18.1.21

Sobre Mario e o Mágico, de Thomas Mann

 



Publicada em 1930, Mario e o Mágico é uma das narrativas mais marcadamente políticas de Thomas Mann.

O narrador descreve uma viagem familiar à cidade costeira italiana de Torre di Venere. A família espera umas férias calmas, mas vai ser confrontada com os problemas políticos da Itália de Mussolini e, em particular, com os numerosos turistas de classe média que, nos meses de agosto e setembro, afluem a Torre di Venere.

Após diversos incidentes, a família assiste ao espetáculo do mágico Cipolla. Mas, mais do que um mágico, Cipolla revela-se um poderoso hipnotizador. Durante a sua representação, o narrador experimenta sentimentos desencontrados de receio e admiração, curiosidade e raiva perante alguém que se mostra capaz de tornar o público dócil, um pouco como Mussolini e outros ditadores europeus da época foram capazes de fazer.

Mario e o Mágico foi adaptado a ópera e ao cinema.


Esta e outras obras de Thomas Mann estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/thomas-mann/

Francisco Louçã sugere livros de Ana Teresa Pereira e de Cristina Carvalho

 




Na edição de 15 de Janeiro de O Tabu, na SIC Notícias, Francisco Louçã sugeriu os mais recentes livros de Ana Teresa Pereira e Cristina Carvalho, respectivamente, Os Perseguidores e Almanaque do Céu e da Terra (21m:35s).


Estas e outras obras de Ana Teresa Pereira e de Cristina Carvalho estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/ana-teresa-pereira/ e em https://relogiodagua.pt/autor/cristina-carvalho/

Sobre a obra de Louise Glück





«Com a poesia de Louise Glück podemos mapear o pensamento humano, a forma como ele se inscreve e reinscreve no espaço, na Terra, como ele se alia e se desprende dos outros, como se apaixona e abandona, como nasce e como enterra os seus mortos, recorrendo sempre à natureza selvagem e incapturável como a sua grande metáfora. Ana Luísa Amaral considera mesmo que “a forma como ela retrata a natureza ao longo de toda a sua obra poética poderá ter sido fundamental para a atribuição do Nobel”. Ou seja, ela faz da Natureza sujeito e nunca objeto, mesmo que a use simultaneamente como símbolo, como mito, ou como auto-retrato.»

[Joana Emídio Marques, «Louise Glück: entrar poeticamente no inferno», «Observador», 2021/01/17: https://observador.pt/especiais/louise-gluck-entrar-poeticamente-no-inferno/]

As obras obras de Louise Glück estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/louise-gluck/


 

Sobre "Como Reconhecer o Fascismo” e “Da Diferença entre Migrações e Emigrações”, de Umberto Eco

 



Os dois textos de Umberto Eco que integram este livro fazem parte de Cinco Escritos Morais, publicado em 1997.

Mas quer “Como Reconhecer o Fascismo” quer “Da Diferença entre Migrações e Emigrações” se revelaram de uma enorme lucidez. 

Daí a iniciativa de os reunir em separado e com os títulos explicitamente voltados para dois dos mais importantes problemas da Europa de hoje. 


“Considero que será possível indicar uma lista de características típicas do que poderei chamar o ‘Ur-Fascismo’, ou o ‘fascismo eterno’. Estas características não poderão ser ordenadas num único sistema: muitas contradizem-se reciprocamente, e são típicas de outras formas de despotismo ou de fanatismo. Mas basta que esteja presente uma delas para fazer coagular uma nebulosa fascista.”


Ainda é possível distinguir emigração de migração quando o planeta inteiro está a tornar-se o território de deslocações cruzadas? Creio que é possível: como disse, as imigrações são controláveis politicamente, e as migrações não; são como os fenómenos naturais. Enquanto há imigração, os povos podem ter a esperança de manter os imigrados num gueto, para que não se misturem com os nativos. Quando há migração já não há guetos, e a mestiçagem é incontrolável.

Os fenómenos que a Europa tenta ainda enfrentar como casos de emigração são, pelo contrário, casos de migração.”


Esta e outras obras de Umberto Eco estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/umberto-eco/


Sobre O Processo, de Franz Kafka

 



«O mundo das repartições e dos arquivos, dos gabinetes e dos quartos escuros, bafientos e degradados, é o mundo de Kafka. (…)

O Processo deixa-nos perceber que o procedimento judicial que é levantado contra o réu não lhe deixa, regra geral, qualquer esperança, inclusivamente nos casos em que poderia subsistir a esperança da absolvição. Ora, talvez seja precisamente esse desespero que transforma os réus nas únicas personagens belas no universo kafkiano.» [Do Posfácio de Walter Benjamin]


«Duas ideias — melhor dizendo, duas obsessões — regem a obra de Franz Kafka. A subordinação é a primeira das duas; o infinito, a segunda. Em quase todas as suas ficções há hierarquias e essas hierarquias são infinitas.» [Jorge Luis Borges]


O Processo (tradução de Gilda Lopes Encarnação) e outras obras de Franz Kakfa estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/franz-kafka/


17.1.21

Sobre E Tudo o Vento Levou, de Margaret Mitchell

 




E Tudo o Vento Levou tem como pano de fundo a Guerra Civil Americana, que opôs o Norte industrializado ao Sul das grandes propriedades de trabalho escravo negro.

A bela e caprichosa Scarlett O’Hara vive em Tara, no estado sulista da Geórgia, numa plantação de algodão. Estamos em 1861. Os seus amigos e, em geral, todos os jovens aguardam com entusiasmo a entrada na guerra, esperando uma vitória rápida. A exceção é o aventureiro Rhett Butler, que se sente atraído por Scarlett. Mas esta está apaixonada por Ashley Wilkes, que se prepara para casar com Melanie Hamilton. Depois da guerra, Scarlett procura reconstruir a propriedade familiar para onde regressa, recorrendo à obstinação, astúcia e mesmo a um casamento de conveniência.

E Tudo o Vento Levou foi escrito ao longo de dez anos por Margaret Mitchell, tendo conhecido edição em 1936 e acabando por ser a única obra da autora publicada em vida (a sua novela adolescente Lost Laysen teve edição póstuma). Venceu o National Book Award (1936), o Pulitzer no ano seguinte, foi traduzida em dezenas de línguas e vendeu milhões de exemplares.

O romance apresenta a visão do Sul derrotado, que tentou contrariar o sentido libertador da evolução, mas os seus dramas e paixões transcendem, como sempre sucede em literatura, as circunstâncias sociais da época.

Em 1939, Victor Fleming e Sam Wood realizaram um filme sobre o romance, sendo os papéis principais desempenhados por Vivien Leigh e Clark Gable.


“Ninguém que sente prazer com a arte da ficção pode ignorar E Tudo o Vento Levou. Um livro de qualidade invulgar, uma narrativa soberba.” [The New York Times]


“O melhor romance que alguma vez nos chegou do Sul.” [The Washington Post]


“Fascinante e inesquecível.” [Chicago Tribune]


Os dois volumes estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/margaret-mitchell/

16.1.21

Sobre A Chama, de Leonard Cohen

 



A Chama, de Leonard Cohen, é um legado de poemas, canções, desenhos e versos dispersos, às vezes registados em cadernos de apontamentos e até guardanapos de papel. 

É uma despedida deliberada, que evita os sentimentalismos.

Pouco antes da sua morte em novembro de 2016, Leonard Cohen disse em entrevista: «Estou preparado para morrer. (…) A certa altura, e se estás ainda na posse das tuas capacidades, (…) tens de aproveitar a oportunidade para deixar tudo em ordem. Talvez seja um cliché, mas subestima-se o seu poder analgésico. Deixar tudo em ordem, quando se pode fazê-lo, é uma das atividades mais reconfortantes, e os benefícios são incalculáveis.»

Esta despedida de Cohen, que recolhe textos já publicados e inéditos, evidencia a variedade dos talentos de um romancista, poeta e cantor singular, lírico e filosófico, terno e corrosivo, feroz e generoso. Inclui novos poemas sobre a guerra, o arrependimento e a amizade, as letras das canções dos seus últimos quatro álbuns, fragmentos dos cadernos que guardou desde a adolescência e uma série de autorretratos e outros desenhos.

No conjunto, reflete uma sensibilidade que oscila entre o carnal e o místico, a melancolia e o apego à vida, a irreverência e o ceticismo, o perfil de alguém que enfrentou a morte com a mesma inteireza com que viveu.


A Chama (trad. Inês Dias) e outras obras de Leonard Cohen estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/leonard-cohen/