28.10.25

De Obra Completa, de António Gedeão

 «VIDRO CÔNCAVO


Tenho sofrido poesia

como quem anda no mar.

Um enjoo.

Uma agonia.

Sabor a sal.

Maresia.

Vidro côncavo a boiar.


Dói esta corda vibrante.

A corda que o barco prende

à fria argola do cais.


Se vem onda que a levante

vem logo outra que a distende.

Não tem descanso jamais.» [pp. 91-92]


Obra Completa de António Gedeão, reeditada pela Relógio D’Água em 2022, e outras obras de Rómulo de Carvalho estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/produto/obra-completa-pre-venda/ e https://relogiodagua.pt/autor/romulo-de-carvalho/

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