9.1.26

Gueorgui Gospodinov em entrevista

 «Já se sabe que escrever sobre a morte é perigoso. Ou se cai no melodrama, ou se sucumbe ao tecnicismo desapaixonado. Gospodinov evita essas armadilhas. A sua escrita é elegante, contida, nela há lirismo sem exibição, e atenta em pequenas epifanias: o olhar sobre uma planta que floresce tardiamente, o silêncio partilhado entre pai e filho, o reconhecimento súbito de que a vida — que o livro imita — é feita de fragmentos e que cada fragmento basta por si só. […]


Gueorgui Gospodinov: Quando se escreve sobre a morte está-se a escrever sobre a vida. Este é um livro mais sobre a vida do que sobre a morte. Acredito que a morte é um buraco negro. Na morte não há histórias e a morte é também o fim das histórias. É muito importante para mim sentir cada dia, cada minuto, cada segundo dos últimos dias com as histórias, com as palavras, com tudo. […] Sempre acreditei, também nos meus livros anteriores, que escrever é uma forma de manter profundo e preservável o que não pode ser guardado […].» [Isabel Lucas, Entrevista a Gueorgui Gospodinov, ípsilon, 9/1/2026: https://www.publico.pt/2026/01/09/culturaipsilon/entrevista/gueorgui-gospodinov-nao-vendam-vossas-nostalgias-2160266]


O Jardineiro e a Morte e outras obras de Gueorgui Gospodinov (traduções de Monika Boneva e Paulo Tiago Jerónimo) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/gueorgui-gospodinov/

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