«XX
[ANDRÓMEDA]
No meu peito a ferida abre de novo
quando as estrelas baixam e ficam parentes do meu corpo
quando cai o silêncio debaixo dos pés dos homens.
Estas pedras que soçobram dentro do tempo até onde vão arrastar-me?
O mar o mar quem poderá esgotá-lo?
Vejo as mãos acenarem todas as madrugadas ao abutre e ao falcão
atada ao rochedo que pela dor se tornou meu,
vejo as árvores que respiram a serenidade negra dos mortos
e de seguida os sorrisos, que não avançam, das estátuas.»
[p. 43 de Poemas Escolhidos de Yorgos Seferis, trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis, disponível em https://relogiodagua.pt/produto/poemas-escolhidosy-seferis/]


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