19.10.25

Sobre Lavagante, de José Cardoso Pires

 «O protagonista, Daniel, é médico, galã e oposicionista. A sua vida combina a ideia de clandestinidade política e os amores clandestinos em quartos de ocasião com “flores de plástico, móveis de contrapalacado, bonecos de feira”. E as duas clandestinidades convergem em Cecília, menina-bem da província, vagamente estudante universitária em Lisboa, altiva e fria, caprichosa, de traços bem definidos e “corpo vivaz”, livre mas com o “vício da autoridade”, apolítica mas à la page (“Cahiers”, Bergman, Henry Miller). Quando a conhece, Daniel experimenta o “amor confessional”, o amor-paixão. E isso deixa-o na órbita de um agente da PIDE, protector e ocasional amante da rapariga. Situado no contexto das lutas académicas e subsequente repressão, “Lavagante” evoca um Portugal autoritário e marialva que celebrava “o selim e a mulher”. E a esse retrato junta uma frase atribuída a Napoleão: “É necessário cometer amiúde algumas imprudências, mas convém que sejam devidamente calculadas.”» [Pedro Mexia, E, Expresso, 17/10/2025: https://expresso.pt/revista/culturas/livros/2025-10-16-livros-jose-cardoso-pires-e-as-duas-clandestinidades-008e0ae1]


Lavagante e outras obras de José Cardoso Pires estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/jose-cardoso-pires/

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