23.10.18

Sobre Ternos Guerreiros, de Agustina Bessa-Luís




No âmbito da iniciativa Ano Agustina, mensalmente, ao longo de 2018, a Comunidade Cultura e Arte publicará uma crítica a um dos livros de Agustina Bessa-Luís, do catálogo reeditado pela Relógio D’Água.
No dia 3 de Outubro, foi publicado o texto de Catarina Fernandes sobre «Ternos Guerreiros»:

«Os ternos guerreiros somos todos nós: o homem que mente; o homem que busca o amor; o pintor que procura o reconhecimento da sua arte; as mulheres que lutam pelo direito de serem senhoras dos seus destinos; o assassino sem consciência que procura a redenção e a liberdade pela morte daquilo que ama; “sou como vós e nenhum de vós”.
Agustina sempre audaz e, mais do que isso, eficaz, mostra-nos como, independente da época, os medos e as lutas que travamos dentro de nós e entre nós são sempre os mesmos, e têm sempre na sua génese essa eterna expectativa do amor.»

[Catarina Fernandes, Comunidade Cultura e Arte, 03/10/2018. Texto completo aqui.]

22.10.18

Vasco Pulido Valente recomenda leitura de Elena Ferrante





«Vasco Pulido Valente: (…) Basta ler a Elena Ferrante, tem uma tetralogia que eu li toda, extraordinária. 
Público: Gostou da tetralogia de Elena Ferrante?
Vasco Pulido Valente: Claro que gostei! Devia ser uma leitura obrigatória para todos os europeístas. A União Europeia hoje é um veneno e vai acabar.»

[Vasco Pulido Valente entrevistado por Ana Sá Lopes e Manuel Carvalho, Público, 21/10/2018.]

Sobre A Terra de Naumãn, de H. G. Cancela




«O quinto romance de H. G. Cancela — nome literário de Helder Gomes Cancela — passa-se numa fronteira de civilizações e é uma fantasia pré-apocalíptica muito diferente do livro anterior. Em As Pessoas do Drama (Relógio d’Água, 2017), livro vencedor da mais recente edição do Grande Prémio de Romance e Novela da APE, o escritor partia da obsessão de um homem por uma actriz. Agora, em A Terra de Naumãn, explora um momento da vida do planeta há mais ou menos 65 milhões de anos, quando se deu “a quinta extinção em massa da história da Terra”, e confirma — se dúvidas ainda havia — Cancela como um dos mais sólidos escritores contemporâneos. Apesar da proximidade com a ficção científica, o livro apresentado na contracapa como um “conto juvenil” ou uma “fábula”, não descola totalmente do que tem sido o território ficcional deste escritor; antes o consolida. Estão lá o explorar dos limites do humano — no caso, de uma espécie ancestral —, a solidão, a violência, a moral, os paradoxos entre precariedade e permanência, aspereza e fragilidade, a identidade e uma ideia de mundo original que parte da linguagem, mais precisamente de eficaz um encadear de palavras capazes de conferir um pouco de verosimilhança ao mais inverosímil. A acção situa-se no Planalto de Naumãn onde vive um povo que venera o fogo e o futuro.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 19/10/2018. Texto completo aqui.]

19.10.18

No Adeus a Arto Paasilinna





O escritor finlandês Arto Paasilinna morreu nesta segunda-feira, 15 de Outubro, na cidade de Espoo. Tinha 76 anos.
Paasilinna é autor de 35 romances e várias obras de não ficção, foi traduzido em mais de 40 idiomas e tornou-se um dos escritores finlandeses mais populares da história, conhecido pelo seu humor negro e ácido.
Entre os seus romances de maior sucesso estão “A Lebre de Vatanen” (1975),
“Ulvova mylläri” (1981), “Hirtettyjen kettujen metsä” (1983) e “Um Aprazível Suicídio em Grupo” (1990), todas eles adaptados ao cinema.
Com um estilo leve, cómico e às vezes surrealista, as suas histórias abordam temas da idiossincrasia finlandesa, com uma subtil sátira ao progresso e à modernidade.
Paasilinna nasceu na cidade de Kittilä em 1942 e durante a juventude dedicou-se ao jornalismo, actividade que acumulou com a literatura a partir de 1972.

Na Relógio D’Água tem editados A Lebre de Vatanen e As Dez Mulheres do Industrial Rauno Rämekorpi e Um Aprazível Suicídio em Grupo.

A chegar às livrarias: Suíte e Fúria, de Rui Nunes





«e as palavras surgem,
peças minúsculas, umas ao lado das outras,
coesas até à imprecação.
Como escrevia Heraclito? onde? nas margens de que rio? nas praias de que mar? no alpendre de que casa? na sombra de que parreira? de que pinheiro? ou não escrevia? falava ao ouvido do adolescente sentado na caruma, enquanto lhe passava a mão pelo cabelo e as formigas lhe subiam pelo branco da túnica? 
Por momentos, Heraclito calava­‑se.   
Hoje, perguntamo­-nos o que é, o que era, esse silêncio.
E enchemo­-lo de palavras.

O adolescente, porém, só ouvia o zumbido das vespas e o movimento da mão a afugentar uma mosca.»

18.10.18

Lembrando José Cardoso Pires




A 26 de Outubro passam 20 anos da morte do escritor José Cardoso Pires. Estão em curso diversas iniciativas para recordar a obra do autor de O Delfim e de Balada da Praia dos Cães.
Entre elas destaca-se uma exposição na Biblioteca Palácio Galveias, a 8 de Novembro, às 18:00, onde estarão fotografias de Eduardo Gageiro sobre José Cardoso Pires. A iniciativa é da Relógio D’Água, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e das Bibliotecas Municipais de Lisboa.
No dia 16 de Novembro , às 18:30, haverá o lançamento do livro LisboaLivro de Bordo, na Biblioteca Palácio Galveias. Maria do Céu Guerra, Luís Lucas e Carmen Santos irão ler excertos do livro editado pela Relógio D’Água, que tem publicado a obra do autor.
Entretanto, no próximo dia 26 de Outubro, o NEIIA (Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos) e o CHAM — Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa organizam uma Jornada de Homenagem ao escritor intitulada “José Cardoso Pires, 20 anos depois: Diálogos Ibéricos e Ibero-Americanos”.

Será uma ocasião para celebrar a importância deste autor na literatura portuguesa e europeia, duas décadas após o seu falecimento. A iniciativa contará com a presença de Elena Losada, José Carlos de Vasconcelos, Clara Ferreira Alves, Inês Pedrosa, Bruno Vieira Amaral, Teresa Cerdeira e António-Pedro Vasconcelos, entre outros, e terá lugar no edifício I&D, junto à FCSH, durante todo o dia. Mais informação aqui: http://www.cham.fcsh.unl.pt/ac_actividade.aspx?ActId=811 

A chegar às livrarias: Cartas a Milena, de Franz Kafka (trad. e prefácio de António Sousa Ribeiro)





Esta é a primeira edição integral das cartas de Kafka a Milena.

«“A ti, por sua causa e tua, uma pessoa pode dizer a verdade como a mais ninguém, mais até, pode saber a sua verdade directamente de ti.” Talvez como mais nenhum outro, este passo da carta escrita por Franz Kafka em 25 de Setembro de 1920 a Milena Pollak dá testemunho não apenas da intensidade da relação entre ambos — provavelmente, a relação amorosa mais profunda da vida de Kafka —, mas também do extremo de exposição pessoal a que o autor d’O Processo estava disposto no âmbito dessa relação. Poucos dias antes, a 22 de Setembro, esse extremo expressara-se numa imagem de inultrapassável violência — “o amor é seres para mim a faca com que remexo as minhas entranhas” (…).» [Do Prefácio]

Franz Kafka conheceu Milena como tradutora para o checo das suas primeiras prosas breves. Ele tinha trinta e sete anos, ela vinte e três. A sua relação transformou-se numa ligação apaixonada.
As cartas testemunham um romance de amor, de desespero, de felicidade e de humilhação voluntária. Mas a ligação entre Kafka e Milena permaneceu, apesar dos seus raros encontros, essencialmente epistolar, como as de Werther ou de Kierkegaard.
Milena morreu vinte anos depois de Kafka, no campo de concentração de Ravensbrück.