20.6.18

Sobre Alguma Coisa Tem de Chover, de Karl Ove Knausgård




«[E]sta é uma obra para os que querem mais uma oportunidade de imergir na mente de um escritor que, para o bem e para o mal, conseguiu criar um lugar único para si. E se o dramatismo austero e a devassa da vida privada podem ser a causa da chegada de uma pessoa a esta obra, o que faz ficar é a forma como o autor, por entre tudo isso, nos traz aquilo que há de mais importante para si: o quotidiano.» [Miguel Fernandes Duarte, Comunidade Cultura e Arte, 25/6/18]

Enrique Vila-Matas compara personagem de Gonçalo M. Tavares às de Kafka




No suplemento Babelia do El País de 28 de Maio de 2018, Enrique Vila-Matas aborda a “questão da percepção em Kafka”.
A propósito da “situação de brutal impossibilidade do indivíduo perante a máquina devastadora do poder”, o escritor espanhol invoca a personagem Theodor Buschbeck no romance Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares:

“ese médico obsesionado con encontrar una fórmula matemática capaz de percibir los futuros crímenes de la humanidad. Nada extraño que hayamos desembocado en Tavares, porque, justo cuando ha llegado ya de verdad el futuro, es uno de los contemporáneos que con mayor ingenio profundiza en las percepciones de Kafka.” [Texto completo em https://elpais.com/cultura/2018/05/28/actualidad/1527514491_376003.html]


Fotografia de Gonçalo Rosa da Silva.

19.6.18

A chegar às livrarias: Breves Notas sobre Literatura-Bloom, de Gonçalo M. Tavares (posfácio de Borja Bagunyà)





«Há infinitas maneiras (definitivas) de fazer literatura. Este é um Dicionário da Literatura‑Bloom. Podemos ser definitivos numa direcção uma vez e, depois, na vez seguinte, ser definitivos, completamente, entusiasmadamente, mas noutra direcção. Noutros lados, claro, sigo por vezes percursos inimigos e velocidades diferentes.
Dois livros‑Bloom:

A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil (e talvez ainda Biblioteca)
e
Uma Viagem à Índia

Sendo que Uma Viagem à Índia é muitos híbridos; e A Perna Esquerda… talvez também não seja, em definitivo, um puro literatura‑Bloom.
De facto, talvez nem mesmo este dicionário seja um Bloom‑puro. E assim parece‑me que está bem.» [Da Nota Inicial]

18.6.18

Lincoln no Bardo, de George Saunders, finalista do Golden Man Booker Prize




Foram anunciados no passado dia 26 de Maio os finalistas do Golden Man Booker Prize, um prémio que, no 50.º aniversário do Man Booker Prize pretende comemorar a melhor ficção das últimas cinco décadas. 
Um júri de cinco especialistas (Robert McCrum, Lemn Sissay, Kamila Shamsie, Simon Mayo e Hollie McNish) leu todos os livros premiados e seleccionou cinco finalistas. Além de Lincoln no Bardo, de George Saunders, foram escolhidos In a Free State de V. S. Naipaul; Moon Tiger de Penelope Lively; The English Patient de Michael Ondaatje e Wolf Hall de Hilary Mantel.
O vencedor será anunciado no próximo dia 8 de Julho.

Lincoln no Bardo é o primeiro romance de George Saunders. Nestas páginas, o autor revela-nos o seu trabalho mais original, transcendente e comovedor. A ação desenrola-se num cemitério e, durante apenas uma noite, a história é-nos narrada por um coro de vozes, que fazem deste livro uma experiência ímpar que apenas George Saunders nos conseguiria dar.

Ousado na estrutura, generoso e profundamente interessado nos sentimentos, Lincoln no Bardo é uma prova de que a ficção pode falar sobre as coisas que realmente nos interessam. Saunders inventou uma nova forma narrativa, caleidoscópica e teatral, entoada ao som de diferentes vozes, para nos fazer uma pergunta profunda e intemporal: como podemos viver e amar sabendo que tudo o que amamos tem um fim?

8.6.18

Sessões de Autógrafos na Feira do Livro de Lisboa — 10 de Junho de 2018





Domingo, 10 de Junho, às 18:00, Hélia Correia, Gonçalo M. Tavares, José Gil e Ana Margarida de Carvalho estarão nos pavilhões da Relógio D’Água na Feira do Livro de Lisboa para uma sessão de autógrafos (se não chover).




Sessões de Autógrafos na Feira do Livro de Lisboa — 9 de Junho de 2018





Sábado, 9 de Junho, às 16:00, Gonçalo M. Tavares estará nos pavilhões da Relógio D’Água na Feira do Livro de Lisboa para autografar O Senhor Brecht e o Sucesso, O Senhor Walser e a Floresta, Animalescos, 1, Breves Notas sobre Música e outras obras (se não chover).




Sábado, 9 de Junho, às 18:00, António Barreto estará nos pavilhões da Relógio D’Água na Feira do Livro de Lisboa para autografar Tempo de Escolha; De Portugal para a Europa; Anos Difíceis; Fotografias; e outras obras (se não chover).

Sobre O Quarto de Marte, de Rachel Kushner




Rachel Kushner em entrevista a Isabel Lucas, a propósito da edição do romance Quarto de Marte

«Entrou em prisões como voluntária, falou com reclusas, guardas, advogados. Queria que a sua vida os incluísse. Como se vive com o “para sempre” de uma pena perpétua numa prisão de mulheres da Califórnia? Um mergulho no íntimo mais negro, com humor para sobreviver: O Quarto de Marte, edição simultânea em Portugal e nos EUA. (…)
“Sempre me perturbou o facto de as pessoas ficarem numa prisão para toda a vida. É uma coisa muito americana, e uma ideia bizarra de punição; resulta de uma decisão estruturalmente arbitrária. Nunca se sabe quanto tempo uma pessoa irá viver. Podem ser quatro ou 40 anos, mas é como se com a vida pudessem reparar os danos que causaram. É muito estranho”, diz a partir de Londres, onde está a promover este romance com edição simultânea em língua inglesa e em Portugal e que tem sido classificado como o mais político dos seus livros. Será? Se assim for, é também o mais negro e o mais divertido, o mais livre de um enredo, mas o mais comprometido com uma personagem a partir da qual tudo se estrutura: Romy, a rapariga educada no silêncio de uma mãe que lhe deu o nome de uma mulher trágica. “A minha mãe deu-me o nome de uma actriz alemã que disse a um assaltante de bancos, num programa de televisão, que gostava muito dele.” Nessa frase parece traçado um destino de sombra.
ideia do romance terá surgido em 2012, quando Rachel terminou Os Lança-Chamas, romance situado nos anos 1970, com os movimentos políticos radicais na Europa a contaminarem o imaginário americano. Isso feito, era tempo de entender o seu tempo e a sua geografia com um foco preciso: o sistema prisional da Califórnia nos anos da Administração Bush.
“Sabia que queria escrever um romance contemporâneo, e isso mudava muita coisa, já que ao fazê-lo se pede ao escritor que sintetize algum tipo de significado do que observa no seu próprio tempo. Eu queria escrever um livro sobre o mundo em que vivia e as mudanças que aconteceram desde os anos 1970”, sintetiza. Referindo em particular a Califórnia e São Francisco, não tem dúvidas, “as mudanças são de vulto”, com um factor a condicionar os outros: “A transição de uma economia industrial para um capitalismo financeiro excluiu muita gente.”
Romy pertence aos excluídos. Rachel nem por isso, apesar de terem partilhado — ficção e realidade — o mesmo bairro em São Francisco. Natural de Oregon, onde nasceu em 1968, filha de dois cientistas beatnick, mudou-se para “Frisno” (diminutivo da cidade) com dez anos e fez lá toda a escola.

“Talvez por isso quisesse, finalmente, entender como é que a sociedade se estruturou ali, no lugar de onde sou, onde vivo.”» [Isabel Lucas, ípsilon, Público, 8/6/18]