23.2.18

Mataram a Cotovia na Broadway




A obra que valeu um Pulitzer a Harper Lee teve uma adaptação cinematográfica em 1962 (de Robert Mulligan) e em 2017 deverá estar em cena na Broadway em 2018-2019.
O espectáculo terá co-produção de Scott Rudin e do Lincoln Center Theater, e o texto será adaptado por Aaron Sorkin. 

O actor Jeff Daniels interpretará o papel de Atticus Finch.

Juan Gabriel Vásquez vence Prémio Correntes d’Escritas 2018, com segundo lugar para Jaime Rocha





No dia inaugural do Festival Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, foi anunciado o vencedor do prémio homónimo, para que foram seleccionados 14 finalistas, entre eles Jaime Rocha, com Escola de Náufragos, e Ana Teresa Pereira, com Karen (ambos publicados pela Relógio D’Água).A obra de Jaime Rocha recebeu dois dos cinco votos do júri, constituído por Fernando Pinto do Amaral, José Mário Silva, Maria de Lurdes Sampaio, Teresa Martins Marques e Javier Rioyo.
Fernando Pinto de Amaral elogiou “a depuração estilística e a qualidade poética” da escrita de Jaime Rocha. Teresa Martins Marques votou no livro de Jaime Rocha por ver nele uma “obra reveladora de uma dinâmica fragmentária e de um lirismo de excelência, criando uma poderosa alegoria da vida através de uma nebulosa onírica filiada na tradição literária do Raul Brandão de Húmus e de Os Pescadores”.

O Prémio, que este ano distingue uma obra de ficção, foi atribuído ao colombiano Juan Gabriel Vázquez, pelo romance A Forma das Ruínas. Os outros finalistas eram Rentes de Carvalho, Isabela de Figueiredo, Bruno Vieira Amaral, Ana Margarida de Carvalho, João Ricardo Pedro, Djaimilia Pereira de Almeida, João Pedro Porto, João Paulo Borges Coelho, Julián Fuks, Enrique Vila-Matas e Juan Marsé.

A chegar às livrarias: Na Rússia com Rilke — Diário da Viagem com Rainer Maria Rilke em 1900, de Lou Andreas-Salomé (trad. de Ana Falcão Bastos)





Este diário de viagem, iniciado em Moscovo em abril e terminado em agosto de 1900, é um documento da maior importância para compreender a evolução de Lou Andreas-Salomé. 
Nesta viagem, Lou reencontra o país da sua infância. É uma época em que alcança a maturidade, e o destino surge-lhe com uma promessa de plenitude. O diário é ocasião de uma descoberta de si própria, pois a viagem é para ela uma realização do seu ser.

A Rússia evocada é também a de Tolstoi, que os dois viajantes — Rilke e Andreas-Salomé — visitam, e a dos movimentos que anunciam a Revolução de Outubro de 1917.

22.2.18

Eduardo Pitta escreveu sobre«Porquê Este Mundo», de Benjamin Moser, para a revista Sábado






«Moser é um americano do Texas que estudou em Paris e viveu vários anos no Brasil. Os primeiros autores que leu em português foram Machado de Assis e Clarice: nunca mais foi o mesmo depois de ler A Hora da Estrela. A vida de Clarice dava um romance e, nessa medida, não virá mal ao mundo se lermos como tal Porquê Este Mundo. Publicada em 2009, esta biografia revela-nos uma Clarice em grande angular. Sem beliscar o rigor intelectual da pesquisa, a escrita ágil do autor torna a leitura aliciante. Chaya Lispector nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia (então território russo), em Dezembro de 1920, no seio de uma família judaica. O desemprego, a fome e os pogroms anti-semitas tornavam a vida insustentável. Impedida de emigrar para os Estados Unidos, a família foi para o Brasil em 1921. Chegados a Maceió, mudaram todos de nome, e Chaya virou Clarice. Assim nasceu aquela que viria a ser uma lenda da vida literária brasileira, a Esfinge, como era conhecida. Moser detalha os pormenores da odisseia migratória, contextualizando a situação política da Europa no pós-Primeira Guerra Mundial. O autor acompanha também o dia-a-dia de Clarice nas suas diversas fases: criança, adolescente, curso de Direito, casamento com o diplomata Maury Gurgel Valente, mãe, escritora. Os anos no estrangeiro (1944-59) na companhia do marido, os dois filhos, o divórcio (1959), as depressões, o cão Ulisses, o trágico incêndio de 1966 (adormeceu a fumar), a mão inutilizada, a doença e, na véspera de completar 57 anos, a morte por cancro nos ovários. Como disse Paulo Francis, Converteu-se na sua própria ficção. Moser não descura a obra — romances, contos e crónicas —, analisada sob vários ângulos, por vezes em close reading, desde o abalo causado pelo primeiro livro, Perto do Coração Selvagem (1943), autêntico sismo na ficção escrita em português. Mas também os sobressaltos editoriais, a recepção crítica, as traduções, os encontros e desencontros, rumores e mal-entendidos. Uma vida. Além de índice remissivo, o volume inclui 60 páginas de notas, bibliografia e portfolio fotográfico.» [a partir do blogue Da Literatura, 22/2/2018]

A chegar às livrarias: Os Três Crimes dos Meus Amigos, de Georges Simenon (trad. de Ângelo Ferreira de Sousa)





É embaraçoso! Ainda há pouco — que digo eu? —, ainda há um instante apenas, enquanto escrevia o título, estava convencido de que ia começar a minha narrativa como se iniciam os romances e que a única diferença seria a sua veracidade. 
Mas eis que descubro, subitamente, o que faz o artifício do romance, o que faz com que nunca possa ser uma imagem da vida: um romance tem um começo e um fim!
Hyacinthe Danse matou a amante e a sua própria mãe no dia 10 de maio de 1933. Mas quando é que o crime realmente começou? Terá sido em Liège, quando ele publicava o jornal Nanesse, do qual um acaso inverosímil me fez, aos dezassete anos, um dos fundadores? Terá sido quando, em companhia de Deblauwe, deambulávamos pelas ruas da cidade? Ou terá sido bem antes, durante a guerra, quando umas miúdas nos sussurravam que, por trás das portadas fechadas de uma certa livraria…
E Deblauwe? Em que momento se tornou ele um assassino? E o Fakir?”

“Um dos maiores escritores do século XX.” [The Guardian]

“Adoro ler Simenon. Faz-me lembrar Tchékhov.” [William Faulkner]

“Simenon é autor de várias obras-primas do século XX.” [John Banville]

“O maior e mais genuíno romancista de toda a literatura.” [André Gide]


“Um escritor maravilhoso… Lúcido, simples, em perfeita sintonia com o que escreve.” [Muriel Spark]

20.2.18

Clarice Lispector no retiro do Papa Francisco





Clarice Lispector é um dos autores que o padre e poeta Tolentino Mendonça vai levar para ser uma das referências do exercício espiritual do Papa Francisco, que terá lugar dia 23 de Fevereiro, na Casa “Divin Maestro” di Ariccia, nos arredores de Roma, como contou à jornalista Antonella Palermo, do Vatican News.
Deus, afirmou o padre Tolentino, não é sobretudo um enigma, é apenas algo de invisível. Em Jesus tornou-se nosso próximo, por isso nos exercícios espirituais o mais importante é estar inteiramente aberto a essa vizinhança.
Tolentino afirma ter-se inspirado na poesia de Emily Dickinson quando escrevia que “a sede ensina o caminho para a água”, mas também em Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Antoine de Saint-Exupéry e o escritor Tonino Guerra.

Relógio D’Água publica a obra de Gonçalo M. Tavares






A Relógio D’Água chegou a acordo com Gonçalo M. Tavares para nos próximos anos concentrar a publicação das suas obras na editora.
A partir de agora, os seus novos livros — à excepção de alguns para que já existam compromissos de publicação — sairão na Relógio D’Água, que procederá igualmente à reedição das suas obras à medida que forem ficando disponíveis.
Será mantida a organização por séries já existente (O Bairro, a Enciclopédia, etc.), procedendo-se por vezes à alteração do grafismo e ao agrupamento de livros saídos nas mesmas colecções.
Espera-se deste modo facilitar e alargar o contacto de Gonçalo M. Tavares com os seus leitores.
Gonçalo M. Tavares é autor de uma vasta obra traduzida em cerca de cinquenta países, sendo por isso um dos escritores mais traduzidos na história da literatura portuguesa.
Recebeu importantes prémios em Portugal e no estrangeiro. Em Portugal, obteve o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, o Prémio Literário José Saramago, o Fernando Namora e o Prémio Vergílio Ferreira.
Em França, Aprender a Rezar na Era da Técnica foi premiado com o Prix du Meilleur Livre Étranger em 2010. Recebeu ainda o Premio Internazionale Trieste Poesia em 2008, o Prémio Belgrado Poesia em 2009, o Grand Prix Littéraire du Web Cultura em 2010 e duas vezes o Prémio Oceanos no Brasil, tendo sido finalista por diversas vezes do Prix Médicis e do Prix Femina.
A sua linguagem em ruptura com as tradições líricas portuguesas e a subversão dos géneros literários fazem dele um dos mais inovadores escritores europeus da actualidade. 
Saramago vaticinou-lhe o Prémio Nobel. Vasco Graça Moura escreveu que Uma Viagem à Índia dará ainda que falar dentro de cem anos. Alberto Manguel considerou-o um dos grandes autores universais. Em entrevista recente, Vila-Matas comparou-o a Kafka e Lobo Antunes. O mesmo já fizera a The New Yorker, afirmando que, tal como em Kafka e Beckett, Gonçalo M. Tavares mostrava que a “lógica pode servir eficazmente tanto a loucura como a razão”.
O próximo livro a publicar será Dicionário sobre Literatura Bloom e, entre as reedições previstas para este ano, estão O Senhor Walser e a Floresta, O Senhor Brecht e o Sucesso, Livro da Dança, Animalescos, Atlas do Corpo e da Imaginação, e duas obras para o público infanto-juvenil, Os Dois Lados e Os Amigos.
Gonçalo M. Tavares junta-se assim no catálogo da Relógio D’Água (onde já tinha várias obras) a autores como José Cardoso Pires, Agustina Bessa-Luís e Hélia Correia.

Melhores cumprimentos,
Francisco Vale

Lisboa, 19 de Fevereiro de 2018

[fotografia de Teresa Sá]