13.2.26

De A Terceira Miséria, de Hélia Correia

 «1.

Para quê, perguntou ele, para que servem

Os poetas em tempo de indigência?

Dois séculos corridos sobre a hora

Em que foi escrita esta meia linha,

Não a hora do anjo, não: a hora

Em que o luar, no monte emudecido,

Fulgurou tão desesperadamente

Que uma antiga substância, essa beleza

Que podia tocar-se num recesso

Da poeirenta estrada, no terror

Das cadelas nocturnas, na contínua

Perturbação, morada da alegria;» [A Terceira Miséria, p. 7]


A Terceira Miséria e outras obras de Hélia Correia estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/helia-correia/

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