10.3.23

Sobre Sicília, de Bernardo Pinto de Almeida

 



«Certos livros de poesia procuram uma determinada legibilidade “temática” ou formal. “Sicília” tem essa legibilidade bem estabelecida, mais talvez do que qualquer outra colectânea de Bernardo Pinto de Almeida, conhecido pelo seu trabalho como historiador e crítico de arte, mas poeta com obra assinalável.

Tematicamente, muitos destes poemas são sicilianos, italianos ou greco-romanos (o Etna, Dante, Giorgio Morandi, um guarda do museu de Agrigento, Ítaca, os deuses, o mar Mediterrâneo), com a patine da antiguidade e a vibração da temporalidade. Em termos formais, o poeta anuncia: “Procurei / escrever um / poema tão / estreito quanto /a frincha de / uma porta / entre / -aberta. Essa, / por onde / se vê, do / meio do escuro, / a luz que / banha, pela / mais exígua / réstia o / chão do / quarto.” A “frincha” por onde a luz entra inesperadamente, mas com uma força reveladora, aparece em quase todos os textos, segundo uma concepção de arte como cópia do mundo que faz o mundo mais habitável, mesmo que imperfeito, mais semelhante ao humano.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 10/3/2023]


Sicília e outras obras de Bernardo Pinto de Almeida estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/bernardo-pinto-de-almeida/

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