9.3.26

De Cartas de Amor, de Virginia Woolf e Vita Sackville-West

 «Carta de Vita

                         Long Barn

                        3 de Abril

Encontras‑te bem? Estás ao sol? Ah, e Orlando. Esquecia‑me dele. Aterrorizaste‑me, literalmente, com as tuas observações. "Existo, ou inventaste‑me?" Sempre previ isso, quando mataste Orlando. Bem, vou dizer‑te uma coisa: se gostas de mim — aliás, se me amas — um niquinho menos, agora que Orlando morreu, nunca mais me pões os olhos em cima, a não ser, casualmente, num dos convívios de Sibyl. Não serei uma ficção. Não serei amada unicamente num corpo astral ou no mundo de Virginia.

Por isso escreve depressa e diz‑me que ainda sou real. Sinto‑me terrivelmente real neste preciso momento — como as amêijoas e os mexilhões, todos vivos — oh […]

Teu adorador e perfeitamente corpóreo,

Orlando»

[pp. 154-155 de Cartas de Amor, de Virginia Woolf e Vita Sackwille-West, trad. Margarida Periquito]


Cartas de Amor de Virginia Woolf e Vita Sackville-West (trad. Margarida Periquito) e outras obras de Virginia Woolf estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/virginia-woolf/

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