22.8.17

Sobre Crónica de Um Vendedor de Sangue, de Yu Hua




«O primeiro romance de Yu Hua publicado em Portugal, traduzido diretamente do chinês, começa assim: “Xu Sanguan trabalhava como distribuidor de casulos na fábrica de seda da cidade.” Podia ser um verso de Bruce Springsteen, como na canção que dá o título ao álbum “The River”. (…)
“A sociedade chinesa nunca cortou claramente com a violência, fez apenas mudanças superficiais”, disse Yu Hua numa entrevista recente. Além de revelar um dos mais tocantes autores chineses contemporâneos, “Crónica de Um Vendedor de Sangue” assinala a estreia de Tiago Nabais no campo da tradução literária. Uma estreia auspiciosa, e que deverá confirmar-se ainda este ano com um novo título de Yu Hua, “A China em Dez Palavras”.» [António Caeiro, Expresso, E, 19/8/17]

21.8.17

Sobre Baixo Contínuo, de Rui Nunes





«Fortemente implicada numa mais afectada reflexão da actualidade e da própria crise e tensão que significa reunir os estilhaços de um momento contemporâneo, a obra de Rui Nunes rejeita a superfície, e cose-se num nível em que cada um dos elementos que participam na sua materialização da linguagem estão sensíveis, feridos e frágeis tanto como truculentos. Não lhe cabendo sequer a assistência das frases que escreveu antes, o escritor fez-se acompanhar de um gangue requintado de gente que faz barulho nos andares de cima, para os velhos que pousavam a agulha como aviso para a morte de que faltava pouco, mas ainda assim o mais difícil: J. S. Bach, Beethoven, Boulez e Stockhausen. A música atonal vai aqui impor outro firmamento, furos nesse manto negro sobre as nossas cabeças, estrelas para alguém que não busca uma direcção mas empreende uma escavação através dessa vertigem da qual não há regresso.» [Diogo Vaz Pinto, i, 2/7/17]

11.8.17

Entrevista de Bruno Vieira Amaral a Madeleine Thien


Na revista LER do Verão de 2017, é publicada a entrevista que Bruno Vieira Amaral fez à autora Madeleine Thien durante o Festival Literário de Macau:

«Ontem também disse que, neste livro, foi influenciada por autores russos. Referia-se a autores do século XIX ou a autores contemporâneos?

Os do século XIX, como Dostoievski ou Tolstói, com as grandes narrativas extensas. Especialmente por Tolstói e a forma como escreve sobre acontecimentos políticos e o choque entre sistemas e de como isso se traduz para um espaço íntimo. Muitos leitores no Canadá e nos EUA nunca tinham lido um romance na China e por outro lado houve leitores que viveram todos os acontecimentos de que falo no livro. É interessante ver como esses diferentes tipos de leitores se relacionam com o livro.»




A chegar às livrarias: Frankenstein, de Mary Shelley



O monstro de Victor Frankenstein foi criado em 1818 por uma jovem de 23 anos, Mary Wollstonecraft Godwin, filha de um livre-pensador e de uma das fundadoras do feminismo.
Mary Shelley concebeu a sua obra inicialmente apenas como um conto, quando passava alguns dias na Villa Diodati, alugada por Byron, junto do lago de Genebra na aldeia de Cologny, num grupo de que fazia também parte o médico John Polidori.
Aproveitando a conversa junto à lareira, em vários dias em que não puderam passear devido à chuva intensa, os quatro amigos combinaram escrever contos fantásticos.
Só Mary Shelley concluiu o seu, que depois se transformaria no romance «Frankenstein», um dos clássicos indiscutíveis da literatura inglesa.


PVP: 10,00 €


10.8.17

A chegar às livrarias: Sobre a Tirania: Vinte Lições do Século XX, de Timothy Snyder







Timothy Snyder é historiador e professor na Universidade de Yale. Venceu o Prémio Hannah Arendt em 2013 com o livro «Bloodlands: Europe between Hitler and Stalin» e é co-autor de «Thinking the Twentieth Century», o último livro do historiador Tony Judt.
Neste livro, o autor explica-nos como podemos resistir aos movimentos de autoritarismo. Ao longo de vinte capítulos, Snyder expõe as suas ideias de como devemos lutar para preservar a nossa liberdade.

«Este livro tem de ser lido. É inteligente e intemporal.»
George Saunders


7.8.17

Pedro Mexia escreve sobre Machado de Assis


Na revista «E», do «Expresso», de 5 de Agosto, Pedro Mexia escreve sobre «O Alienista e Outros Contos», de Machado de Assis:

«Um conhecido estudioso de Machado de Assis, Roberto Schwarz, escreveu que no ficcionista brasileiro “a compreensão da mecânica social é como que uma consolação para a falta de sentido desta”. A antologia “O Alienista e Outros Contos” comprova esta tese. Porque a “mecânica social” que subjaz a estas 20 histórias conduz a ambições que não se cumprem e a fantasias que se desfazem, acontecimentos em geral previsíveis, e contados com distanciamento irónico, britânico.»


31.7.17

Sobre O Que Maisie Sabia, de Henry James




«Embora o arco temporal da acção — que decorre principalmente em Londres, com uma incursão final a Boulogne, na costa francesa — não seja explicitado, Maisie tem cerca de seis anos de idade no início e — sendo este romance “um epitáfio na lápide da infância” da nossa heroína — estará no limiar da adolescência no final.
A narração é feita na terceira pessoa por um narrador que aparenta ser omnisciente mas que se intromete algumas vezes na acção para confessar, por exemplo, os limites da sua competência (provocadora subtileza de mestre James). Num capítulo preambular (não numerado), cabe-lhe dispor os dados contextuais do jogo que vai seguir-se: divorciados, os pais de Maisie combinam a guarda alternada do “pomo da discórdia”, mas só o fazem para poderem continuar a ter “uma oportunidade ininterrupta para a contenda”. Nada mais moderno, portanto.» [Mário Santos, Público, ípsilon, 28/7/2017]