29.3.17

A chegar às livrarias: Inverno no Próximo Oriente, de Annemarie Schwarzenbach (trad. de Miguel Serras Pereira)



A 12 de outubro de 1933, na estação de comboios de Genebra, uma elegante mulher de 25 anos subiu para o do Expresso do Oriente, que partia para Istambul.
Do outono de 1933 até à primavera do ano seguinte, Annemarie Schwarzenbach, jornalista e fotógrafa, formada em História na Universidade de Zurique, vai acompanhar um grupo de arqueólogos numa expedição de seis meses através da Turquia, Síria, Palestina, Iraque e Pérsia. A viagem será também para Annemarie uma forma de se afastar da Europa, onde era já visível a ascensão do nazismo.
Nesta expedição, que terminará nas margens do mar Cáspio, Annemarie vai contactar com civilizações antigas e com as realidades contemporâneas dos países por onde viajava, e esse contacto com o Oriente causar-lhe-á «uma impressão de intemporalidade, de incerteza e de impotência».

De Annemarie Schwarzenbach a Relógio D'Água publicou também Todos os Caminhos Estão Abertos.

Sobre Até já não É adeus, de Cristina Carvalho




«Em todos os textos a mulher está presente. Umas vezes desiludida, outras, esperançada, outras ainda objecto de procura, receios ou anseios. A escrita serve (e serve-se de) imagens simbólicas, momentos metafóricos, narrativas codificadas. Adivinham-se segundos entendimentos, exclusivos da omnisciência da autora.» [João Morales, Time Out, 15-3-2017]

24.3.17

A chegar às livrarias: Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne (trad. de Carlos Correia Monteiro de Oliveira)



«Parte da grandeza das Vinte Mil Léguas (…) reside numa criação em que reminiscências mitológicas se conjugam com influências literárias. O próprio nome do capitão Nemo (“Ninguém” em latim) surge como um duplo do divino Ulisses tal como ele se apresenta, na Odisseia, ao ciclope Polifemo. E é com efeito de uma odisseia que se trata, já não cingida apenas à bacia mediterrânica, mas alargada a todos os mares do globo. Para lá de Homero, Jules Verne vai também beber a outras fontes, nomeadamente ao ciclo de Tebas, à Bíblia e ao imaginário popular dos marinheiros. Nemo aparece como um novo Argonauta, um rival de Jasão, que parece ter encontrado o Tosão de Ouro, ou de Jonas, que viaja no ventre de uma baleia e que, nas suas viagens, encontra alguns monstros marinhos dignos das lendas bretãs. A escrita romanesca de Jules Verne está, pois, contaminada pela amplitude dos mitos presentes sobre os quais assenta.» [Do Posfácio]

23.3.17

Sobre A Balada do Café Triste, de Carson McCullers




«No momento em que se assinalam cem anos sobre o nascimento de Carson McCullers (e 50 sobre a sua morte), a Relógio D’Água decidiu em boa hora editar ou reeditar todos os livros da escritora, uma das mais importantes do chamado Southern Gothic.“A Balada do Café Triste”, de 1951, é um bom exemplo do seu génio e da sua desesperada melancolia. (…) A construção narrativa é perfeita; a prosa, de um vigor e brilho raros. Notável, a atenção aos pormenores, o corcunda, por exemplo, tem mãos “como patitas sujas de pardal”. No fim, em jeito de coda, espreitamos um grupo de doze homens, prisioneiros que tapam buracos numa estrada. Cantam juntos e o seu canto parece brotar da própria terra ou cair do céu. “É uma música que dilata o coração de quem a ouve e provoca estremecimentos gelados de medo e êxtase.” Tal e qual a escrita desolada, belíssima, de McCullers.» [José Mário Silva, Expresso, E, 18-3-2017]

Autores de língua portuguesa na Feira de Leipzig





A Feira de Leipzig é, paralelamente à Feira do Livro de Frankfurt, uma das mais importantes feiras do livro do mundo, com uma componente mais vincada de abertura ao público sem o foco exclusivo na componente negócio. Paralelamente à Feira decorre o evento Leipzig Lê, onde se realizam cerca de 3000 leituras em espaços diversos daquela cidade.
Nas palavras de Hélia Correia que o ano passado integrou a delegação de autores que ali se deslocaram: “É uma Festa do Autor”.
Portugal terá um stand na Feira, que se realiza de 23 a 26 de Março.
Os autores convidados deste ano são Patrícia Portela, Mia Couto, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Kalaf Epalanga, Margarida Vale de Gato, Raquel Nobre Guerra e Miguel Cardoso.

22.3.17

Entrevista a Marlon James, autor de Breve História de Sete Assassinatos




«Mas lá diz o ditado: à terceira é de vez. E foi. Depois de duas marcações falhadas, James sentou-se no seu escritório em St. Paul, no Minnesota, onde vive desde 2007, para falar de Breve História de Sete Assassinatos, o romance que lhe valeu o Man Booker Prize em 2015, e da Jamaica do tempo de Marley . A Jamaica do seu tempo, onde havia violência nas ruas, é certo, mas não uma violência generalizada. Porque havia mais no seu país do que os guetos onde jamaicanos se iam matando uns aos outros.

Quando se fala em Breve História de Sete Assassinatos, considerado por muitos como um dos melhores romances dos últimos anos, que gira em torno da tentativa de assassinato a Bob Marley em dezembro de 1976, o tema da violência desmedida é difícil de ignorar (logo no primeiro capítulo, o leitor vê-se obrigado a engolir a seco e preparar-se para o que aí vem). Mas James, de 46 anos, fala dessa violência com naturalidade. Porque é que haveria de censurar os tiros, as mortes, a pobreza? A vida nos guetos da capital jamaicana, Kingston? Sentado numa cadeira, com um poster de Joy Division como pano de fundo, admite que não havia como fugir à questão. Afinal, as coisas são como elas são. E o livro dele é como é.» [Rita Cipriano entrevista Marlon James, a propósito da edição de Breve História de Sete Assassinatos, no Observador. Texto completo disponível aqui.]

21.3.17

Sobre A Associação das Pequenas Bombas, de Karan Mahajan







«Mahajan procura romper com algum cânone de escritores como Vikram Seth ou Rohinton Mistry, autores de sagas familiares que Dickens poderia ter escrito, para se concentrar nesta ideia do pequeno estilhaço que se associa em constelação. Pela originalidade de nos dar uma perspetiva interna de um drama que nos chega amassado pelas cadeias de informação global, este segundo romance de Mahajan merece ser louvado e tido em conta.» [Rui Lagartinho, Expresso, E, 18-3-2017]