31.5.16

Sobre Todos os Contos, de Clarice Lispector




«Hoje na Sábado escrevo sobre a integral dos contos de Clarice Lispector (1920-1977), que Benjamin Moser juntou num único volume. São oitenta e cinco. Os que tiveram publicação em volume, mais os avulsos repescados em jornais, revistas e outras publicações, um texto arquivado na Fundação Casa Rui Barbosa, bem como inéditos do espólio. Atentas as variantes ocorridas ao longo do tempo, Moser optou pelas edições originais. Portanto, depois da integral das crónicas, temos Todos os Contos. Clarice é a déracinée típica, a mulher que nasceu na Ucrânia, à época território russo, no seio de uma família judaica, mas foi ainda bebé para o Brasil (a família teve de fugir dos pogroms anti-semitas), onde o pai lhe mudou o nome: Haia virou Clarice. Nessa altura ainda não tinha a nacionalidade brasileira, que só obteve em Janeiro de 1943, já com o curso de Direito concluído, onze dias antes de casar com um diplomata e no mesmo ano em que publicou Perto do Coração Selvagem, o romance de estreia que provocou ondas de choque nos círculos literários mais exigentes. Tinha nascido uma lenda. No prólogo, Moser faz notar que a obra «é o registo da vida inteira de uma mulher, escrito ao longo da vida inteira de uma mulher […] o primeiro registo do género em qualquer país.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, 25/5/2016]

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