13.12.22

Sobre Segunda Casa, de Rachel Cusk

 



«[…] Second Place [Segunda Casa], de Rachel Cusk, que tenho lido devagar, mutíssimo devagar, não só porque intervalo com outro mas também porque é denso, psicologicamente complexo. Escrito durante o confinamento, Second Place inspira-se nas segundas casas que gostámos de ter, gostaríamos de ter tido nesse período ou, simplesmente, a outra vida que podíamos viver, a outra pessoa que poderíamos ser, ou ter sido, não fosse o tempo que passou, as responsabilidades que nos caíram em cima, a própria natureza que faz de nós o que somos e da qual não podemos fugir, por muito que nos apeteça, por muito que queiramos sair de dentro de nós, dos nossos pensamentos, das nossas convicções, das nossas formas de estar que se impõem e não permitem que nos transformemos nessa outra pessoa (nessa segunda casa) que julgamos poder viver dentro de nós. Mas é também sobre a dúvida que nos assola quando pensamos nisso, se será que é mesmo isso que desejamos, se não nos sentiríamos perdidos caso deixássemos de ser quem somos. A escrita de Rachel Cusk é a de uma mulher sóbria, introspectiva e que me surpreende porque me revejo em alguns dos seus dilemas, um dos quais o modo como nunca soube ser autoritária, não dá ordens a quem quer que seja, nem sequer à filha, ao mesmo tempo que pondera se essa falha será assim tão grave, se uma imperfeição ou uma força que ela não vê em si mas que os outros reconhecem embora não mencionem. É um livro que não nos deixa indiferentes […] e recomendo vivamente.» [André Abrantes Amaral, Observador, 11/12/2022:https://observador.pt/opiniao/cinco-livros-lidos-em-2022/amp/]


«Segunda Casa» (trad. Sara Serras Pereira) e «Kudos» (trad. Ana Falcão Bastos) de Rachel Cusk estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/rachel-cusk/

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