Sento-me para tentar perceber porque é que, com toda a evidência científica que temos ao nosso dispor, não estamos a fazer mais. Como é que nós nos dissociamos, como é que vemos as notícias e ainda assim não conseguimos passar para a acção. Quais são os processos emocionais em cada um de nós que justificam, ou propiciam, esta crise climática, esta estagnação, negação. Acho que estes são os meus problemas como ficcionista."» [Público, ípsilon, 14/7/2023: https://www.publico.pt/2023/07/14/azul/noticia/clima-bate-porta-literatura-portuguesa-2056256]
Natureza Urbana, de Joana Bértholo, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/natureza-urbana-pre-venda/


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