«Quando Lavrenti Beria, o grande responsável pela purga de opositores ao regime soviético, apresentou Estaline, a 16 de janeiro de 1940, um rol com 457 nomes de “inimigos do partido”, o escritor Isaac Babel constava da lista, com a recomendação de que fosse fuzilado. O seu julgamento, dez dias depois, durou cerca de 20 minutos. As últimas palavras do réu foram: “Estou inocente. Fui forçado a fazer falsas acusações contra mim e contra outros… Só peço uma coisa: deixem-me terminar o meu trabalho.” A execução aconteceu no dia seguinte. Babel tinha 45 anos. A sua imensa popularidade, a sua altíssima reputação literária, de nada lhe valeram.
Conhecendo a ignominia deste fim, é com um arrepio que lemos, [as] últimas linhas do último texto de “Contos de Odessa” […].
Inevitavelmente, estas imagens antigas da cidade ucraniana nas margens do Mar Negro provocam-nos outro tipo de calafrio, quando o narrador refere “casas abertas de par em par, destruídas pelos projéteis”, ao longo de uma estrada. “Era um caminho indescritivelmente triste de Odessa que tinha unido, noutros tempos, a cidade ao cemitério.”» [José Mário Silva, E, Expresso, 29/4/2022]
Contos de Odessa, Contos Escolhidos (trad. Nailia Baldé) e Contos e Diários (trad. Nina Guerra e Filipe Guerra) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/isaac-babel/


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