1.7.22

Sobre Recordações da Casa dos Mortos, de Fiódor Dostoievski

 



Em Recordações da Casa dos Mortos, Dostoievski narra a sua experiência de cinco anos de prisão siberiana. Ele fora preso em Abril de 1849 e condenado à morte por actividades contra o governo como membro do Círculo Petrashevski. A 22 de Dezembro, colocado diante de um pelotão de fuzilamento, viu a ordem de execução comutada no último momento por trabalhos forçados na Sibéria.

Os acontecimentos são contados do ponto de vista de Aleksandr Petróvitch Goriántchikov, que assassinou a mulher no primeiro ano de casamento e vai descrevendo as conversas, experiências e sentimentos dos outros presos. Dostoievski fala da perda de liberdade, da solidão, do frio, dos trabalhos forçados e do carácter daqueles com quem conviveu, que, apesar de criminosos, descreve com humanidade, demonstrando admiração pela sua energia, engenhosidade e talento. Isto apesar dos seus ódios, astúcias, falta de escrúpulos e delações.

A vida na prisão é particularmente dura para Aleksandr Petróvitch, mais educado e sensível do que a maioria dos outros detidos. Dostoievski conclui que a existência de prisões como aquela, com as suas práticas administrativas e os cruéis castigos corporais, é um facto trágico tanto para os prisioneiros como para a Rússia. É como se previsse também o gulag dos tempos de Estaline, que viria a ser narrado, entre outros escritores, por Varlam Chalamov nos Contos de Kolimá.


Recordações da Casa dos Mortos (trad. António Pescada) e outras obras de Fiódor Dostoievski estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/fiodor-dostoievski/

Sobre A Estátua Assassina, de Louise Penny




Estamos em pleno verão, e a abastada família Finney reune-se no Manoir Bellechasse para homenagear o falecido pai. Mas, à medida que a temperatura aumenta, antigos segredos e amargas disputas começam a vir à superfície. Quando as ondas de calor se transformam numa poderosa tempestade, um corpo surge no seu rasto.

O inspetor-chefe Gamache, um hóspede em Bellechasse, depara com um edifício repleto de suspeitos. Com o hotel fechado, o assassino não pode escapar. Mas um predador encurralado é sempre muito perigoso…


«Um enredo extremamente hábil… Louise Penny, vencedora do Prémio Arthur Ellis, conta-nos a história duma aldeia franco-canadiana, dos seus habitantes, e de um detetive que, para muitos leitores, se assemelhará a uma versão moderna do famoso Hercule Poirot, de Agatha Christie.» [Publishers Weekly]


A Estátua Assassina (trad. Ana Maria Chaves) e outras obras de Louise Penny estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/louise-penny/ 

30.6.22

Sobre Karl Ove Knausgård e Ocean Vuong

 




Karl Ove Knausgård e Ocean Vuong convidados a escrever para a Future Library.

As obras só serão conhecidas em 2114. Mais informação aqui.


As obras de Karl Ove Knausgård e de Ocean Vuong já editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/karl-ove-knausgard/ e https://relogiodagua.pt/produto/na-terra-somos-brevemente-magnificos/.


Este ano, a Relógio D’Água publicará A Estrela da Manhã, de Karl Ove Knausgård, e o mais recente livro de poesia de Ocean Vuong, Time Is a Mother.




Sobre Deuses de Barro, de Agustina Bessa-Luís

 



«“Nós devemos escrever sobre aquilo que conhecemos”, foi sempre o conselho dado por Agustina aos que se iniciavam na escrita. E foi por onde também começou — pelo mundo rural que tão bem conhecia, a Casa do Paço, em Travanca, aquele mundo fechado que frequentara em criança e adolescente, onde o convívio com as tias Maria e Amélia, sobretudo Amélia (a Sibila), fora o exemplo para a sua vida, um legado de sabedoria transmitido como uma profecia. As duas últimas páginas d’A Sibila testemunham, numa linguagem oracular, como num transe arrepiante e comovente, pela revelação do profundo, a transmissão de um destino, que ela, Agustina, terá de continuar a cumprir, depois da morte da Sibila. Deuses de Barro, se por um lado é um esboço para a descoberta dos mundos fechados que integram estes três romances iniciais, por outro, representa já um grito de liberdade, ousadia, revolta e desafio contra os deuses de barro que nos vigiam, nos tolhem, com quem somos obrigados a conviver e a venerar.» [Do Prefácio de Mónica Baldaque]


Deuses de Barro é o romance inédito que Agustina Bessa-Luís escreveu aos dezanove anos. Esta e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

Sobre Filho de Deus, de Cormac McCarthy

 



Filho de Deus é a história de Lester Ballard, um solitário homem rural que foi afastado das suas terras. Psicologicamente desequilibrado, mas dotado de uma imaginação fértil, cruel e pervertida, deambula pelos montanhosos domínios do Tennessee.


«McCarthy descreve o terrível declínio de Lester Ballard com paixão, ternura, eloquência e humor que (…) se harmonizam perfeitamente com a devastada aridez do Sul.» [Times Literary Supplement]


«A sua prosa infalivelmente bela e exata transporta-nos para um mundo imaginado, que é uma espantosa e violenta revelação.» [Tobias Wolff]


«Filho de Deus» (trad. Paulo Faria) e outras obras de Cormac McCarthy estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/cormac-mccarthy/

Sobre Pais e Filhos, de Ivan Turguéniev

 



«Pais e Filhos não só é o melhor romance de Turguéniev, mas também um dos maiores romances do século XIX. Turguéniev conseguiu fazer aquilo a que se propôs: criar um personagem masculino, um jovem russo, que afirmasse a sua — do personagem — ausência de introspecção e que, ao mesmo tempo, não fosse uma marioneta nas mãos de um repórter social. Bazárov é um homem forte, sem dúvida — e muito possivelmente, tivesse ele vivido além dos vinte anos (acaba de sair do liceu quando o conhecemos), ter-se-ia tornado um grande pensador social, um médico famoso ou um revolucionário activo, para lá dos limites do romance.» [Do Posfácio de Vladimir Nabokov]


Pais e Filhos (trad. António Pescada) e outras obras de Ivan Turguéniev estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/ivan-turguenev/

29.6.22

Sobre Guerra Conjugal, de Dalton Trevisan

 



«E para nos dar esta Curitiba povoada por estes curitibanos tragicómicos, a um pêlo do pícaro, Dalton Trevisan foi-se à eloquência e cravou-lhe a faca. Ironia, elipse, nenhuma cedência ao romantismo nem ao realismo mágico, aí estão outras armas brancas do escritor, afiadas à secretária-mesa-de-cela-monacal.» [Fernando Assis Pacheco, Prefácio a Cemitério de Elefantes, 1984]


«Provavelmente o maior contista brasileiro do século xx.» [Abel Barros Baptista]


«Dalton Trevisan (…) pertence ao movimento de total renovação que transformou a literatura latino-americana, até recentemente considerada marginal e provinciana, numa das mais experimentais da atualidade.

Meticuloso, um tanto obsessivo, Dalton Trevisan persegue as sujas pegadas das suas personagens. As suas histórias (como certas narrativas de Melville e Kafka na interpretação de Borges) apresentam “fantasias de conduta”.» [E. Rodríguez Monegal, The New York Times Book Review]


«… as suas curtas e irónicas epifanias atingem a revelação das elípticas personagens de Maupassant e Tchékhov.»[Bruce Allen, Library Journal]


«Existe forte veio de erotismo nestas histórias. Não é exibicionista, mas funcional para as intenções do autor. É mesmo o símbolo absurdo da cidade, dos seus estreitos e confinados horizontes.» [Thomas Lask, The New York Times]


«A reação que se tem ao ler Trevisan é uma espécie de raiva. Raiva da perfeição da discrição do autor, da sua absoluta invisibilidade moral, quando sabemos que ele deve estar à espreita, escondido atrás do seu estilo.» [Michael Wood, The New York Times Book Review]


Guerra Conjugal e outras obras de Dalton Trevisan estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/dalton-trevisan/