8.4.26

De O Mundo de Ortov, de Jaime Rocha

 “Quem é Ortov? Uma personagem, um espantalho, um corpo que anda e gesticula, uma ideia, um texto, um homem, uma mulher, um ser errante, um boneco, um actor, uma poltrona, um espelho, um poeta, um animal, um gravador, um saco de plástico, ou é tudo isso ao mesmo tempo? Ou será a nossa própria vida, a de nós todos, o presente inquietante, o futuro incerto, o bem e o mal?” [Fragmento da Introdução, “Ortov — Vida e Território”]


O Mundo de Ortov e outras obras de Jaime Rocha já editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jaime-rocha/

Sobre O Terceiro Reino, de Karl Ove Knausgård

 Isabel Coutinho e José Riço Direitinho destacam O Terceiro Reino, de Karl Ove Knausgård, entre os livros recentemente chegados às livrarias: https://www.publico.pt/2026/03/19/culturaipsilon/noticia/lingua-portuguesa-gregorio-duvivier-regresso-duas-obras-esgotadas-2168185


Durante vários dias, uma estrela nova, estranha e intensamente brilhante paira no céu da Noruega, semeando um sentimento de presságio, agitação e medo. Tove, uma pintora em férias com a família, mergulha numa psicose que a lança num turbilhão de criatividade. Geir, um polícia que está a investigar um triplo homicídio, chega a uma revelação sinistra que terá de guardar para si. Line, uma jovem de 19 anos, apaixona-se pelo vocalista de uma banda de metal e é atraída para um mundo secreto e aterrador. Mas o mais desconcertante é a descoberta feita por Syvert, um agente funerário: desde que a estrela apareceu, ninguém morreu.

Em O Terceiro Reino, Karl Ove Knausgård retoma o mundo hipnotizante de A Estrela da Manhã e Os Lobos da Floresta da Eternidade, enquanto um elenco de personagens novas e familiares continua a confrontar-se com o significado desta estrela. O que assombra, e porquê?

Sobre Robinson Crusoe, de Daniel Defoe

 Escrito quando tinha sessenta anos, Robinson Crusoe foi o primeiro romance de Daniel Defoe. Produto de uma imaginação poderosa, tornou-se um sucesso imediato e mantém-se como uma das obras mais importantes e controversas da literatura inglesa. Robinson Crusoe é a história das viagens e aventuras de um mercador, do seu naufrágio e da sua vida solitária numa ilha. Baseado na vida de Alexander Selkirk, é uma obra fascinante pelas suas descrições de Crusoe, o modo engenhoso e imaginativo como criava e usava utensílios e como conhece e se relaciona com Sexta-Feira. Como é evidente, a imagem que dá dos povos da região e do próprio Sexta-Feira é marcada pelos preconceitos do seu tempo. Mas a obra transcende largamente o horizonte da sua época. Robinson Crusoe é, como escreveu Defoe, uma narrativa ao mesmo tempo alegórica e histórica, uma abordagem do modo como um homem, que dedicado ao comércio, consegue sobreviver, graças ao engenho, numa altura em que bens e dinheiro de nada lhe servem. E como enfrenta a solidão recorrendo aos trabalhos e à imaginação.


Robinson Crusoe (trad. Miguel Serras Pereira) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/robinson-crusoe-2/

7.4.26

Sobre Ensaios, de Thomas Mann

 «O leitor português recordará Thomas Mann por várias vias: a do romance devido A Montanha Mágica, a da novela devido A Morte em Veneza, dois entre tantos outros títulos que estão a ser reeditados em Portugal após os direitos de autor dos seus livros terem entrado no domínio público. No entanto, este regresso de Thomas Mann tem um benefício inesperado, a reunião de muitos dos seus ensaios e a tradução para a língua portuguesa numa edição de responsabilidade e prefaciada pelo germanista da Universidade de Coimbra, António Sousa Ribeiro.

[…]

Após o exílio no ano de 1933, pode ler-se nestes ensaios, Mann impôs a sua visão crítica do nazismo, regime que em muito contribuiu para o romance O Doutor Fausto. Daí que este Ensaios, tal como a leitura das suas alocuções aos microfones da rádio durante a II Guerra Mundial, devam merecer uma boa atenção nestes tempos em que o mundo está perante uma complexa encruzilhada.» [João Céu e Silva, DN, 6/4/2026: https://www.dn.pt/cultura/elogio-leitura-em-tempo-de-eliminar-saramago#]


Ensaios (selecção, prefácio e tradução de António Sousa Ribeiro) e outras obras de Thomas Mann estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/thomas-mann/

Banu Mushtaq em entrevista ao Observador

 «Francos, complexos, os 12 contos retratam comunidades na região de Karnataka: mulheres que levam vidas difíceis e isoladas, muçulmanos que lutam com a sua fé, ameaçada pelo dinheiro, pelo poder e pelo preconceito. Expõem, também, as diferenças de classe. As histórias nascem frequentemente de pequenos detalhes, explica a autora. “Pode ser uma palavra, um gesto, um olhar. Isso desencadeia a imaginação. O resto é ficção.”

[…]

Publicados originalmente na língua canaresa entre 1990 e 2023, os contos têm reminiscências dos muitos anos de trabalho de Mushtaq em profissões que exerceu para defender os direitos das mulheres e se opor a todas as formas de opressão de casta e religião na Índia. Mas a autora insiste na dimensão universal do livro: “Os seres humanos são iguais em todo o lado. O tema é a mulher, os marginalizados, dar voz a quem não a tem.”» [Joana Moreira, entrevista a Banu Mushtaq, Observador, 4/4/2026: https://observador.pt/especiais/nao-posso-ser-apenas-espectadora-banu-mushtaq-uma-vida-a-dar-voz-as-mulheres-do-sul-da-india/ ]


Candeia Coração, de Banu Mushtaq (tradução de Marta Mendonça), está disponível em https://www.relogiodagua.pt/produto/candeia-coracao-vencedor-international-booker-prize-2025/

Sobre O Rei Lear, de William Shakespeare

 «Em O Rei Lear o leitor/espectador assiste ao desfile da natureza humana vestida de muitas das suas melhores virtudes e dos seus maiores defeitos e vícios: o amor filial, a devoção do súbdito, a lealdade, a abnegação em prol do amor e do dever, a bondade, a lucidez passam aos nossos olhos lado a lado com o egoísmo, o ódio, a traição, a mentira, a crueldade e a loucura (natural e fingida). Se acrescentarmos que os portadores dessas virtudes e defeitos se estendem pelos vários escalões sociais, que vão do rei ao pedinte, do soldado ao camponês, de nobres a bobos e que os locais da acção são palácios e choupanas, o conforto de lares ricos e os espaços abertos à inclemência do tempo, uns e outros espalhados geograficamente por pontos vários da Inglaterra, poderemos dizer que quase tudo aquilo que compõe a vida humana está presente nesta peça. E é no choque entre essas variadíssimas componentes, virtudes e defeitos, riqueza e pobreza, nobreza e baixeza de carácter que a tragédia assenta, adensando-se de forma imparável, inapelavelmente, à medida que cada um desses variadíssimos aspectos se vai acentuando na acção.» [Da Introdução de M. Gomes da Torre]


O Rei Lear (tradução de M. Gomes da Torre) e outras obras de William Shakespeare estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/william-shakespeare/

A chegar às livrarias: A Promessa da Política, de Hannah Arendt

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Promessa da Política, de Hannah Arendt (tradução de Miguel Serras Pereira)


Nestes textos, Hannah Arendt aborda o problema da filosofia política, o problema da acção após a Revolução Francesa e a promessa inerente à prática política. Ao analisar Karl Marx, a autora mostra como a filosofia política regressou aos seus primórdios na Antiguidade e como essa tradição negligenciou a liberdade humana. Arendt sugere uma nova forma de entender a actividade política — na qual o fenómeno totalitário nunca poderia ocorrer —, que é de grande importância no actual momento histórico.


Mais informação sobre esta e outras obras de Hannah Arendt em https://www.relogiodagua.pt/autor/hannah-arendt/