19.7.25

De Cânticos do Realismo e Outros Poemas, de Cesário Verde

 «A FORCA


Já que adorar-me dizes que não podes, 

Imperatriz serena, alva e discreta,

Ai, como no teu colo há muita seta

E o teu peito é peito dum Herodes,


Eu antes que encaneçam meus bigodes

Ao meu mister de amar-te hei-de pôr meta, 

O coração m’o diz — feroz profeta,

Que anões faz dos colossos lá de Rodes.


E a vida depurada no cadinho 

Das eróticas dores do alvoroço, 

Acabará na forca, num azinho,


Mas o que há-de apertar o meu pescoço 

Em lugar de ser corda de bom linho 

Será do teu cabelo um menos grosso.


2 Abril 1873» [p. 57]


Cânticos do Realismo e Outros Poemas, de Cesário Verde, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/canticos-do-realismo/

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