29.5.19

Sore O Susto, de Agustina Bessa-Luís




«Teixeira de Pascoaes: vida, morte e família, segundo Agustina

Em 1958, Agustina Bessa-Luís publicou O Susto. O livro pode ser descrito como uma biografia de Teixeira de Pascoaes, falecido seis anos antes, que responde no romance pelo nome de José Midões. O poeta, a família, os que dela dependiam e os seus amigos aparecem com os seus nomes mudados. Através desta simples alteração dos nomes, Agustina passa da biografia ao romance, ou seja, cava para si um espaço de liberdade criativa, que é próprio da ficção. As suas interpretações deixam de estar amarradas à realidade. A necessidade de contar, tal e qual, como se passaram as coisas e como eram as suas personagens na vida real deixa de existir. Da mesma forma, desaparece a necessidade de se fazer prova do que se diz. Por isso, pode dizer-se que a biografia deixa de fazer parte da história, para entrar no domínio mais propriamente literário. Trata-se, pois, de uma biografia romanceada. Perturbante, diga-se desde já. Que não corresponderá, propriamente, ao que foi a vida de Pascoaes. Mas que, por paradoxal que pareça, adquire uma força explicativa porventura maior do que se Agustina se tivesse limitado a escrever a biografia de Pascoaes. […]
Reconheça-se que, sem as notas do prefácio [de António Feijó], não teria ido ler a troca de cartas entre Agustina e o irmão de Teixeira de Pascoaes, publicadas no “Suplemento Literário” do Jornal de Notícias, em 15 e 22 de Janeiro de 1959. João Teixeira de Vasconcelos, chamado Cipriano no livro em causa, sentindo-se agravado com tantas distorções saiu em defesa do defunto irmão e da sua família, escrevendo que o verdadeiro susto fora ele que o sentira frente a quem ousara tocar na “figura agigantada do Pascoaes”.  

Ao que Agustina respondeu uma semana depois, numa prosa tão suculenta, quanto truculenta: “Quando ouvir que alguém detracta os seus e insinua misérias dos que lhe são caros, na sua presença, assente-lhe duas bordoadas e arrume o caso assim. Ao mesmo tempo que limpa uma mancha, pode castigar um mentiroso. Mas com as figuras mentirosas dos meus livros não se meta, nem que se trate do leão da Nemeia, do touro de Creta, das hidras múltiplas de não sei que terra; às vezes eu própria estou por baixo da pele desses animais, e arranho, e escorneio, e lanço veneno. Isso é comigo e com todo o mundo. Consigo e com a causa de Pascoaes, em particular, nunca é” (JN, 22-1-1959).» [Diogo Ramada Curto, Expresso, 24/5/19]

27.5.19

Norberto Morais em entrevista e pré-publicação no JL, a propósito de A Balada do Medo, a publicar em breve na Relógio D’Água





«Na sua terra, é conhecido por Cornélio Santos Dias de Pentecostes, mas no resto do país e no estrangeiro apresenta-se com outros nomes, outras vidas. O protagonista do novo romance de Norberto Morais, A Balada do Medo [a publicar em breve na Relógio D’Água], é um caixeiro-viajante, mulherengo e feliz. Até ao dia em que a morte lhe aparece sob a forma de um sicário. Com um mês de vida — é essa a ameaça — terá de se confrontar com a realidade. Visto com os olhos de um condenado, a sua existência não é afinal tão encantadora, nem simples, nem feliz. Fazendo jus à sua formação em Psicologia, o escritor mergulha numa mente cada vez mais inquieta. Ao contrário dos dois romances anteriores, centrou-se intencionalmente numa única personagem. Talvez tenha perdido em diversidade, mas na sua opinião esta pesquisa humana e literária compensou largamente. Para sobreviver, Cornélio Santos tem de pagar cem cádos (tudo se passa numa geografia imaginária) por dia. E de descobrir quem o quer matar.
[…]
— O argumento, na verdade, assenta na luta contra a morte.
— Exatamente. O livro tem como protagonista um caixeiro-viajante com múltiplas vidas. Em cada cidade por onde passa é uma pessoa diferente. Sem nunca ser ele próprio, acaba também por nunca saber quem verdadeiramente é. Na sua opinião, leva uma vida normal, com mulher e quatro filhos e muitos casos espalhados pelas suas viagens. Um dia, porém, é confrontado com uma sentença de morte. A partir daí, tudo lhe cai em cima.

— O romance passa-se numa geografia pouco precisa. Porquê?

— Tem sido assim desde o meu primeiro romance. Criei uma espécie de sexto continente, uma América Latina só minha. Para quem conhece essa região, a sua geografia e história, é fácil encontrar paralelismos com esse meu continente literário. Mas há diferenças, misturas, conhecimento que vem só dos livros e da imaginação.» [JL, 22/05/2019]

Sobre Diário de Oaxaca, de Oliver Sacks




Oliver Sacks é conhecido como um explorador da mente humana — um neurologista que analisa casos raros e complexos. No entanto, Sacks é também membro da American Fern Society, revelando desde a sua infância um fascínio por plantas primitivas e pela sua adaptação a climas diferentes.
Em Diário de Oaxaca, Sacks conta-nos a viagem que realizou com alguns colegas da American Fern Society a Oaxaca, uma província no México. Este livro junta a paixão de Sacks pela história natural e a riqueza da cultura humana com o seu olhar atento ao pormenor. Diário de Oaxaca é uma evocação de um lugar, das suas plantas, do seu povo e de todas as suas maravilhas.

«Fácil de compreender, sem o peso de uma vasta pesquisa enciclopédica mas recheado de erudição.» [The New Yorker]

«Como todos os bons diários, tem uma relação imediata com o leitor… este livro é um prazer raro.» [The Globe and Mail (Toronto)]

«Diário de Oaxaca aumentou o meu desejo de visitar o México, como só a melhor escrita sobre viagens o faz.» [Providence Journal]

Esta e outras obras de Oliver Sacks estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/oliver-sacks/

Sobre Pintado com o Pé, de Djaimilia Pereira de Almeida




Carlos Vaz Marques falou sobre «Pintado com o Pé», de Djaimilia Pereira de Almeida, no programa Livro do Dia de 22 de Maio, na TSF. O programa pode ser ouvido aqui.

Sobre Kudos, de Rachel Cusk




«O exercício de ler este livro de lápis na mão é, por sua vez, um desafio à contenção. Os pensamentos e as conversas das personagens que o povoam — as pessoas com que Faye se vai cruzando e que ouve como um terapeuta num consultório, sem espaço para muitas conversas, mas capaz de suscitar a auto-reflexão — são um manancial ambicioso para abordar mais do que a literatura: a vida. Essas pessoas estão todas em momentos de falha ou de superação de falha. Como ela. Uma falha pessoal, criativa, política. Como o momento histórico de que Cusk não se desvia. E em tudo, na mais elevada discussão literária ou política como na descrição de um ambiente doméstico, o espelho está sempre colocado em frente de cada uma das personagens, de cada um dos leitores, à própria Faye. Ou Rachel. É um espelho que interpela e se manterá depois da leitura deste “Kudos”, título retirado da palavra grega “kudos”, a remeter para o conceito de “reconhecimento” ou “louvor”.» [Isabel Lucas, ípsilon, Público, 24/5/19]


Mais informação sobre Kudos aqui: https://relogiodagua.pt/produto/kudos/

24.5.19

Sobre Tu Sabes que Queres: “Amante de Gatos” e Outros Contos, de Kristen Roupenian




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Tu Sabes que Queres: “Amante de Gatos” e Outros Contos, de Kristen Roupenian (trad. Alda Rodrigues)

“Amante de Gatos”, de Kristen Roupenian, foi em 2017 um dos dois contos mais lidos de sempre, tanto online como em papel, na The New Yorker. Tal sucesso deve-se, segundo o Washington Post, ao facto de o conto dar voz não ao leitor comum da publicação, mas a uma geração mais jovem.
Segundo a The Atlantic, o conto capta o medo das jovens mulheres a viver em 2017, o que, entre outras coisas, implica uma desesperante necessidade de ser boa e simpática a todo o custo.
Tu Sabes que Queres é uma coletânea que inclui esse e outros contos, onde Roupenian explora as conexões complexas e por vezes sombrias de género, sexo e poder.

“É, a par de Brokeback Mountain, o conto mais falado de sempre (...). Já suscitou inúmeras interpretações.”   [The Guardian]

“A autora domina a linguagem, as personagens e a história. Roupenian possui uma habilidade única de narrar histórias que temos a sensação de já ter ouvido, mas de um modo despretensioso e acessível, o que faz com que acreditemos que são verdade.”   [New York Times Book Review]

“Se achas que sabes como esta coletânea é, estás enganado. As histórias são perspicazes e perversas, sombrias e bizarras, implacáveis e loucas. Gostei imenso de todas elas.”   [Carmen Maria Machado]

“O mundo faz bastante mais sentido depois de ler este livro.”   [Miranda July]

“Um objeto de estudo para homens e mulheres.”    [The Economist]


Tu Sabes que Queres será brevemente adaptado a série de televisão pela HBO.

Sobre Crónicas, de Bob Dylan




Bob Dylan chega a Nova Iorque em 1960, quando não completara ainda vinte anos. 
Os encontros que teve na tumultuosa e noctívaga Greenwich Village haveriam de marcar a sua vida. 
Bob Dylan recorda em Crónicas os seus encontros com músicos, produtores e artistas e os seus primeiros amores e fala-nos da desordenada biblioteca, descoberta em casa de um amigo e que foi essencial na sua formação, onde leu de Tucídides a Eliot. 
Há ainda a história da sua vida em Nova Orleães e Woodstock, onde a avassaladora fama, que o perseguiu como símbolo de uma geração, impediu a vida familiar que desejava ter com a mulher e os filhos. 
Crónicas fala-nos também da origem de várias canções de Dylan e das gravações de alguns dos seus álbuns. 
No conjunto, compõem um quadro íntimo e incisivo da vida de Dylan, inseparável da sua criação poética e musical.

«Se os teus olhos não se humedecerem de gratidão ao acabar de o ler, então, honestamente, os anos passaram por ti… Não me recordo de um livro que me tenha feito mais feliz do que este.»
[Bryan Appleyard, The Sunday Times (Londres)]

«Uma obra essencial, tão poderosa e palpitante como a “bíblia” de Dylan, Pela Estrada Fora, de Jack Kerouac (…). Ler este livro é como entrar na pele de um poeta, do poeta da nossa geração.»
[Kyle Smith, People]


Este e outros livros de Bob Dylan disponíveis aqui.