23.3.20

Escritores escrevem folhetim em estado de emergência



Quarenta ou mais escritores juntaram-se na página Bode Inspiratório para criar um folhetim, acompanhados por quatro dezenas de artistas plásticos, que diariamente exibirão uma obra inédita.

O projecta começa com Mário de Carvalho e termina em Luísa Costa Gomes. Entre os autores participantes, encontram-se Jaime Rocha, Cristina Carvalho ou Norberto Morais.

Sobre A Poesia como Arte Insurgente, de Lawrence Ferlinghetti




Ferlinghetti é, aos 101 anos, o único sobrevivente da Beat Generation, de que foi um dos impulsionadores, ao lado de Jack Kerouac e Allen Ginsberg.
A Poesia como Arte Insurgente é o testemunho de uma geração para quem a poesia era sinónimo de subversão.


A Poesia como Arte Insurgente (tradução de Inês Dias) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-poesia-como-arte-insurgente/

Sobre O Vermelho e o Negro, de Stendhal




«Apesar das numerosas semelhanças entre O Vermelho e o Negro e A Cartuxa de Parma, os dois romances são subtilmente diferentes na sua perspectiva erótica e na representação dos protagonistas de Stendhal. A nostalgia de glória napoleónica não abandona Julien quase até ao fim, mas extingue-se em Fabrizio depois da derrota de Waterloo. O autêntico amor não se apodera de Julien a não ser nos seus últimos dias e, ainda que não existam motivos para duvidar da sua sinceridade, tanto ele como Madame de Renal sabem que não têm futuro, o que constitui um nada negligenciável motivo para intensificar a paixão.»
«Julien Sorel nada sabe de si próprio; só é capaz de sentir as paixões depois de as simular e tem um inegável talento para a hipocrisia. E, no entanto, Julien mantém o nosso interesse e, mais do que isso, fascina-nos, não somos capazes de sentir antipatia por ele.» [Harold Bloom, O Futuro da Imaginação]

«Stendhal faz com que o leitor se sinta orgulhoso de ser seu leitor.» [Paul Valéry]

O Vermelho e o Negro (tradução de José Marinho) e outras obras de Stendhal estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/stendhal/

22.3.20

Sobre Como Derrotar Trump e Outros Ensaios, de Slavoj Žižek




«Enquanto a maior parte dos outros líderes ocidentais cruzam os braços e cometem erros, Donald Trump reforça politicamente o seu poder arrogante. A única maneira de o travar é criar uma verdadeira nova ordem mundial.
As decisões impulsivas de Trump, como a sua recusa de aceitar a declaração do G7 aprovada no Quebec, não são simples expressão dos seus caprichos pessoais. São, pelo contrário, reação perante o fim de uma época do sistema económico global, reações que assentam numa compreensão inadequada do que está a acontecer. No entanto, a visão distorcida de Trump baseia-se apesar de tudo na intuição acertada de que o sistema global existente deixou de funcionar.»

Neste conjunto de artigos, Slavoj Žižek confirma a sua capacidade de abordar de modo original temas da atualidade.
É o caso da ação de Trump, do conceito de felicidade, da relação entre a sexualidade e do movimento liberal, dos direitos de robôs, dos problemas de identidade, do politicamente correto no Vaticano e até do casamento real britânico.

«Žižek é um pensador que considera que nada está fora do seu campo de reflexão: o resultado é profundamente interessante e provocador.» [The Guardian]


Como Derrotar Trump e Outros Ensaios (trad. Miguel Serras Pereira) e outras obras de Slavoj Žižek estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/slavoj-zizek/

21.3.20

De A Terceira Miséria, de Hélia Correia




«1.
Para quê, perguntou ele, para que servem
Os poetas em tempo de indigência?
Dois séculos corridos sobre a hora
Em que foi escrita esta meia linha,
Não a hora do anjo, não: a hora
Em que o luar, no monte emudecido,
Fulgurou tão desesperadamente
Que uma antiga substância, essa beleza
Que podia tocar-se num recesso
Da poeirenta estrada, no terror
Das cadelas nocturnas, na contínua
Perturbação, morada da alegria;» [A Terceira Miséria, p. 7]

A Terceira Miséria e outras obras de Hélia Correia estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/helia-correia/

20.3.20

Sobre Não Te Esqueças de Viver, de Pierre Hadot




«Ao meu neto Adrien Pagano. Como prova de reconhecimento por tudo o que ele me trouxe.» Eis a dedicatória de Não Te Esqueças de Viver, pressentimento da morte e tributo da velhice à infância. No subtítulo Goethe e a Tradição dos Exercícios Espirituais acha-se a fonte de entendimento de toda a obra. Agora que o filósofo se está a despedir da vida, regressa ao poeta por quem sempre se interessou e reúne os despojos — artigos dispersos — da felicidade, a deusa das pessoas vivas, como Goethe lhe chama. É assim que Não Te Esqueças de Viver se torna ao mesmo tempo um testamento e uma preparação para a morte. 
À pergunta de Agostinho: «pode o homem ser feliz e mortal?», responde Clarice Lispector: «amar a vida mortal, isso é a felicidade». Na tensão criada por esta pergunta e por esta resposta inscrevem-se os exercícios espirituais encontrados por Pierre Hadot em Goethe, prolongados em Nietzsche e confirmados nos filósofos gregos e latinos, em particular, estóicos e epicuristas. [Maria Filomena Molder]


Não Te Esqueças de Viver, de Pierre Hadot (trad. Maria Etelvina Santos), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/nao-te-esquecas-de-viver/

Sobre O Sermão do Fogo, de Agustina Bessa-Luís




«Contra tudo aquilo que artificializa o homem, contra a técnica e contra a civilização, contra as ideologias e contra as mentiras e os slogans e as propagandas, a Autora ergue a sua voz. Uma voz antiquíssima, do princípio do mundo, apelando para a conaturalidade dos seres, para o seu enraizamento na terra, para a sua esperança infatigável, sempre renascente dos escombros, para o amor que sabe acreditar e que sabe confiar.
Agustina Bessa-Luís, convertida em “sibila”, uma sibila que tem o nome de Amélia, anuncia, mais além do tempo dividido e superficial — o tempo dominado, por exemplo, pela “arte, a política, o dinheiro, a violência” — o tempo “sem separação”, o tempo da liberdade, o tempo em que as lágrimas do homem “correrão de noite, no silêncio da sua vontade livre e acorrentada pelo amor”, o tempo em que ele “não compreenderá o ardil dos seus gestos antigos, nem a palavra de morte que proferia dantes”, o tempo em que ele se encontrará “trémulo no seu despertar, ansioso na comunicação, maravilhado na sua paz”.» [Manuel Antunes, em Brotéria, Julho de 1963]

Esta e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/