5.2.21

Sobre «Sapatos de Corda», de Mónica Baldaque

 

«É de Mónica o olhar. Recai sobre uma mulher que caminha pelo areal. “É a imagem mais terna que tenho da minha mãe. É em Esposende, na praia. Eu estou cá em cima, nas dunas, a vê-la. Ela não gostava muito de praia, mas gostava de passear na praia. Vejo-a à beira-mar com uns sapatos brancos de corda que ela usava imenso. Ela ia por aí afora e eu de repente deixo de a ver, porque um raio de sol fazia-a desaparecer. Havia uns segundos de suspense, e ela reaparecia. Eu olhava para o chão e não via as pegadas dela. As pegadas desapareciam. É a imagem que mais me comove quando penso nela”, diz Mónica Baldaque sobre a mãe, Agustina Bessa-Luís, num livro que é um diário de família centrado também na relação com o pai, o advogado Alberto Luís: “Sapatos de Corda”.
(…)
Através do discurso directo, recorrendo a fotografias, cartas, excertos de romances, entrevistas, quadros, compõe um álbum de família marcado pela certeza da sua incompletude. “Este livro foi uma conversa que eu ia tendo, talvez até um diário que eu ia escrevendo. Escrevia todos os dias e iam surgindo as imagens, as matérias, as oportunidades de dizer isto ou aquilo”, conta.»

[Isabel Lucas, «Mãe é uma imagem feita de pegadas que se apagam na areia», «Ípsilon», 2021/02/05]

«Sapatos de Corda», de Mónica Baldaque, está disponível em: https://relogiodagua.pt/produto/sapatos-de-corda/

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