16.8.18

A chegar às livrarias: Pippi das Meias Altas nos Mares do Sul (trad. de Marta Mendonça)





Alguma vez repreendeste um tubarão?
A Pippi já!

Sabes o que é um “gatafão”?
A Pippi sabe!

Consegues transportar o teu pai aos ombros?
A Pippi consegue!

A Pippi, o Tommy e a Annika partiram para uma grande aventura — uma viagem à Ilha Cannikani, onde o pai da Pippi é rei. Juntos, exploram cavernas secretas e jogam ao berlinde com pérolas. E encontram piratas e tubarões que, felizmente, conseguem derrotar. 


«Qualquer livro da série “Pippi” é motivo de celebração. Este não é exceção.»   [The New York Times]

8.8.18

Sobre «O Senhor Walser e a Floresta», «O Senhor Brecht e o Sucesso» e «Breves Notas sobre Literatura-Bloom», de Gonçalo M. Tavares


«O Senhor Walser e a Floresta juntamente com O Senhor Brecht e o Sucesso enquadram-se na série “O Bairro”, em constante crescimento com os seus alter-egos imaginados de escritores famosos, de onde partiram já diversas peças teatrais, curtas cinematográficas e até especiais de rádio. Na forma de inocentes opúsculos, que quase parecem literatura infantil, sempre acompanhados pelos belos desenhos de Rachel Caiano, Gonçalo M. Tavares constrói, com precisão, personagens masculinas imediatamente identificáveis pelos seus tiques especiais, pensamentos peculiares e pela sua solidão (quase sempre voluntária, ou decorrência da sua personalidade) (…).
(…) Já em Breves Notas Sobre Literatura-Bloom – Dicionário Literário, com o jocoso subtítulo “Uma das muitas maneiras (definitivas) de fazer literatura”, Tavares serve-se do formato fechado e rigoroso do dicionário para dele fazer repositório de tudo o que a (boa) escrita pode e deve conter, inventando significados e significantes para os signos-palavras, que todos os dias temos como unívocas, numa demonstração cabal de como toda a linguagem é necessariamente um meio e nunca um fim cristalizado e previsível.»

[Paulo Ribeiro da Silva, Revista Intro, 2018/08/07]







6.8.18

«O Sonho de Bruno» de Iris Murdoch no «Expresso»


Na revista E, do Expresso, de 28 de Julho, Rui Lagartinho escreve sobre O Sonho de Bruno, de Iris Murdoch:

«Tudo em O Sonho de Bruno remete para uma voragem autofágica. E pour cause, a partir desta vontade de comer o mundo, constroem-se e desfazem-se todos os triângulos amorosos imagináveis com os ângulos que temos ao nosso dispor. Amparados na dúvida, empurrados pela certeza: “Talvez Deus seja só sexo. Toda a energia é sexo.” Mesmo assim, “a velha mão pintalgada” de Bruno vai ter quem a agarre no final, quando a aranha der sinal de que terminou a sua obra. Dos 26 romances que Iris Murdoch escreveu, este foi aquele que o crítico norte-americano Harold Bloom escolheu para integrar O Cânone Ocidental: os Livros e a Escola do Tempo


2.8.18

Karl Kraus no «Observador»





No Observador (2018/07/29), Joana Emídio Marques escreve sobre Karl Kraus:

«Karl Kraus, nome talvez pouco conhecido fora das Faculdades de Jornalismo e dos estudiosos da cultura de língua alemã, viveu naquele período extraordinário da arte e da literatura que foram os anos finais do império austro-húngaro e as vésperas da 1.ª Guerra Mundial. Kraus foi contemporâneo de Freud, de escritores e poetas como Kafka, Rilke, Robert Musil, Hermann Broch, Hugo Hofmannsthal,  Georg Trakl, do músico Mahler, do filósofo Ludwig Wittgenstein, dos pintores Oskar Kokoschka e Klimt, da escola da Bauhaus, de movimentos como o Modernismo, o Expressionismo, o Dadaísmo ou o Futurismo. Viena não era apenas a capital do império, era a incubadora, o casulo do esplendor e do horror do século XX. Mas apesar deste fulgor, nos primeiros anos do século XX parecia que nada acontecia em Viena e o escritor e Nobel da Literatura Elias Canetti descreve Karl Kraus como “a coisa mais viva da cidade”. (…)
Em Março deste ano, a editora Relógio D’Água lançou um volume de textos que Kraus publicou no seu jornal “Die Fackel” (A Tocha) e que leva como título um dos textos mais famosos do autor, publicado e lido em público pouco depois do eclodir da 1.ª Guerra Mundial: Nesta Grande Época. Ambas as obras foram traduzidas por António Sousa Ribeiro, a quem já devíamos uns textos incorporados numa coletânea de autores austríacos editada em 1980 pela Europa-América, e uma edição incompleta d’Os Últimos Dias da Humanidade editada pela Antígona em 2003.»







1.8.18

Maria Filomena Mónica Entrevistada por João Céu e Silva no «Diário de Notícias»


«Ainda a conversa sobre o seu livro Nunca Dancei num Coreto não tinha começado e Maria Filomena Mónica já revelava que agora é vegetariana. E revelou muito mais: de que música gostava dos Beatles — que assistiu em direto quando vivia em Londres —, o que acha do físico de Mick Jagger, o que pensa dos hippies que iam fazer compras à lendária Carnaby Street, que fuminhos inalou, que garrafa tinha debaixo da cama, que homens seduziu e quem a seduziu, que filmes a fazem chorar, tudo o que a marcou, bem como a única coisa que lamenta não ter feito na vida.
Nunca Dancei num Coreto (Editora Relógio D’Água) é um título confessional, que surgiu no dia em que o médico lhe anunciou um cancro. Um volume que reúne muito das suas publicações jornalísticas desde 2011 e pelo qual passa tudo o que pensa em mais de 350 páginas que fogem frequentemente ao registo solene, mesmo que dê logo um abanão ao leitor nas duas primeiras páginas.»






«Desaparecer na Escuridão» de Michelle McNamara no «Expresso»


Na revista «E», do «Expresso», de 28 de Julho, Luís M. Faria escreve sobre «Desaparecer na Escuridão», de Michelle McNamara:

«Este livro é a obra de uma amadora que passou anos a tentar descobrir o homem que assaltou casas, violou dezenas de mulheres e matou uma dúzia de pessoas na Califórnia, entre 1974 e 1986. É uma história triste, em mais do que um sentido. Por causa das vítimas, mas também porque a autora não chegou a conhecer a solução do mistério. Desaparecer na Escuridão saiu na edição original em fevereiro deste ano, dois anos após a morte súbita (não criminosa, ao que tudo indica) de Michelle McNamara. Escassos meses depois, o criminoso foi finalmente apanhado pelas autoridades. Embora estas digam que nenhuma informação do livro contribuiu para isso, a chave foi o ADN, como McNamara previra.
Os crimes começaram em 1976, na zona de Sacramento, capital do estado da Califórnia. Era uma época com índices altos de criminalidade, e o caso não chamou demasiado a atenção. Para isso também poderá ter contado o facto de ter sido usada uma alcunha pouco memorável. Conforme sugere a autora, nestas coisas o marketing conta. Ao longo de três anos, o então chamado “East Area Rapist” atacou 50 mulheres, utilizando repetidamente os mesmos métodos. “A precisão e a autoproteção eram os seus traços distintivos. Depois de se concentrar numa vítima, entrava na casa antes, quando não estava lá ninguém, para estudar as fotografias de família e para se familiarizar com a planta da habitação. Desativava as luzes do pátio e destrancava portas de correr de vidro. Tirava as balas das armas. Os portões fechados de proprietários despreocupados ficavam abertos; as fotografias que tinham mudado de lugar eram arrumadas, atribuindo-se a desarrumação à desordem da vida quotidiana. As vítimas dormiam descansadas até o clarão da lanterna lhes abrir os olhos à força.”
Depois era o horror. As vítimas, primeiro só mulheres e depois também casais, descreviam um homem jovem, alto, atlético, com um sussurro que às vezes se tornava agudo ou tremia. Como é frequente nessas situações, o homem gostava de jogos. Abria tesouras e espetava facas junto às vítimas. Fingia que se ia embora e recomeçava. Dizia coisas estranhas.»






31.7.18

«Com Esta Chuva» de Annemarie Schwarzenbach no «Público»


No suplemento Ípsilon, do Público, de 27 de Julho, Mário Santos escreve sobre Com Esta Chuva, de Annemarie Schwarzenbach:

«Escritas em meados da década de 1939, estas narrativas breves são devedoras, na geografia física e cultural e na melancolia do clima emocional que as perpassa, das viagens que por essa época fez a autora ao Médio Oriente, que então prodigalizava escavações arqueológicas, e das quais resultaram livros como Inverno no Próximo Oriente, publicado pela mesma editora no ano passado.
As personagens destas histórias, por vezes só esboçadas, são pessoas em trânsito, estrangeiras em toda a parte, patriotas sentimentais sem pátria (que só existiu no passado e na infância, ou na imaginação). São expatriados, europeus, sobretudo, mas também norte-americanos, de entre as duas guerras, que conversam em terraços de hotéis suspensos “sobre o mar como a coberta de um navio”. Conversam em Beirute, no final de Setembro, como se estivessem em Juan-les-Pins, no Verão, nos bons velhos tempos. Conversam à maneira de Hemingway ou Bowles. Diz uma personagem (do conto “No regresso a casa…”): “[…] devíamos tirar a Europa da cabeça. Essa velha e querida Europa, que vive de sentimentalismo!”»