18.6.18

Lincoln no Bardo, de George Saunders, finalista do Golden Man Booker Prize




Foram anunciados no passado dia 26 de Maio os finalistas do Golden Man Booker Prize, um prémio que, no 50.º aniversário do Man Booker Prize pretende comemorar a melhor ficção das últimas cinco décadas. 
Um júri de cinco especialistas (Robert McCrum, Lemn Sissay, Kamila Shamsie, Simon Mayo e Hollie McNish) leu todos os livros premiados e seleccionou cinco finalistas. Além de Lincoln no Bardo, de George Saunders, foram escolhidos In a Free State de V. S. Naipaul; Moon Tiger de Penelope Lively; The English Patient de Michael Ondaatje e Wolf Hall de Hilary Mantel.
O vencedor será anunciado no próximo dia 8 de Julho.

Lincoln no Bardo é o primeiro romance de George Saunders. Nestas páginas, o autor revela-nos o seu trabalho mais original, transcendente e comovedor. A ação desenrola-se num cemitério e, durante apenas uma noite, a história é-nos narrada por um coro de vozes, que fazem deste livro uma experiência ímpar que apenas George Saunders nos conseguiria dar.

Ousado na estrutura, generoso e profundamente interessado nos sentimentos, Lincoln no Bardo é uma prova de que a ficção pode falar sobre as coisas que realmente nos interessam. Saunders inventou uma nova forma narrativa, caleidoscópica e teatral, entoada ao som de diferentes vozes, para nos fazer uma pergunta profunda e intemporal: como podemos viver e amar sabendo que tudo o que amamos tem um fim?

8.6.18

Sessões de Autógrafos na Feira do Livro de Lisboa — 10 de Junho de 2018





Domingo, 10 de Junho, às 18:00, Hélia Correia, Gonçalo M. Tavares, José Gil e Ana Margarida de Carvalho estarão nos pavilhões da Relógio D’Água na Feira do Livro de Lisboa para uma sessão de autógrafos (se não chover).




Sessões de Autógrafos na Feira do Livro de Lisboa — 9 de Junho de 2018





Sábado, 9 de Junho, às 16:00, Gonçalo M. Tavares estará nos pavilhões da Relógio D’Água na Feira do Livro de Lisboa para autografar O Senhor Brecht e o Sucesso, O Senhor Walser e a Floresta, Animalescos, 1, Breves Notas sobre Música e outras obras (se não chover).




Sábado, 9 de Junho, às 18:00, António Barreto estará nos pavilhões da Relógio D’Água na Feira do Livro de Lisboa para autografar Tempo de Escolha; De Portugal para a Europa; Anos Difíceis; Fotografias; e outras obras (se não chover).

Sobre O Quarto de Marte, de Rachel Kushner




Rachel Kushner em entrevista a Isabel Lucas, a propósito da edição do romance Quarto de Marte

«Entrou em prisões como voluntária, falou com reclusas, guardas, advogados. Queria que a sua vida os incluísse. Como se vive com o “para sempre” de uma pena perpétua numa prisão de mulheres da Califórnia? Um mergulho no íntimo mais negro, com humor para sobreviver: O Quarto de Marte, edição simultânea em Portugal e nos EUA. (…)
“Sempre me perturbou o facto de as pessoas ficarem numa prisão para toda a vida. É uma coisa muito americana, e uma ideia bizarra de punição; resulta de uma decisão estruturalmente arbitrária. Nunca se sabe quanto tempo uma pessoa irá viver. Podem ser quatro ou 40 anos, mas é como se com a vida pudessem reparar os danos que causaram. É muito estranho”, diz a partir de Londres, onde está a promover este romance com edição simultânea em língua inglesa e em Portugal e que tem sido classificado como o mais político dos seus livros. Será? Se assim for, é também o mais negro e o mais divertido, o mais livre de um enredo, mas o mais comprometido com uma personagem a partir da qual tudo se estrutura: Romy, a rapariga educada no silêncio de uma mãe que lhe deu o nome de uma mulher trágica. “A minha mãe deu-me o nome de uma actriz alemã que disse a um assaltante de bancos, num programa de televisão, que gostava muito dele.” Nessa frase parece traçado um destino de sombra.
ideia do romance terá surgido em 2012, quando Rachel terminou Os Lança-Chamas, romance situado nos anos 1970, com os movimentos políticos radicais na Europa a contaminarem o imaginário americano. Isso feito, era tempo de entender o seu tempo e a sua geografia com um foco preciso: o sistema prisional da Califórnia nos anos da Administração Bush.
“Sabia que queria escrever um romance contemporâneo, e isso mudava muita coisa, já que ao fazê-lo se pede ao escritor que sintetize algum tipo de significado do que observa no seu próprio tempo. Eu queria escrever um livro sobre o mundo em que vivia e as mudanças que aconteceram desde os anos 1970”, sintetiza. Referindo em particular a Califórnia e São Francisco, não tem dúvidas, “as mudanças são de vulto”, com um factor a condicionar os outros: “A transição de uma economia industrial para um capitalismo financeiro excluiu muita gente.”
Romy pertence aos excluídos. Rachel nem por isso, apesar de terem partilhado — ficção e realidade — o mesmo bairro em São Francisco. Natural de Oregon, onde nasceu em 1968, filha de dois cientistas beatnick, mudou-se para “Frisno” (diminutivo da cidade) com dez anos e fez lá toda a escola.

“Talvez por isso quisesse, finalmente, entender como é que a sociedade se estruturou ali, no lugar de onde sou, onde vivo.”» [Isabel Lucas, ípsilon, Público, 8/6/18]

Sobre Diários, de Virginia Woolf




«O que é que fica da leitura deste Diário? Admiração, compaixão, perplexidade, dúvidas, revolta, a descoberta dos passos de um processo criativo, a intimidade com alguém cuja genialidade se impõe, naturalmente. Como sombras, acompanhamos Virginia no seu mundo, tanto interior como exterior. Conhecemos as suas casas, o percurso dos seus passeios, a sua fé em Leonard, a cumplicidade com a irmã, Vanessa; as amizades literárias com Tom (T.S. Eliot) e Morgan (E. M. Forster), a intimidade com  Lytton Strachey — com quem pensou casar , apesar de ele ser homossexual — e com o cunhado, Clive Bell, o objecto de um flirt que desencadeou uma tempestade entre as duas irmãs; a rivalidade/inimizade /amizade com Katherine Mansfield, quase o seu alter ego; a paixão física por Vita que admirava pelos seus modos , as suas pernas de gazela, o à vontade aristocrático, embora não se coibisse de notar a sua fraca inteligência e mediocridade literária; o desprezo (e inveja) em relação a Joyce que ela não quis publicar na Hogarth Press; a sua feroz ironia  e o exercício da “má língua”, característica dos membros do Bloomsbury Group; as suas convicções socialistas, apoiadas por Leonard, em permanente confronto com o seu elitismo intelectual; a sua energia maníaca — a trabalhar na editora, a escrever sem parar, a proferir conferências, a viajar, a receber amigos — e as suas crises de depressão que a isolavam do mundo; a sua necessidade de se destacar e a sua paralisante timidez; o seu desejo de simplicidade e a atracção pelo fausto e pelos poderosos.
Este Diário é uma obra-prima que rivaliza com o de Samuel Pepys — que, na Inglaterra da Restauração, descreveu minuciosamente as convulsões sociais em larga escala e os detalhes comezinhos da sua vida doméstica — e com os de Rousseau, Chateaubriand, Stendhal, Thomas Hardy e Ruskin, que Virginia particularmente apreciava. Woolf revela-se, aqui, íntima e profundamente, ao longo dos anos, desde mulher ainda jovem — embora comece cedo a dizer-se velha — até esses fatídicos dias em que a sua mente perdeu amarras e desistiu de lutar... e de escrever.» [Helena Vasconcelos, ípsilon, Público, 8/6/18]

Sobre China em Dez Palavras, de Yu Hua




«Os imponentes museus da História da China e da Revolução Chinesa, erguidos em 1959 no lado oriental da Praça Tiananmen, o centro físico e político de Pequim, fundiram-se há 15 anos numa nova instituição, chamada Museu Nacional da China. Não, a revolução não passou à história. A China tornou-se a segunda economia mundial, ultrapassando a Alemanha e o Japão, mas “por trás deste milagre económico está um forte par de mãos, que se chama revolução”, diz o romancista Yu Hua no livro “China em Dez Palavras”. TRata-se do único título de não-ficção do autor e, tal como “Crónica de Um Vendedor de Sangue”, o seu primeiro romance publicado em Portugal, em 2017, foi traduzido diretamente do chinês.
“Revolução” é uma das dez palavras destacadas por Yu Hua para descrever o seu país: “as mobilizações revolucionárias do tipo do Grande Salto em Frente, assim como a violência revolucionária ao estilo da Revolução Cultural, são elementos fundamentais do nosso milagre económico”. A Revolução — explica o autor — “leva a vida para terrenos desconhecidos, e o destino de uma pessoa pode transformar‑se por completo […]. Os laços entre as pessoas tornam‑se igualmente instáveis, pois os que hoje são companheiros de luta amanhã podem transformar‑se em inimigos de classe”.» [António Caeiro, E, Expresso, 2/6/2018]

Sobre Ensaios — Antologia, de Michel de Montaigne




Um dos Livros do Dia de hoje nos pavilhões da Relógio D'Água na Feira do Livro de Lisboa.


«Na coleção Clássicos para Leitores de Hoje, a Relógio D’Água reúne alguns dos textos essenciais daquele que é considerado o criador do ensaio enquanto género literário. A amplitude dos temas corresponde à ilimitada curiosidade intelectual do homem que se fechou numa torre para melhor ver o mundo, escrevendo tanto sobre a liberdade de consciência e a vaidade como sobre coches e a “inconstância das nossas ações”.» [Expresso, 2/7/16]