25.1.26

No dia de aniversário de Virginia Woolf

 «Segunda‑feira, 25 de Janeiro [de 1915]


O meu aniversário — e seja‑me permitido contar todas as coisas que recebi. O L. tinha jurado que não me ia oferecer nada e, como uma boa esposa, acreditei nele. Mas introduziu‑se sorrateiramente na minha cama com um embrulhinho que era uma linda carteira verde. E trouxe o pequeno‑almoço para cima, com um jornal que anunciava uma vitória naval (afundáramos um navio de guerra alemão) e um embrulho pardo quadrado, contendo The Abbot — uma bela primeira edição. Pelo que tive uma manhã muito alegre e agradável — que, de facto, só foi superada pela tarde. Fui levada então à cidade, de graça, e foi‑me oferecido um presente, primeiro numa sala de cinema e, depois, no Buszards. Julgo que não tinha um presente de aniversário há dez anos; e teve esse sabor também — por estar um belo dia gelado, tudo vivo e animado, como deve ser, mas nunca é. […] De facto, não me lembro de quando desfrutei assim tanto de um aniversário — pelo menos, nunca desde que era criança. Sentados ao chá, decidimos três coisas: em primeiro lugar, ficar com Hogarth, se conseguirmos; em segundo, comprar uma máquina impressora; em terceiro, comprar um buldogue, provavelmente chamado John. Estou muito entusiasmada com todas as três ideias — principalmente com a impressora.» [p. 28 de Diários de Virginia Woolf, trad. Jorge Vaz de Carvalho]


Diários (selecção, tradução, prefácio e notas de Jorge Vaz de Carvalho) e outras obras de Virginia Woolf estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/virginia-woolf/


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