13.1.26

Sobre A Alma dos Ricos, de Agustina Bessa-Luís

 «É do conhecimento do leitor a trilogia constituída por Jóia de Família (2001), A Alma dos Ricos (2002) e Os Espaços em Branco (2003), três romances em catadupa saídos da apurada pena de Agustina Bessa­‑Luís, e a que a autora deu o suporte comum de O Princípio da Incerteza. […]

A escrita de Agustina é como a água limpa e límpida, que tanto corre rápida como a lançadeira no tear como pode enredar­‑se em longos e lentos rodopios, como o abutre, antes de rapidamente se precipitar sobre a presa. Para o leitor, é uma teia sincopada com múltiplos sustenidos e bemóis e bandos de estorninhos que seguem os trilhos e os tempos que só eles verdadeiramente sabem, e de que logo apagam o rasto, como se se sentissem donos do espaço e do tempo, e nem o uso das pistas quisessem conceder a ninguém. Agustina, que se interessa pelos meandros da alma humana, atravessa o lugar, mas foge­‑lhe a pena para o deslugar, atravessa o tempo, mas foge­‑lhe o alento criador para o destempo.

Confirma bem o que acabo de dizer a lúcida descrição de José Luciano, após ter saído da prisão, desenhando com mestria o retrato de Vanessa: “Os hábitos são o que nos perde. Variar é humano e esconde as pistas”, dizia Vanessa.» [Do Prefácio de António Couto]


A Alma dos Ricos e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

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