25.7.11
A Relógio D’Água nos media na semana de 18 a 24 de Julho de 2011
13.12.10
Novas Traduções de Cormac McCarthy
Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda de J. M. Keynes
29.7.09
Os «Melhores» Contos de Eudora Welty
Eudora Welty nasceu em 1909, em Jackson, Mississípi, onde passou toda a sua vida.
Na juventude foi fotógrafa, percorrendo os mais variados locais do seu Estado natal e fixando as imagens de uma América profunda que mais tarde fariam parte dos seus contos.
Começou a ser conhecida como escritora depois dos 30 anos e a sua literatura foi marcada por uma espécie de qualidade «fotográfica» de paisagens físicas e sentimentais.
Como diz o escritor Juan Manuel de Prada, «muitas das narrativas de Eudora Welty são protagonizadas por crianças, mulheres cândidas e homens francos, que participam na vida como num banquete, por criaturas que parecem definitivamente imunes ao pecado original». Mas contêm também «episódios de perturbada inquietação, personagens excêntricas e solitárias que escondem uma reserva de sonhos que murcharam, de tentações ilícitas que assomam aqui e ali como uma espécie de pudica mas, ao mesmo tempo, orgulhosa obstinação».
Como a própria Welty escreveu no Prefácio às suas Collected Stories em Maio de 1970: «Têm-me dito, como elogio e crítica, que pareço gostar das minhas personagens. Aquilo que faço quando escrevo sobre uma qualquer personagem é tentar entrar na mente, no coração e na pele de um ser humano que não sou eu. Quer se trate de um homem ou de uma mulher, velho ou novo, com pele negra ou branca, o principal desafio é o salto em si. O acto da imaginação de um escritor sobrepõe-se a tudo.»
Eudora Welty escreveu cinco romances, The Robber Bridegroom, Delta Wedding, Losing Battles, The Optimist’s Daughter e O Coração dos Ponders, bem como uma antologia de contos, The Collected Stories of Eudora Welty.
Em 1971 publicou um álbum de fotografias intitulado One Time, One Place: Mississipi in the Depression – A Snapshot Album.
Ao longo da sua carreira, foi distinguida com vários prémios, entre os quais o Howells Medal for Fiction, em 1965, o Brandeis University Creative Arts and Letters em 1965 e o Pulitzer Prize em 1973.
A sua influência foi grande em vários escritores e designadamente em Truman Capote.
Eudora Welty faleceu em 2001.
Na Relógio D’Água tem editado O Coração dos Ponders.
Este livro reúne aquelas que consideramos serem as dez melhores histórias de Eudora Welty e que confirmam a autora como uma das principais contistas contemporâneas.Todos os contos — Uma Notícia no Jornal, A Buzina, Clytie, Flores para Marjorie, Uma Cortina de Verdura, Caminho Batido, A Grande Rede, Leito Seco, Recital de Junho, Mulheres na Primavera — foram escritos ao longo de um período de três décadas. Eudora Welty formou com Flannery O’Connor e Carson McCullers o triunvirato feminino do «gótico» do sul dos Estados Unidos. Embora o seu olhar possa ser considerado o mais clemente do triunvirato, a verdade é que partilhou com ele a capacidade de explorar «essas regiões de luz e sombra onde se esclarecem os segredos mais bem guardados da natureza humana».
«A riqueza de um talento como este resiste a um resumo… Ela é sempre honesta, sempre justa. E bastante divertida. As histórias são magníficas.» [Maureen Howard, The New York Times Book Review]
«A ternura irónica de Tchékhov, a expressividade quase selvagem de Maupassant, o aspecto ameaçador de Poe e Bierce, a energia de Henry Green. Tem talvez o melhor estilo mozartiano de toda a literatura inglesa.» [Mary Lee Settle, Saturday Review]
16.7.09
As Aventuras de Huckleberry Finn em nova tradução na Relógio D’Água
Na próxima semana, a Relógio D’Água publicará uma nova tradução (de Sara Serras Pereira) de As Aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain.

No meio dos mais diversos episódios a solidão faz com que Huck receie não fazer parte do mundo. Mas a solidão é-lhe necessária para sentir a liberdade ou pelo menos, usando a expressão de H. Bloom, «para não renunciar ao desejo de uma permanente imagem de liberdade».
3.7.09
Nova Edição de Crime e Castigo

O crime de Raskólnikov foi inspirado no assassínio de duas mulheres, com um machado, ocorrido em 1865. Mas, pela mão de Dostoievski, transforma-se numa intensa narrativa, um protagonista desenraizado em busca de afirmação, uma obra em que confluem elementos psicológicos, sociais, éticos e filosóficos.
A obra foi inicialmente publicada por capítulos, em 1866, no Mensageiro Russo.
26.6.09
A Violência segundo Žižek: Livro e Vídeo
«O tom que prevalece cada vez mais nas reuniões de Davos é o de um grupo de empresários – alguns dos quais se designam ironicamente a si próprios como “comunistas liberais” – que já não aceitam a oposição entre Davos (o capitalismo global) e Porto Alegre (a alternativa ao capitalismo veiculada pelos novos movimentos sociais). A sua tese é que podemos ter o bolo capitalista global, ou seja prosperar como empresários de sucesso e, além disso, comê-lo, ou seja aprovar as causas anticapitalistas da responsabilidade social e a preocupação ecológica. Assim, Porto Alegre deixa de ser necessário, uma vez que Davos pode transformar-se em Porto Davos.»
19.6.09
Violência e Cartesianismo Segundo Žižek
O primeiro, O Sujeito Incómodo (The Ticklish Subject), é, com Parallax View, uma das suas principais obras filosóficas. O outro, Violência, tem uma relação mais estreita com a actualidade política, cultural e social.

Segundo Žižek um espectro assombra a comunidade académica ocidental. É o fantasma do sujeito cartesiano.
O Sujeito Incómodo desafia as posições de desconstrucionistas e habermasianos, cientistas cognitivos e heideggerianos, feministas e obscurantistas da New Age, ao desenterrar a essência subversiva deste espectro e ao encontrar nela um ponto de referência filosófico indispensável para qualquer política verdadeiramente emancipadora.
Depois de uma primeira parte filosoficamente mais densa, O Sujeito Incómodo torna-se numa leitura desconcertante sobre as questões políticas e culturais da actualidade.
Em Violência, Slavoj Žižek conduz os seus leitores por uma viagem intelectual e artística – desde a Guernica de Picasso, aos filmes de Alfred Hitchcock e M. Night Shyamalan, aos romances de Michel Houellebecq e a uma análise kantiana do furacão Katrina –, para mostrar como as sociedades compreendem, obscurecem ou negam as fontes de violência. Argumenta que a violência talvez possa ser definida com mais rigor pelos espectadores do que pelos criminosos ou as vítimas. Žižek enumera as variedades da violência, mostrando até que ponto ela se tornou inerente à linguagem, economia e religião.
Nascido em 1949, Slavoj Žižek é psicanalista, filósofo, investigador do Instituto de Sociologia na Universidade de Liubliana, na Eslovénia, e professor visitante na New School for Social Research, em Nova Iorque.
Na Relógio D’Água publicou Bem-Vindo ao Deserto do Real, Elogio da Intolerância, As Metástases do Gozo, A Subjectividade por Vir e A Monstruosidade de Cristo.
9.6.09
Porquê Edgar Allan Poe?
Não são muitas as obras de Poe que tenho vontade de reler – o longo poema Eureka, as novelas que iniciaram o género policial e alguns contos indiscutíveis.
Não considero Poe um clássico e estou de acordo com Harold Bloom, que o excluiu do cânone ocidental, embora reconheça ser o mais conhecido escritor norte-americano; ou com Borges, que, «apesar das redundâncias e fraquezas de que sofre cada página», aceita a sua glória.
De facto, poucos escritores tiveram maior capacidade de «contaminação» que Poe. Sob esse aspecto, é comparável a Walt Whitman, Borges ou Pessoa. As obras de Poe influenciaram Dostoiévski, Stevenson, André Gide, e Ginsberg, realizadores como D. H. Griffith e numerosos poetas franceses, incluindo o sofisticado Valéry. Para escritores como Baudelaire que o traduziu e rezava por ele todas as noites, era uma referência obsessiva.
É conhecida a tradução que o autor de As Flores do Mal fez dos seus contos e a versão em prosa feita por Mallarmé de O Corvo influenciou o moderno verso livre europeu quase tanto como as Folhas de Ervas.
Poe inventou o género policial – melhor seria dizer que o «descobriu», pois O Mistério de Marie Rogêt é a reconstituição de um crime real. De qualquer modo iniciou a história de detectives em O Mistério de Marie Rogêt, Os Crimes da Rua Morgue e A Carta Roubada, um género de que o muito original Fernando Pessoa teve alguma dificuldade em desviar-se – depois de o ter mimetizado em A Very Original Dinner. Sem Poe, nem Doyle, nem Collins ou mesmo Chesterton teriam sido possíveis ou os mesmos.
Walter Benjamin sublinhou a importância do conto O Homem da Multidão na criação da literatura em que o indivíduo se perde nas massas urbanas.
Foi sobretudo esse aspecto de «contaminação» que levou à decisão da Relógio D’Água editar duas obras de Poe, O Corvo, que muitos poetas, a começar por Pessoa, traduziram, e o Mistério de Marie Rogêt e O Barril do Amontillado (não fizemos acompanhar O Corvo da conhecida Filosofia da Composição por nos parecer uma mistificadora justificação, a posteriori, do poema.
O nosso projecto será completado com a publicação de vários contos, entre os quais O Caso do Sr. Valdemar, Manuscrito Achado Numa Garrafa, Uma Descida ao Maelstrom e Ligeia.
Para quem se interessa pela vida dos autores, a mais sintética biografia de Poe é dada por J. L. Borges em Edgar Allan Poe – Histórias Extraordinárias, um dos seus Prólogos publicados na Obra Completa.
Francisco Vale
Evelyn Waugh na Relógio D’Água
Em Portugal estão publicados na Cotovia outros livros do autor, como Ente Querido e Um Punhado de Pó.

Evelyn Waugh nasceu em Hampstead em 1903. Estudou em Lancing e no Hertford College em Oxford, onde cursou História Moderna. Em 1927 publicou um livro sobre a vida de Dante Gabriel Rossetti e, em 1928, o seu primeiro romance, Declínio e Queda, em breve seguido de Corpos Vis (1930), Malícia Negra (1932), Um Punhado de Pó (1934) e Enviado Especial (1938). Durante estes anos viajou por quase toda a Europa, Próximo Oriente, África e América do Sul e publicou vários livros de viagens, incluindo Remote People (1931), e Waugh in Abyssinia (1936). Em 1939 foi oficial nos Royal Marines e, mais tarde, nos Royal House Guards, servindo no Médio Oriente e na Jugoslávia. Em 1942 publicou Put Out More Flags e, em 1945, Reviver o Passado em Brideshead. Seguiram-se diversos romances, entre os quais Oficiais e Cavalheiros e Rendição Incondicional. Em 1961 publicou a última obra, A Little Learning, o primeiro volume de uma autobiografia, falecendo cinco anos mais tarde.
8.6.09
1 de Gonçalo M. Tavares Recebe Prémio de Poesia em Belgrado

O livro de poesia 1, que Gonçalo M. Tavares publicou na Relógio D’Água em 2004, recebeu o prémio Treci Trg’ no Festival de Poesia de Belgrado que se realizou em várias cidades da Sérvia, de 25 a 31 de Maio passado.
O escritor português partilhou o prémio com Brian Henry (EUA) e Adam Wiedemann (Polónia). As suas três obras vão ser agora publicadas em edições bilingues, nos idiomas originais e sérvios.
Durante o Festival, Gonçalo M. Tavares participou num encontro em que alguns estudantes de Português leram os seus poemas em sérvio.
Como convidado do Instituto Camões, o autor de Jerusalém deu ainda a aula de encerramento do ano lectivo do Leitorado de Português, na Faculdade de Filologia de Belgrado.
Gonçalo M. Tavares debateu com o grupo Teatro da Cidade Branca a peça que esta companhia universitária levou à cena em 2008, intitulada As três pessoas ou o Sr. Valery dizia..., baseada precisamente num dos livros da série Bairros.
Gonçalo M. Tavares editou recentemente Breves Notas sobre as Ligações – Llansol, Molder e Zambrano (no catálogo da Relógio D’Água figuram também as suas obras A Perna Esquerda de Paris Seguido de Roland Barthes e Robert Musil, Breves Notas sobre Ciência e Breves Notas sobre o Medo).
Gonçalo M. Tavares é já o escritor português vivo mais traduzido depois de José Saramago e António Lobo Antunes.
Os três livros da Enciclopédia — Breves Notas sobre Ciência, Breves Notas sobre o Medo e Breves Notas sobre as Ligações — vão sair brevemente em Espanha, Brasil e México.
5.6.09
Keynes, Freud, o Brasil e o Acordo Ortográfico
A Relógio D’Água vai lançar uma antologia de J. M. Keynes, A Grande Crise e Outros Textos, antes mesmo de poder divulgar a sua obra principal, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, a mais importante contribuição para a teoria económica no século XX. Isto porque um editor do Brasil adquiriu os direitos para toda a língua portuguesa e recusou a sua subcedência, por tencionar usar o Acordo Ortográfico para relançar a exportação da obra para Portugal, Angola e Moçambique.
Também a edição das Obras Escolhidas de Freud na Relógio D’Água teve um percurso irregular por uma editora brasileira ter adquirido direitos para a língua portuguesa. Foi assim que publicámos várias obras de Freud no período em que este esteve no domínio público, quando este se iniciava 50 anos após a morte do autor. Conseguimos negociar recentemente seis títulos de Freud. Os restantes só podem sair a partir de Janeiro de 2010, quando Freud regressar de novo ao domínio público (agora 70 anos post mortem).
O mesmo problema existe para O Ser e o Tempo de Heidegger, e muitas outras obras de referência.
Poderá dizer-se que para o leitor português não há grande diferença entre adquirir uma obra editada em Portugal ou no Brasil, desde que a possa fazer numa livraria do nosso país. Ora não só a sintaxe da língua se mantém diferente e o Acordo deixa em aberto soluções alternativas, como a terminologia científica em psicanálise e economia e outras disciplinas é muito diferente nos dois países.
As obras publicadas no Brasil com direitos para toda a língua portuguesa muitas vezes nem sequer chegam cá e quando aparecem é a um preço exorbitante e apenas em Lisboa ou no Porto. Além disso, as traduções não passam pelo crivo da crítica portuguesa, ficando os leitores na ignorância prévia de se vale ou não a pena comprar o livro.
A situação só poderá ser atenuada com uma estratégia das editoras portuguesas que passe por uma negociação antecipada com as agências internacionais, um investimento mais selectivo em obras de referência, e a instalação no mercado brasileiro – quer directamente, quer por associação com editoras aí existentes.
Francisco Vale


Obras Escolhidas de Freud publicadas na Relógio D’Água:
Uma Recordação de Infância de Leonardo da Vinci
Psicopatologia da Vida Quotidiana
Moisés e Monoteísmo
Totem e Tabu
Sobre os Sonhos
O Mal-Estar na Civilização
Autobiografia Intelectual
Para Além do Princípio do Prazer
Três Ensaios sobre Teoria da Sexualidade
A Interpretação dos Sonhos
Cinco Lições sobre Psicanálise
Os «Ditos de Espírito» na sua relação com o Inconsciente
A Gradiva de Jensen
Luto e Melancolia
Sobre o Narcisismo
Inibição, Sintoma e Angústia
Porquê a Guerra? (com Albert Einstein)
Cinco Psicanálises (Dora, O Homem dos Lobos, O Homem dos Ratos, O Pequeno Hans e O Presidente Schreber)
25.5.09
Em Busca da Identidade - o desnorte de José Gil

Quais são esses processos neste período marcado pela globalização, a crise económica e a hegemonia política do PS?
Que formas assume essa subjectivação quando «a falha de sentido que as promessas por cumprir do 25 de Abril não conseguiram colmatar» foi suprida por antigos hábitos e «mentalidades»?
Reinventando conceitos de Ferenczi e Foucault no sentido de uma abordagem original, José Gil mostra como os portugueses tentaram conquistar «formas de subjectivação individuais em desfasamento ou inadequação aos quadros de vida colectiva que se iam edificando progressivamente».
O autor de Portugal Hoje: O Medo de Existir considera que «fizemos da identidade o território da sujectividade» e «esforçamo-nos por resistir ao “fora” que aí vem, do exterior ou do interior, que ameaça destruir as nossas velhas subjectividades». Em sua opinião, a única maneira de remover o obstáculo da «identidade» é «deixarmos de ser primeiro portugueses para poder existir primeiro como homens».
É à luz dessa preocupação que se analisa o discurso dos actuais governantes que consideram que Portugal entrou «num processo irreversível de modernização», um discurso «anti-ideológico e de via única» em que a avaliação «surge como método universal de formação de identidades».
José Gil aborda em particular o «chico-espertismo» enquanto fenómeno que atravessa todo o «tipo de subjectividade da nossa sociedade, sendo transversal a todas as classes, grupos, géneros e gerações».








