22.6.18

Sobre O Manto, de Agustina Bessa-Luís




No âmbito da iniciativa Ano Agustina, mensalmente, ao longo de 2018, a Comunidade Cultura e Arte publicará uma crítica a um dos livros de Agustina Bessa-Luís, do catálogo reeditado pela Relógio D’Água.
No dia 27 de Maio foi publicado o texto de Tiago Vieira da Silva sobre «O Manto»:

«Na obra O Manto, de Agustina Bessa-Luís, o que lhe dá o título enovela as várias personagens do Porto de finais dos anos cinquenta do século XX, em simultâneo com a família de Job, entrecruzando-as e às suas experiências num ensaio visionário sobre a natureza humana – donde irrompem tanto as paixões como, também, a perversidade que já vários apontaram a Agustina, e que ela refuta, no entanto, sublinhando a diferença entre o saber-se o que é a perversidade, e sê-lo, de facto.
O urbano e o rural confluem na representação de uma sociedade e das referências provincianas nos seus costumes e hábitos, ilustrando um retrato social que nos é revelado nas intermitências do «desenho nítido das paisagens», como referiu Teixeira de Pascoaes na carta que enviou a Agustina a propósito de Mundo Fechado (1948), a primeira obra publicada pela autora – um desenho que ele louvou pela veemência com que o feriu «a figura esboçada do personagem principal». Em O Manto, contudo, não há apenas um personagem principal, mas vários, que Agustina mergulha na melancolia, na inquietude, na incerteza, processo do qual é extraída a força propulsora da história, ou, melhor dizendo, das várias histórias que se encadeiam na narrativa.» [Texto completo em: https://www.comunidadeculturaearte.com/ano-agustina-o-manto-ou-as-historias-que-ficam-por-contar/ ]

21.6.18

A chegar às livrarias: Filosofia do Budismo Zen, de Byung-Chul Han (trad. Miguel Serras Pereira)





O budismo zen é uma forma de budismo originário da China e tem uma orientação meditativa. Caracteriza-se por uma atitude cética em relação à linguagem e ao pensamento conceptual.
Neste breve ensaio, Byung-Chul Han propõe-se refletir de modo filosófico sobre um objeto que não implica nenhuma filosofia em sentido estrito. Por isso procura fazer uma abordagem linguística a propósito do uso do silêncio e da linguagem enigmática.

Este ensaio é um filosofar sobre e com o budismo zen para captar a força filosófica que lhe é inerente. Como afirma Byung-Chul Han, “desenvolve-se através de comparações” da filosofia de Platão, Leibniz, Fichte, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche e Heidegger “com os pontos de vista filosóficos do budismo zen”.

15.º Congresso Internacional do Conto em Inglês na FLUL em Junho





Está confirmada a participação de mais de cem escritores de tudo o mundo, incluindo vários autores portugueses, como Hélia Correia, Maria Teresa Horta, Lídia Jorge, Luísa Costa Gomes, Ana Luísa Amaral, Gonçalo M. Tavares, Mário de Carvalho, Alexandre Andrade, Jacinto Lucas Pires, Onésimo Almeida e Rui Zink. Dos escritores estrangeiros marcará presença, entre outros, Robert Olen Butler (Pulitzer Prize), Clark Blaise (Lifetime Achievement Award da Academia Americana de Artes e Letras), Ge Liang (Unitas Fiction Writer’s Prize of Taiwan), os luso-americanos Katherine Vaz e Darrell Kastin, ou da lusodescendente Minoli Salgado do Sri Lanka.

Nestes dias haverá palestras, painéis temáticos, sessões de leitura pelos próprios autores, bem como oportunidades diversas de diálogo e discussão entre escritores, académicos e público em geral. Estão programados vários workshops de escrita criativa, sendo necessária uma inscrição prévia.


O Congresso assinala o 30.º aniversário da Society for the Study of the Short Story, a segunda vez que Lisboa é escolhida como cidade anfitriã, sendo este evento uma organização conjunta entre esta sociedade internacional e o Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (CEAUL)/ FLUL.

Sobre Obra Completa, de Arthur Rimbaud




Carlos Vaz Marques falou sobre Obra Completa, de Arthur Rimbaud, no programa Livro do Dia, da TSF, no dia 15 de Junho. O programa pode ser ouvido aqui.

20.6.18

Sobre Alguma Coisa Tem de Chover, de Karl Ove Knausgård




«[E]sta é uma obra para os que querem mais uma oportunidade de imergir na mente de um escritor que, para o bem e para o mal, conseguiu criar um lugar único para si. E se o dramatismo austero e a devassa da vida privada podem ser a causa da chegada de uma pessoa a esta obra, o que faz ficar é a forma como o autor, por entre tudo isso, nos traz aquilo que há de mais importante para si: o quotidiano.» [Miguel Fernandes Duarte, Comunidade Cultura e Arte, 25/6/18]

Enrique Vila-Matas compara personagem de Gonçalo M. Tavares às de Kafka




No suplemento Babelia do El País de 28 de Maio de 2018, Enrique Vila-Matas aborda a “questão da percepção em Kafka”.
A propósito da “situação de brutal impossibilidade do indivíduo perante a máquina devastadora do poder”, o escritor espanhol invoca a personagem Theodor Buschbeck no romance Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares:

“ese médico obsesionado con encontrar una fórmula matemática capaz de percibir los futuros crímenes de la humanidad. Nada extraño que hayamos desembocado en Tavares, porque, justo cuando ha llegado ya de verdad el futuro, es uno de los contemporáneos que con mayor ingenio profundiza en las percepciones de Kafka.” [Texto completo em https://elpais.com/cultura/2018/05/28/actualidad/1527514491_376003.html]


Fotografia de Gonçalo Rosa da Silva.

19.6.18

A chegar às livrarias: Breves Notas sobre Literatura-Bloom, de Gonçalo M. Tavares (posfácio de Borja Bagunyà)





«Há infinitas maneiras (definitivas) de fazer literatura. Este é um Dicionário da Literatura‑Bloom. Podemos ser definitivos numa direcção uma vez e, depois, na vez seguinte, ser definitivos, completamente, entusiasmadamente, mas noutra direcção. Noutros lados, claro, sigo por vezes percursos inimigos e velocidades diferentes.
Dois livros‑Bloom:

A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil (e talvez ainda Biblioteca)
e
Uma Viagem à Índia

Sendo que Uma Viagem à Índia é muitos híbridos; e A Perna Esquerda… talvez também não seja, em definitivo, um puro literatura‑Bloom.
De facto, talvez nem mesmo este dicionário seja um Bloom‑puro. E assim parece‑me que está bem.» [Da Nota Inicial]