23.12.14

José Tolentino Mendonça Escreve sobre Simone Weil


Na sua crónica «Que Coisa São as Nuvens», publicada na Revista, do Expresso, de 20 de Dezembro, José Tolentino Mendonça escreve sobre a obra de Simone Weil, de que a Relógio D’Água acaba de publicar O Enraizamento.


«E essa radical individualidade tanto nos incomoda como nos ilumina. Simone Weil irrompe numa das décadas mais devastadoras do século passado, munida unicamente da sua inteligência e de uma terrível autenticidade. Escolhera para si duas disposições de espírito a que procurou ser fiel, com uma ardente, criativa e inabitual intransigência: primeiro, sentia que devia adequar todos os detalhes da sua vida à sua forma de pensar, apresentando-se indisponível para fazer cedências ao pragmatismo ou ao cinismo tidos por inevitáveis; segundo, sabia que o exercício do seu pensamento (leia-se o exercício de si mesma) a colocava perante uma representação da verdade, cujas consequências ela queria abraçar incondicionalmente, hipotecando-lhe tudo. Foi literalmente assim que viveu. E isso fez dela uma anomalia, uma espécie de blasfémia, um escândalo que a contemporaneidade não consegue atenuar.»


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