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10.7.13

Alice Munro (11-07-1931)



 

«Depois de tantos anos, tantas antologias e tantos contos maravilhosos, os leitores podem ter a sensação de saber tudo sobre Alice Munro, principalmente porque muitas das suas personagens têm vidas parecidas à sua. Na verdade, sabemos muito pouco sobre ela. Esta é uma das razões por que os leitores ficam loucamente enamorados por Munro. A outra razão é que ela é muito boa.» [Anne Enright, The Guardian, 8-11-2012]

 



De Alice Munro, a Relógio D’Água publicou Fugas, O Amor de Uma Boa Mulher, A Vista de Castle Rock, Demasiada Felicidade, O Progresso do Amor e Amada Vida.

9.7.13

Oliver Sacks (09-07-1933)





«A linguagem, essa invenção tão humana, permite o que, em princípio, não devia ser possível. Permite que todos nós, mesmo os cegos congénitos, vejamos pelos olhos de outra pessoa.» [Oliver Sacks, O Olhar da Mente]

 


De Oliver Sacks, a Relógio D’Água publicou O Homem Que Confundiu a Mulher com Um Chapéu, Despertares, Um Antropólogo em Marte, Perna para Que Te Quero, A Ilha sem Cor, O Tio Tungsténio, Musicofilia, Vejo Uma Voz, O Olhar da Mente, Diário de Oaxaca e Alucinações.

22.4.10

António Barreto apresenta Anos Difíceis em Beja



Na próxima 6.ª, 23 de Abril, a partir das 21h30, António Barreto apresentará Anos Difíceis, o seu mais recente livro publicado na Relógio D'Água. A apresentação insere-se nas comemorações do Dia Mundial do Livro organizadas pela Biblioteca Municipal de Beja:


«Ao cair da noite de 23 de Abril a Biblioteca de Beja propõe aos seus utilizadores um jantar entre livros e escritores, mediante marcação prévia que pode ser efectuada junto da cafetaria. Mais tarde (21h30), depois de um café e dois dedos de conversa, José Pedro Fernandes conversa com o escritor José Eduardo Agualusa no espaço “Lugar do Autor” e, em seguida, António Barreto, figura incontornável do pensamento político e sociológico em Portugal apresentará o seu livro “Anos Difíceis”, editado pela Relógio d’Água.» (in Beja Digital)

«Finalmente, um traço dominante deste período é o do uso intensivo e persistente da propaganda e de todas as formas de construção e orientação da informação. Estes últimos anos marcam a consolidação do modo profissional de informar a população. Governo, partidos políticos, grupos parlamentares, grandes grupos económicos, associações empresariais e sindicatos recorrem, cada vez mais e agora de modo consistente, a organizações especializadas de comunicação. Este esforço é, obviamente, liderado pelo governo, com recursos ilimitados para dirigir a informação e organizar a comunicação, de acordo com os seus interesses e conveniências. São centenas, talvez milhares de profissionais, incluindo muitos jornalistas, a exercer as suas actividades de comunicação em conformidade com as expectativas dos seus mandantes. A actividade política desenrola‑se agora de acordo com o que se chama, na gíria, a “agenda” política. Esta é uma mera construção de conveniência, uma maneira de condicionar a informação e a opinião.»
Da Apresentação
 
 

21.4.10

Centenário de Mark Twain



Samuel Langhorne Clemens nasceu em Florida, no Missouri, em Novembro de 1835. Mark Twain, o pseudónimo jornalístico e depois literário que escolheu, era a expressão usada nos barcos do Mississípi pelo homem que deitava a corda de prumo e gritava, quando a sonda assinalava só duas braças de fundo: Mark twain! (Marca duas!). Em 1839, a família deslocou-se para Hannibal. Em 1847, o pai, modesto comerciante, faleceu. Seis anos depois, Mark Twain abandonou Hannibal e viveu, sucessivamente, em St. Louis, Cincinatti, Filadélfia e Nova Iorque. Foi aprendiz de tipógrafo, piloto de barco a vapor, voluntário no exército e pesquisador de ouro no Nevada até se tornar jornalista. Em 1862 começou a publicar artigos no Enterprise de Virginia adoptando o pseudónimo por que ficaria conhecido. Em 1865 escreveu o conto «The Celebrated Jumping Frog of Calaveras County» que se tornou um êxito. Mas foi em 1869 quando – no regresso da sua primeira viagem ao Mediterrâneo, Egipto e Palestina – publicou The Innocents Abroad, que passou a ser um escritor conhecido, tendo o livro vendido 150 mil exemplares. No ano seguinte passou a dirigir o Express de Buffalo e casou-se com Olivia Langdon. O casal fixou-se em Connecticut onde Twain viveu durante dezassete anos como um reconhecido e mesmo popular romancista e humorista. Foi nessa época que escreveu as suas principais obras, entre as quais Roughing It, As Aventuras de Tom Sawyer, Life on Mississipi e a sua obra-prima As Aventuras de Huckleberry Finn, em parte baseada em experiências da sua própria juventude.




 A Relógio D'Água publicou As Aventuras de Huckleberry Finn, em tradução de Sara Serras Pereira. Este livro pode ser interpretado como uma simples história sobre as aventuras de um rapaz no Vale do Mississípi durante a segunda metade do século XIX. Mas a diversidade da experiência humana e as situações humorísticas e dilacerantes por que passa Huck fazem dele uma obra ímpar.
No meio dos mais diversos episódios a solidão faz com que Huck receie não fazer parte do mundo. Mas a solidão é-lhe necessária para sentir a liberdade ou pelo menos, usando a expressão de H. Bloom, «para não renunciar ao desejo de uma permanente imagem de liberdade».





17.6.09

Sobre João Bénard da Costa e os Que o Vão Lembrando

A melhor homenagem que um editor pode prestar a João Bénard da Costa é dizer que gostaria de o ter editado (a sua obra está de resto em belos livros da Assírio & Alvim, Fundação Gulbenkian e Cinemateca Portuguesa).
De João Bénard da Costa a Relógio D’Água publicou apenas um posfácio a uma antologia de Cecília Meireles, poetisa que ele admirava, um texto saído inicialmente no Público a 9 de Novembro de 2001. Nele, o autor de Como o Cinema Era Belo cita, a propósito do centenário de nascimento e do 37.º aniversário da morte de Cecília Meireles, um poema que poderemos agora dedicar ao próprio João Bénard da Costa.

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.

Eu deixo o aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim.

E por perder-me é que me vão lembrando,
Por desfolhar-me é que não tenho fim.

João Bénard da Costa foi um intelectual católico e humanista, um cinéfilo e um homem da acção.
O Tempo e o Modo, que ajudou a criar tinha como subtítulo Revista de Pensamento e Acção. Mesmo a sua visão de cinema, expressa no livro Filmes da Minha Vida, os Meus Filmes da Vida, mostra que para ele o cinema tinha a ver com tudo o que fazia. Na Gulbenkian, na segunda metade dos anos 70, não se limitou a organizar ciclos de cinema, acompanhados com a distribuição das suas já míticas folhas e intervenções. Criou um Centro que permitiu a realizadores como Alberto Seixas Santos e António-Pedro Vasconcelos fazer os seus primeiros filmes.
Ainda no campo da acção transformou a Cinemateca numa das melhores da Europa em termos de programação e arquivo.
A sua grande decepção foi na política, tendo partilhado com António Alçada Baptista as ilusões na «abertura marcelista».
O Tempo e o Modo foi um dos projectos mais importantes em que João Bénard da Costa participou. A revista foi fundada em finais de Janeiro de 1963 e nela confluíram, em entradas sucessivas, elementos oriundos da Juventude Universitária Católica e do Centro Cultural de Cinema e socialistas saídos do MUD, aliados numa intervenção que contestava o regime ao mesmo tempo que por ele era tolerada (o grupo excluía elementos ligados ao PCP ou à extrema-esquerda, que na sua versão maoista acabaria por influenciar a revista ou, pelo menos, por se apropriar do seu título).
A matriz do projecto foi a editora Moraes, criada alguns anos antes – no ambiente do pós-guerra europeu e da campanha eleitoral de Humberto Delgado – por António Alçada Baptista e Pedro Tamen. O primeiro livro que publicou foi O Personalismo de Emmanuel Mounier, em tradução de João Bénard da Costa, cuja tese de licenciatura em Letras fora sobre o fundador da revista Esprit. Uma sua colecção, Círculo do Humanismo Cristão, prefigurou o que viria a ser O Tempo e o Modo de que António Alçada Baptista seria o director, João Bénard da Costa chefe de redacção e, um pouco mais tarde, Vasco Pulido Valente o chefe de redacção adjunto.
A partir de 1966, João Bénard da Costa dedicou-se também à Associação para a Liberdade da Cultura.
Na antologia de O Tempo e o Modo, publicado em Dezembro de 2003 pela Fundação Gulbenkian e o CNC (acompanhada de um CD, com todos os números da revista), há referência a vários textos de João Bénard da Costa, que ilustram o seu modo de encarar o cinema, a religião e a filosofia. É o caso de «O Cinema É Um Fenómeno Idealista», «Mounier e O Tempo e o Modo», «A Igreja e o Fim dos Constantinismos», «Os Silêncios do Vaticano» e o texto de abertura que fez para o caderno «Deus o Que É?».
Alguns dos colaboradores da revista acabaram por ter incursões mais ou menos prolongadas na vida política e económica (casos de Jorge Sampaio, Vasco Pulido Valente, José Cutileiro, Mário Soares, Luís Moita, Jaime Gama, Luís Salgado de Matos, Mário Murteira, Sottomayor Cardia, Salgado Zenha e Medeiros Ferreira). Outros mantiveram sempre uma participação apenas cultural, como foi o caso de Nuno de Bragança, Jorge de Sena, Alberto Vaz da Silva, Cristovan Pavia, Agustina Bessa-Luís, António Ramos Rosa, Ruy Belo ou Herberto Helder.
Tanto a Moraes como O Tempo e o Modo entraram em crise financeira a partir de 1967 – António Alçada Baptista teve de pagar quase até ao fim da vida os prejuízos, através de descontos no seu ordenado.

Na Cinemateca

Um destes dias, quando entrar na Cinemateca, sei que não encontrarei ao fundo de um corredor um homem elegante e desajeitado, misto de nobre espanhol e de comandante de Marinha, nem ouvirei uma voz rouca conversando com um vagar antigo, esse homem que fez duas vezes de Papa em filmes de Manoel de Oliveira e falava como mais ninguém do cinema que se fez até aos anos noventa do século XX.
Mas sei também que todos aqueles para quem a memória não é um deserto de túmulos vazios serão incapazes de entrar na Cinemateca ou sequer de ouvir falar de Johnny Guitar de Nicholas Ray ou A Palavra de Dreyer sem recordar João Bénard da Costa.

Francisco Vale

A Família Portuguesa de Alice Munro

Do sempre atento escritor e encenador Jorge Silva Melo recebemos, por e-mail, uma notícia sobre a escritora canadiana Alice Munro, recentemente premiada com o Man Booker International Prize.


Francisco,

sabias que os Munro (de que faz parte a grande Alice) foram contraindo vários matrimónios desde a Irlanda natal… entre os quais com a francesa família Cid que casou com o Reynaldo (dos Santos) e veio a dar… o João Cid dos Santos, pai do Bartolomeu

ou seja, que Alice Munro é prima (quase direita) do Bartolomeu (e que parte dessa família Munro vive em Colares…)

o Bartolomeu andava há anos a tentar contactar essa distante prima (afinal, artista próxima…)

j

28.5.09

Alice Munro Ganha o Man Booker International Prize de 2009



Em 27 de Maio passado, Alice Munro, escritora canadiana publicada em Portugal pela Relógio D’Água, venceu o terceiro Man Booker International Prize.
O Man Booker International é um prémio bianual atribuído a um autor cuja obra completa tenha contribuído para a ficção a nível mundial. Em 2005 foi recebido por Ismail Kadaré e em 2007 por Chinua Achebe.
Munro é uma das escritoras mais reconhecidas do Canadá. Quando ouviu a notícia, disse: “Estou completamente admirada e contente.”
O júri do Man Booker International 2009 foi constituído pela escritora Jane Smiley, o escritor e músico Amit Chaudhuri, e o escritor, guionista e ensaísta Andrey Kurkov. O júri justificou do seguinte modo a sua escolha:
“Alice Munro é conhecida sobretudo como escritora de contos e, no entanto, coloca tanta profundidade, sabedoria e precisão em cada história como muitos escritores de romances numa vida inteira de romances. Ler Alice Munro é sempre ler qualquer coisa que nunca pensámos antes.”
A sua última antologia de contos, Too Much Happiness, será publicada em Outubro de 2009. O prémio de £60 000 será entregue a Alice Munro numa cerimónia no Trinity College, em Dublin, no dia 25 de Junho.
Alice Munro tem editado na Relógio D’Água Fugas e O Amor de Uma Boa Mulher. No início de Julho publicaremos a tradução de The View From Castle Rock e em Outubro a do seu último livro Too Much Happiness.

Alice Munro nasceu em Ontário, no Canadá, a 10 de Julho de 1931. Publicou a sua primeira história, The Dimensions of a Shadow, em 1950, quando ainda estudava na faculdade.
Ao todo, tem publicadas doze antologias de contos, incluindo Fugas e O Amor de Uma Boa Mulher (publicadas pela Relógio D’Água), e um romance, Lives of Girls and Women. Já recebeu inúmeros prémios literários, incluindo o Governor General’s Literary Award, o Giller Prize, o Rea Award for the Short Story, o Lannan Literary Award, o W. H. Smith Literary Award e o National Book Critics Circle Award. Os seus contos foram publicados no The New Yorker, The Atlantic Monthly e The Paris Review.