8.2.19

Sobre a Saga de Selma Lagerlöf, de Cristina Carvalho





«Biografias romanceadas há muitas. O que Cristina Carvalho fez foi outra coisa: chamou-lhe romance biográfico. Ainda hoje a escritora sueca de maior projecção internacional, Selma Lagerlöf rompeu a barreira da língua, impondo-se ao vasto mundo. Verdade que o Nobel da Literatura ajudou, mas, em 1909, quando o recebeu, era já autora de um livro que se tornou um clássico, A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson pela Suécia. […] Facto é que, sem ignorar nenhum detalhe relevante, a autora constrói o livro como um patchwork de memórias. Está lá tudo: a casa de Marbacka; a descoberta dos pavões, acontecimento de tal modo marcante que pôs fim às limitações provocadas pela deficiência no quadril esquerdo com que Selma havia nascido («De repente, caminhei»); a morte do pai; os anos da juventude; o intervalo de Falun; a docência com crianças; a descoberta da condição feminina; o combate sufragista; as relações lésbicas (com Sophie Elkan, sua companheira durante 27 anos, mas também com Valborg Olander, amante e consultora literária); as viagens pela Europa e pela Palestina; o sucesso estrondoso do primeiro livro, A Saga de Gösta Berling (1891); a carreira literária ao arrepio dos padrões da época; o Prémio Nobel; o ingresso na Real Academia Sueca em 1914, privilégio até então vedado a mulheres; a troca de cartas com a poetisa Nelly Sachs, vítima do Holocausto e futura Nobel; a amizade com o pintor Carl Larsson; etc.» [Eduardo Pitta, Sábado, 7/2/2019]

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