14.1.20

A propósito de Vilém Flusser





«Na sua fenomenologia das coisas, Flusser considera um chapéu-de-chuva, uma carpete, um rádio portátil, artefactos de igual importância, cada um deles oferecendo uma perspectiva sobre a cultura de uma dada época e de um dado contexto. Vê o design como o meio através do qual produzimos objectos artificiais, para uso, funcionais, mas que também transportam a sua própria semântica e significado. Como modo de dar forma ao caos original que era o mundo antes da nossa existência. “Design significa, entre outras coisas, destino”, diz-nos ele. “O facto de nos colocarmos questões é a tentativa colectiva de nos apoderarmos do destino e de, colectivamente, o modelarmos.”» [Guta Moura Guedes, E, Expresso, 11/1/2020]

O crítico de media e filósofo, Vilém Flusser, defende, numa série de pequenos ensaios, que o nosso futuro depende do design. Abrangendo uma grande variedade de temas – ética industrial; tendas, chapéus-de-chuva e xamãs; a arquitectura de Wittgenstein; vasilhas cerâmicas –, Flusser centra a atenção nas relações entre a arte e a ciência, a teologia e a tecnologia, a arqueologia e a arquitectura. O design, ou seja, o dar forma às coisas, produziu no passado instrumentos de destruição de massa e grandes obras de arte; a sua evolução é, por conseguinte, uma ameaça e, simultaneamente, uma grande oportunidade para o homem do futuro. A este propósito, Flusser não tem dúvidas: o nosso futuro é essencialmente uma questão de design, de forma das coisas. Em torno desta provocatória tese desenvolve esta antologia de pequenos ensaios, surpreendentes pelo estilo irónico e linguagem alusiva, pela penetrante agudeza crítica e desarmante simplicidade. Um interessante instrumento de interpretação para nos orientarmos na quotidianidade material e nos possíveis cenários da evolução.


Uma Filosofia do Design — A Forma das Coisas, de Vilém Flusser (trad. Sandra Escobar), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/uma-filosofia-do-design/

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