11.7.17

Sobre Inverno no Próximo Oriente, de Annemarie Schwarzenbach





«Esta viagem pelo Próximo Oriente foi feita na companhia de arqueólogos, o que, somado à formação de Schwarzenbach em História, enforma decisivamente a perspectiva do livro. Veja-se o que diz da Síria: “foi teatro de grandes alianças e de um comércio amoroso estranhamente fascinante entre elementos constituintes de antigas civilizações. Mais tarde, teve lugar a fusão ardente e fecunda do espírito grego e do espírito oriental, encontro do qual surdiu uma fonte maravilhosa: a graça da Grécia uniu‑se ao fervor religioso do Oriente e os esbeltos jovens inclinados trocaram a sorridente melancolia dos seus lábios entreabertos pela sabedoria introspetiva do rosto oriental. Alexandre continua a ser o símbolo dessa conquista amorosa”.
Como reconhecer esta Síria no país devastado pela luta sem quartel entre Bashar al-Assad, as forças rebeldes e o Daesh? Que foi feito dessa “fusão ardente e fecunda”? O “comércio amoroso” deu lugar à escalada do ódio, o “fervor religioso do Oriente” converteu-se em fundamentalismo cego e o “espírito grego” subsiste (ou subsistia) apenas na ruínas de colunas, arcos e estátuas que os maníacos do Daesh, no seu ódio e estupidez ilimitados, fazem explodir a fim de apagar qualquer vestígio de uma cultura que não se alicerce no Corão.» [José Carlos Fernandes, Time Out Lisboa, 5/7/17]

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