28.12.10

Adoecer de Hélia Correia vence Prémio Fundação Inês de Castro



O Prémio Literário Fundação Inês de Castro de 2010 para o melhor romance acaba de ser atribuído a Adoecer de Hélia Correia, editado pela Relógio D’Água.

O júri foi constituído por Mário Cláudio, Frederico Lourenço, Fernando Guimarães e Pedro Mexia e presidido por José Carlos Seabra Pereira.

A entrega do prémio terá lugar no próximo dia 5 de Fevereiro, no Hotel Quinta das Lágrimas Relais & Chateaux, em Coimbra.

21.12.10

Livros da Relógio D’Água nos Media (Semana de 13 a 19 de Dezembro de 2010)

No Ípsilon de 17 de Dezembro, Rogério Casanova considera Meridiano de Sangue de Cormac McCarthy "Mas qualquer diálogo sobre Meridiano de Sangue está condenado a traçar círculos concêntricos à volta do seu fulcro, o juiz Holden. Harold Bloom chamou-lhe a "mais aterradora criação da literatura americana" e, por uma vez na vida, a sua histeria hierarquizante parece justificada. Como Ahab, o juiz vai anexando lentamente um romance que pertencia a terceiros, submetendo a narrativa a uma espécie muito particular de possessão demoníaca".

No mesmo número do Ípsilon, Rui Catalão escreve sobre Memento Mori de Muriel Spark, onde "A velhice, a perversidade, a graça e a tortura familiar por uma católica convertida, contemporânea de Greene e Waugh".

No suplemento Actual do Expresso de 18 de Dezembro, Ana Cristina Leonardo escreve sobre Águas da Primavera de Ivan Turguénev, "A história contada por Turguénev é curta e o final, não sendo feliz, nem por isso é trágico. Mais do que cercado por "ondas tumultuosas", o destino de Dmitri apresenta-se-nos, logo no capítulo introdutório, como "liso, imóvel e transparente". A vida tornara-se um enfado. "No se puede vivir sin amar", escreveria muito mias tarde Marlcolm Lowry, que não era russo".

14.12.10

Petersburgo - Andrei Béli

 
A história de Petersburgo decorre no Outono de 1905 e inclui reaccionários, niilistas, uma tentativa de parricídio e uma bomba escondida numa lata. No entanto, a personagem principal é mesmo a cidade  que dá título ao romance. no coração do livro está a questão que durante gerações tem atormentado os russos: a identidade nacional.
 
«As grandes obras em prosa do século XX são, por esta ordem, o Ulisses de Joyce; A Metamorfose de Kafka; Petersburgo de Béli, e a primeira metade do conto de fadas Em Busca do Tempo Perdido de Proust.» [Vladimir Nabokov]
 
«Andrei Béli é um poeta de primeira ordem e o autor mais admirável ainda das Sinfonias em prosa, de O Pombo de Prata e de Petersburgo, romances que, antes da Revolução, operaram nos seus contemporâneos uma radical mudança de gostos, de onde jorrou a primeira prosa soviética.» [Boris Pasternack]
 
«A literatura do período entre as duas revoluções (1905-1917), decadente no seu humor e no seu alcance, extremamente refinada na sua técnica, uma literatura do individualismo, do simbolismo e do misticismo, encontrou em Béli (Branco) a sua expressão mais alta e, ao mesmo tempo, mais directamente prejudicada pela Revolução de Outubro. Béli acredita na magia das palavras.» [Lev Trotsky]
 
«Um romonce que resume a Rússia inteira.» [Anthony Burgess]
 
«Um homem de percepções estranhas e inauditas - um homem mágico e, na tradição da ortodoxia russa, um louco sagrado.» [Isaiah Berlin]
 
«O romance Petersburgo, seja qual for o modo como se aborda a sua concepção, é um acontecimento imenso na história da prosa russa...» [Ilia Ehrenbourg]
 
«O romance russo mais importante, mais influente e mais perfeito do século XX.» [New York Review of Books]

Lao Tse - Tao Te King, Livro do Bom Caminho e do Bom Caminhar


O Tao Te King, que segundo a tradição terá sido escrito no século VI a.C. por Lao Tse, já foi traduzido mais vezes do que qualquer outra obra excepto talvez a Bíblia e ocupa um lugar muito importante na história do pensamento chinês. Na presente tradução, procurou-se seguir o mais fielmente possível o texto original e respeitar o seu estilo conciso e paradoxal. Os comentários a cada capítulo, assim como um texto adicional com informação sobre os conceitos filosóficos expostos neste livro clássico chinês, pretendem auxiliar o leitor na intrepretação de algumas passagens mais obscuras.

O Tao Te King preconiza uma maneira de agir que se ajuste perfeitamente ao mundo. Corresponde a deixar tudo fluir por si, sem ir contra o que é natural.

O tradutor:

António Miguel de Campos, nascido em 1951, licenciou-se em Engenharia Electrotécnica pela Universidade do Porto (1974) e recebeu depois o grau de M.Sc in Electrical Engineering da Universidade de Houston (1977), onde trabalhou durante três anos como Assistente, ao abrigo de uma bolsa da Fundação Fullbright. Data dessa época o seu interesse pelo Tao Te King e pela filosofia taoista. De volta a Portugal, iniciou a sua actividade como investigador no LNETI, onde foi responsável pelas actividades de Investigação e Desenvolvimento em Sistemas Microcomputadores (1981-84) e em Robótica e Visão por Computador (1984-1994). As suas publicações científicas mais relevantes dizem respeito à percepção para robôs móveis. Foi depois Professor Associado Convidado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Macau (1994-1998) e, de volta a Portugal, Director do Departamento de Electrónica do INETI (1999-2009). Actualmente é Investigador Principal no LNEG. Durante os últimos três anos, dedicou uma grande parte do seu tempo livre à tradução do Tao Te King, a partir das fontes chinesas.

13.12.10

Novas Traduções de Cormac McCarthy

 «Meridiano de Sangue (...) é claramente, a meu ver, o maior feito estético da literatura americana contemporânea.» - Harold Bloom, The New York Observer

«Um romance clássico de regeneração pela violência. McCarthy pode apenas ser comparado com os nossos escritores maiores, com Melville ou Faulkner, e este livro é a sua obra-prima.» - Michael Herr
«Um western moderno (...) que transcende os limites do seu género com imaginação indisciplinada, ousada e insondável. Belos Cavalos é um verdadeiro original americano.» - Newsweek

«O ritmo elegíaco de Belos Cavalos retrata as terras áridas do Texas e do norte do México com uma paixão que a maioria dos escritores não consegue ou não se atreve a explorar.» - Boston Globe

Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda de J. M. Keynes


Em 1936, John Maynard Keynes publicou o livro mais provocador da sua geração. Teoria Geral, como é conhecido por todos os economistas, solucionou vários nós górdios da discussão pré-keynesiana do ciclo comercial e propôs uma nova abordagem para a determinação do nível de actividade económica, os problemas do emprego e as causas da inflação. Os debates acerca do livro prolongaram-se até à morte do autor em 1946 e continuam nos dias de hoje. Apesar de tudo o que foi escrito nos anos posteriores, Keynes e o seu livro ainda representam a ruptura entre a velha e a nova economia, de onde cada geração de economistas retira inspiração para novas tentativas de desenvolver o seu trabalho.

Desenho de Gwendolen Raverat

7.12.10

Livros da Relógio D’Água nos Media (Semana de 29 de Novembro a 5 de Dezembro de 2010)

No Ípisilon do Público de 3 de Dezembro, Maria da Conceição Caleiro escreve sobre Mistérios de Lisboa, obra de Camilo Castelo Branco prefaciada por Raoul Ruiz: "Quase em simultâneo: Mistérios de Lisboa (1854) de Camilo Castelo Branco, em nova edição, com acutilante prefácio do cineasta Raoul Ruiz, e nas salas o filme de Ruiz com o mesmo nome. Autor que aceitou o convite vertiginoso à valsa de mil tempos cruzados. Ambos geniais, se bem que gerados em mundos e momentos diferentes".

Na mesma edição do Ípisilon, João Bonifácio escreve sobre Depois da Chuva de William Trevor: "Na belíssima capa de Depois da Chuva temos o recorte de uma árvore em dia de chuva, magros ramos, frágeis folhas azuladas. É uma imagem justa para tão triste e precioso livro de um mestre da melancolia íntima".