11.3.26

De Presa Comum, de Frederico Pedreira

 «1.


Cerrando a linha ténue

da amizade, aqui me tens,

a terminar de ferrugem

a cancela que estremece

ao passar do nosso dia alegre,

sem muito mais que dizer.


É domingo entre nós. Isso ou

a murcha e solitária metáfora

que nada diz, agora já tanto faz.

Olhos avisados sobre o balcão

e os modos incertos que um

guarda‐chuva irá amparar.


Às vezes vou com calma, também

me acho trémulo em frente ao espelho

aterrador, sem grandes enganos,

rumos ou demónios de cordel.

Às vezes, é só um gesto teu.»

[p. 11 de Presa Comum, de Frederico Pedreira]


Presa Comum e outras obras de Frederico Pedreira estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/frederico-pedreira/

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