17.11.17

Sobre Um Deus em Ruínas, de Kate Atkinson




«“É muito difícil escrever sobre a normalidade”, diz Kate Atkinson depois de andar às voltas sobre como lidar com uma personagem que, tendo sobrevivido a uma guerra, era suposto ter seguido uma vida normal. Teddy, o adorável rapazinho de Vida após Vida (Relógio d’Água, 2014), irmão mais novo de Ursula Todd, a protagonista, aparece no novo romance que de certa forma dá continuidade a esse anterior drama familiar em cenário de guerra onde Atkinson partiu de uma hipótese: e se fosse dada à protagonista a hipótese de viver diferentes vidas no mesmo espaço de tempo, dentro da mesma família? A Vida após Vida é isso. Agora, em Um Deus Em Ruínas, o romance mais recente da britânica, Teddy regressa como personagem central. Ele é um homem que sobreviveu à experiência de pilotar um bombardeiro durante a II Guerra Mundial, assistiu à dissolução da família, ao desabar da ordem mundial como a conhecia. Casou, teve uma filha e será essa rapariga o motor dos problemas e da razão de ser da vida de Teddy, um homem aparentemente tranquilo que o leitor vai conhecer a partir do modo como o olham as outras personagens.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 17/11/17, texto completo em https://www.publico.pt/2017/11/17/culturaipsilon/noticia/a-guerra-e-a-maior-queda-do-homem-1792302 ]

A chegar às livrarias: A Princesa de Clèves, de Madame de Lafayette (trad. João Moita)






A Princesa de Clèves (1678) é a história de uma luta interior entre a razão e o efeito devastador da paixão. Ou, se se preferir, a história do conflito entre a força asfixiante dos costumes e a exuberante espontaneidade dos sentimentos. 
Desde o primeiro encontro com o duque de Nemours, por quem se apaixona, até à recusa final desse amor proibido, a senhora de Clèves assiste lucidamente à derrocada de um mundo que a sua virtude em vão tenta conservar.
Precursor do romance de análise psicológica, este texto improvável, fruto da imaginação de uma mulher do século XVII, traz a novidade de transformar a análise e a introspeção em mecanismos de progressão da narrativa, marca que a modernidade em muito lhe fica a dever.

«A Princesa de Clèves e Zayde foram os primeiros romances em que os hábitos das pessoas honestas e as aventuras naturais foram descritos com graciosidade. Antes de Madame de Lafayette, escrevia-se com um estilo empolado coisas pouco verosímeis.» [Voltaire]

«A sua simplicidade real vê-se na sua conceção do amor; para Madame de La Fayette, o amor é um perigo. É o seu postulado. E o que se sente no seu livro é que existe uma constante desconfiança a respeito do amor (o que é o contrário da indiferença).» [Albert Camus]

PVP: € 10,00

16.11.17

Sobre A Noite Inteira, de Frederico Pedreira




«Há versos de Frederico Pedreira que parecem um sopro: “um rasgo cigano, valioso trémulo gesto / vontade de perder: de fraude em fraude / se tece a cortina da noite pelos animais / arrastada até ao doloso avesso da terra”. Ou quando pede: “vem encostar a boca ao coração inerte do tempo”.» [LER, Outono 2017]

14.11.17

Sobre O Rio da Consciência, de Oliver Sacks




«Antes de morrer, Oliver Sacks deixou, para reunir, um conjunto de ensaios sobre “memória, tempo e consciência”, temas que sempre o tinham interessado e que respondem a questões simples sobre a forma como pensamos, como recordamos, como interpretamos e como avaliamos a realidade ou os sonhos.» [LER, Outono 2017]

A chegar às livrarias: Pequenos Delírios Domésticos, de Ana Margarida de Carvalho





Ana Margarida de Carvalho é conhecida como romancista.
Com Que Importa a Fúria do Mar e Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (2013 e 2016).
Este seu primeiro livro de contos evidencia o seu invulgar talento para a narrativa breve.
O primeiro texto, “Chão Zero”, sobre o recente incêndio que lhe destruiu a casa familiar, é de uma força invulgar, reunindo a sua experiência de jornalismo e literatura na rejeição do irremediável.
Segue-se um conto sobre um terrorista português, onde a ironia e a capacidade de captar as diversas falas de personagens, excluídas da sociedade ou pelo menos de uma vida habitual, são a marca de água que percorre todas as outras histórias.

Jornalista e escritora, licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa, onde nasceu. Assinou várias reportagens premiadas, crónicas, ensaios e crítica cinematográfica e literária. É autora de guiões de cinema e de uma peça de teatro.
O seu romance de estreia, Que Importa a Fúria do Mar, venceu, por unanimidade, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) referente a 2013. Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato recebeu igualmente o Grande Prémio de Romance e Novela da APE (2016). Foi considerado livro do ano pela SPA, e venceu o Prémio Literário Manuel de Boaventura (2017). Tem um livro infantil, A Arca do É, em parceria com o ilustrador Sérgio Marques.
Pequenos Delírios Domésticos é o seu primeiro livro de contos.
Ana Margarida de Carvalho integra ainda a shortlist do Oceanos — Prémio de Literatura de Língua Portuguesa.

13.11.17

Sobre As Pessoas do Drama, de H. G. Cancela





«Uma das vozes mais poderosas da literatura portuguesa contemporânea, H. G. Cancela reivindica, ao segundo romance, esse lugar com uma história complexa, plena de distúrbios e disfunções, com personagens à procura de fugirem de si e dos outros. Violento e impiedoso, este não é um romance para quem consome livros de algodão-doce.» [Revista LER, Outono 2017]


De H. G. Cancela, a Relógio D’Água publicou também Impunidade.

10.11.17

A chegar às livrarias: Poemas, de John Donne (Tradução e Prefácio de Maria de Lourdes Guimarães e Fernando Guimarães )




John Donne nasceu em 1572 no seio de uma família católica. Após uma educação convencional em Hart Hall, Oxford, pertenceu ao Lincoln’s Inn e, em 1597, participou numa expedição militar com o conde de Essex aos Açores.Casou em segredo com Anne More em Dezembro de 1601. Dois meses depois foi encarcerado na Prisão de Fleet por ordem do pai de Anne More.Foi ordenado sacerdote em Janeiro de 1615, e, em Abril do mesmo ano, recebeu um doutoramento honorário em Teologia em Cambridge.Em 1621 foi nomeado reitor da Catedral de St. Paul, em Londres, posição que manteve até à morte, em 1631.Ficou famoso pelos sermões que pregou nos seus últimos anos, e sobretudo pelos poemas que deixou.

O PARADOXO
Nenhum amante diz: “Eu amo”, nem outro qualquer
pode julgar‑se como um amante perfeito;
ele pensa que ninguém mais pode amar e não aceita
que alguém ame a não ser ele:
não posso dizer que amei, pois quem pode afirmar
que ontem foi assassinado?
O amor mata com todo o seu calor mais o jovem que o velho,
a morte mata com demasiado frio;
morremos só uma vez e o último a amar morreu,
aquele que o disse duas vezes, agora jaz:
pois ainda que pareça mover‑se a sua agitação
será um erro dos nossos sentidos.
Tal vida é como a luz, que ainda continua
quando a luz da vida se extingue,
ou como o calor que o fogo no que tinha incendiado
deixa atrás de si, algumas horas mais tarde.
Amei uma vez e morri; e agora sou
o meu epitáfio e o meu túmulo. Aqui os mortos
pronunciam as últimas palavras e eu também;

morto por amor, vede, aqui jazo.