17.6.23

Sobre A Estrela da Manhã, de Karl Ove Knausgård

 



«A Estrela da Manhã é o primeiro romance de um anunciado conjunto de cinco — dos quais três já foram publicados na Noruega; são romances autónomos mas que têm em comum, até agora, reflexões sobre a condição de sermos mortais e ainda traços de ambiente pré-apocalíptico. Neste que inaugura o ciclo, a história (as histórias) é contada, à vez, por nove narradores (como alguém reparou, de maneira irónica, nenhum se chama Karl Ove, mas todos têm a sua voz). São narrativas de vidas comuns angustiadas, por vezes também irritadas ou zangadas.

Para quem leu os volumes de A Minha Luta, porventura estranhará este pelo piscar de olho que faz aos romances góticos e do género de terror, ou mesmo por incursões no caminho do fantástico. Mas depressa reconhecerá características estilísticas do autor norueguês, como as descrições pormenorizadas de cenas da vida doméstica, o prosaico continua a encher muitas páginas com um ritmo que por vezes ameaça tornar-se hipnótico; há ainda a capacidade de Knausgård de manter presa a atenção do leitor, desta vez introduzindo elementos extraordinários ou mesmo sobrenaturais (que actuam, para os narradores e para o leitor, como presságios de algo grave que estará para acontecer): desde centenas de caranguejos que atravessam uma floresta perto do mar, atapetando uma estrada, a pássaros com escamas, ou ainda a suposta ressurreição de um homem que se cruza com uma das narradoras. As coisas eram o que eram.» [José Riço Direitinho, Ípsilon, Público, 16/6/2023]


A Estrela da Manhã (tradução de João Reis) e outras obras de Karl Ove Knausgård estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/karl-ove-knausgard/

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