20.2.17

A chegar às livrarias: Crónica de Um Vendedor de Sangue, de Yu Hua (trad. do original de Tiago Nabais)








Um dos livros mais influentes das últimas décadas na China, este romance, escrito por um dos mais importantes autores chineses contemporâneos, narra-nos como foi viver sob o governo do presidente Mao.
Xu Sanguan, um distribuidor de casulos de uma fábrica de seda, aumenta o seu magro salário através de visitas ao chefe do sangue. Enquanto luta para sustentar a esposa e os três filhos, as suas visitas tornam-se perigosamente frequentes.
Quando descobre que o seu filho predileto nasceu de um caso entre a esposa e um vizinho, Xu Sanguan vê a sua vida desmoronar-se. Ao mesmo tempo, a sua esposa é publicamente acusada de prostituição. Perante tamanhas indignidades, Xu Sanguan encontra refúgio nos laços de sangue da sua família. Crónica de Um Vendedor de Sangue, romance escrito com rara intensidade emocional, tece os fios da vida humana através da narração dos dias de um homem comum.

«Comovente… estruturado com mestria e de uma escrita sublime. Um romance que absorve o leitor e constantemente o faz parar para pensar.»
[The Boston Globe]

«Um acontecimento literário raro… Xu Sanguan é uma personagem que define não apenas uma geração mas a alma de um povo.»
[The Seattle Times]

Sobre Dias Birmaneses, de George Orwell (trad. Alda Rodrigues)




«A acção de Dias Birmaneses — centrada num desses “clubezinhos assombrados por Kipling”, um desses clubes reservados a europeus e que, como “em qualquer cidade da Índia”, são “o verdadeiro baluarte espiritual, a verdadeira sede do poder britânico” — decorre em meados dos anos 20 do século passado. A cidade fictícia, numa das margens do rio Irauádi, tinha “cerca de quatro mil habitantes, incluindo duas centenas de indianos, umas quantas dezenas de chineses e sete europeus”. O quotidiano é sufocante — literal e metaforicamente —, mesquinho, venenoso, e não há, praticamente, nenhuma personagem desenhada para nos inspirar empatia, nem do lado dos colonizadores nem do lado dos colonizados. Aliás, uma das personagens memoráveis do romance (a outra sendo Flory) chama-se U Po Kyin, um magistrado local que é o epítome de um vilão maquiavélico e corrupto. A sua amoral e perversa ambição é tão exacerbada que chega a parecer caricatural, mas é decisiva para propulsar a acção e o seu desenlace. Nascido para perder, Flory, o protagonista, é ambivalente, podendo até suscitar a nossa compaixão.» [Mário Santos, Público, Ípsilon, 17/2/2017]

16.2.17

A chegar às livrarias: A Associação das Pequenas Bombas, de Karan Mahajan (trad. de Alda Rodrigues)






«Um bom atentado bombista começa em todo o lado ao mesmo tempo.»

Num dia quente, em maio de 1996, uma bomba explode dentro de um carro parado num mercado em Deli. Era apenas uma “pequena” bomba, porém suficiente para matar os dois rapazes Khurana. Um amigo deles, Mansoor, sobrevive à explosão, sofrendo no entanto os efeitos físicos e psicológicos. Depois de passar um período conturbado numa universidade na América, Mansoor regressa a Deli, onde se envolve com um misterioso e carismático ativista de nome Ayub.
Mas Mansoor não foi o único afetado pela bomba. O casal Khurana vê-se preso numa labirinto de batalhas legais, desesperando por alguma forma de justiça que amenize a sua mágoa. O jovem fabricante de bombas, Shockie, numa luta pela independência da sua terra — Kashmiri —, está também em Deli no mesmo dia, acabando por ser associado à explosão da bomba.
Humano e lúcido em igual medida, A Associação das Pequenas Bombas aborda o assunto mais urgente dos dias de hoje com enorme empatia. Karan Mahajan descreve os efeitos do terrorismo, tanto nas vítimas como nos seus perpetradores, provando ser um dos romancistas mais provocantes e dinâmicos da sua geração.

«Em tempos contemporâneos e sombrios, Mahajan mostra-nos uma visão estereoscópica da realidade.» [Rachel Kushner]

«Um livro invulgar — erudito, sensível e generoso.» [Jim Crace]

«Um sucesso distinto e brilhante.» [Norman Rush]

No Logo, de Naomi Klein, um dos 10 livros da vida de Vhils






«Uma excelente, fascinante e atual reflexão sobre a cultura do consumismo.» [Vhils, Revista Estante, Inverno]

15.2.17

Sobre Roma, de Nikolai Gógol



«Fragmento de um romance nunca terminado, este capítulo de Gógol sabe a pouco. (…) O jovem aristocrata que fora despachado a Paris, para sua educação, depressa descobre que a cidade não passava de uma “vinheta brilhante”, um “vaudeville ligeiro” e inconsequente. Regressado a casa por morte paterna, lança-se na aventura de descobrir a sua cidade que desconhecia e a história de antanho que o desperta para o presente. Todavia, mais que arte em geral, igrejas e palácios, o que lhe importa são as gentes, vibrantes e jocosas, possuidoras de um saber antigo que nunca virá dos livros.» [José Guardado Moreira, Expresso, E, 11/2/2017]

14.2.17

Sobre O Universo ao Alcance da Mão, de Christophe Galfard




«Christophe Galfard doutorou-se em Física Teórica pela Universidade de Cambridge, onde trabalhou com Stephen Hawking. Nesta viagem “pelo espaço, tempo e mais além”, escrita numa linguagem acessível a leigos, conduz-nos às  fronteiras atuais do conhecimento em várias áreas, da Mecânica Quântica aos multiversos. Os assuntos abordados são muito complexos, mas a forma como os explica não podia ser mais simples.» [Expresso, E, 11/2/17]

A chegar às livrarias: Sobre o Poder, de Byung-Chul Han



Neste livro, Byung-Chul Han propõe-se elaborar um conceito de poder capaz de integrar as conceções divergentes que sobre ele habitualmente temos.
E, no entanto, retirar ao poder a sua ambiguidade não é tarefa simples.
É que em torno do conceito de poder continua a imperar o caos teórico. Sendo por um lado um fenómeno aparentemente óbvio, designadamente na tradição marxista, é para várias correntes políticas qualquer coisa de obscuro. Sendo para alguns sinónimo de opressão e de domínio de classe, é para outros um elemento construtivo da comunicação e uma espécie de árbitro.
Associado tanto à liberdade como à coerção, ao direito como à discricionariedade, este conceito só pode beneficiar de uma tentativa de análise que tenha em conta os seus elementos estruturais internos e as diversas formas em que se manifesta.