15.6.22

Sobre A Interrupção dos Sonhos, de Humberto Brito

 



Neste conjunto de ensaios, Humberto Brito discute aspectos centrais da obra de Fernando Pessoa (o que são “heterónimos”, “ortónimo”, “histero-neurasténico”, “impessoalidade”). Fá-lo a partir de textos habitualmente negligenciados, como “Carta da Corcunda ao Serralheiro”, “Um Grande Português”, “O Homem de Porlock”, ou os escritos de Pessoa sobre “O Problema Ibérico”.


A Interrupção dos Sonhos, de Humberto Brito, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-interrupcao-dos-sonhos-ensaios-sobre-fernando-pessoa/

Sobre Fausto, de Fernando Pessoa

 



«O que Pessoa diz do agora Livro do Desassossego, “fragmentos, fragmentos, fragmentos” aplica-se à sua produção inteira. Mensagem mesmo é uma obra compósita, mais do que composta. Na verdade, o que deve surpreender quando se contempla este estranho e extraordinário campo de ruínas textuais não é o seu, no fundo, natural inacabamento. O fascinante, o mais trágico no texto-Fausto é exactamente o inverso e que só nesta nova dimensão factual nos salta aos olhos: a perseverança, o esforço titânico, a vontade de criar realmente um objecto literário com princípio, meio e fim da parte de quem mal concebia princípios e jamais um fim. […] É estranho que toda a glória de Pessoa decorra do mito da Heteronímia por ele mesmo criado e ilustrado, quer dizer, da visão de um eu como multiplicidade de “eus” ou proliferação indefinida deles — em última análise “um” eu para cada instante ou até para cada sensação… — quando se foi (quando se é) — o autor do Fausto, tragédia subjectiva, quer dizer, do Eu como Absoluto e Irredutível, mesmo se de si próprio incompreensível.» [Do Prefácio de Eduardo Lourenço a Fausto, Tragédia Subjectiva]


Fausto, Tragédia Subjectiva e outras obras de Fernando Pessoa estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/fernando-pessoa/

Relógio D’Água comemora Bloomsday com nova edição de Ulisses

 




Ulisses é um romance de referências homéricas, que recria um dia de Dublin, a quinta-feira de 16 de Junho de 1904, o mesmo em que Joyce conheceu Nora Barnacle, a jovem que viria a ser sua mulher.

Nesse único dia e na madrugada que se lhe seguiu, cruzam-se as vidas de pessoas que deambulam, conversam, tecem intrigas amorosas, viajam, sonham, bebem e filosofam, sendo a maior parte das situações construídas em torno de três personagens. A principal é Leopold Bloom, um modesto angariador de publicidade, homem traído pela mulher, Molly, e, de modo geral, o contrário do heróico Ulisses de Homero.

Joyce começou a escrever esta obra em 1914, recorrendo às três armas que dizia restarem-lhe, «o silêncio, o desterro e a subtileza».

Depois de várias dificuldades editoriais, Ulisses seria publicado pela Shakespeare & Company, em Paris, em 1922, no dia de aniversário de Joyce.


«Mais do que a obra de um só homem, Ulisses parece de muitas gerações […]. A delicada música da sua prosa é incomparável.» [J. L. Borges, James Joyce, 1937]


«As grandes obras em prosa do século xx são, por esta ordem, o Ulisses de Joyce; A Metamorfose de Kafka; Petersburgo de Béli, e a primeira metade do conto de fadas Em Busca do Tempo Perdido de Proust.» [Vladimir Nabokov]


Ulisses (trad. Jorge Vaz de Carvalho) e outras obras de James Joyce estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/james-joyce/

Ulisses no cinema Nimas

 



Cinema Nimas celebra o Bloomsday com o filme Ulysses, de Joseph Strick, numa sessão apresentada por Jorge Vaz de Carvalho, amanhã, às 21:00.

A Relógio D’Água celebra o centenário da publicação de Ulisses, de James Joyce, com uma nova capa em duas edições comemorativas (edição brochada e edição cartonada) brevemente disponíveis.




Ulisses (trad. Jorge Vaz de Carvalho) e outras obras de James Joyce estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/james-joyce/

Sobre Pessoas Normais, de Sally Rooney

 



Connell e Marianne cresceram na mesma pequena cidade da Irlanda, mas as semelhanças acabam aqui. Na escola, Connell é popular e bem-visto por todos, enquanto Marianne é uma solitária que aprendeu com dolorosas experiências a manter-se à margem dos colegas. Quando têm uma animada conversa na cozinha de Marianne — difícil, mas eletrizante —, as suas vidas começam a mudar.

Pessoas Normais é uma história de fascínio, amizade e amor mútuos, que acompanha a vida de um casal que tenta separar-se mas que acaba por entender que não o consegue fazer. Mostra-nos como é complicado mudar o que somos. E, com uma sensibilidade espantosa, revela-nos o modo como aprendemos sobre sexo e poder, o desejo de magoar e ser magoado, de amar e ser amado.


«O fenómeno literário da década. Um futuro clássico.» [The Guardian]


«O melhor romance do ano.» [The Times]


«É soberbo […], uma leitura tremenda, plena de perspicácia e ternura.» [Anne Enright]


Pessoas Normais (trad. Ana Falcão Bastos) e outras obras de Sally Rooney estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/sally-rooney/

Sobre O Aroma do Tempo, de Byung-Chul Han

 



Byung-Chul Han continua neste livro a sua abordagem filosófica de processos marcantes da sociedade atual, neste caso daquilo que considera ser uma crise temporal. 

Segundo o autor germano-coreano, não estamos perante uma aceleração do tempo, mas sim de uma atomização e dispersão temporal, de uma dissincronia. É isso que faz com que qualquer instante pareça igual a outro e não exista nem um ritmo, nem um rumo, que confira significado às nossas vidas.

Numa constatação que tem que ver com as conceções de Zygmunt Bauman sobre a atual «sociedade líquida», Byung-Chul Han diz que tudo é vivido como efémero, sensação essa em que nós próprios estamos incluídos. É assim que a morte surge como um instante mais, prematuro e quase sempre sem sentido.

Tal como nas suas obras anteriores, de A Sociedade do Cansaço até A Agonia de Eros, aborda as causas dessa evolução e reflete sobre a possibilidade de a inverter. Para o filósofo, o final do tempo como duração narrativa não teria de implicar um vazio temporal. Existe, pelo contrário, agora a possibilidade de uma vida que prescinda da teologia e da teleologia e que apesar disso tenha um aroma próprio. Para isso seria necessário recuperar conceitos de Hannah Arendt, pois a crise temporal só poderá ser ultrapassada quando a vita activa acolher de novo a vita contemplativa.


O Aroma do Tempo (trad. Miguel Serras Pereira) e outras obras de Byung-Chul Han disponíveis aqui: https://relogiodagua.pt/autor/byung-chul-han/

Sobre O Tempo Indomado, de José Gil

 



O tempo está a sair cada vez mais aceleradamente dos seus gonzos. As regularidades naturais e culturais foram quebradas pela acção humana. No entanto, esta também sabe domar o caos, por exemplo, quando as regras e convenções se tornam demasiado rígidas e já não deixam respirar. É, de resto, o que faz a arte, criando um «bom» caos, fértil para a criação. E, de maneira geral, os nossos movimentos não verbais, imperceptíveis e fugidios tentam sempre escapar à domesticação do tempo. Mas há um outro caos, destrutivo, letal, como o que nos trouxe a pandemia e como o que se anuncia com as alterações climáticas. Vivemos hoje entre a probabilidade do caos mortífero e a possibilidade mínima de resgatarmos a Terra da morte quase certa. Temos de lidar de outro modo com a própria morte. Entre o tempo indomado e o tempo domável, que vamos fazer? Que poderemos fazer? Que queremos fazer?


O Tempo Indomado e outras obras de José Gil estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jose-gil/