30.3.15

Sobre Não Posso nem Quero, de Lydia Davis







«O conto mais extraordinário do volume é “As Focas”, meditação sobre a morte das pessoas de família a quem não dávamos a devida importância, mas cuja ausência, sublinhada pelo fetichismo do tempo que passa, nos causa desgosto e desconsolo. (…) Apesar do pathos dos contos mais longos, e de algumas miniaturas perturbadoras, Lydia Davis escreve especialmente bem sobre “o sentimento de já não estar dentro da minha própria vida”, um sentimento que atenua com a surpresa e a imprevisibilidade. Quando se diz de alguém que ela sabe em Chicago mas ainda não percebeu que está no Illinois, isso não se refere decerto a um desconhecimento geográfico, mas a uma associação de memórias (traumáticas?) com “Illinois”, que ainda não aconteceu, mas que está iminente, mal acabe o conto.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 28-3-2015]

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