13.3.26

De Poemas Escolhidos, de Yorgos Seferis

 «XX


[ANDRÓMEDA]


No meu peito a ferida abre de novo

quando as estrelas baixam e ficam parentes do meu corpo

quando cai o silêncio debaixo dos pés dos homens.


Estas pedras que soçobram dentro do tempo até onde vão arrastar-me?

O mar o mar quem poderá esgotá-lo?

Vejo as mãos acenarem todas as madrugadas ao abutre e ao falcão

atada ao rochedo que pela dor se tornou meu,

vejo as árvores que respiram a serenidade negra dos mortos

e de seguida os sorrisos, que não avançam, das estátuas.»

[p. 43 de Poemas Escolhidos de  Yorgos Seferis, trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis, disponível em https://relogiodagua.pt/produto/poemas-escolhidosy-seferis/]

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