9.5.22

Sobre A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset

 



«O homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo. Esta resolução de avançar para o primeiro plano social produziu‑se nele automaticamente assim que amadureceu o novo tipo de homem que ele representa. Se, atendendo aos efeitos de vida pública, se estuda a estrutura psicológica deste novo tipo de homem‑massa, encontra‑se o seguinte: primeiro, uma impressão nativa e radical de que a vida é fácil, farta, sem limitações trágicas; portanto, cada indivíduo médio encontra em si uma sensação de domínio e triunfo que, segundo, o convida a afirmar‑se a si mesmo tal qual é, a dar por bom e completo o seu haver moral e intelectual. Este contentamento consigo próprio leva‑o a fechar‑se a qualquer instância exterior, a não ouvir, a não pôr em causa as suas opiniões e a não contar com os outros. A sua sensação íntima de domínio incentiva‑o constantemente a exercer predomínio. Atuará, pois, como se no mundo só existissem ele e os seus congéneres; portanto, terceiro, intervirá em tudo impondo a sua opinião vulgar, sem consideração, contemplação, trâmites ou reservas, quer dizer, segundo um regime de “ação direta”.»

Uma questão que adquire renovada atualidade na sociedade das redes sociais.


A Rebelião das Massas (trad. Artur Guerra) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-rebeliao-das-massas/

8.5.22

Lançamento de Quando Virmos o Mar, de Marta Pais Oliveira, e Um Tiro no Escuro, de Sandro William Junqueira

 



Hoje, às 18:00, Livraria Bertrand Chiado, lançamento de Quando Virmos o Mar, de Marta Pais Oliveira, e Um Tiro no Escuro, de Sandro William Junqueira, os dois novos títulos da colecção Contos Singulares, com apresentação de Carlos Vasconcelos.


Quando Virmos o Mar e os outros títulos já publicados na colecção Contos Singulares estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/classicos-para-leitores-de-hoje/contos-singulares/

7.5.22

Sobre O Feiticeiro de Oz, de L. Frank Baum

 



Quando um ciclone atinge o Kansas, Dorothy e o seu cãozinho Toto são transportados até à mágica Terra de Oz, onde animais selvagens falam, sapatos prateados têm poderes mágicos e as bruxas bondosas oferecem protecção em troca de um beijinho. Dorothy acaba por se tornar também inimiga da Bruxa Malvada do Oeste. Com os seus novos amigos, o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Cobarde, depara-se com inúmeros perigos no caminho para a Cidade das Esmeraldas, onde terá de se encontrar com o Feiticeiro de Oz para que conceda a cada um aquilo que mais deseja. 

Logo que foi publicado, O Feiticeiro de Oz cativou imediatamente a atenção tanto de crianças como adultos. Esta edição inclui as ilustrações originais de W. W. Denslow, bem como a introdução do autor. O livro deu origem ao filme com o mesmo nome, que é considerado um clássico da história do cinema.


O Feiticeiro de Oz (trad. Margarida Periquito) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-feiticeiro-de-oz/

Sobre Salammbô, de Gustave Flaubert

 



Salammbô foi tão inovador na obra de Flaubert e na literatura do seu tempo como cerca de um século mais tarde o seria A Sangue-Frio, de Truman Capote.

Flaubert terminara Madame Bovary em 1856. No ano seguinte, o romance desencadeou um processo por «atentado aos bons costumes e à religião» e teve por isso um sucesso de vendas que não agradou ao autor. Flaubert chegou mesmo a dizer que todo aquele ruído era estranho à arte e que «la Bovary m’embête».

Terá sido como reacção a um tal acontecimento que Flaubert se lançou a escrever um «romance cartaginês», com um novo método de escrita que passava pela acumulação prévia de «livros sobre livros, notas sobre notas» para «ressuscitar toda uma civilização sobre a qual nada possuímos».

Em 1858, depois de um breve episódio de vida mundana em que conviveu com um pequeno clã de escritores (Goncourt, Sainte-Beuve, Baudelaire, Gautier, Renan e Feydeau) e em que esboçou o primeiro capítulo de Salammbô, Flaubert decidiu viajar para a Argélia e Cartago.

Após dois meses de viagens em incómodas caravanas de mulas e de inúmeras notas, Flaubert regressou e alterou de modo radical o primeiro capítulo. «Era absurdo! Impossível, falso!», escreveu em 20 de Junho a Feydeau. Até final do ano completou três capítulos, começando com o famoso festim dos mercenários, fragmento inultrapassável na descrição da brutalidade e do desejo. Em poucas páginas, Flaubert constrói um monstruoso fogo-de-artifício da voracidade humana, não só pelas cenas e paixões que descreve, mas através da própria matéria das palavras.

Em 1859, são redigidos os capítulos quarto e sexto de Salammbô e no final do ano entrou finalmente no «templo de Moloch».

Em Julho do ano seguinte, Flaubert escreveu a Amélie Bosquet: «estou actualmente esmagado de fadiga, carrego aos ombros dois exércitos completos: trinta mil homens de um lado, onze mil do outro, sem contar com os elefantes com os seus condutores, os serventes e as bagagens».

Ao longo do ano seguinte, encerrado em Croisset, Flaubert vai elaborando os restantes capítulos, inscrevendo a paixão de Mâtho e Salammbô num fundo de episódios guerreiros e religiosos.

«Terminei finalmente, no domingo passado, às sete da manhã, o meu romance Salammbô», diz ele a Mlle. Leroyer de Chantepie, a 24 de Abril de 1862.

O romance exigira-lhe cinco anos de trabalho. Posto à venda a 24 de Novembro desse ano, o livro vende cerca de mil exemplares por dia e lança a moda cartaginesa.

Flaubert responde às críticas de Sainte-Beuve numa carta reproduzida nesta edição.

No ano seguinte, um elogioso artigo de George Sand a Salammbô marca o início da amizade e da correspondência entre os dois escritores.


Salammbô (trad. Pedro Tamen) e outras obras de Gustave Flaubert estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/gustave-flaubert/


Salammbô (trad. Pedro Tamen) e outras obras de Gustave Flaubert estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/gustave-flaubert/

6.5.22

Sobre Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

 



Esta é a sexta edição do Livro do Desassossego organizada por Teresa Sobral Cunha. Resulta da continuação do seu trabalho de investigação iniciado há mais de trinta anos quando assinou com Jacinto do Prado Coelho e Maria Aliete Galhoz a primeira publicação do Livro do Desassossego.

Esta nova edição determinou, como sempre, regressos ao espólio, acertos nas transcrições e na discursividade, bem como a perseverança autoral de um heterónimo e de um semi-heterónimo que sucessivamente se responsabilizaram pela sua redacção: Vicente Guedes e Bernardo Soares.


«Na prosa se engloba toda a arte – em parte porque na palavra se contém todo o mundo, em parte porque na palavra livre se contém toda a possibilidade de o dizer e pensar. Na prosa damos tudo, por transposição: a cor e a forma, que a pintura não pode dar senão directamente, em elas mesmas, sem dimensão íntima; o ritmo, que a música não pode dar senão directamente, nele mesmo, sem corpo formal, nem aquele segundo corpo que é a ideia; a estrutura, que o arquitecto tem que formar de coisas duras, dadas, externas, e nós erguemos em ritmos, em indecisões, em decursos e fluidezes; a realidade que o escultor tem que deixar no mundo, sem aura nem transubstanciação; a poesia, enfim, em que o poeta, como o iniciado em uma ordem oculta, é servo, ainda que voluntário, de um grau e de um ritual.

Creio bem que, em um mundo civilizado perfeito, não haveria outra arte que não a prosa.» [Do Livro do Desassossego]


Esta e outras obras de Fernando Pessoa estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/fernando-pessoa/

Sobre Livros dos Prefácios à Obra de Agustina Bessa-Luís e Políticas de Poder, de Margaret Atwood

 




Livros dos Prefácios à Obra de Agustina Bessa-Luís e Políticas de Poder, de Margaret Atwood, dois novos livros da Relógio D’Água nas livrarias em destaque no Público.


Livro dos Prefácios à Obra de Agustina Bessa-Luís e as obras de Agustina Bessa-Luís já editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/


Políticas de Poder (tradução de Ana Luísa Amaral) de Margaret Atwood está disponível em https://relogiodagua.pt/autor/margaret-atwood/

Sobre O Desaparecido, de Franz Kafka

 



«O Desaparecido é o romance – inconcluído e fragmentário – que Franz Kafka começou a escrever em finais de Setembro de 1912, antes portanto de O Processo e O Castelo, e que viria a ser publicado já depois da morte do autor, por Max Brod, em 1927, com o título de Amerika.» [Da nota do tradutor]


«Ao entrar pelo porto de Nova Iorque no navio já lento, Karl Rossmann, rapaz de dezassete anos que havia sido mandado para a América pelos pais, gente pobre, porque uma criada o seduzira e dele tivera um filho, viu a estátua da deusa da Liberdade, que observava havia já bastante tempo, como se a luz do dia subitamente se tivesse tornado mais intensa. Parecia que o braço, com a espada, acabara de se erguer, e em torno da figura dela ondulavam as brisas livres.

“Tão alta”, disse para consigo e, longe de pensar em desviar-se, foi sendo gradualmente empurrado até à amurada pelo número crescente de bagageiros que junto a ele transitavam.»


O Desaparecido (trad. José Miranda Justo) e outras obras de Franz Kafka estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/franz-kafka/