16.1.19

Sobre Infância, Adolescência e Juventude, de Lev Tolstói




«A obra literária de Lev Tolstói tem sido descrita como «um enorme diário mantido ao longo de mais de cinquenta anos». Esse diário tem início com Infância, o primeiro livro que Tolstói publicou, quando tinha apenas vinte e três anos. É uma obra semi-autobiográfica que relata a infância de Nikolai Irteniev aos dez anos de idade, recriando pessoas, locais e acontecimentos com a vivacidade de uma criança, enriquecida pela irónica compreensão retrospectiva de um adulto. Pouco tempo depois, seguiram-se Adolescência e Juventude, e Tolstoi lançou-se numa carreira literária que lhe viria a dar a imortalidade.
Esta trilogia constitui uma introdução indispensável ao método literário de Tolstói e às suas principais preocupações — amor, moralidade e não-violência. A sua mestria como contador de histórias sobrevive não só à tradução, como à passagem do tempo, deleitando os leitores actuais de todos os tipos e idades.» [No blogue literário da Bertrand, «Somos Livros», sobre «6 livros essenciais de Tolstói», 20/11/18]

Sobre VALIS, de Philip K. Dick




«Envolto em mistério e dúvidas, PKD explora a nossa própria condição humana, como vemos o nosso mundo e o quanto a nossa realidade foi criada por pormenores aos quais nem sempre damos valor ou importância, mas que tiveram e ainda têm um impacto enorme na nossa sociedade.» [Luís Pinto, no blogue Ler y criticar, 17/12/2018]

15.1.19

Sobre Dentes de Rato, de Agustina Bessa-Luís




No âmbito da iniciativa Ano Agustina, mensalmente, ao longo de 2018, a Comunidade Cultura e Arte publicou uma crítica a um dos livros de Agustina Bessa-Luís, do catálogo reeditado pela Relógio D’Água.
No dia 4 de Janeiro, foi publicado o texto de Sofia Trovisco sobre «Dentes de Rato»:

«Dentes de Rato é um conto infantil da autoria de Agustina Bessa-Luís, uma nota autobiográfica ficcional, cuja escrita simples e fluida viaja através da narrativa de histórias, lugares e pessoas que marcam o universo infantil de Lourença. Um conto que evidencia os traços mais marcantes da infância da autora, os quais são explorados em inúmeras obras literárias de Agustina – as inúmeras mudanças de casa e de localidade, devido ao emprego do pai; a ligação íntima com o campo e com o norte de Portugal, lugares esses que cultivaram para sempre o seu imaginário; e a convivência com os costumes e tradições do século XX, fomentando o seu espírito crítico face ao papel da mulher na sociedade e o seu gosto pela moda.
Lourença – uma menina de seis anos e a mais nova de quatro irmãos – é conhecida no seio familiar por Dentes de Rato, por ‘uma mania que ninguém podia explicar’: mordia todos os frutos que estavam na fruteira, ficavam com ‘duas dentadinhas já secas e onde a pele mirrara’, denunciando assim a sua presença. 
(…)
É possível encontrar, de novo, Lourença e o início do seu amor pela escrita na obra Vento, Areia e Amoras Bravas; Agustina presenteia-nos, assim, com a oportunidade de a conhecer pelas palavras da própria.» [Texto completo aqui.]

A Relógio D’Água publicará «Vento, Areia e Amoras Bravas» no primeiro semestre de 2019.

Sobre Normal People, de Sally Rooney



Como o romance Normal People, de Sally Rooney, se tornou o fenómeno literário da década: para ler no The Guardian.

14.1.19

Assimetria, de Lisa Halliday, na lista de finalistas do Prémio Literário JQ Wingate





Lisa Halliday acaba de ser nomeada finalista do Prémio Literário JQ Wingate com o seu romance Assimetria, publicado em Portugal pela Relógio D’Água.
Os outros finalistas do prémio, que distingue uma obra de ficção ou não ficção que transmite a ideia do judaísmo aos leitores, são Chloe Benjamin  (The Immortalists), Françoise Frenkel (No Place To Lay One’s Head), Dara Horn (Eternal Life), Raphael Jerusalmy (Evacuation) e Mark Sarvas (Memento Park).
O prémio, no valor de 4000 libras, será anunciado no dia 25 de Fevereiro.

Sobre Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, de Lewis Carroll




«Deixem-me acrescentar, pois sinto que me deixei divagar num tom demasiado sério para um prefácio de um conto de fadas, a deliciosa e ingénua observação de uma menina a quem quero muito, quando lhe perguntei, depois de a conhecer há dois ou três dias, se ela lera As Aventuras de Alice e o Do Outro Lado do Espelho. “Sim, sim”, respondeu ela prontamente, “li os dois! E acho…” (disse ela mais devagar, como se pensasse no assunto), “acho que o Do Outro Lado do Espelho é mais estúpido do que As Aventuras de Alice. Não lhe parece?” Mas eu achei que não seria de bom-tom entrar nessa discussão.» [Prefácio de Lewis Carroll, Dezembro 1886]

Publicações na Relógio D’Água de Janeiro a Junho de 2019



Esta é a lista não exaustiva dos títulos que a Relógio D’Água publicará nos próximos seis meses.

Janeiro

1. A Chama, de Leonard Cohen
Dois anos após a morte do músico canadiano, publica-se A Chama, que reúne os seus últimos poemas. O livro inclui também letras de canções, desenhos e versos dispersos em cadernos de apontamento e guardanapos de bares. O livro foi preparado para publicação pelo autor de “Suzanne”. A tradutora é a poeta Inês Dias.
2. Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg
É um clássico da literatura italiana contemporânea. A narrativa acompanha a vida dos Levi, que viveram em Turim no período da ascensão do fascismo, da Segunda Guerra Mundial e do que se lhe seguiu.
3. No Verão, de Karl Ove Knausgård
Ninguém fala assim de “Aspersores”, “Castanhas”, “Calções”, “Gatos”, “Parques de campismo”, “Noite de verão”, “Tarde de verão”, “Inteligência”, “Espuma”, “Bétulas”, “Caracóis”, “Groselhas” e “Chuva de verão”.
4. Tchékhov na Vida, de Ígor Sukhikh
A biografia de Tchékhov através das suas cartas, diários, livros e conferências.
5. Na América, disse Jonathan, de Gonçalo M. Tavares
O autor de Aprender a Rezar na Era da Técnica viaja pelos EUA na companhia de Kafka. (Em O Desaparecido, Kafka viaja pela América na companhia da imaginação.)
6. O Susto, de Agustina Bessa-Luís
O prefácio de António M. Feijó mostra o modo como Agustina abriu um caminho próprio nas encruzilhadas literárias do seu tempo.

Fevereiro

1. História da Sexualidade IV, As Confissões da Carne, de Michel Foucault
O volume completa os três livros da História da Sexualidade. É uma obra redigida entre 1981 e 1982, que permaneceu inédita até há pouco. Os temas vão de “A formação de uma experiência nova” até “A libidinização do sexo”, passando pelo que é “Ser virgem”.
3. Tess dos D’Urbervilles, de Thomas Hardy
É um dos principais romances de Thomas Hardy. Pôs em causa as convenções sociais do seu tempo e chocou os leitores da sua época.
4. As Novas Rotas da Seda, de Peter Frankopan
O investigador de História Global da Universidade de Oxford retoma As Rotas da Seda, aprofundando algumas questões decisivas da economia, política e estratégia do nosso tempo.
5. Todos Nós Temos Medo do Vermelho, Amarelo e Azul, de Alexandre Andrade
São onze contos cujo fio condutor é a intensa perturbação que as personagens sentem perante certas cores.
6. O Abismo de Fogo: A Destruição de Lisboa, de Mark Molesky
O historiador norte-americano de Harvard escreveu a principal obra sobre o terramoto de Lisboa de 1755.
7. O Doente Inglês, de Michael Ondaatje
A obra foi considerada em 2018 o melhor Man Booker Prize de sempre.

Março

1. As Pessoas Felizes, de Agustina Bessa-Luís
O prefácio é de António Barreto e a obra mostra a lucidez com que a autora de Fanny Owen abordou famílias burguesas nortenhas antes e logo após Abril de 1974.
2. Fotomaton — Retratos de Salazar, Cunhal e Soares, de António Barreto
António Barreto viveu politicamente os tempos de Salazar, Cunhal e Soares. Reúne agora retratos desses três políticos determinantes no século xx português.
3. Pintado com o Pé, de Djaimilia Pereira de Almeida
A autora de Luanda, Lisboa, Paraíso persegue, nas suas crónicas, os fios da memória e as ligações afectivas e familiares como mais ninguém o faz. O livro é completado com dois ensaios, Amadores e Inseparabilidade.
4. Bom Entretenimento, de Byung-Chul Han
O filósofo germano-coreano aborda as paixões do Ocidente no seu variado sentido, sacrificial, amoroso, de inclinação ou mesmo simples hobby.
5. A Mulher de Trinta Anos, de Honoré de Balzac
É um dos episódios de A Comédia Humana de um dos três grandes romancistas franceses do século xix.
6. Vento, Areia e Amoras Bravas, de Agustina Bessa-Luís
É a continuação de Dentes de Rato, ou seja, de uma quase autobiografia da infância e adolescência da autora.
7. Sabes Que Queres Isto, de Kristen Roupenian
“Cat Person”, um dos contos do livro, foi em 2017 o mais lido, tanto online como em papel, da The New Yorker. Recebeu elogios do The Washington Post. Segundo a The Atlantic, o conto capta o medo de se ser uma jovem mulher a viver em 2017, o que, entre outras coisas, implica uma desesperante necessidade de ser boa e simpática a todo o custo. O livro será adaptado a série de televisão pela HBO.
8. Açores — O Canto das Ilhas, de Carlos Pessoa
Numa colecção de viagens publicada em Portugal, não podia faltar um volume sobre os Açores. É escrito por um jornalista que percorreu as suas ilhas em tempos e modos muito diversos.

Abril

1. Movimento das Ideias, de José Gil
Em breves ensaios, segue-se o deslizar de certas ideias — como a subjectividade populista ou o tempo da meditação Zazen — segundo linhas improváveis mas rigorosas. Acompanhando o movimento interno dos conceitos, o autor procura responder à pergunta: como se move o pensamento filosófico?
2. Normal People, de Sally Rooney
O romance é apontado pelo The Guardian como um futuro clássico. A autora, já considerada a voz de uma nova geração, mostra-se capaz de captar a linguagem do nosso tempo, descrevendo a relação de dois jovens irlandeses no liceu e na universidade. As suas ambições e decepções são descritas com inesquecível ternura. O livro obteve o prémio de livro do ano da Waterstones, foi finalista do Man Booker Prize e venceu recentemente o Costa Book Award 2018 na categoria de romance (Rooney foi a autora mais nova a vencer este prémio).
3. Kudos, de Rachel Cusk
É uma das autoras que, com Alice Munro, Margaret Atwood e Michael Ondaatje, colocou a literatura canadiana num lugar de destaque. Tal como em Trânsito, mostra-se capaz de romper com os moldes estabelecidos sem se perder em inovações estéreis.
4. Correspondências + Minhas Queridas, de Clarice Lispector
Nas suas cartas, a autora entreabre o seu “coração selvagem” aos leitores.
5. Provocações (antologia), de Camille Paglia
O feminismo heterodoxo e combativo de Paglia continua a chocar os que se encontram mergulhados na letargia do politicamente correcto. Mostra-se capaz de ter em conta os aspectos biológicos do ser humano, sem esquecer as dimensões sociais e culturais nem cair no conservadorismo.
6. O Estendal e Outros Contos, de Jaime Rocha
Uma antologia de contos do poeta e dramaturgo Jaime Rocha.

Maio

1. Três Conferências, de Maria Filomena Molder
2. Estados de Fuga, de Ana Teresa Pereira
Um livro de contos, alguns deles inicialmente publicados em inglês.
3. Álvaro Siza: Conversas com Estudantes de Arquitectura (org. Manuel Graça Dias)
Foi com conversas como estas que Siza Vieira ajudou a expandir a Escola de Arquitectura do Porto, iniciada por Fernando Távora.
4. A Balada do Medo, de Norberto Morais
O autor de O Pecado de Porto Negro retoma personagens que parecem saídas do que de melhor produziu a literatura latino-americano de Onetti a García Márquez.
5. Pensamentos, de Blaise Pascal (prefácio de T. S. Eliot)
6. Pensar sem Corrimão (antologia), de Hannah Arendt
Estes ensaios abordam temas que vão desde “Karl Marx e a Tradição do Pensamento Político Ocidental” até “Transições”, passando pelo totalitarismo e a violência na sociedade americana.
7. O Adolescente, de Fiodor Dostoievsky
Um dos romances essenciais do autor de Crime e Castigo.
8. A Casa e Party, de Agustina Bessa-Luís (prefácio de António Preto)
9. Superinteligência, de Nick Bostrom
O autor, investigador em Oxford, examina um problema essencial do nosso tempo, a possibilidade humana de controlar a superinteligência antes de ser demasiado tarde.

Junho

1. Os Superpoderes da Inteligência Artificial: China, Silicon Valley e a Nova Ordem Mundial, de Kai-Fu Lee
Muito da evolução próxima do planeta depende da corrida, neste momento em curso, sobre inteligência artificial entre a China e os EUA. O autor é da opinião que a China tem alguma vantagem, porque reúne dados, não respeita privacidades e compete mais rudemente. 
2. Dá-me a Tua Mão, de Megan Abbott
3. O Hóspede de Job, de José Cardoso Pires
4. Memórias, Sonhos e Reflexões, de Carl Jung
5. Não Te Esqueças de Viver, de Pierre Hadot
6. À Beira do Mar de Junho, de João Miguel Fernandes Jorge
Um episódio luminoso na obra do autor.

Sobre A História, de Elsa Morante




«Hoje na Sábado escrevo sobre A História, da italiana Elsa Morante (1912-1985), tão arredia da edição portuguesa, ao contrário de seu marido, Alberto Moravia. É bom tê-la de volta. O mais famoso dos seus romances foi agora traduzido por José Lima. À data do lançamento, em 1974, no auge dos anos de chumbo italianos, a celeuma em torno do livro dividiu a intelligentsia marxista. […] O relato do conflito é devastador. Morante tem uma escrita seca, precisa, capaz de, sem ênfase retórica, fazer o retrato vívido de personagens secundários (como é o caso de Davide Segre) e, ao mesmo tempo, descrever acontecimentos terríveis em grande angular. Inquéritos e listas valem o que valem, mas, segundo uma pesquisa feita em 1985 pelo jornal Corriere della Sera, A História é (ou era) o mais lido e discutido dos romances italianos contemporâneos. Fora de Itália, é considerado um dos cem romances mais importantes de sempre em qualquer língua. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica a A História publicada na Sábado de 10/1/2019]

11.1.19

Mrs. Osmond, de John Banville, foi um dos 5 melhores livro de 2018 para Eduardo Pitta






«Se a ficção jamesiana é um paradigma de excelência, John Banville chegou lá. Num exercício arriscado, Mrs. Osmond prolonga Retrato de Uma Senhora, o clássico de 1881. James fez a transição do romance vitoriano para o modernismo, e Banville, dialogando de igual para igual, faz com brilho o caminho de volta.» [Eduardo Pitta, blogue Da Literatura, 27/12/2018]

Rui Nunes entrevistado por Maria Leonor Nunes, no «JL», a propósito do seu último livro, «Suíte e Fúria»





«Não lhe contem histórias. Está “farto” de “abrir um livro e encontrar o paraíso”, de uma literatura que não é capaz de dizer a realidade, quando assistimos, diz ele, a um “retorno ao que houve de pior no séc. XX”. O mesmo é dizer ao “fechamento” da Europa, ao ressurgimento das ideias nazis, “essa luz maligna” que “estranhamente continua a iluminar o mundo atual” e a “seduzir muitas pessoas”.
A escrita é nele “biológica”. Está no gume do seu olhar. E mesmo que os seus olhos já vejam pouco, não quer deixar de escrever o que se passa. “A realidade é inesgotável e provocadora”, diz Rui Nunes ao “JL”. E, a um tempo, perturbadora. Tudo isso assoma no seu novo livro, “Suíte e Fúria”, edição Relógio D’Água, uma narrativa sobre o tempo histórico e individual, a memória e o real, a separação e a mudança. […]
— Diz noutro passo do seu livro que está cansado de abrir um livro e encontrar o paraíso.

— E o que isso significa? Que a realidade não está lá, que as histórias, com o seu princípio, meio e fim, são elas próprias uma dimensão do paraíso. Dão uma realidade acabada, de certo modo inquestionável no seu acabamento. E falta-lhes abertura ao mundo. Isso é o que menos me agrada no que se está a publicar. São histórias fechadas, com referências unicamente a outras histórias, a outros livros. O eco de outras leituras está demasiado presente e o eco do mundo cada vez mais distante. É uma literatura que trabalha sobre a literatura, livros que se escrevem sobre livros. E assim a realidade vai-se progressivamente afastando da literatura.» [«JL», 2/1/2019]

Sobre Dizer Não não Basta, de Naomi Klein




Neste livro, Naomi Klein expõe as forças que explicam o sucesso de Donald Trump, mostrando que não se trata de uma aberração mas sim de um produto dos nossos tempos — imagens de marca de reality shows, obsessão pelas celebridades e por CEO, Vegas e Guantánamo e banqueiros gananciosos— tudo em um.
A autora expõe também a sua opinião sobre como podemos quebrar estas políticas de choque, contrariar o caos e a divisão que hoje imperam, e alcançar o mundo de que precisamos.
Dizer Não não Basta foi um dos dez livros da longlist do National Book Award de Não Ficção 2017.

«Naomi Klein escreveu um guia de esperança para a pessoa comum. Leiam este livro.» [Arundhati Roy]

«Urgente, oportuno e necessário.» [Noam Chomsky]

Sobre Enciclopédia, de Gonçalo M. Tavares




Enciclopédia, de Gonçalo M. Tavares, que reúne Breves Notas sobre Ciência, Breves Notas sobre o Medo e Breves Notas sobre as Ligações, foi editado na Polónia em Outubro de 2018 pela Słowo/obraz terytoria. Em Portugal, a obra foi publicada pela Relógio D’Água em 2012.



“Céptico como os cépticos, crente como os crentes.
A metade que avança é crente, a metade que confirma é céptica.
Mas o cientista perfeito é também jardineiro: acredita que a beleza é conhecimento.”
[sobre ciência]

“Indecifrável é o homem que, além de permanecer em silêncio e imóvel, se esconde da luz, como o mais velho dos ratos.
Dele — por jamais ter sido visto, mas, acima de tudo, por jamais ter sido entendido — se construirá uma robusta e luminosa estátua no centro dessa cidade que nem sequer se recorda de alguém o ter visto nascer.”
[sobre o medo]

“Lilith atravessou um caixão aberto, correu de um lado ao outro do caixão aberto. Apenas dois metros de comprimento: duas sensações estranhas: correr em espaço tão curto e esse movimento intenso dentro de uma caixa feita para guardar a imobilidade. Um exercício filosófico: correr dentro de um caixão.”

[sobre as ligações]

10.1.19

Lançamento de Arte e Infinitude, de Bernardo Pinto de Almeida, na Culturgest, dia 15 de Janeiro




Sobre Peter Sloterdijk




«Noutros, a entrada [numa escrita dura] é imediata. Um exemplo: Peter Sloterdijk, filósofo alemão — para mim, o grande escritor vivo. (Está a sair agora, na Relógio D’Água, Tens de Mudar de Vida, já um clássico. […])
O que é fascinante em Sloterdijk está também presente em Ortega y Gasset: grandes imagens, grandes metáforas; uma escrita bem acima do nível da terra mas totalmente acessível.» [Gonçalo M. Tavares, JL, 2/1/2019]

Sobre Vidas Escritas, de Javier Marías




Carlos Vaz Marques falou sobre Vidas Escritas, de Javier Marías, no programa Livro do Dia de 8 de Janeiro, na TSF. O programa pode ser ouvido aqui.
Pode ler-se mais sobre esta e outras obras de Javier Marías aqui.

9.1.19

Sobre O Pangolim e Outros Poemas, de Marianne Moore




«Já houve quem lhe chamasse “uma poeta de poetas”. A norte-americana Marianne Moore figura no panteão do Modernismo de língua inglesa ao lado de autores como Ezra Pound, William Carlos Williams ou Wallace Stevens.» [Carlos Vaz Marques sobre O Pangolim e Outros Poemas, de Marianne Moore, no programa Livro do Dia de 2 de Janeiro, na TSF. O programa pode ser ouvido aqui.]

8.1.19

Sobre Coisas Que não Quero Saber, de Deborah Levy





«Difícil de classificar, uma vez que está na fronteira entre vários géneros, este texto nasceu de um desafio: o de responder a “Porque escrevo”, um ensaio de George Orwell, publicado em 1946. A “resposta”, porém, é tudo menos direta. Mestre na arte da esquiva, Deborah Levy ilumina momentos pontuais da sua vida, deixando-se arrastar por uma sequência de memórias involuntárias que não pretendem ter a solidez de um “sentido” definitivo”. No seu ensaio, Orwell encontrava quatro razões para que alguém se entregue à “extenuante luta” que representa escrever um livro: pode fazê-lo por ter um “Objetivo Político”. obedecendo a um “Impulso Histórico”, por “Entusiasmo Estético” ou “Puro Egoísmo”.» [José Mário Silva, Expresso, E, 5/1/2019]

Sobre Juro não Dizer nunca a Verdade, de Javier Marías




«Porventura a contracorrente, Javier Marías, escritor espanhol maior, não se nega à palavra pública nem despreza a espuma dos dias. Parece até duvidar do tão falado “silêncio dos intelectuais””: “Nos inquéritos sobre a confiança que inspiram ou a aprovação que merecem os diferentes colectivos e instituições, ‘os intelectuais’ (…) obtêm menção bastante elevada. Será pouco, mas aqui não estamos, a maioria, calados, felizmente, ainda que nem sempre argumentemos com brilho. Cada um faz o que pode, mas pelo menos a coragem não tem faltado”, excerto de uma das 95 crónicas do “El País” reunidas neste livro e que abarcam os anos de 2013 a 2015. Mas porque o mundo é complexo e redondo, numa outra, “Cativos”, o cronista não deixa de acompanhar Eco, pelo menos quanto à poluição palavrosa: “Creio que nunca se falou tanto como hoje e que nunca se teve tão pouca consciência de se falar tanto. É como uma doença.”» [Ana Cristina Leonardo, Expresso, E, 5/1/2019]

7.1.19

Sobre A Saga de Selma Lagerlöf, de Cristina Carvalho




«Eis um livro escrito com pinças. Fruto da paixão de uma escritora por outra, este romance biográfico mantém um equilíbrio entre o rigor e a imaginação, em que a paisagem, nomeadamente a floresta sueca que cerca o mundo onde Selma Lagerlöf viveu, nos pode dar pistas sobre o método seguido: “Quero desenhar essas silhuetas longas, douradas, brandas, misteriosas no escuro da densidade que consigo perceber.” Funciona com árvores, e irá funcionar com os humanos. Outra ferramenta importante na construção do livro é a ironia. Como não sorrir, quando uma morta bem-disposta nos interpela, recordando episódios de uma vida longa: “Salvei quase tudo através da memória e de um certo olhar sobre o passado. Salvei até os meus fantasmas que esses , estivesse onde estivesse, nunca me abandonaram.”» [Rui Lagartinho, Expresso, E, 5/1/2019]

Sobre Pape Satàn Aleppe, de Umberto Eco




Crise das ideologias, crise dos partidos, individualismo desenfreado…
Este é o ambiente em que nos movemos hoje, uma sociedade líquida onde nem sempre é fácil encontrar uma estrela polar, mesmo que não seja difícil encontrar estrelas e estrelinhas.
Nesta sociedade tornam-se habituais as máscaras dos políticos, as obsessões mediáticas de visibilidade que a quase todos parece atingir, a relação simbiótica com os telefones mais ou menos inteligentes, a ausência de cortesia nas relações. São estes aspectos e muitos outros que Umberto Eco aborda neste livro publicado após a sua morte em Fevereiro de 2016.
É uma sociedade a que já Zygmunt Bauman chamou «líquida», em que a ausência de sentido prevalece sobre a racionalidade, com evidentes efeitos cómicos mas também com consequências que não são propriamente tranquilizadoras.
Confusões, desconexões, torrentes de palavras muitas vezes próximas do lugar-comum. «Pape Satàn, pape Satàn aleppe!», dizia Dante [no Inferno VII, 1], convocando prodígios, dores, iras, ameaças e talvez ironias.

Pape Satàn Aleppe é um livro póstumo de Umberto Eco, reunindo textos que publicara em vida e que preparava para edição antes da sua morte, ocorrida em Fevereiro de 2016.

Lisa Halliday falou com Isabel Lucas, a propósito de Assimetria






«O romance chegou a Portugal em Dezembro, dez meses depois de aparecer nos Estados Unidos com o selo de disruptivo. Atento à forma, elabora uma teia na qual se cruzam pensamentos sobre a arte, a política, o quotidiano. É tão solar quanto inquietante. Negro, irónico, fala da criação, da ambição, do quotidiano em que as notícias da invasão do Iraque chegam, enquanto alguém em Nova Iorque assiste, na cama, a um jogo de baseball; fala da religião, de uma ideia de Deus ou de fé — “procurar conhecimento é uma obrigação religiosa”, é a crença de Amar —, explora as potencialidades da memória, questiona a guerra, reflecte sobre o medo, esbarra em conceitos como os de vida ou de morte. E de liberdade. “Vemos o que as pessoas fazem com a sua liberdade — o que não fazem — e é impossível não as julgar por isso. Acabamos por constatar que uma sociedade essencialmente pacífica e democrática está num estado de suspensão incrivelmente delicado, uma suspensão que exige um equilíbrio até à mais ínfima molécula, de modo que até ao mínimo sobressalto uma pessoa apenas que se esqueça da fragilidade dessa suspensão por causa da sua complacência e egocentrismo pode fazer com que toda esta merda desabe”, lê-se na página 220. É um romance ambicioso que não cai na facilidade do pretensiosismo, como acontece a tantos que usam a intertextualidade como ferramenta privilegiada. No caso, não só a do texto escrito, mas a do texto musical. A música é tema e estabelece o ritmo. Dá a forma e contamina cada frase. É um dos grandes motores de Assimetria.» [Isabel Lucas,ípsilon, Público, 4/1/19. Texto completo aqui ]

4.1.19

Sobre Poemas Escolhidos, de T. S. Eliot




Os 433 versos de The Waste Land, Ash-Wednesday (1930), Four Quartets (1935 a 1942) e algumas dezenas de breves composições épico-líricas formam o essencial da obra poética de Eliot, o que, em concisão, só tem, na Europa, paralelo em Gottfried Benn.
De resto, a originalidade de Eliot parece estar aí, em apenas ter escrito depois de uma profunda acumulação interior. Mas, ao contrário daqueles que, como Rilke, reduziram, em grande parte, a criação ao momento da contemplação, à elegia, Eliot recorre também à ironia e ao sarcasmo.
Como disse Eugenio Montale: «Eliot chega muitas vezes ao canto a partir do recitativo, ao tom elevado a partir do mais coloquial. É sobretudo um poeta-músico; e não é nunca ou quase nunca (como o era Valéry e o foi muitas vezes Rilke) um neoclássico. Esta é a sua maior modernidade.»

Sobre O Feiticeiro de Oz, de L. Frank Baum




Quando um ciclone atinge o Kansas, Dorothy e o seu cãozinho Toto são transportados até à mágica Terra de Oz, onde animais selvagens falam, sapatos prateados têm poderes mágicos e as bruxas bondosas oferecem protecção em troca de um beijinho. Dorothy acaba por se tornar também inimiga da Bruxa Malvada do Oeste. Com os seus novos amigos, o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Cobarde, depara-se com inúmeros perigos no caminho para a Cidade das Esmeraldas, onde terá de se encontrar com o Feiticeiro de Oz para que conceda a cada um aquilo que mais deseja. 
Logo que foi publicado, O Feiticeiro de Oz cativou imediatamente a atenção tanto de crianças como adultos. Esta edição inclui as ilustrações originais de W. W. Denslow, bem como a introdução do autor. O livro deu origem ao filme com o mesmo nome, que é considerado um clássico da história do cinema.
Uma adaptação musical do livro de L. Frank Baum está em cena no Teatro Infantil de Lisboa até 26 de Maio de 2019.

Sobre "Normal People", de Sally Rooney




Normal People, de Sally Rooney, está no primeiro lugar do top de vendas do Sunday Times. A Relógio D’Água irá publicar no primeiro semestre de 2019 o mais recente livro da irlandesa Sally Rooney, que tem sido saudada como como a primeira grande romancista da Geração Milénio.
[Lauren Collins, na The New Yorker.]

3.1.19

Sobre Passagem para a Índia, de E. M. Forster




Adela Quested chegou à cidade indiana de Chandrapore para casar. Acompanhada pela Sr.ª Moore, tornam-se amigas do Dr. Aziz, que se oferece para lhes mostrar as Grutas Marabar.
Mas à medida que exploram as grutas ocorre um acidente, e Aziz é acusado e detido. Enquanto o médico aguarda julgamento, a opinião dos britânicos e dos súbditos indianos divide-se entre a sua culpa e inocência, e as tensões surgidas ameaçam transformar-se em violência.

«Um dos romancistas ingleses mais estimados do seu tempo.» [The Times]

«De uma enorme mestria.» [Anita Desai]


De E. M. Forster a Relógio D’Água publicou também Um Quarto com Vista.

Sobre O Livro por Vir, de Maurice Blanchot




«Maurice Blanchot (1907-2003) foi, na sua geração (Foucault, Bataille, Barthes, Derrida), um dos teóricos mais discretos e legíveis. Este é o livro de cabeceira: lendo os seus autores (Musil, James, Proust, Claudel, Broch) percebe-se uma ideia de literatura e de fidelidade aos seus fantasmas.» [LER, Outono 2018]

2.1.19

Sobre O Pangolim e Outros Poemas, de Marianne Moore




«Poemas estranhos, estranhamente dispostos em página, podemos sobre elefantes, búfalos, pangolins, animais poéticos com sua anatomia e biologia, poemas botânicos, vegetais, minuciosos e lúdicos, exactos e derivativos, descrições loquazes de pequenas experiências, poemas que afirmam e qualificam, poeticamente enciclopédicos, imagéticos mas não transparentes, assim são os poemas de Marianne Moore (1887-1972), a maior das poetas modernistas americanas, a par de Hilda Doolittle. Uma poesia insólita, não hermética mas difícil verso a verso, o que talvez justifique a escassez de traduções, agora ultrapassada com esta excepcional antologia.
A poesia de Moore, escreve a tradutora, Margarida Vale de Gato, emprega os mais variados recursos (…).» [Pedro Mexia, Expresso, E, 29/12/2018]

Sobre Sanditon, de Jane Austen




«Obra deixada incompleta por Jane Austen, “Sanditon” é uma novela em que reconhecemos a tão característica ironia da autora, bem como a sua extraordinária capacidade de observação das atmosferas e tipos sociais. Tudo se passa numa aldeia piscatória, a Sanditon do título, durante o processo de transformação desta numa estação balnear sofisticada. Charlotte, a protagonista, vai envolver-se nas densas tramas sentimentais que a rodeiam.» [Expresso, E, 29/12/2018]


Veja aqui outras obras de Jane Austen na Relógio D’Água.

Sobre Mrs. Osmond, de John Banville




«O retrato de Isabel Archer, aliás Mrs. Osmond, personagem de “Retrato de Uma Senhora”, é um dos mais fulgurantes da história da literatura. John Banville prolonga o trabalho de Henry James, continuando a história, aprofundando os caminhos do romance original.» [LER, Outubro 2018]

Mais sobre o livro aqui.


De John Banville a Relógio D’Água editou também Retalhos do Tempo — Um Memorial de Dublin.

Sobre Viver, de Yu Hua




«Yu Hua (ver o texto de Maria João Marques na última LER) pode bem ser lido como uma espécie de introdução à História contemporânea da China. Neste romance, acompanhamos uma personagem maravilhosa, um mundo que ferve por tudo e por nada — e uma cultura que aprende o sofrimento tal como a arte da grande resistência.» [Revista LER, Outono 2018]


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