22.9.25

Sobre Os Costumes do País, de Edith Wharton

 «Pode um romance ser feminista e misógino? Dificilmente. Mas “Os Costumes do País” (1913), de Edith Wharton, tem bastantes traços de feminismo e alguns de misoginia. É verdade que “os costumes” de dois países, França e Estados Unidos, são ambos patriarcais, ainda que com diferenças e especificidades. E é verdade que há uma protagonista, Undine, que combate esse sistema, mesmo que seja uma ambiciosa, uma fútil e uma péssima mãe. Estas contradições fazem com que o livro se afaste dos romances de tese e, ao mesmo tempo, das historietas psicológicas individuais. Se Valéry terá reduzido o género romanesco à inutilidade de frases como “a marquesa saiu às cinco da tarde”, Wharton pergunta: que marquesa? O que é uma marquesa? Como é que ele se tornou marquesa? Porque é que ela saiu às cinco? E saiu para onde? Undine Spragg, depois Undine de Chelles, depois Undine Moffatt, que é muito atraente e moderadamente inteligente, não conhece bem “os costumes”, nem os de Nova Iorque (para onde os pais a levaram, dando-lhe acesso a pretendentes distintos), nem os de Paris, onde viverá, e ainda menos os da província francesa.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 19/9/2025: https://expresso.pt/revista/culturas/livros/2025-09-18-livros-entre-o-feminista-e-o-misogino-eis-a-era-dourada-segundo-wharton-2eb51887]


Os Costumes do País (tradução de Frederico Pedreira) e outras obras de Edith Wharton estão disponíveis em: https://www.relogiodagua.pt/autor/edith-wharton/

Sem comentários:

Enviar um comentário