31.1.18

António Barreto entrevistado por José Cabrita Saraiva no jornal Sol de 28 de Janeiro de 2018




«A sua mais recente obra chama-se De Portugal para a Europa (ed. Relógio d’Água). Foi apresentado na passada quinta-feira na Academia das Ciências de Lisboa e faz uma radiografia do país, das suas virtudes e debilidades, no contexto da integração europeia.
O escritório ocupa um piso inteiro de um edifício antigo. Nas diferentes divisões verifica-se uma constante: livros, livros e mais livros. «Há um velho ditado que diz que o saber não ocupa lugar. Ocupa imenso», graceja. Uma das divisões está a ser preparada para ficar dedicada à fotografia, atividade a que Barreto continua a dedicar-se apaixonadamente. Ao mesmo tempo, continua sempre a congeminar novos lançamentos. «Agora estou a tentar pôr a cabeça e as minhas notas em ordem, para atacar um ou dois livros novos que quero fazer nos próximos dois anos».
De Portugal para a Europa. A sua ideia, quando escolheu este título, era aludir à evolução de um país fechado sobre si próprio para um país que pertence à Europa? - e digo pertence no sentido em que ‘faz parte de’, mas também no sentido em que ‘obedece a’.
Eu não me ocupo da parte histórica, mas a mecânica do título pode sugerir isso. Nós vivemos outros ciclos temporais - de Portugal para o Atlântico, para a África, para a Ásia. Em Vila Real, há uns 70 anos, numa situação qualquer de nervoseira, havia sempre alguém que dizia esta frase esquisita: ‘Calma no Brasil, que Angola é nossa’. Deve ser qualquer coisa do século XIX, quando o Brasil declarou a independência, e para quem se atemorizava com a perda de rendimentos, dizia-se ‘temos Angola’.
Pelo menos havia essa alternativa.
Nos anos 50 e 60, sobretudo depois de começar a guerra, gradualmente forjou-se esta dicotomia ‘Europa versus África’. No fim da guerra havia três alternativas para Portugal: a solidão, que é sempre possível, o caminho da Europa, ou outros caminhos incertos. Os portugueses adotaram o caminho da Europa. Creio que foi uma decisão acertada da elite política e das populações. Lamentavelmente nunca houve um referendo, nunca houve um voto popular sobre isso.
E agora, já é demasiado tarde?
Ainda estamos a tempo. Vamos ter novas Europas, há coisas novas à nossa frente. Já houve uma Constituição Europeia que vários países votaram e Portugal não votou, mais uma vez. Os ensaios e as conferências que estão aqui foram escritos nos últimos dez, doze anos, e em geral tentam olhar para o período da integração europeia até hoje - resultados, tensões, contradições. Tomo partido pela Europa, sem qualquer dúvida, apesar de ser hoje um europeu sofrido. A minha Europa não é esta, a minha Europa desejada é mais próxima da Europa das Nações do De Gaulle, uma Europa de países independentes, que tem um mercado comum, um mercado livre, um mercado único, eventualmente, mas que não tem muitas instituições comuns. Talvez uma ou outra, mas acho que este caminho constante para a federalização da Europa vai criar crises umas atrás das outras.
Como o Brexit?

A crise inglesa creio que é um bom exemplo. Grande parte dos europeus olha para isto como um castigo: a Inglaterra está a ser castigada. Eu lamento. Acho que a Europa perdeu com a saída da Inglaterra, vai perder ainda mais, vai ser difícil viver sem a Grã-Bretanha e para a Grã-Bretanha também imagino que vai ser difícil viver sem a Europa. Foi um duplo erro.»

A entrevista completa pode ser lida aqui.

Sobre Quem Vê Caras, de Donna Leon




Carlos Vaz Marques falou sobre Quem Vê Caras, de Donna Leon, no programa Livro do Dia, da TSF, de 30 de Janeiro de 2018. O programa pode ser ouvido aqui.

De Donna Leon, a Relógio D’Água publicou também As Águas da Eterna Juventude, Cair de Amores e Restos Mortais.

Lançamento de Ou—Ou. Um Fragmento de Vida. Segunda Parte, de Søren Kierkegaard




Hoje, às 18:00, na Livraria Ferin, os professores Carlos João Correia e Marcio Gimenes de Paula apresentam Ou—Ou. Um Fragmento de Vida. Segunda Parte, de Søren Kierkegaard, em tradução de Elisabete M. de Sousa.


«Ou—Ou. Um Fragmento de Vida é uma obra ímpar dentro da literatura e da filosofia ocidentais, a todos os níveis e vista de todos os ângulos; não fosse a circunstância de, na Europa de então, como na actual, a língua dinamarquesa ficar submersa por outros idiomas dominantes, e certamente que teria sido reconhecida universalmente como um clássico da literatura e da filosofia na geração seguinte ao seu aparecimento. A consciência plena por parte do seu autor de que assim é constitui, aliás, um dos seus intuitos, se não confessos, pelo menos explicados e demonstrados ao longo da obra.Vista no conjunto da produção de Kierkegaard, Ou—Ou. Um Fragmento de Vida introduz a esmagadora maioria dos conceitos e categorias que o filósofo desenvolverá posteriormente e, para citar apenas alguns, encontramos aqui o estético e o ético, o ético e o religioso, o desespero e a esperança, o amor em todas as suas fases e modalidades, os diferentes tipos e usos do pensamento, a possibilidade e a realidade, a escolha, a liberdade, a recordação e o esquecimento, e o instante.»[Da Introdução de Elisabete M. de Sousa à Primeira Parte]

30.1.18

Sobre Uma Boa Morte, de Hans Küng




Carlos Vaz Marques falou sobre Uma Boa Morte, de Hans Küng, no Livro do Dia, na TSF, dia 26 de Janeiro. O programa pode ser ouvido aqui.

Sobre Arte de Cozinha, de Domingos Rodrigues




«Reeditar a Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues na íntegra, com as suas três partes, impunha­‑se, e com urgência, tal é a proliferação de arremedos que, no intuito de satisfazer um público crescente de interessados, ousam — e seja­‑me permitido o coloquialismo gastronómico — servir gato por lebre. Trata­‑se do primeiro livro de cozinha impresso em Portugal, escrito por um profissional que pretende industriar com rigor os seus colegas. A recepção que a obra teve, após a edição princeps com as partes I e II de receituário em 1680, a necessidade por parte do autor de acrescentar, em 1693, uma parte III sobre o serviço de banquetes, demonstram que haveria, já então, um público específico. E assim foi, como se verifica pelas inúmeras reedições dadas à estampa até, pelo menos, 1863.» [Das Palavras Prévias de Inês de Ornellas e Castro, Leitura, apresentação, notas e glossário por Maria da Graça Pericão e Maria Isabel Faria]

29.1.18

A chegar às livrarias: A Ronda da Noite, de Agustina Bessa-Luís (prefácio de António Mega Ferreira)






«Para os Nabascos, A Ronda da Noite acaba por funcionar como um espelho onde se refletem todas as suas aspirações, diversas consoante os que nele se veem retratados ou simplesmente sugeridos: Maria Rosa acha que Saskia é o vestígio sensível do pecado original, comum a todas as mulheres; Judite encontra no quadro o motor que a faz pintar, Josefa projeta nele todas as suas raivas e frustrações, Martinho julga adivinhar ali um sentido para a sua vida vazia. Como os Nabascos, que não chegam a ser uma família, o quadro acabará por se dissolver na penumbra do esquecimento, como folhas amarelecidas deixadas dentro de um livro outrora muito amado, exatamente como o mundo antigo em que eles se inscreviam.» [Do Prefácio]

A chegar às livrarias: O Meu Inimigo Mortal, de Willa Cather (trad. de Ana Teresa Pereira)





Pelos olhos da jovem Nellie, vemos a vida de Myra, uma lenda da cidade do Sul onde ambas nasceram. Myra trocou o luxo e ostentação em que nasceu pelo amor de Oswald Henshawe, um rapaz pobre com quem fugiu. 
Vinte e cinco anos mais tarde, Nellie encontra o casal a viver na elegante pobreza de um modesto apartamento, frequentado por cantores, atores e poetas — no coração da comunidade artística de Nova Iorque.
Mas esta precária distinção dá lugar a uma pobreza real. Myra hospeda-se num hotel barato na Costa Oeste e o seu objetivo de vida — o amor — acaba por se revelar o seu pior inimigo.

Lançamento de Ou—Ou. Um Fragmento de Vida, Segunda Parte, de Soren Kierkegaard




Entrevista a George Saunders, a propósito do romance Lincoln no Bardo




«— Para um pai a perda de um filho é a pior tragédia que um ser humano pode viver. Foi por essa razão que demorou tanto tempo a escrever sobre a dor de Lincoln?
— Achei esta história muito bonita, porque reside nela um grande dilema: nascemos para amar, mas tudo o que amamos — incluindo nós próprios — é temporário. Neste caso, Lincoln teve que enfrentar este dilema quando tanta gente contava com a sua liderança.

— Até “Lincoln no Bardo” apenas tinha escrito contos. Só escreveu este romance quando teve tempo, dinheiro, espaço para o fazer?
— Não, na verdade o que eu queria mesmo fazer era escrever esta história em particular. Quando comecei a escrever percebi que o tamanho do romance era o que melhor se adequava à história. Todas as histórias têm nelas inscrito uma espécie de ADN e uma parte do trabalho do escritor é descobrir qual o tamanho que a história requer.
(…)

— Porque escolheu uma estrutura polifónica?
— Sinceramente, deparei-me com ela e gostei. E isto, para mim, é um princípio artístico muito importante. Se formos fiéis ao nosso próprio interesse e ao que nos entusiasma atingimos maior profundidade e complexidade. O escritor é uma espécie de máquina de “procurar energia”. Tem de perguntar o que lhe dá prazer, interessa, anima. É aí que se encontra o livro mais profundo.

— O livro é muito trágico, mas há uma intenção clara de não ser demasiado sério o tempo todo. O humor é intencional?
— Sim. A vida é ao mesmo tempo, e a cada instante, engraçada e trágica. Nós apenas fazemos essa distinção, comédia versus tragédia, para facilitar a categorização das coisas. Tenho de discordar um pouco da afirmação de que o livro é “muito trágico”. Um grande número de fantasmas são libertados através das ações positivas de Willie, de Lincoln e dos parceiros, e eu acho isso esperançoso. À medida que ia escrevendo, mantive sempre presente uma passagem dos evangelhos gnósticos, onde Jesus diz qualquer coisa como: “Se trouxeres à tona o que está dentro de ti, o que for trazido à tona salvar-te-á. Se não trouxeres à tona o que está dentro de ti, o que não for trazido à tona destruir-te-á.” Alguns dos fantasmas trazem, de facto, à tona o que têm dentro de si, e isso salva-os; o que, para mim, é algo esperançoso.» [Entrevista de Cristina Margato, Expresso, E, 20/1/2018]

26.1.18

A chegar às livrarias: Marca de Água — Sobre Veneza, de Joseph Brodsky [trad. (revista) de Ana Luísa Faria]





Em Marca de Água, Joseph Brodsky apresenta-nos um gracioso, inteligente e variado retrato de Veneza.
Observando os mais diversos aspetos da cidade, os canais, as ruas, a arquitetura, as pessoas e a gastronomia, Brodsky capta a magnificência, a fragilidade e a beleza da cidade.

Ao mesmo tempo, desfilam as próprias memórias que Brodsky tem de Veneza, que foi a sua morada de muitos invernos, dos seus amigos, inimigos e amantes. O livro reflete, com enorme força poética, sobre o modo como a passagem do tempo afeta Veneza, alterando a relação entre a água e a terra, a luz e a escuridão, a vida e a morte.

Sobre O Homem Que Confundiu a Mulher com Um Chapéu, de Oliver Sacks




«É um livro povoado por personagens tão estranhas como as dos mais fantásticos livros de ficção (…). O Dr. Sacks escreve sobre os admiráveis poderes da nossa mente e o delicado equilíbrio que os sustenta.» [The Sunday Times]


«Estas histórias são contadas por um aventureiro que regressa de terras distantes. São histórias d’As Mil e Uma Noites que divertem e entretêm, que arrancam aos ouvintes novas sequências narrativas: todas aquelas histórias de experiências antigas que gostaríamos de contar, as nossas próprias alucinações e desordens, as avós loucas…» [The Times]

A chegar às livrarias: Nados Líquidos — Transformações do Terceiro Milénio, de Zygmunt Bauman e Thomas Leoncini (trad. de Margarida Periquito)




Este livro contém as páginas em que Zygmunt Bauman estava a trabalhar quando faleceu.
Em diálogo com Thomas Leoncini, o autor de Amor Líquido dirige-se pela primeira vez à geração surgida nos anos 80, ou seja, aos que já nasceram numa sociedade líquida em permanente mudança.

Bauman, um dos maiores sociólogos e filósofos da contemporaneidade, aborda neste pequeno livro questões como a transformação do corpo, as tatuagens, a cirurgia estética, os hipsters, fenómenos de agressividade como o bullying e as transformações amorosas. 

25.1.18

A chegar às livrarias: O Eco das Cidades Vazias, de Madeleine Thien (trad. de Alda Rodrigues)




“Amanhã tudo será diferente.”

Foi numa noite no Camboja de um céu sem estrelas que a infância de Janie foi abalada pelos terrores do Khmer Vermelho. Três décadas depois, em Montreal, vislumbra-se esse seu passado assombrado.
Tecendo os fios da vida, O Eco das Cidades Vazias evoca o totalitarismo visto através dos olhos de uma rapariga, traçando um mapa das batalhas que a mente trava com a memória, a perda e os horrores da guerra.

«Límpida e verdadeira. A elegância silenciosa da escrita de Thien forma uma história brutal, comovente e poderosa.» [The Times]

«A visão marcante de uma jovem sobre o genocídio cambojano… Extremamente convincente.» [Financial Times]

«Um romance belo e comovente que aborda questões de importância universal.» [Independent]

Romance finalista do Man Booker Prize 2016


De Madeleine Thien a Relógio D’Água editou também Não Digam que não Temos Nada.

Lançamento de «De Portugal para a Europa», de António Barreto




Hoje, às 17:00, no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, terá lugar o lançamento de «De Portugal para a Europa», de António Barreto.
A apresentação será feita por José Luís Cardoso.

24.1.18

A chegar às livrarias: Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf (trad. de José Miguel Silva)




Publicado em 1925, Mrs. Dalloway é o primeiro dos romances de Virginia Woolf que subverte a narrativa tradicional.
O título inicial do livro era As Horas, uma referência ao tempo em que a ação decorre.
A I Grande Guerra terminou, o calor do verão invade Londres, e Clarissa, Mrs. Dalloway, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, a chegada de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai despertar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos adolescentes e a discussão que muitos anos antes a precipitou num casamento sem fulgor.
De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida em seu redor, de Peter inalterado e contudo diverso, e da sua filha Elizabeth, que se está a tornar uma mulher.
Virginia Woolf expõe assim diferentes modos de sentir, evocando, mais do que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem.
Mas a originalidade maior do livro vem dessa espécie de duplo de Mrs. Dalloway, Septimus Warren Smith, enlouquecendo em silêncio com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência.

PVP: € 10,00

António Barreto na Arquivo, em Leiria



António Barreto estará hoje na Arquivo, em Leiria, a partir das 21:00, para uma conversa com os leitores sobre os seus últimos livros, «De Portugal para a Europa» e «Tempo de Escolha».



«Na verdade, se a Europa, qualquer que seja a sua construção futura, prescindir das identidades nacionais, das culturas dos seus povos e do seu pluralismo intrínseco, está condenada. Ou então é sinal de que um qualquer despotismo imperial ou burocrático se instala. Rever o seu pluralismo e repensar as suas identidades nacionais, mantendo­‑as vivas, é talvez, para as próximas gerações, a tarefa mais difícil e o objectivo mais complexo. Mas será certamente uma condição de sobrevivência.» [Da Apresentação de De Portugal para a Europa]



«A desculpa externa, o bode expiatório externo, a culpa que vem do exterior sempre funcionou em Portugal. Inimigos, riscos e perigos vêm sempre de fora. O que corre mal, para quem está no poder, vem de fora. Comunistas, terroristas, colonizadores, imperialistas, exploradores, extorsão financeira, exploração, ágio e ideias subversivas: vêm todos do exterior. Mas a verdade, em última linha, com excepção da agressão pura e simples, é a de que a culpa vem sempre de nós, das nossas falhas, das nossas insuficiências, dos nossos erros e das nossas dívidas. E a dificuldade em encontrar quem reconheça as suas faltas, as nossas faltas, a fim de as corrigir e evitar no futuro, fundamenta um pessimismo de rigor.» [De Tempo de Escolha, livro que reúne artigos publicados pelo autor de 2015 a 2017 no Diário de Notícias e entrevistas realizadas entre 2014 e 2017]

Rui Ramos fala de Deuses de Barro, romance inédito de Agustina Bessa-Luís




«Rui Ramos, historiador e profundo admirador da escritora, considera que “Deuses de Barro é uma excelente leitura. Se tivesse sido publicado em 1943, teria sido o melhor romance publicado em Portugal em 1943. A Agustina aos 19 anos já estava muito acima dos seus contemporâneos. Mas este romance tem outra vertente interessante: é ainda mais ousado do que os romances que vieram imediatamente a seguir, Mundo Fechado e Super-homens, em que se nota que Agustina se contém mais dentro das convenções romanescas da época. Em Deuses de Barro, é mais claro que o aspeto superficialmente ‘realista’ destes primeiros romances de Agustina é apenas uma ilusão, e que o que lhe importava já era uma dimensão mítica, que certamente justificará interpretações muito variadas.”
(…)

Também Rui Ramos considera que este não é um inédito como tantos outros: “Parece-me que este é mais o caso de um inédito do tipo dos inéditos de Fernando Pessoa, que não os publicou, mas também não quis que não fossem publicados. Portanto, creio que a família tomou uma decisão correta, até porque este é um excelente romance. Não é apenas uma obra com valor arqueológico para os apreciadores de Agustina”.» [Em artigo de Joana Emídio Marques, no Observador, 21/1/18]

23.1.18

Elena Ferrante fala da sua escrita, da questão do assédio, e inicia colaboração no The Guardian




Elena Ferrante acaba de conceder a primeira entrevista francesa à Nouvel Observateur (18/1/2018), a propósito do último volume da sua tetralogia napolitana.
A autora que se recusa a revelar a sua identidade é capa do Nouvel Observateur, que a apresenta como «a desconhecida com dois milhões de leitores».
O entrevistador Didier Jacob começa o seu trabalho afirmando que «este é o livro que faltava para que uma romancista ainda desconhecida há sete anos se torne um das personalidades mais destacadas deste início do século».
Elena Ferrante, que anuncia estar a escrever um livro que ainda não sabe se ria publicar, afirma que não acha que as vidas de Lila e Lena estejam muito afastadas das que conhece e de outras mulheres por todo o mundo, em particular as que nasceram pobres.

«A força dos Weinsteins é a de não terem qualquer vergonha»
A propósito do caso Weinstein, a criadora de A Amiga Genial, romance em que as mulheres combatem muitas vezes em situação de desigualdade, Ferrante afirma: «o caso Weinstein trouxe à luz do dia o que as mulheres sempre souberam e sempre calaram mais ou menos. Apesar das aparências, mesmo no Ocidente a dominação patriarcal é ainda muito forte: todas nós temos experiência disso, nos locais mais variados, sob as mais diversas formas, sofrendo dia após dia a humilhação de ser a vítima muda, a cúmplice amedrontada ou a rebelde silenciosa, quando criticamos as vítimas em vez de acusar os violadores. Paradoxalmente, não vejo grandes diferenças entre as mulheres do bairro napolitano de que falei e as actrizes de Hollywood ou as mulheres cultas e sofisticadas que trabalham nos níveis mais elevados do nosso sistema socioeconómico. Elevar a voz, dizer “me too”, parece-me uma coisa boa, mas apenas se guardarmos o sentido das proporções: os excessos prejudicam as causas justas.»

«Escreve-se melhor quando se está apaixonado»
Ferrante afirma que «quando se está apaixonado se escreve muito bem! De um modo geral, quando não se é atravessado pela vida, sobre que é que se haveria de escrever? Passar o tempo concentrado apenas na escrita é uma aspiração de adolescentes e de adolescentes muito tristes».
A autora de A Amiga Genial termina a entrevista afirmando que «a história de Lila e Lena está terminada, mas tenho outras histórias em mente, espero conseguir escrevê-las, mas não sei se as publicarei».


A primeira crónica de Elena Ferrante no The Guardian pode ser lida aqui.

Sobre Deuses de Barro, de Agustina Bessa-Luís




«Conhecemos várias histórias de escritores precoces, que antes dos 25 anos já tinham escrito obras primas: Rimbaud, Clarice Lispector, Thomas Mann, Sá Carneiro. Não conhecíamos, até novembro passado, a precocidade de Agustina Bessa-Luís. Podemos conhecê-la agora com a publicação do seu primeiro romance Deuses de Barro, escrito aos 19 anos, no fim do verão de 1942 e abandonado na casa do Douro até ser redescoberto pela filha, Mónica Baldaque, já depois da escritora ter adoecido.
A publicação de inéditos que os autores não quiseram ou não puderam publicar quando podiam opinar sobre o assunto tornou-se bastante controversa, em parte porque a maioria destas são obras de juvenilia e não acrescentam nada de novo, a não ser aos académicos. Porém, nada disto se aplica a Deuses de Barro.
Porque este não é um livro de uma principiante, é a continuação de um começo que não sabemos nem saberemos jamais situar. Não é ainda a genial escritora de A Sibila. Mas ler Deuses de Barro e pensar que foi escrito por uma rapariga de 19 anos é de ficar tão atordoado como quando se lê Perto do Coração Selvagem, que Clarice Lispector também escreveu aos 19. Sobretudo se pensarmos que a escritora só andou no liceu até ao que seria hoje o 9º ano, não tinha entre os seus pares pessoas literatas, que nesses anos vivia numa casa no campo, rodeada de tias velhas e silenciosas, que praticamente não tinha amigos da mesma idade e tinha apenas uma grande biblioteca.
Foi assim, solitária, rodeada de livros, do pesado silêncio das casas no campo que começou uma espécie de diálogo com Deus e, intuindo ou sabendo já dos abismos do mundo, escreveu numa carta à sua mãe: “Há mil anos em cima de mim e novecentos e noventa e nove são de desilusão”.
Nos quatro anos que viveu no Douro, entre os 15 e os 19 anos, a escritora escreveu três romances: Ídolo de Barro, Água da Contradição e Deuses de Barro. “Os livros foram abandonados nessa casa, Agustina não se esqueceu deles, mas achou que os tinha perdido. “Há uns anos, quando vendemos a casa do Douro e a esvaziámos, encontrei lá várias coisas, entre elas estava Deuses de Barro e aquilo que acreditamos ser Agua da Contradição“, conta Mónica Baldaque ao Observador.» [Joana Emídio Marques, Observador, 21/1/2018]

22.1.18

Apresentação de A Ciência das Sombras, a 23 de Janeiro, na Casa Fernando Pessoa




O livro de poesia de Bernardo Pinto de Almeida, A Ciência das Sombras, vai ser apresentado a 23 de Janeiro, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, na Rua Coelho da Rocha, n.º 16, Campo de Ourique, em Lisboa.
O livro, com prefácio de Eduardo Lourenço e gravuras de Julião Sarmento, será apresentado por Osvaldo Silvestre.
Catarina Wallenstein e António Barahona lerão poemas.
Será mostrada ainda uma edição especial de 30 exemplares assinados do poema «Natal em Miami», de Bernardo Pinto de Almeida, com uma serigrafia original de Julião Sarmento.

A Ciência das Sombras é uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida, publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se três inéditos, um de 1977 e dois de 2006.
Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006).

Bernardo Pinto de Almeida nasceu em 1954, no Peso da Régua.
Tem poemas editados em Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália e Bulgária.

Publicou vários livros.

19.1.18

A Ciência das Sombras — Apresentação, amanhã, 20 de Janeiro, no Teatro Nacional São João




O livro de poesia de Bernardo Pinto de Almeida, A Ciência das Sombras, vai ser apresentado amanhã, 20 de Janeiro, às 16h00, no Teatro Nacional São João, na Praça da Batalha, no Porto.
O livro será apresentado por António Guerreiro.
Emília Silvestre, João Luís Barreto Guimarães e Andreia C. Faria lerão poemas.
Será apresentada ainda uma edição especial de 30 exemplares assinados do poema «Natal em Miami», de Bernardo Pinto de Almeida, com uma serigrafia original de Julião Sarmento.
A Ciência das Sombras é uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida, publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se aos livros antes publicados mais três inéditos, um de 1977 e dois de 2006.
Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006).
O livro é acompanhado de um prefácio de Eduardo Lourenço e de oito desenhos de Julião Sarmento, que o artista fez expressamente.
Bernardo Pinto de Almeida nasceu em 1954, no Peso da Régua.
Tem poemas editados em Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália e Bulgária.
Publicou vários livros.

Ana Margarida de Carvalho conversa sobre Pequenos Delírios Domésticos, hoje, na Arquivo, em Leiria



A chegar às livrarias: Arder a Palavra e Outros Incêndios, de Ana Luísa Amaral




«Neste primeiro grupo de ensaios, não irei tanto oferecer respostas quanto levantar hipóteses e questões que se prendem com os estudos feministas e a teoria queer, as relações entre género, sexo e sexualidades e conceitos como o corpo e a construção (e desconstrução) de identidades. O que me interessa é tentar entender como estas novas problematizações relativas à questão das identidades e do corpo são produtivas do ponto de vista literário, particularmente no que se refere ao fenómeno poético. São dois os problemas que aqui enunciarei: até que ponto podemos falar de uma identidade de mulher no texto poético; não será o poético (no sentido lato do termo) o espaço privilegiado para discutir a não-existência de uma identidade estável e, portanto, a metamorfose, sempre? Para desenvolver estas ideias, necessito, porém, de falar um pouco da evolução (e convivência hoje) de feminismos e da teoria queer, que se constituem numa relação crítica com uma série de novas formações e novas molduras sociais e culturais.» [Em «Dos Estudos Feministas à Teoria Queer: Algumas Reflexões»]

18.1.18

Sobre Chuang Tse




Carlos Vaz Marques falou hoje sobre «Chuang Tse» (tradução e comentários de António Miguel de Campos) no programa Livro do Dia, na TSF. O programa pode ser ouvido aqui.

Lançamento do livro De Portugal para a Europa, de António Barreto, na Academia das Ciências de Lisboa




17.1.18

Conversa sobre Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais





Foi um anfiteatro repleto que assistiu ontem, dia 16, à conversa entre António Guerreiro e Maria Filomena Molder, a propósito do último livro desta autora, Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais.
A obra, recentemente destacada como o principal ensaio publicado em 2017 nas escolhas do jornal Público, reuniu no anfiteatro do Museu da Farmácia mais de 200 pessoas que durante duas horas assistiram a uma conversa que fez parecer acessíveis e até familiares autores como Kant, Walter Benjamin e Hölderlin.
A conversa abordou em particular as concepções filosóficas de Maria Filomena Molder, e as relações destas com a poesia e a literatura, a importância da perspectiva de Nietzsche e Hölderlin sobre a Grécia Antiga, a diferença entre o filósofo e o pensador, e a proximidade entre a cultura contemporânea e os mais antigos documentos literários, designadamente o Gilgamesh.


Sobre A Estrada, de Cormac McCarthy




«Este foi o livro que deu a McCarthy o Prémio Pulitzer e será talvez a sua obra mais aclamada, sendo certamente um dos melhores dentro do género de Ficção-Científica Apocalíptica. Sem nunca percebermos o que aconteceu ao mundo, a bela escrita do autor contrasta com o mundo devastado. As estradas não têm nome, nem os locais. O mundo não tem cor, apenas sangue, cinzas e medo, num cenário de céu e neve cinzenta. Apenas sabemos que as personagens dirigem-se para Sul, e nem elas sabem o que os aguarda nessa costa onde esperam que o mar ainda seja azul.» [Luís Pinto, blogue Ler y Criticar, 29/11/2017]


De Cormac McCarthy, a Relógio D’Água publicou também Filho de Deus, O Guarda do Pomar, Este País não É para Velhos, Suttree, Belos Cavalos, Meridiano de Sangue, Nas Trevas Exteriores, A Travessia, O Conselheiro e Cidades da Planície.

16.1.18

A Ciência das Sombras, Apresentado a 20 de Janeiro, no Teatro Nacional São João





O livro de poesia de Bernardo Pinto de Almeida, A Ciência das Sombras, vai ser apresentado a 20 de Janeiro, às 16h00, no Teatro Nacional São João, na Praça da Batalha, no Porto.
O livro será apresentado por António Guerreiro.
Emília Silvestre, João Luís Barreto Guimarães e Andreia C. Faria lerão poemas.
Será apresentada ainda uma edição especial de 30 exemplares assinados do poema «Natal em Miami», de Bernardo Pinto de Almeida, com uma serigrafia original de Julião Sarmento.

A Ciência das Sombras é uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida, publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se aos livros antes publicados mais três inéditos, um de 1977 e dois de 2006.
Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006).
O livro é acompanhado de um prefácio de Eduardo Lourenço e de oito desenhos de Julião Sarmento, que o artista fez expressamente.

Bernardo Pinto de Almeida nasceu em 1954, no Peso da Régua.
Tem poemas editados em Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália e Bulgária.
Publicou vários livros.

A chegar às livrarias: Uma Princesinha, de Frances Hodgson Burnett (trad. de Rita Carvalho e Guerra)




Quando o pai de Sara Crewe a traz da Índia para Londres e a inscreve na escola de Miss Minchin, ela não faz ideia de como a sua vida se irá alterar. Apesar de os seus privilégios se manterem inicialmente, a trágica morte do pai e a evolução dos seus negócios alteram tudo.
Numa inversão dramática da conhecida fórmula ficcional «pobre fica rico», Sara passa do privilégio à penúria em apenas um dia. Agora já não é uma princesa, mas uma pedinte, e depende apenas do poder da imaginação, do otimismo e da bondade que demonstra a estranhos para sair da situação em que se encontra.
Depois de ser expulsa do conforto do seu quarto, Miss Minchin encaminha-a para o seu novo lar: um sótão isolado, frio e desesperante. Terá, além disso, de desempenhar árduas tarefas de manutenção na escola.
Mas se a humildade, paciência e dignidade são virtudes a recompensar, será que Sara conseguirá reverter mais uma vez a sua situação?
Uma Princesinha é um drama intenso e intemporal sobre o poder transformador do pensamento e da imaginação.

«Um livro resplandecente, belo e encantador.» [New York Times]


«Uma Princesinha recria de forma exímia o efémero mundo da infância: um reino encantado onde tudo, até o faz-de-conta, é possível.» [Washington Post]

De Frances Hodgson Burnett, a Relógio D'Água editou também O Jardim Secreto.

A chegar às livrarias: A Ciência das Sombras, de Bernardo Pinto de Almeida





Uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se aos livros antes publicados mais três inéditos, um de 1977 e dois de 2006. Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006). O livro é acompanhado de um prefácio de Eduardo Lourenço e de oito desenhos de Julião Sarmento.

«O estranho de estar vivo

O estranho de estar vivo
é estar-se inundado de palavras,
não se acabar realmente com nada,
ter uma febre intensa
e uma estrela
muito alta.

O estranho de estar vivo é
caminhar de noite, insone, a nomear as coisas,
é nem sempre saber, diante da planta
o que é uma planta, diante da pedra
o que é uma pedra, diante de um homem
o que é um homem, ou o que possa ser.

O estranho de estar vivo é ter
palavras entre nós e as coisas
sem poder nomear. O estado mais puro
do estranho de estar vivo é
o tempo indiferenciado
do sonhar acordado.»

15.1.18

Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais, Apresentado a 16 de Janeiro no Museu da Farmácia






O livro de ensaios de Maria Filomena Molder, Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais, vai ser apresentado amanhã, 16 de Janeiro, às 18h30, no Auditório do Museu da Farmácia, na Rua Marechal Saldanha, n.º 1, em Lisboa (junto ao Miradouro de Santa Catarina).
A autora irá conversar com o crítico e ensaísta António Guerreiro.

A composição de Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais constitui uma amálgama, no sentido goethiano (alquímico). Os textos foram escritos entre 2003 e 2016, e a ordem não é cronológica.

Maria Filomena Molder é professora catedrática de Filosofia, FCSH, UNL.
Doutorou-se em 1992 com uma tese sobre «O Pensamento Morfológico de Goethe».
Escreve sobre problemas de estética para diversas revistas de filosofia e literatura, e sobre arte e artistas, para catálogos e afins.

As suas últimas publicações foram: Depósitos de Pó e Folha de Ouro (Lumme Editora), Rebuçados Venezianos (Relógio D’Água Editores; Prémio AICA/FCC 2017), As Nuvens e o Vaso Sagrado (Relógio D’Água Editores), O Químico e o Alquimista. Benjamin, Leitor de Baudelaire (Relógio D’Água; Prémio Pen-Clube 2011 para Ensaio).