5.3.21

Sobre «O Retrato de Dorian Gray — Edição não Censurada», de Oscar Wilde

 

«“Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem escritos ou mal escritos. Isso é tudo.” A frase consta do prefácio de “O Retrato de Dorian Gray”, o único romance de Oscar Wilde, publicado em 1891. Ao lado dela, há muitas outras, supostamente explicativas dos princípios que teriam norteado a sua escrita. O que, na altura, poucos sabiam é que o livro já tinha um passado, e que a inclusão de um preâmbulo deste teor serviria para o justificar ou atenuar. Pelo menos, pouparia a obra de arte de um juízo moral da qual deveria estar isenta. (…) Na altura da publicação do livro, Oscar Wilde tinha de reforçar todo um trabalho feito sobre o texto com o objetivo de lhe ocultar feições mais ambíguas, “condenáveis” do ponto de vista da moral vigente. O leitor recebia assim um livro e a grelha de leitura à luz da qual este devia ser interpretado, de forma a que não restassem dúvidas sobre as intenções do autor. (…) Em 2011, 130 anos depois, a Harvard University Press publicou o texto original, não censurado, agora traduzido por Margarida Vale de Gato, numa edição da Relógio D’Água, com prefácio de Paulo Faria.»

[Luciana Leiderfarb, «E», 2021-03-05]

«O Retrato de Dorian Gray — Edição não Censurada» e outras obras de Oscar Wilde  estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/oscar-wilde/

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