19.8.19

Sobre Kudos, de Rachel Cusk




Uma mulher num avião escuta o desconhecido sentado a seu lado que lhe revela a história da sua vida: o seu emprego, o casamento e a angustiante noite que acabara de passar a enterrar o cão da família. 
Esta mulher é Faye, que está a caminho da Europa para promover o seu livro, acabado de publicar. Assim que aterra, as conversas que tem com as pessoas que conhece — sobre arte, família, política, amor, tristeza e alegria, justiça e injustiça — suscitam as perguntas mais abrangentes que o ser humano pode fazer. Estas conversas, sendo a última com o seu filho, levam Faye a uma conclusão bela mas dramática. 
Kudos completa de uma forma exuberante a trilogia de Rachel Cusk, iniciada com A Contraluz e Trânsito.

Nomeado um dos melhores livros do ano pelo The Guardian, o The Times Literary Supplement, a The New Yorker, o The New York Times e o Financial Times.

«No seu esforço de expor as ilusões da ficção e da vida, Cusk poderá ter descoberto a forma mais genuína de escrever hoje um romance.» [The Atlantic]


«Rachel Cusk é comparável a escritores como J. M. Coetzee e Philip Roth.» [The New York Times]

Sobre Pensamentos, de Blaise Pascal




«Pascal oferece muito sobre que o mundo moderno faria bem em pensar. E de facto, por causa da sua combinação e equilíbrio únicos de qualidades, não sei de nenhum escritor religioso mais pertinente para o nosso tempo. Os grandes místicos, como São João da Cruz, são em primeiro lugar para leitores com um objectivo especialmente determinado; os escritores devotos, como São Francisco de Sales, são em primeiro lugar para aqueles que já se sentem conscientemente desejosos do amor de Deus; os grandes teólogos são para os interessados em teologia. Todavia, não consigo pensar em nenhum autor cristão, nem mesmo Newman, que mais do que Pascal devesse ser recomendado àqueles que duvidam, mas que têm a capacidade intelectual para conceber e a sensibilidade para sentir a desordem, a futilidade, a ausência de sentido, o mistério da vida e do sofrimento, e que apenas conseguem encontrar paz através da satisfação de todo o ser.» [Da Introdução de T. S. Eliot]

16.8.19

Sobre «Pessoas Normais», de Sally Rooney



«Pessoas Normais pode ser lido como um romance de formação, incluindo a formação de uma autora, Sally Rooney, que é apresentada e aplaudida como capaz de fazer o que tantos outros já tentaram com menos sucesso: retratar uma geração nova que talvez escape a muitos bons autores mais velhos por lhes ser estranha. Nesse sentido, Pessoas Normais é um auto-retrato ficcional por alguém capaz de se olhar com enorme sentido crítico e literário, sagaz; e enquanto fala de amor, põe em causa os defensores do Brexit, o capitalismo, olha os refugiados da Síria, denuncia abusos, é feminista e nunca é panfletária. É um livro cáustico e sábio. Faz auto-análise, é melodramático porque talvez não seja possível ser adolescente sem lágrimas. E duro, incómodo. (…) Com Skype, Facebook, WhatsApp, Instagram, em Pessoas Normais estamos no domínio do amor e dos seus equívocos, inseguranças, medos, tabus, mas com a vulnerabilidade talvez mais interdita. Afinal, tudo se passa num mundo povoado por pessoas reais.»
[Isabel Lucas, ípsilon, Público, 2019/08/16]

Autor de «A Minha Luta» Vence Prémio de Literatura Hans Christian Andersen de 2020


Karl Ove Knausgård é o sétimo escritor a receber o Prémio de Literatura Hans Christian Andersen de 2020, tendo sido atribuído anteriormente a autores como Paulo Coelho, J. K. Rowling, Isabel Allende, Salman Rushdie, Haruki Murakami e, em 2018, A. S. Byatt.
O prémio será entregue ao autor no dia 25 de Outubro de 2020, em Odense, na Dinamarca.
Além dos cinco (de seis) volumes de A Minha Luta, a Relógio D’Água publicou também a série de ensaios sobre as estações do ano: 
https://relogiodagua.pt/autor/karl-ove-knausgard/




14.8.19

Sobre «Pessoas Normais», de Sally Rooney






«Entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2015, Connell e Marianne jogam uma espécie de jogo do gato e do rato. Toque e fuga, embora os toques sejam bem mais aprofundados já que as fugas não passam de breves escapadelas. No fundo da estrada da memória está sempre a cozinha de Marianne em Carricklea, uma pequena cidade da Irlanda. Aí começaram a ser felizes. Beijam-se pela primeira vez na página 22. O romance termina na página 232. Pessoas Normais é mais do que mais um romance sobre as dores do crescimento, a perda da inocência, os desencontros num campus universitário, a entrada no universo dos adultos, o confronto entre classes sociais. (…) 
Pessoas Normais suscitou um entusiasmo unânime junto da crítica anglo-saxónica, ganhou o prémio Costa para melhor romance e foi finalista do Man Booker Prize em 2018.»
[Rui Lagartinho, E, Expresso, 2019/08/10]


13.8.19

Sobre «Tu Sabes que Queres», de Kristen Roupenian





«Margot tem 20 anos e trabalha no bar de cinema independente. Uma noite, namorisca ao balcão com um cliente, homem de idade indeterminada (saberemos depois que tem 34 anos), e dá-lhe o número de telefone. É o começo de uma relação como tantas outras: mensagens de telemóvel durante uns tempos, depois convite para um filme, muita conversa, um crescendo de intimidade, copos num bar, e de súbito Margot vê-se na casa de alguém que mal conhece, à beira de um envolvimento sexual não propriamente desejado (antes já acontecera um “beijo horrível” e “excessivo”, de língua quase até à garganta). Agora estão no quarto, ele começa a despir-se e o arrependimento não consegue vencer a inércia: “Olhando para ele assim, naquela posição desconfortável, com a barriga grande, flácida e coberta de pelos em destaque, Margot pensou: oh, não! Mas a ideia do que teria de fazer para pôr travão ao que tinha iniciado foi de mais para ela; isso exigiria uma dose de tato e meiguice que ela se sentia incapaz de invocar. Não é que receasse que ele a obrigasse a fazer qualquer coisa contra a vontade dela, mas, se naquela altura dissesse que queria parar, depois de tudo o que tinha feito para o incentivar, pareceria mimada e caprichosa, como se tivesse pedido uma coisa no restaurante e depois de a comida chegar mudasse de ideias e a mandasse para trás.”
O conto “Amante de Gatos” — “Cat Person” no original — é um texto inteligente, com excelente ritmo narrativo, sobre as relações de poder entre homens e mulheres, as armadilhas e equívocos que surgem amiúde no terreno minado dos encontros amorosos contemporâneos, e as fronteiras perigosamente difusas do consentimento sexual. Publicado em dezembro de 2017 na New Yorker, depois de várias recusas de outras revistas, o conto revelou-se um caso extremo de timing perfeito. Embora escrito antes, surgiu no auge do movimento #metoo e serviu de mote a todo o tipo de debates e polémicas nas redes sociais, tornando-se a prosa de ficção mais lida e comentada na história da mítica revista das elites culturais americanas. (…)
O retrato é implacável e quase ninguém se salva. Tanto os homens como as mulheres se revelam incapazes de lidar com os seus sentimentos e menos ainda com os seus desejos. E quando baixam a guarda, quando se põem a escavar por baixo do verniz da civilidade, surgem monstros, perversidade e muita violência, um sem-fim de nódoas negras, tanto físicas como psicológicas. (…)»
[José Mário Silva, Expresso, E, 2019/08/10]

12.8.19

Sobre «A Condição Humana», de Hannah Arendt







A autora Valeria Luiselli escolhe A Condição Humana, de Hannah Arendt, como o livro que mudou a sua vida.

«Li-o na escola secundária, num internato na Índia, onde tínhamos um professor de Filosofia muito bom. Lembro-me de sublinhar quase tudo, provavelmente porque tinha de pensar e repensar todas as frases. Acabei por estudar Filosofia na universidade, e agora regresso a Arendt (para refutar ou recordar) sempre que o mundo está em crise, o que é quase sempre.»
[https://www.theguardian.com/books/2019/aug/02/valeria-luiselli-books-that-made-me]
 
A Condição Humana, de Hannah Arendt, está disponível aqui: https://relogiodagua.pt/produto/a-condicao-humana/


9.8.19

Sobre «Anna Karénina», de Lev Tolstoi




«São mais de 800 páginas de fôlego que podem enriquecer de modo substancial as férias. Recomendo a tradução do russo de António Pescada (de quem sigo a grafia dos nomes) numa edição da Relógio D’Água que conta com um belo prefácio de Vladimir Nabokov (o autor de Lolita). Nem queria acreditar quando descobri que com mais de 100 livros já recomendados nesta página faltava a obra-prima, aquele que Steiner diz ressuscitar cada vez que o lemos e William Faulkner afirma como o melhor jamais escrito. Têm de lê-lo, desde a parte primeira (o período Oblonsky, como é conhecida) à oitava. É uma história de amor, de adultério, de intriga, de crítica social, de tudo. Como de tudo há numa família onde a ação começa por Anna ir visitar a irmã quando ela descobrira a traição do seu marido. A sua chegada à estação de comboios dita o destino da história.»
[Henrique Monteiro, Expresso, 2019/08/03]

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: «Casas de Vidro», de Louise Penny (trad. Maria Eduarda Cardoso)







Num frio dia de novembro, uma misteriosa figura aparece na povoação de Three Pines, provocando incómodo, alarme e confusão a quem a vê.
O Superintendente-Chefe Armand Gamache percebe que qualquer coisa está profundamente errada, mas só pode observar, esperando que os seus piores receios não se concretizem. No entanto, quando a misteriosa figura desaparece e é descoberto um cadáver, Gamache tem de se lançar nas investigações.
Nos primeiros dias do inquérito, e meses mais tarde quando o processo de acusação começa, Gamache tem de enfrentar as consequências das suas decisões e ações.

«Não vai querer que este livro termine.» [The Washington Post]

«Uma história perturbante, que criou personagens fascinantes, um enredo inesperado e um final surpreendente.» [Ann Cleeves]


8.8.19

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: «A Mesa dos Gatos-Pingados», de Michael Ondaatje (trad. Margarida Periquito)






Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Mesa dos Gatos-Pingados, de Michael Ondaatje (trad. Margarida Periquito)

No começo dos anos 50 dos século XX, um rapaz de onze anos embarca num navio com destino a Inglaterra. Durante as refeições, senta-se à “mesa dos gatos-pingados”, um grupo composto por adultos e outros dois rapazes. À medida que o navio atravessa os mares, os rapazes saltam de aventura para outra.
Existem, porém, outras distrações menos inocentes. Durante a noite, os rapazes espiam um prisioneiro algemado. O crime que cometeu e o seu destino são um mistério que os atormentará para sempre.
Enquanto a narrativa alterna entre o convés e o porão do navio, Ondaatje tece uma história sobre as diferenças entre a terna inocência da infância e o fardo de se ter de entender demasiado cedo o modo como a vida funciona.
O vencedor do Golden Man Booker Prize escreve mais um romance eletrificante e mordaz, uma história sobre descobertas proibidas da juventude e a jornada de uma vida que começa, de forma inesperada, com uma viagem marítima.

“Tão conseguido como o seu magnum opus, O Doente Inglês.” [Wall Street Journal]

“Talvez seja a melhor obra de Ondaatje.” [Vancouver Sun]

“Imagine as viagens marítimas de Joseph Conrad, com uma infusão vigorosa de A Ilha do Tesouro e um toque de Mark Twain.” [The Scotsman]

“Uma experiência dantesca.” [Annie Proulx, The Guardian]

Sobre «A Chama», de Leonard Cohen





«Escrevo ainda sobre [A] Chama, o livro póstumo de Leonard Cohen (1934-2016). Muita gente nunca terá tido a noção exacta, mas este canadiano de origem judaica não foi só um cantor extraordinário. É também um grande poeta do amor e do desespero. Além de dois romances, publicou quinze colectâneas de poemas. “Escrever era a sua razão de ser”, lembra o filho, Adam, que editou o livro e assina o prefácio. Chama é um testamento: o volume colige poemas, desenhos, auto-retratos corrosivos, canções, versos dispersos, entradas de diário, fac-símiles e o discurso de aceitação do Prémio Príncipe das Astúrias, que recebeu em 2011. Existe índice de poemas e letras. À laia de apêndice, os versos originais estão agrupados a partir da página 301. Poeta, escreveu versos que ficaram gravados na nossa memória: “Tive de enlouquecer para te amar / Tive de descer até ao abismo […] Tive de ser pessoas que odiava / Tive mesmo de não ser ninguém.” Sim, a voz, inconfundível, faz falta. Mas só faz falta porque não nos esquecemos. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.»
[Eduardo Pitta, http://daliteratura.blogspot.com/2019/08/lima-cohen.html]

7.8.19

«Genial Ferrante» no «Expresso»


Cristina Margato entusiasmou-se com A Invenção Ocasional, de Elena Ferrante, que reúne as crónicas publicadas semanalmente no The Guardian e tem ilustrações de Andrea Ucini.






«Nele Ferrante fala das mulheres que se recusam a ser demasiado qualquer coisa, demasiado belas, demasiado inteligentes, demasiado combativas, demasiado simpáticas. Porque o “demasiado de uma mulher produz violentas reações masculinas e, além disso, a inimizade das outras mulheres, que são obrigadas a disputar as migalhas dos homens. O demasiado dos homens, em contrapartida, gera admiração e lugares de comando. A consequência é que a força feminina não só é sufocada como, para não perturbar a paz, se sufoca a si própria”. Outro exemplo é o da crónica intitulada “A Narrativa Masculina do Sexo”, onde discorre sobre a forma como os homens reinventaram as mulheres segundo as suas necessidades sexuais, criando um cânone ao qual “não conseguimos ainda subtrair-nos”. Ou ainda o texto a que chamou “No Feminino”, no qual faz o exercício de pensar as personagens masculinas de romances clássicos como femininas, concluindo que “são somente os lugares-comuns sobre o feminino que nos fazem considerar essencialmente masculinos alguns comportamentos”. Os temas sobre o feminino são várias vezes abordados e a crítica à subjugação das mulheres a um sistema patriarcal é feroz. Elena Ferrante escreve sobre a forma como as escritoras são ignoradas: “Por mais que me esforce, não me lembro de muitos escritores que tenham declarado a sua dívida à obra de uma escritora.” Denuncia os dichotes que os escritores usam para rebaixar as suas colegas, atribuindo-lhes “quando muito a capacidade de escreverem historietas banais sobre casamentos, filhos, vagos idílios, romances cor-de-rosa ou melífluos dramalhões sentimentais”. Escreve sobre mães, sobre filhas, sobre a gravidez como momento de beleza e de temor, “manifestação portentosa do nosso corpo” que não pode ser cedida “a ninguém, nem aos pais loucos, nem à pátria, nem às máquinas, nem tão-pouco a formas cada vez mais ferozes da humanidade”. Confessa ter dois pesos e duas medidas, quando concede liberdade às mulheres que adaptam os seus textos, e exige respeito pelo olhar dela aos homens que têm as mesmas intenções. Em parte, porque rejeita o “imaginário de género poderosamente estruturado desde há milénios”.
Escreve também sobre a inveja. Sobre o ciúme. Também sobre o medo. Sobre o que a faz ser a última pessoa a sair da festa. Sobre a consciência da morte que lhe acentua a relação com a vida e o medo da doença que a faz desejar a morte. Sobre a primeira vez. E sobre a última vez. E em todos esses escritos, “sob o impulso de palavras tão luminosas como apaixonadas”, vamos redescobrindo essa “amiga genial” que é Elena Ferrante.»
[Expresso, E, 2019/08/03]




6.8.19


Na segunda parte do dossier do ípsilon dedicado ao Verão, num texto de Isabel Coutinho, destacam-se alguns ensaios publicados ou a publicar pela Relógio D’Água:

«Neste Agosto os nostálgicos de Elena Ferrante podem matar saudades. A Invenção Ocasional reúne a coluna semanal que escreveu durante um ano para o The Guardian e as ilustrações de Andrea Ucini que a acompanhavam (Relógio D’Água).
Também Provocações, antologia dos escritos da académica Camille Paglia, está nas livrarias e a Relógio D’Água publica a 11 o segundo livro da trilogia autobiográfica da britânica, de origem sul-africana, Deborah Levy, O Custo de Vida. Volume em que a autora, aos 50 anos e a terminar um casamento de duas décadas, “percorre os caminhos da independência da mulher nos dias de hoje”.»
[Público, ípsilon, 2/8/2019]




Isabel Coutinho sugere a leitura de Karl Ove Knausgård



«E no ano em que a Noruega é o país homenageado da Feira do Livro de Frankfurt, o Verão é a oportunidade para se ler a monumental obra de Karl Ove Knausgård, os cinco [de seis] volumes de A Minha Luta e a série de narrativas com os nomes das estações do ano (Relógio D’Água).»
[Público, ípsilon, 2/8/2019]








Helena Vasconcelos considera que «é muito salutar não dar pelas horas e ler devagar histórias de preceptoras martirizadas, com em Agnes Grey, o primeiro romance publicado por Anne Brontë, reeditado agora pela Relógio D’Água, e de jovens mulheres confusas com o amor e a vida, vítimas de convenções, como acontece a Tess dos D’Urbervilles de Thomas Hardy».
[Público, ípsilon, 2/8/2019]


Sugestão de leitura para o Verão de Hugo Pinto Santos







«Depois de Fuck The Polis, a Relógio D’Água reedita À Beira Do Mar De Junho, de João Miguel Fernandes Jorge. Regresso muito saudado com um livro de uma depuração clássica que só a pressa chamaria minimalista: “A tarde não será à beira da água / nem os olhos a rápida alegria.”»
[Público, ípsilon, 2/8/2019]

2.8.19

Nos 90 anos de José Afonso




José Afonso faria hoje 90 anos. Com a participação de Zélia Afonso, e dos filhos Maria Helena Afonso, Joana Afonso e Pedro Afonso, a Relógio D’Água está a preparar uma nova edição dos Textos e Canções,
Esta nova edição terá um prefácio de Jorge Abegão, devendo ser publicada até finais deste ano.

Foi entretanto anunciado que a cidade de Aveiro, onde José Afonso nasceu em 2 de Agosto de 1929, apresentou a sua candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2027, em torno da obra do autor que escreveu num dos seus poemas: «Já fui ceptro dum rei / Arco-íris num instante / Já fui vento do Levante /Já fui andarilho e cantor».

Sobre Obra Poética, de Federico García Lorca




«A vida e a obra de Federico García Lorca pelo que foram e são adquiriram uma grandeza mítica com o poeta ainda vivo. Dimensão que aumentou com a sua morte prematura e trágica, a Guerra Civil espanhola de 1936–1939, o silenciamento que o poder franquista impôs à sua obra, à sua vida, à sua morte.
Hoje, passados setenta anos sobre a madrugada de Agosto de 1936, em que o poeta se tornou um dos símbolos da Espanha martirizada, investigada a sua vida e sujeita a sérios esforços de revisão textual a sua obra, podemos ter do poeta e do que ele escreveu uma imagem desmistificada, em que ele deixou de ser alguém puramente mágico e o poeta dos ciganos, para ser visto como um homem perturbado pelas suas inquietações e anseios artísticos múltiplos, consciente dos meios que procurava para a obra que escreveu com entusiasmo e domínio dos elementos que empregava, que dele fizeram um dos maiores poetas e dramaturgos espanhóis deste século.

Alguns dos que conviveram com García Lorca dão-nos dele a figura de um homem dotado de uma irradiante simpatia e alegre capacidade de comunicação pela conversa, pela leitura dos seus poemas, pelas canções que cantava acompanhando-se ao piano. Podemos concluir dos escritos de Alberti e Neruda que ele era alegre e expansivo? Ou que buscava, ao comunicar de modo exuberante, uma fuga para a sua solidão interior, a pena negra que o acompanhava, essa mágoa que deu o título a um dos seus romances? A sua obra desvenda um coração ferido, dominado por agouros e ameaças de morte, para quem o amor é um espaço desolado e sombrio. Vicente Aleixandre, um dos poetas com quem mais intimamente conviveu, escreveu que “os que o viram passar pela vida como uma ave cheia de colorido não o conheceram”.» [Do Prólogo de José Bento]

1.8.19

Sobre História da Sexualidade, de Michel Foucault




«“L’Histoire de la sexualité”, estudo composto por quatro volumes, dos quais o último foi lançado somente em 2018, procura, através do pensamento do pensador, analisar o surgimento do conceito de sexualidade na sociedade. No papel de objeto discursivo e de uma esfera paralela ao do normal quotidiano social, Foucault argumenta que se trata de algo ainda muito recente aos olhos das sociedades ocidentais.» [Lucas Brandão, Comunidade Cultura e Arte, 25/6/2019. Texto completo em https://www.comunidadeculturaearte.com/o-poder-aos-olhos-de-michel-foucault/?fbclid=IwAR3nE7VFLDJx4CyvEoBMll-7eGJgTiljQiHmDta5qJk7X2n9v4VvJqf_1mw ]


Os quatro volumes de História da Sexualidade, de Michel Foucault, estão disponíveis aqui https://relogiodagua.pt/autor/michel-foucault/

Sobre Coisas Que não Quero Saber, de Deborah Levy




Coisas Que não Quero Saber é a primeira parte de Living Autobiography, a trilogia autobiográfica de Deborah Levy de que a Relógio D’Água acaba de publicar o segundo volume.

Tendo o famoso ensaio de George Orwell, “Porque Escrevo”, como ponto de partida, Deborah Levy oferece-nos as suas próprias reflexões sobre a carreira literária. Com inteligência, clareza e brilhantismo, discorre sobre a necessidade de afirmação de uma jovem mulher para poder entrar no disputado território da literatura e moldá-lo às suas necessidades.

“Imperdível. Para ir absorvendo aos poucos, como quando tropeçamos num oásis… Subtil, imprevisível, surpreendente.” [Guardian]


“Suprema acutilância e originalidade imaginativa. Uma escrita inspiradora.» [Marina Warner]

Sobre Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville




Quando um advogado de Nova Iorque precisa de empregar um escrivão, é Bartleby quem responde ao anúncio. Apresenta-se «pálido e asseado, com um ar respeitável mas que inspirava compaixão, e claramente desamparado». Começando por se mostrar um empregado prestável, rapidamente começa a recusar trabalho, dizendo apenas: «Preferia não o fazer.» Assim começa a história de Bartleby — absurdamente passivo, paradoxalmente disruptivo —, uma história que rapidamente muda de registo de farsa para uma inexplicável tragédia.

«Bartleby é mais do que um artifício ou ócio da imaginação onírica; é fundamentalmente um livro que nos mostra essa inutilidade essencial, que é uma das quotidianas ironias do universo.» [J. L. Borges]

Este e outros livros de Herman Melville estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/herman-melville/