11.12.14

Sobre Nocturno Europeu, de Rui Nunes






«Não são os temas mas, em casos extremos, a recusa o que torna a escrita um audaz desafio à ordem geral. Enquanto testemunho, primeiro que tudo. Na recusa em deixar-se comover e embalar como outra razão inocente. Esta escrita não serve atalhos emocionais, não pretende levar ninguém a esquecer-se de si ou das suas circunstâncias. Escava contra os limites de si mesma. Nocturno Europeu percorre a incerta distância que vai da Alemanha à Grécia, apalpando a fortaleza da “europa comum” (“A mão do cego lê na proximidade da pedra. / Ou de outra mão. / A mão do cego não acolhe, pressente. / Sinuosa irrespirável solidão.”). É um olhar intenso que, no buraco que escava, chega a vislumbrar as frescas ruínas de Alepo, na Síria. Capaz de abolir o tempo, este olhar pressente o seu ciclo interminável. “Não há quando: / um homem não tem quando. / Um tempo qualquer encena o presente. / Eis a vingança de um deus. / De Deus.”» [Diogo Vaz Pinto, i, 09-12-2014, texto completo aqui ]

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