22.1.20

Sobre Pensamentos, de Blaise Pascal




«Pascal oferece muito sobre que o mundo moderno faria bem em pensar. E de facto, por causa da sua combinação e equilíbrio únicos de qualidades, não sei de nenhum escritor religioso mais pertinente para o nosso tempo. Os grandes místicos, como São João da Cruz, são em primeiro lugar para leitores com um objectivo especialmente determinado; os escritores devotos, como São Francisco de Sales, são em primeiro lugar para aqueles que já se sentem conscientemente desejosos do amor de Deus; os grandes teólogos são para os interessados em teologia. Todavia, não consigo pensar em nenhum autor cristão, nem mesmo Newman, que mais do que Pascal devesse ser recomendado àqueles que duvidam, mas que têm a capacidade intelectual para conceber e a sensibilidade para sentir a desordem, a futilidade, a ausência de sentido, o mistério da vida e do sofrimento, e que apenas conseguem encontrar paz através da satisfação de todo o ser.» [Da Introdução de T. S. Eliot]

Pensamentos (trad. Miguel Serras Pereira) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/pensamentos-2/

Sobre Ética, de Baruch de Espinosa




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Ética, de Baruch de Espinosa (tradução, introdução e notas de Diogo Pires Aurélio)

«São muitas as razões que fazem deste livro uma obra singular, a menor das quais não é, certamente, o seu título: “Ética Demonstrada segundo a Ordem Geométrica”. Porquê Ética, se as questões do bem e do mal só aparecem na Parte IV, depois de as três primeiras especularem sobre ontologia, epistemologia, física e psicologia, e se, além disso, desde ainda antes da sua publicação, o livro foi sempre visto como um libelo ateísta, inspirado em Lucrécio e na forma como este encara “a natureza das coisas”?» [Da Introdução]

«Penso que Espinosa tem de ser sentido como um santo. Penso que todos temos de lamentar o facto de não o termos conhecido pessoalmente, tal como deploramos não ter conhecido, pelo menos é o que me acontece a mim, Berkeley e Montaigne.» [J. L. Borges]

«Espinosa é profundamente relevante para a discussão sobre a emoção e os sentimentos humanos. (…) A alegria e a tristeza foram dois conceitos fundamentais na sua tentativa de compreender os seres humanos e sugerir maneiras de a vida ser mais bem vivida.» [António Damásio, Ao Encontro de Espinosa]

«Pode dizer-se que todo o filósofo tem duas filosofias, a sua e a de Espinosa.» [Henri Bergson]

Sobre Do Amor, de Stendhal




«Vemos que a matemática de Stendhal se torna imediatamente complicadíssima: a quantidade de felicidade é por um lado uma grandeza objectiva, proporcional à quantidade de beleza; por outro é uma grandeza subjectiva, na sua projecção à escala hipermétrica da paixão amorosa. Não é em vão que este capítulo XVII, um dos mais importantes do nosso tratado, se intitula “A beleza destronada pelo amor”. Mas então até na beauté passa a linha invisível que divide todos os sinais e podemos aí distinguir um aspecto objectivo — aliás difícil de definir — de quantidade de beleza absoluta, e o aspecto subjectivo do que é belo para nós, composto de “cada nova beleza que se descobre em quem se ama”. A primeira definição de beleza que o tratado dá, no capítulo XI, é “uma nova capacidade de dar prazer”. Segue-se uma página sobre a relatividade do que é beleza, exemplificada com duas personagens fictícias do livro: para Del Rosso o ideal de beleza é uma mulher que a todo o momento sugere o prazer físico, e para Lisio Visconti deve incitar ao amor-paixão.» [Italo Calvino sobre Do Amor, em Porquê Ler os Clássicos?]


Esta e outras obras de Stendhal estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/stendhal/


Adaptação televisiva de Pessoas Normais, de Sally Rooney




O livro Pessoas Normais, publicado em 2019 pela Relógio D’Água, foi adaptado para série de televisão e estreará este ano na Hulu e na BBC.
A autora do romance, Sally Rooney, co-escreveu alguns episódios, realizados por Lenny Abrahamson e Hettie Macdonald.
As personagens principais, Marianne e Connell, são representadas por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal. Foi recentemente divulgado o trailer da série de 12 episódios. Mais informação aqui.

Connell e Marianne cresceram na mesma pequena cidade da Irlanda, mas as semelhanças acabam aqui. Na escola, Connell é popular e bem-visto por todos, enquanto Marianne é uma solitária que aprendeu com dolorosas experiências a manter-se à margem dos colegas. Quando têm uma animada conversa na cozinha de Marianne — difícil, mas eletrizante —, as suas vidas começam a mudar.

Pessoas Normais é uma história de fascínio, amizade e amor mútuos, que acompanha a vida de um casal que tenta separar-se mas que acaba por entender que não o consegue fazer. Mostra-nos como é complicado mudar o que somos. E, com uma sensibilidade espantosa, revela-nos o modo como aprendemos sobre sexo e poder, o desejo de magoar e ser magoado, de amar e ser amado.

21.1.20

Sobre Louvor da Terra — Uma Viagem ao Jardim, de Byung-Chul Han




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Louvor da Terra — Uma Viagem ao Jardim, de Byung-Chul Han, com ilustrações de Isabella Gresser (trad. Miguel Serras Pereira)

Um dia senti uma profunda nostalgia e, além da nostalgia, uma necessidade premente de proximidade da terra. Por isso tomei a decisão de praticar diariamente jardinagem.”

Louvor da Terra não é um ensaio filosófico semelhante aos antes escritos por Byung-Chul Han.
Situando-se entre a filosofia e a poesia, a obra regista as reflexões de Byung-Chul Han sobre o tempo que dedica ao seu jardim.
Louvor da Terra leva-nos a tomar consciência da ameaçada beleza do nosso planeta, num tempo em que se vai adquirindo a perceção de que, a médio prazo, algumas das suas regiões poderão tornar-se inabitáveis.
A Terra cria vida e renova-a. Este poder pode ser entendido na jardinagem. Mais do que uma técnica, o cultivo das plantas é uma arte em que se pratica a meditação.
O livro é ilustrado com as plantas que Byung-Chul Han cultiva no seu jardim.


Esta e outras obras de Byung-Chul Han estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/byung-chul-han/

Sobre Morte em Pleno Verão e Outros Contos, de Yukio Mishima




«Neste conjunto de nove contos e um texto que o autor descreve como uma “peça No moderna”, Yukio Mishima revela aos leitores a extensão do seu talento, ao explorar uma variedade de caminhos até à complexa personalidade japonesa.» 
[Robert Trumbull, The New York Times, 01-05-1966]

Morte em Pleno Verão e Outros Contos e O Tumulto das Ondas estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/y-mishima/

Sobre A Mão Esquerda das Trevas, de Ursula K. Le Guin




Considerada uma obra maior da ficção científica, A Mão Esquerda das Trevas conta a história de um viajante solitário terrestre, enviado em missão para Inverno.
O objetivo da missão é permitir que Inverno seja incluído numa civilização galáctica. Os seus dois regimes políticos mais importantes são uma monarquia governada por um rei extravagante e um regime comunal, dirigido por uma burocracia minuciosa e racionalista.
Mas o mais estranho para o enviado terrestre é a particular androginia dos habitantes, que apenas numa dada fase assumem uma forma inteiramente feminina ou masculina, podendo ao mesmo tempo ser mães de umas crianças e pais de outras.
Este contacto com um modo de pensar diferente e as suas consequências nas relações pessoais e sociais permite alargar a compreensão da nossa própria realidade.

«Le Guin, mais do que Tolkien, elevou a fantasia à alta literatura, para o nosso tempo.» [Harold Bloom]


A Mão Esquerda das Trevas, com tradução de Fátima Andrade, está disponível aqui: https://relogiodagua.pt/produto/a-mao-esquerda-das-trevas/