20.5.19

Sobre Fisiologia do Gosto, de Brillat-Savarin




«Se Brillat-Savarin tivesse escrito o seu livro hoje, não teria faltado quem pusesse no número das perversões esse gosto pela comida que ele defendia e ilustrava. A perversão é, se assim a podemos definir, o exercício de um desejo que não serve para nada, tal como um corpo que se entrega ao amor sem ter a intenção de procriar. Ora Brillat-Savarin sempre assinalou, no plano da alimentação, a distinção entre a necessidade e o desejo: “O prazer de comer exige que se tenha fome ou, pelo menos, apetite; o prazer da mesa é muitas vezes independente de ambos”. Numa época em que o burguês não sentia qualquer culpabilidade social, Brillat-Savarin serve-se de uma oposição cínica: de um lado, há o apetite natural, que é da ordem da necessidade; do outro, o apetite de luxo, que é da ordem do desejo.» [Da Nota de Roland Barthes]

Sobre Arte e Infinitude, de Bernardo Pinto de Almeida




«É provável que a obra teórica de Bernardo Pinto de Almeida nunca tenha alcançado este nível de rigor enciclopédico e analítico. Ao reabrir-se o caminho do seu estudo sobre a origem da contemporaneidade, desenha-se um grande panorama do nosso tempo, explicado ponto por ponto — sem perder a perturbação da Arte.» [LER, Inverno/Primavera 2019]

Sobre Onze Aventuras de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle




Mais de um século decorreu já sobre a primeira aparição do enigmático detective Sherlock Holmes, criado por Arthur Conan Doyle, em A Study in Scarlet (1887).
Este volume reúne onze dos seus contos, escolhidos por Ana Teresa Pereira. Tem ilustrações de Sidney Paget, que criou as imagens que ainda hoje associamos a Sherlock Holmes e ao seu amigo e ajudante Dr. Watson.
Cada uma destas aventuras mostra-nos as qualidades que tornaram Sherlock Holmes o mais conhecido detective de todos os tempos: a capacidade de observação, o raciocínio dedutivo e a argúcia, que são afinal os elementos essenciais do método de investigação.

Sir Arthur Conan Doyle nasceu em Edimburgo em 1859. Foi médico, escritor e destacado membro dos círculos de espiritismo ingleses. Embora seja sobretudo conhecido pelas suas obras sobre Sherlock Holmes, escreveu também romances históricos e peças de teatro. Faleceu em Crowborough em 1930.

17.5.19

Sobre Sally Rooney



Sally Rooney vence British Book Awards

Pessoas Normais, de Sally Rooney (a sair em breve na Relógio D’Água, com tradução de Ana Falcão Bastos), venceu o Prémio de Livro de Ficção do Ano e o Prémio de Livro do Ano, em que concorriam obras como a autobiografia de Michelle Obama o Milkman, de Anna Burns, vencedor do Man Booker.
A presidente do júri elogiou Sally Rooney: «é tão talentosa e o seu “difícil segundo romance” é tão impressionante como o seu romance de estreia espantoso». [The Guardian, 13/05/2019]

Sobre Pensamentos, de Blaise Pascal




Carlos Vaz Marques falou sobre Pensamentos, de Blaise Pascal, no programa Livro do Dia, na TSF, de 17 de Maio de 2019.

Sobre As Superpotências da Inteligência Artificial, de Kai-Fu Lee




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: As Superpotências da Inteligência Artificial, de Kai-Fu Lee (trad. Maria Eduarda Cardoso)

Kai-Fu Lee, um dos mais respeitados especialistas mundiais em inteligência artificial (IA), revela-nos o modo como subitamente a China alcançou os Estados Unidos nesta corrida.
Neste livro, o autor demonstra que, devido aos desenvolvimentos sem precedentes na área da IA, as mudanças que se avizinham serão muito mais rápidas do que julgamos. À medida que os dois países competem pelo domínio da IA, Lee apela a ambos para que entendam a responsabilidade que advém do domínio de um tão enorme poder científico. 
Muitos especialistas já referiram que a IA terá um impacto devastador nos trabalhos rotineiros. Mas a previsão de Lee aponta para que a IA tenha impacto mesmo em empregos mais complexos, que outrora se pensou estarem seguros. 
Será o pagamento de um rendimento básico incondicional a solução? O autor pensa que não. Mas Lee fornece uma descrição clara dos empregos que serão afetados e de quão cedo tal acontecerá, assim como das atividades que poderão ser melhoradas através da IA, e, mais importante ainda, do modo como podemos encontrar soluções para uma das mais profundas alterações na história da vida do ser humano.
Para isso baseia-se na mudança surgida no modo de encarar a relação com os outros a partir de um episódio dramático da sua vida.

“Tendo trabalhado com ambos, posso afirmar que o brilhantismo com que Lee entende e explica a complexidade da IA se compara com o modo como Steve Jobs entendeu  a maneira como o computador pessoal iria alterar a vida humana. Este livro é mesmo bom.” [John Sculley, ex-CEO, Apple]


“É um livro que se lê pensando: ‘Porque é que as pessoas estão a ler outros livros sobre este assunto quando é sem dúvida este que deveriam estar a ler?’” [Arianna Huffington, fundadora, HuffPost]

16.5.19

Sobre Conflito Interno, de Kamila Shamsie




Kamila Shamsie em entrevista a Isabel Lucas, a propósito de Conflito Interno, que foi recentemente reconhecido com o Women’s Prize for Fiction 2018

«Um escritor não escreve para falar dos livros que escreve , mas falar dos livros que escreve pelo mundo traz muito alento. Kamila Shamsie tem idos a festivais literários, feito tournées, dado muitas entrevistas para falar de Conflito Interno (Relógio D’Água), uma versão atual — perdoe-se o exagero — de Antígona, a tragédia de Sófocles sobre dois irmãos divididos. Paquistanesa, natural de Carachi, onde nasceu em 1973, entretanto fez-se cidadã britânica e, com isso, sentiu-se com legitimidade para questionar as contradições da cidadania numa sociedade marcada pelo preconceito. (…)

— O seu último romance tem tido uma vida longa nos jornais, nos prémios literários, nas livrarias. Numa altura em que os livros sobrevivem tão pouco tempo à exposição pública, como olha para esta longevidade de Conflito Interno?

— É muito bom e inesperado. Não imaginava isto — nunca se imagina, acho — quando se escreve um romance, que tenha este tipo de atenção e provoque entusiasmo. E uma das coisas que mais me satisfaz ao receber este prémio é que levou a que o livro merecesse atenção em muitos países. No início houve alguma atenção na América e em Inglaterra, o que foi bom, mas nos últimos meses houve interesse de outros países. Espero que seja por causa de a história ser relevante para muitos países em todo o mundo. Um escritor quer, em última instância, que o maior número de pessoas possível leia aquilo em que trabalha. Por tudo isso, estou muito contente.» [Kamila Shamsie entrevistada por Isabel Lucas, revista LER, Inverno-Primavera 2019]